Notas iniciais
Como prometido :D

Deenrolada em uma toalha, sem fazer um mínimo barulho. O médico dormia preguiçosamente em seu quarto, ocupando toda a cama de casal. Isso Celty pode ver com seus próprios olhos quando passou pela frente do quarto dele enquanto dirigia-se ao seu. Na verdade, ela parou ali, na porta e ficou observando a cena.

O fato de Celty não ter cabeça era uma boa coisa, ela já estava ciente disso. Tinha uma visão periférica do quarto de Shinra, assim como do corredor onde estava. Se ela quisesse, poderia ter olhos em todos os lados e enxergar tudo. Na maior parte do tempo Celty e atem a sua frente, mais aquela era uma ocasião em que quis abusar do que tinha.

Observou tudo e gravou na memória cada detalhe que pode. Seu tórax arfou em um suspiro que nunca saiu. Segurou firme a toalha contra o corpo e continuou sua jornada até o quarto.

Pegou pijamas. Era uma rara ocasião em que não usava roupas que ela mesma produzia. Na realidade, usar roupas da sua sombra sempre fora algo meio estranho. No momento de dormir, então, despia toda a sombra do seu corpo e botava uma roupa leve de algodão. Antes disso, também, Celty fez uma outra parada.

Na frente do espelho Celty deixou a toalha cair aos seus pés. Olhou o seu corpo do mesmo modo que gravou a cena de Shinra pouco tempo antes. De algum modo começou a juntar as duas cenas. Entrava no quarto do Shinra exatamente como se via ao espelho e sentava na ponta direita da cama, onde se encontrava um dos pés de Shinra. Ele não acordou e ela nem o tocou, ficaram apenas no silêncio. Suas sombras se misturaram com as do quarto e essas sim o tocaram. Mas o toque das sombras de um ser como Celty não são como os dos humanos, Shinra não fez nada além de sorrir, profundo em seus sonhos. A vontade de Celty era tocá-lo.

Uma brisa a fez voltar à realidade. Deu outro suspiro que não sai e pôs sua roupa de algodão. Naquela noite, Celty sonhou este mesmo sonho.