Não havia outro jeito. Ele teria que se arriscar um pouco mais e entrar na parte obscura da floresta, em busca do tal minério. O cheiro era desagradável e traziam más lembranças à mente, os galhos retorcidos das árvores cinzentas e mortas só não eram mais apavorantes que os olhos dos animais que saltavam delas e os observava. Os ruídos dos pequenos animais ecoavam pelo local nebuloso e faziam gelar a espinha de qualquer um que se atrevesse a caminhar por aquele local. Depois de muito caminhar, Noah trombou com uma parede rochosa extremamente alta, parecia ser uma espécie de gruta. Achou ser o fim da linha, mas empurrando a cobertura de vinhas da parede, viu que havia uma grande abertura e resolveu entrar. O local estava completamente escuro nada se podia enxergar. Caminhava com dificuldade e insegurança, ouvindo o barulho das goteiras cainda do teto e o som de alguns morcegos que pareciam estar dormindo. Alguns passos adiante, pôde perceber um pequeno facho de luz que adentrava pelo teto e iluminava apenas uma pequena área do chão ao redor. Tirou o cordão de seu pescoço e, com seu pequeno cristal em mãos, conseguiu refletir a luz em outros minerais espalhados pela parede, que começaram a refletir em outros, no teto, e logo o lugar escuro parecia ser mais o local de trabalho de anões mineradores da floresta. O presente de seus pais parecia ter tido alguma utilidade prática. Logo à frente, percebeu que inscrições em uma língua indecifrável cobriam as paredes do longo corredor da caverna e, ao final dele, mal pôde acreditar no via. Correu em direção a um pequeno pedestal, rodeado de um círculo mágico em formato de pentagrama, e em cima dele estava o último ingrediente de sua receita. Tocou no pequeno fragmento de minério negro no centro do pentagrama e o retirou do local. Seus olhos brilhavam tanto quanto a pedra, em suas mãos. Por algum motivo aquele local lhe trazia um certo sentimento de familiaridade. Não que já estivesse tido naquele lugar alguma vez na vida, mas era como se algum antepassado seu já estivesse. Sentiu-se cambaleante e zonzo. Certamente a longa jornada em busca do minério, juntamente com a pouca oxigenação daquela caverna, não estavam lhe fazendo muito bem. Era melhor voltar rapidamente para a casa e tirar um merecido e longo descanso, antes da noite cair e não achar o caminho de volta.

Depois de uma longa noite de sono e alguns estranhos pesadelos, Noah ainda se sentia um pouco estranho e cansado, mas não conseguia conter sua ansiedade e foi logo pegando seu caldeirão para feitiços e os ingredientes coletados no dia anterior. Cantarolava, enquanto adicionava com demasiada alegria cada ingrediente naquela mistura que parecia ser um grande sopão.

— Pó de asas de borboleta... Ovas de sapo... Amostra de material genético? – pensou consigo mesmo, coçando a cabeça – Ah, claro! – disse puxando o muco do pulmão para a garganta e dando uma cuspida dentro da mistura. Adicionou o minério negro-colorido à solução, enquanto lia o final das instruções: “Ao final da receita, o alquimista deve finalizar o feitiço recitando as palavras mágicas, junto com as exigências que o homúnculo deva cumprir. São ótimos ajudantes, e, apesar da alta intelectualidade, muitos alquimistas usavam seus homúnculos como verdadeiros escravos, maltratando-os, de modo que muitos morriam, exaustos de tanto trabalhar em busca da fórmula para a transfiguração de metais em ouro...”. Mal conseguiu terminar de ler.

— Mas quanta crueldade! – exclamou indignado – Eles deviam se envergonhar de se aproveitarem de criaturas tão especiais quanto estas. Eu não quero um escravo, só quero alguém que me entenda, que cuide de mim e me proteja, que se importe comigo – enquanto gesticulava e andava em círculos, nervoso, arranca sem querer o cristal em seu pescoço, e o deixa cair na mistura, provocando uma reação química descontrolada – ... Só quero... Um amigo... Aai! – ao terminar o discurso, uma explosão no caldeirão fez o alquimista cair no chão e tossir algumas vezes devido à grande quantidade de fumaça que exalava do recipiente.