How To Make A Friend
4 Capítulo 4
Correu em direção aos pedacinhos de vidro, preocupado com que uma das únicas lembranças da fisionomia de seus pais tivesse sido danificada. Por sorte, apenas o porta-retratos havia sido quebrado, e a foto ainda permanecia intacta. Pegou-a na mão e, então, percebeu que, atrás da foto, havia um pequeno pedaço de papel dobrado algumas vezes e preso à foto por um pedaço de fita adesiva. Arrancou a fita e desdobrou o papel. O pedaço de papel, na verdade, se tratava de uma página de livro, a qual tinha um pedaço faltando. Achou que aquilo tudo era muita coincidência e não poderia ser possível. Porém, mesmo duvidando das chances daquilo estar acontecendo, pegou nas mãos o grande livro e o paginou até o fim, onde estava a página danificada.
Colocou a página recém-encontrada próxima à do livro e, como já esperava, o encaixe foi perfeito. Para sua surpresa, a página do livro foi magicamente restaurada e agora era possível ler a frase que a tanto deixou Noah perplexo de curiosidade: Criação de Homúnculos. Aquela única e enorme página estava recheada com os mais diversos tipos de informações sobre os homúnculos, essas incríveis e fascinantes criaturas orgânicas criadas de modo artificial, em laboratório. Já havia ouvido falar muito delas e, por algum motivo, algo familiar sobre elas soava em suas lembranças, só não sabia com exatidão do que se tratava. Analisando com mais cuidado o que estava escrito, viu que aquilo basicamente era um manual de como gerar vida, a partir do nada. Descrições de ingredientes necessários para a criação de homúnculos, suas características físicas e composição genética, os fins para os quais poderiam ser usados, dentre diversas outras coisas. Sucintamente, homúnculos nada mais eram do que criaturas vivas, humanoides ou não, muito semelhantes aos seres humanos em diversos aspectos, com a diferença de que eles eram gerados a partir da mistura de materiais inanimados. Noah ficou tão extasiado pensando nas infinitas possibilidades que tinha agora, em posse de um manual de como criar vida, que nem parou para pensar em quem e quais motivos esse alguém teria para rasgar e esconder as instruções de como fazer aquilo. Mas isso não importava agora. O fator crucial naquele momento, é que aquilo poderia ser a resposta para seus problemas. Se ele não conseguia se socializar e fazer amizade com pessoas já prontas, por que não criar – literalmente – seu próprio amigo? Um flash passou por sua cabeça e acendeu uma ideia que não seria apagada tão rápido. Podia parecer um ato desesperado, até mesmo digno de pena. E realmente era. Mas o simples fato de ter alguém ao seu lado fez Noah ignorar qualquer opinião própria, de sua consciência, que fosse contrária àquilo. Estava decidido. Com o livro em mãos, o garoto adentrou na floresta próxima à sua moradia para começar a coleta dos ingredientes necessários. Ora ou outra, a pequena expedição era interrompida com a aparição de alguma graciosa criatura silvestre, tais como borboletas e até mesmo um pequenino ser que poderia jurar se tratar de uma fada, ninfa ou algo do gênero. Eram ótimas distrações para aliviar a exaustão, e depois de várias horas, finalmente faltava apenas um item a ser coletado. Sem sombra de dúvidas era algo difícil e raro de se encontrar. Tratava-se de um pequeno minério mágico de cor negra, que ganhava aparência multicolorida ao ser tocado por um legítimo alquimista. Tinha diversas funções, como ser usado para concluir um ritual de selamento, ou neste caso, ser usado como catalisador para potencializar a receita de criação de vida. Também havia boatos de que era um dos ingredientes para a criação da Pedra Filosofal.
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