Notas iniciais
E aí galera? Desculpa a demora em postar dessa vez, mas viajei esse final de semana e a Gleeksick é completamente inútil e dependente de mim...rs Estamos quase no final da primeira fase da fic... Espero que gostem!

"Rachel, só... só fique comigo hoje, está bem?" Ele pediu em seu ouvido, envolvendo-a.

O rapaz a abraçava fortemente. Ainda tinha o mesmo aperto de que ela se lembrava... Seguro, certo, quente. Seu pequeno corpo se encaixava nele. O perfume sutil, que a envolvia e a fazia se lembrar de tantas coisas... Ela tentou resistir, sabia que tinha tentado. Mas estava surpresa, estava fraca, estava sensível. Estava com saudade.

Foi como se tivesse voltado por todos aqueles anos para uma noite qualquer, onde estavam felizes e apaixonados. E riam, conversavam e se amavam durante a noite inteira. O beijo, o toque dele, as palavras... Tudo voltara.

"Não fica com medo de mim... está tudo bem." Ele segurou o rosto da morena nas mãos, percebendo a insegurança impressa em seus olhos.

Ela acreditou que estava. Como não acreditar? Era ele, afinal. E ela não tinha forças para mais nada naquela noite estranha, a não ser para acreditar...

Rachel acordou sozinha. Sua garganta se fechando em um nó agonizante. Levantou-se ainda segurando o lençol contra o corpo e procurou-o pela casa. Procurou por qualquer sinal, qualquer afirmação que indicasse que fora o certo acreditar. Não encontrou nada. Nem o cheiro dele estava impregnado na cama. Sentiu-se então uma completa idiota. Deixou-se cair no sofá e chorou. Um choro intenso, doído, raivoso. Seu corpo se sacudia. Ela queria quebrar coisas, queria sumir, queria se machucar. Queria ele ali.

Mãos delicadas tomaram o seu rosto. Ela sentia que não eram as mãos dele. Seus olhos se abriram e ela se perdeu na imensidão dourada que eram os olhos da dona das mãos. Quinn estava ali. Como? Como ela podia estar ali? A loira limpava suas lágrimas com uma expressão preocupada no rosto. Suas mãos alisavam seus ombros, braços, pernas, procurando acalmar a morena. E estavam conseguindo. Assim que percebeu o choro cessar, sentou-se ao lado de Rachel e a abraçou. Delicadamente, encaixando-se melhor. Não apenas envolvendo-a, mas completando-a. Não apenas tomava-a para si, mas entregava-se também a ela. E era tão mais certo que Rachel se assustou. Não era para ela estar ali. Saiu de seus braços, ofegante. Não era para ela estar ali.

Mas ela estava.

"Rachel? Rachel? Tudo bem?"

A morena olhou para o lado. Santana a observava preocupada, uma expressão de sono no rosto. Ainda estava escuro. Só então percebeu onde estava e como estava: na cama da latina, sentada, ofegante, agarrando-se ao cobertor.

"Foi só um sonho..." Ela respondeu rouca.

"Um sonho ou um pesadelo?"

"Não sei..."

Rachel percebeu a garganta seca e se levantou. Observou pelo canto do olho a latina se deitar novamente. Podia jurar que ela voltara a dormir instantaneamente. Caminhou até a cozinha e abriu a geladeira, pegando uma garrafa d’água. Estava morrendo de sede. Sentou-se na cadeira em frente à bancada com o coração ainda acelerado. Não era um sonho. Era uma lembrança. E Quinn não estava nela. Por que sua mente a colocara lá daquela forma?

Não sabia como tinha acontecido, mas estava com uma tremenda vontade de ver a loira. Refez o caminho até o corredor, parando em frente à porta entreaberta e espiou pela fresta. Quinn dormia tranquilamente. Estava de lado, virada para a porta, a cabeça repousando em uma das mãos. Os fios loiros e curtos emoldurando o rosto de traços delicados. Sentia-se tão perto dela... E tão longe! Empurrou a porta, fechando os olhos ao ouvi-la ranger e torceu para que a loira não acordasse. Não acordou. Caminhou tentando fazer o mínimo de barulho possível e se agachou na sua frente. Linda. Quinn estava linda. Estava não, ela sempre fora. Pareceria uma cena estranha se alguém olhasse de fora, mas Rachel ficou parada por muito tempo, sem saber o que fazer, fitando-a carinhosamente. Quinn ficaria muito brava se a acordasse? Mas por que Rachel estava querendo acordá-la afinal? Sentiu o coração subir a garganta quando a loira se remexeu na cama, deitando-se barriga para cima, o peito subindo e descendo conforme a respiração, o rosto com uma expressão calma e serena. Rachel queria ao mesmo tempo abraçá-la e sair rápido dali. Decidiu pela segunda opção.

Ao sair do quarto, ainda prendendo a respiração, tinha plena consciência de que teria que fazer alguma coisa, qualquer coisa para mudar esse clima que se instalara entre elas. Não podia mais simplesmente ignorar. E foi com esse pensamento que voltou ao quarto, mais tranquila do que quando fora dormir mais cedo.

Quando acordou no outro dia, viu seus planos serem frustrados logo pela manhã, quando acordou e viu que a loira já havia saído para trabalhar. Ela estava fugindo novamente...

Contraditoriamente, um sorriso tomou conta dos lábios da morena, que preparou um café para si e saiu do apartamento para o ensaio, sem esperar por Santana. Já sabia o que iria fazer...

...

"Estou preocupada com a Rachel. Tem dois dias que ela está péssima..." Santana entrou na sala de Brody, fechando a porta.

"O que aconteceu?" O moreno perguntou enquanto se alongava.

"Esse lance com a Q está mexendo com ela."

"Acho que não é com a Rachel que você tem que se preocupar. Ela é daquelas pessoas que não mudam o modo de viver por nada, nem por ninguém. Se ela se sentir incomodada, quem vai sofrer é a Quinn." Brody disse.

Santana se sentou na cadeira em frente às barras de alongamento com uma expressão descrente.

"O que foi?" O moreno se levantou.

"Você não sabe o quanto isso é estranho. As duas." A latina disse.

"Elas sempre foram amigas, são bastante próximas, isso às vezes acontece..."

"Não. Elas não sempre foram amigas. Nem eu era amiga da Rachel. Céus, ninguém te contou a história?" Santana disse, levemente impaciente.

Brody franziu o cenho em uma expressão confusa e Santana bufou antes de explicar.

"A Quinn era a capitã das líderes de torcida no colégio, era o estereótipo de rainha do baile loira e perfeita. Era popular, namorava o quarterback, que por acaso é o ex-noivo da Rachel." Ela pontuou, vendo a expressão surpresa no rosto do rapaz. "E Rachel não era ninguém. Completamente obsessiva com a Broadway, cheia de manias, não era considerada bonita, não era considerada popular. As duas não combinavam em nada, viviam em guerra, brigando pelo Finn. A amizade delas não é de sempre e, mesmo que tenha passado tanto tempo, de vez em quando eu ainda acho estranho elas se tratando bem."

"Caramba... Isso... Eu não consigo imaginar nem a Quinn e nem a Rachel dessa forma."

"Se você prestar atenção elas ainda agem assim um pouco." A latina suspirou. "A Quinn fez muito mal à Rachel. Eu também, e não me orgulho disso. Mas ela sempre foi forte. Sempre. Ela era incapaz de fazer mal à Quinn. Pelo menos na mesma intensidade obsessiva que a Fabray tinha."

"E você?" Brody perguntou, curioso.

"Eu era líder de torcida também." Santana jogou as mãos para trás da cabeça, se fazendo confortável na cadeira. "Vivia me estapeando com a Fabray para ser a capitã. E não perdia uma única oportunidade de colocar a Rachel para baixo."

Brody riu, com cara de quem não acreditava em nenhuma palavra do que a latina dissera.

"Você e a Rachel... Como?"

"Um dia, se eu estiver com muita paciência, te explico a história inteira." Ela disse, enquanto a porta se abria.

“Lopez, Weston, só estão faltando vocês no estúdio!”

A latina jogou a cabeça para trás, revirando os olhos. Brody riu e a pegou pela mão para seguirem o homem que os chamava da porta.

...

Estava tensa quando se despediu do elenco na saída do teatro. Seguiu para o carro estacionado não muito longe dali e rumou para o imponente prédio localizado na Wall Street. Olhou em volta sentindo um pouco de frio. NY era realmente muito maior do que as pessoas, mas ela não se sufocava ali, se sentia parte daquilo, parte daquelas ruas, parte daqueles arranha-céus, parte de toda aquela grandiosidade. Comprou um café ali perto e sentou-se em um dos bancos em frente àquele mar de cinza na parte baixa da cidade, esperando. Demorou um pouco para ver a pessoa que queria saindo pelas portas de vidro, seu café já tinha acabado fazia tempo e o frio aumentado. Aproximou-se devagar, vendo que a outra mexia na própria bolsa e digitava algo no celular, distraída.

"Hey..." Ela chamou baixo, mas mesmo assim a loira se assustou, e ainda mais ao ver quem era.

"Rachel? O que você está fazendo aqui?" Quinn perguntou perplexa.

"Podemos conversar?"

A loira respirou fundo, olhando para os lados. Estava muito surpresa por Rachel estar ali. E teria que se acalmar para não dizer nada impensado. Mas a morena queria conversar...

"Rachel... eu não sei se..."

"Só anda um pouco comigo." A morena pediu.

Quinn viu um pouco de determinação no olhar castanho. E talvez fosse por isso que assentiu e começou a caminhar com a morena pela rua movimentada. A loira parou em frente a um café e entrou com ela, sentando-se em uma mesa afastada e quieta. A atendente anotou o pedido de Quinn e se afastou.

"Não vai querer nada?" Ela perguntou, cordial.

"Não, eu já tomei um enquanto te esperava, na verdade."

A loira apoiou os braços na mesa, cruzando os dedos e descansando o queixo neles. Seus olhos claros fitavam calmamente a morena ligeiramente travada. Rachel estava pensando na melhor forma de iniciar a conversa e nenhuma parecia realmente boa. Ela não tinha pensado exatamente no que queria dizer a Quinn.

"Você queria conversar?" A loira falou, atraindo o olhar da morena.

"Quinn, eu pensei sobre ontem." Ela respirou fundo, ainda pensando nas palavras. "A gente podia voltar... voltar ao que éramos. Antes de isso tudo acontecer." Disse incerta.

"Sério, Rachel?" A loira olhou-a incrédula. "E você diz isso um dia depois de me beijar?"

A morena fez menção de falar novamente e Quinn a calou com um gesto.

"Não diz mais nada, por favor."

"Me perdoa pelo dia da boate..." Rachel disse rápido.

"Rachel, eu não quero mais conversar."

"E vamos ficar assim? Sem conversa?"

"Sem conversa." Quinn assentiu.

"Eu quero você perto, Quinn!" A morena disse de repente, de forma intensa, alterando a voz e atraindo o olhar dourado.

Nesse momento a atendente chegou à mesa com o latte de Quinn, colocando-o na mesa e se afastando novamente. A loira mordeu o lábio inferior, ainda pensando sobre o que tinha acabado de escutar. As duas se encaravam.

"Perto como?" A advogada perguntou pausadamente.

"Perto! Você me faz bem... Eu fico mais leve quando estou perto de você." A morena baixou o olhar. "Eu pedi para voltarmos porque acho que estamos fazendo as coisas de um modo errado. Não precisamos definir alguma coisa... só fica perto de mim. Como naquela noite. Não se afaste, continue perto."

"Quem se afastou foi você..." Quinn sussurrou, um pouco surpresa pelas últimas palavras.

"Eu sei. Mas eu não estou mais me afastando."

As duas ficaram em um silêncio estranho. Tinham medo de dizer algo que não condizia com o momento. Tudo era sempre tão confuso entre as duas! Mas Quinn precisava, precisava que ela dissesse mais.

"E como vai ser?" A loira questionou.

"Eu vou parar de me afastar, vou fazer o que me der vontade. Acho que só vou conseguir lidar com a gente assim agora. Você disse que não somos amigas. Nós somos. Só... descobrimos algo novo."

A loira começou a beber, pensando nas palavras de Rachel. Ela não estava definindo nada, mas ia parar de ser covarde. O que isso significava? Que as coisas iam simplesmente acontecer a partir de agora? Quinn não ia dar o braço a torcer tão fácil. Se Rachel quisesse algo, não seria ela que correria atrás. Elas continuavam em silêncio enquanto Quinn terminava o seu pedido e uma certa tensão surgia. Estavam com tantos assuntos e momentos mal resolvidos para lidar...

"Eu sei que você se convenceu de que a nossa primeira noite foi um erro. Assim como a nossa última. E eu dei motivos para isso. Mas eu não me sinto como se tivesse sido um erro. Nós não pensamos muito no que estávamos fazendo e por isso agora eu quero ir devagar... Mas eu não me arrependo de nenhuma vez." Rachel confessou.

A morena não esperava que Quinn dissesse mais nada. Queria que ela absorvesse o que dissera. Sabia que não tinha dito muito e que a antiga Rachel Berry despejaria palavras e mais palavras ansiosas, mas ela simplesmente não era mais assim. E talvez desacelerar fosse o certo agora, para as duas perceberem o que acontecia entre elas. A loira pagou pelo café e saiu com ela do estabelecimento, caindo novamente nas ruas cinzentas e úmidas pelo sereno que já caía. O silêncio pairava entre ambas. Como agir agora? Pararam em uma esquina, dando-se conta de que ambas estavam de carro. A morena então se adiantou para perto de Quinn, beijando-lhe a bochecha e aspirando o perfume de que sentira falta.

"Te vejo em casa..." Rachel murmurou sobre a pele beijada, para logo depois se afastar.

Quinn sentia a pele queimando um pouco onde o beijo fora dado e a nova ansiedade de chegar em casa acompanhada da morena que, dessa vez, não tinha nada a ver com sexo. Ambas estavam nervosas ao dirigir e Rachel ainda pensava em como agir agora. Quinn chegou antes ao apartamento e esperou pela morena, que sorriu com o gesto. A tensão só aumentava na medida em que andavam uma do lado da outra ou simplesmente esperavam o elevador sem dizer nada. Rachel fechou a porta do apartamento e se viu sozinha com Quinn. Jogou as chaves em cima da mesa e ficou parada no mesmo lugar, olhando para baixo. Antigamente ela teria se atirado em Quinn desesperadamente, quase rasgando as roupas de ambas para poder senti-la na própria pele e sentir o prazer que a loira sabia perfeitamente como lhe proporcionar ou vê-la enlouquecer com o que também sabia fazer e fazia com toda a atenção quando se tratava dela. Mas agora não era hora para isso e ela por um momento pensou que tinha esquecido como agir em situações assim.

Quando fitou o olhar calmo de Quinn percebeu que a loira simplesmente a analisava. Eram realmente muito diferentes. Eram opostos. E os opostos não se atraíam, eles colidiam no caso delas. E ela teria que ter calma para não ser tão brusca. Todos esses pensamentos rodearam em sua cabeça durante um segundo. Quinn se virou para colocar as próprias coisas na mesa e foi surpreendida ao sentir a mão da morena lhe puxando delicadamente pelo rosto para um beijo. A loira suspirou, sentindo os movimentos dos lábios de Rachel e retribuiu. A morena percebia que mesmo assim Quinn estava receosa, então não avançou além daquilo. Cortou o beijo, aspirando o cheiro do pescoço pálido de Quinn, as mãos acariciando levemente sua cintura.

"Quer ver um filme?" Rachel murmurou, fazendo um singelo carinho na região com o nariz.

"Desde que não seja um musical..." Quinn respondeu rouca.

A morena riu sobre a pele da loira, antes de depositar ali um beijo e se afastar.

"Não será um musical." Ela falou por cima do ombro, indo para o próprio quarto.

Quinn ainda se encontrava de costas, respirando pesadamente, um pouco entorpecida com aquilo. Fazia um longo tempo que não era tratada dessa forma por ninguém. Escutou após alguns minutos o chuveiro da suíte de Rachel ligado e resolveu se mexer também. Entrou no próprio quarto para tomar um banho procurando esvaziar a mente dentro do chuveiro. Quando saiu, a morena já estava vestida e sentada no sofá da sala, mexendo em alguns dvd’s.

"Quer ajuda?"

Rachel olhou para trás com um sorriso.

"Na verdade, queria alguma coisa que a gente não tivesse assistido ainda..."

A loira se sentou no sofá, pegando o controle e mudando os canais.

"Esse a gente não viu..." Quinn parou em um aleatório.

"Você nem sabe o nome do filme." Rachel arqueou a sobrancelha, sorrindo, vendo Quinn dar de ombros. "Vamos fazer o seguinte... você escolhe um de que você goste e eu faço pipoca pra gente."

Quinn assentiu, vendo a morena se levantar e olhando demoradamente para suas pernas cobertas apenas por um shortinho antes dela sumir na cozinha. Algumas coisas eram impossíveis de se segurar, pensou ao sorrir de lado. Trocou os canais não vendo nada de interessante e parou em um filme que já tinha visto e que era o melhor no momento.

"Já vi esse." A morena sorriu, voltando da cozinha.

"Matrix?" Quinn arqueou a sobrancelha. "Jura?"

"Eu gosto." Rachel deu de ombros, sentando-se no sofá, com a bacia de pipoca no próprio colo.

"Sério?" A loira riu. "Não acho que seja um bom filme para se assistir em um momento como esse. Na verdade, eu só estava vendo enquanto você não voltava..."

Rachel fitou o rosto da loira, chegando a uma conclusão. Deixou a pipoca na mesinha em frente a elas e voltou a encará-la.

"Acho que o filme é o que menos importa." Ela disse sincera, baixando o olhar de toda a intensidade dos olhos esverdeados de Quinn. "Eu só queria passar um tempo com você, como antes."

Quinn pegou o controle e abaixou o volume da tv, apoiou o cotovelo no encosto do sofá, virando-se de lado e sorrindo levemente pelas palavras da morena. Era verdade.

"Como foi seu dia hoje?" Ela perguntou.

"Ótimo!" Rachel sorriu radiante, antes de se conter, corando um pouco. "Eu estou gostando realmente do elenco. E acho que estou conseguindo finalmente me soltar..."

O olhar das duas foi atraído para a tv, onde Neo atirava em um agente.

"Você tem razão, não é um filme para um momento como esse." A morena riu.

"Deve ser péssimo descobrir que tudo o que você viveu foi uma mentira." A loira falou, atraindo o olhar de Rachel.

"Agora ele não pode fugir, ele sabe o que é a Matrix, e a vida fora dela."

"Vamos mesmo fazer uma análise sobre o filme?" Quinn olhou-a divertida, vendo-a dar de ombros.

As duas continuaram assistindo até Quinn quebrar o silêncio.

"Qual a data da sua primeira apresentação?"

"Provavelmente depois de Lima..."

"O Mark é o Melchior, certo?" A loira perguntou, vendo a morena assentir. "Vocês dois..." Ela hesitou.

"Ele é gay." Rachel riu.

"Eu ia perguntar se você se dá bem com ele. Se você se sente confortável."

"Ele é ótimo!" A diva sussurrou as palavras, fitando Quinn.

Assim que seus olhos se encontraram tudo pareceu ficar silencioso de repente. Elas se observavam. Os traços delicados da loira, a pele pálida, os olhos que estavam especialmente verdes aquela noite, a boca rosada contorcida em um sorriso quase imperceptível. Os lábios carnudos na morena, os olhos castanhos calmos, penetrantes e misteriosos, a pele bronzeada e os traços marcantes que lhe definiam.

Rachel se deslocou devagar pelo sofá em direção à Quinn, sentando-se de lado muito próxima a ela. As cabeças de ambas repousando no sofá. Seu nariz pincelou o da loira, fazendo um arrepio percorrer a pele de ambas. Quinn respirou fundo, aspirando o perfume da morena e permitindo um beijo lento.

Os lábios quentes de Rachel movimentavam os seus quase em câmera lenta... Ambas gemeram baixo quando as línguas se encontraram, deslizando preguiçosamente uma sobre a outra, aumentando o ritmo devagar... Se reconhecendo, se provando. A cabeça de Rachel descolou do sofá, procurando mais movimentação, sua mão pousando na cintura de Quinn, apertando levemente enquanto a mão da loira ia parar em sua nuca, puxando-a mais para si. Parecia que se beijavam pela primeira vez. Era tudo muito novo para Rachel, todo aquele ritmo calmo... A loira gemeu em sua boca, puxando os fios negros de sua nuca, fazendo com que Rachel se acomodasse em seu colo, sua mão deslizando pela coxa torneada. Rachel mordeu seu lábio, sugando-o em seguida e elas perderam um pouco do controle. As mãos de Quinn foram para as costas da morena, puxando-a, colando seus corpos ansiosos por contato. A mão direita de Rachel subiu por seu tronco, parando em seu seio por cima da blusa e soltando um gemido. Quinn estava sem sutiã. O beijo foi cortado, mas as duas permaneciam coladas. A morena escondeu o rosto no pescoço de Quinn, ainda massageando seu seio. A loira ronronava com os movimentos, até a sua mão se colocar sobre a de Rachel, seu coração disparado.

Aos poucos, sua respiração começou a se normalizar, seus dedos entrelaçados aos dela, o incômodo no meio das pernas se acalmando lentamente. Suas percepções do que acontecia ao redor foram voltando gradativamente. A cena de ação acontecendo no filme cortou o clima. Era Neo e o agente Smith. Rachel riu sobre a pele branca, provocando também o riso de Quinn.

"Pega um vinho pra gente?" A loira pediu, sentindo a morena assentir sobre seu pescoço e sair de seu colo.

Quinn pegou a bacia de pipoca, começando a comer. Ainda estava com uma leve arritmia. Tentou pensar, mas tudo o que vinha em sua mente era Rachel. A morena voltou com o vinho e duas taças e elas começaram a conversar como se não houvesse um mundo em volta. Apenas as duas.

Santana abriu a porta do apartamento com dificuldade, deixando rapidamente na mesa as sacolas que carregava e o capacete. Mal reparou em Quinn e Rachel gargalhando no sofá. Resmungou alguma coisa antes de notar o clima amistoso entre elas.

"Tudo bem por aqui?" A latina estranhou.

"Tudo ótimo. Você fez compras?" A morena imitou a expressão da latina.

"A cerveja acabou, então eu aproveitei para comprar a comida de vaca que você gosta e algo que salve eu e Quinn de encostar nela."

Rachel estreitou os olhos, fingindo uma risada para a latina. Quinn tentava conter o riso.

"O que vocês estão fazendo?" Santana franziu a testa.

"Conversando..." A loira bebeu um gole de vinho.

Santana encarou a expressão calma de Rachel algumas vezes, antes de balançar a cabeça e voltar para a cozinha. Guardou tudo em seu devido lugar e foi tomar um banho. Ao sair, as duas ainda se encontravam na sala conversando. Preparou rapidamente uma macarronada para o jantar, levando para elas na sala e servindo-se também de vinho. Quinn e Rachel trocavam tantos olhares quanto podiam, devido à presença da latina. Santana bufou.

"Estressada?" Rachel estranhou o comportamento da latina.

"Estou tendo que coordenar uma apresentação de aspirantes a futuras estrelas da Broadway junto com Brody."

"E qual o problema?"

"Qual o problema? Estou tendo que lidar com Rachel Berry’s e Kurt Hummel’s o tempo inteiro!" A latina revirou os olhos.

"Estou levemente ofendida." A diva comentou, fazendo Quinn rir.

"Você não é mais daquele jeito e eu agradeço por isso. Se pelo menos elas fossem atraentes ou tivessem as suas pernas..."

"Você está me cantando?" Rachel arqueou as sobrancelhas, com um ar de riso.

"Se eu pensasse em você dessa forma, Rachel, já teria te agarrado em alguma das inúmeras vezes em que tive uma chance para isso."

Rachel se encostou em Santana, sorrindo.

"Devo ficar feliz por isso?"

"Por perder uma chance comigo? Nunca é algo feliz." A latina disse, convencida.

Rachel gargalhou, empurrando Santana levemente, cruzando o olhar com Quinn. Havia um leve desejo impresso no olhar da loira. E ele não era direcionado para a latina.

Quinn tinha gostado de dormir com Santana. Era divertido, era novo, era bom. Mas nunca sentiu nada parecido com o que aconteceu com Rachel. Era demais. Transbordava tudo o que sentia. Tomava conta de seu corpo como nunca ninguém tinha feito. Era pura química.

Quando terminaram a loira se ofereceu para lavar a louça e Rachel se viu sozinha na sala com Santana.

"Tudo bem?" A latina perguntou apreensiva, vendo Rachel assentir.

"Obrigada..." A morena deitou-se no ombro da latina.

"Por...?"

"Ser assim comigo. Para mim."

"Você cuida de mim e eu de você."

A diva se apertou mais ao corpo de Santana.

"Faltam duas semanas pra para Lima." Ela disse.

O corpo da latina enrijeceu.

"Fica perto de mim." A latina pediu, num fio de voz.

"Vou estar." Rachel garantiu.

Elas ficaram alguns minutos naquele abraço, antes da latina se levantar para ir dormir. Rachel também se levantou assim que escutou a porta fechando. Entrou na cozinha, encontrando a loira de costas, enxugando as mãos. Colou o corpo no dela, beijando seu ombro, as mãos em sua cintura.

"Estou me surpreendendo com você..." Quinn sorriu, um pouco hesitante.

"Eu disse que queria você perto." Ela arranhou a pele branca por debaixo da blusa.

Rachel beijou a nuca da loira, sugando levemente a região. Quinn espalmou as mãos na bancada, sentindo os carinhos da morena. A loira se virou, beijando-a um pouco mais intensamente do que das outras vezes. Segurou o rosto de Rachel nas mãos, guiando-a aos tropeços pelo apartamento, apenas porque não queria deixar de beijá-la. As costas de Rachel bateram um pouco bruscamente contra a porta do quarto da morena.

"Desculpa..." Quinn sussurrou sobre os lábios inchados.

Rachel apenas a puxou pela blusa para continuar o beijo, onde Quinn manteve o ritmo até cortá-lo, com um selinho demorado e ofegante. Seus lábios continuaram se roçando, anestesiados. A mão direita da loira subiu até o rosto de Rachel, acariciando enquanto movia os lábios para seu pescoço.

"Boa noite..." A loira sussurrou sobre a pele dourada.

"Boa noite..." Rachel desejou o mesmo em seu ouvido.

A loira apertou levemente a cintura da morena e lhe deu um selinho rápido, mas carinhoso, antes de se afastar. Trocou um sorriso com ela antes de entrar no próprio quarto e fechar porta. Rachel ainda sorria consigo mesma, encostada na porta. Não queria pensar no que sentia de fato, mas gostou daquilo. Conversaram, riram, foram carinhosas uma com a outra e uma tensão gostosa pairava sobre elas e seus toques. Nunca na vida Rachel teve essa experiência com uma garota. Nunca correra atrás ou dera atenção. Descobriu que gostava de fazer isso por Quinn. Queria cortejá-la, queria ir devagar...

Quinn escovou os dentes e se deitou, respirando fundo... Tinha plena consciência do mal que Rachel poderia lhe fazer, mas não conseguia pensar nisso. A morena estava lhe dando o carinho de que tanto sentia falta e ela sentia que era aquilo que Rachel queria. Não era forçado. A morena simplesmente não estava se retraindo mais e se esforçava para ser gentil. Não sabia qual Rachel Berry era aquela, mas tinha gostado imensamente...

Notas finais
;)