How To Love
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Este primeiro capítulo é baseado em factos reais até certo ponto. Algumas partes são, obviamente, alteradas e inventadas por mim. Espero que gostem.
Ps: O Justin não é famoso nesta história
Estava deitada na cama com as costas apoiadas à parede quando senti uma brisa gelada a atingir-me. Um arrepio formou-se no meu corpo, percorrendo-o de uma ponta à outra. Senti que algo estava errado, como se algo que não era suposto acontecer tivesse acontecido. Rapidamente abanei a cabeça e suspirei, tentando evitar pensar no assunto e concentrei-me nas minhas unhas novamente, pintando agora o dedo mindinho com o meu verniz preto.
Após alguns minutos o som da vibração violenta do meu telemóvel veio interromper o meu sossego. Levantei-me e dirigi-me até ao aparelho, tendo especial atenção às minhas unhas acabadas de pintar.
“Jake a chamar”
Porque haveria ele de me estar a ligar? Não éramos propriamente chegados para ser honesta, apenas falávamos devido ao facto de estarmos na mesma turma.
Decidi atender curiosa com o propósito daquela chamada.
“Jake?” questionei confusa.
“Meredith” disse ele num tom de voz impossível de interpretar.
“Sim?” voltei a perguntar.
“Desculpa o incómodo” sussurrou ele no mesmo tom.
“Não faz mal, porque ligaste?” perguntei tentando ser simpática.
“Ouve...” começou ele fazendo uma longa pausa seguida de um suspiro. De seguida a sua voz quebrou-se e presumo que ele tenha começado a chorar.
“O que se passa Jake?” perguntei mais uma vez com ambos os olhos bastante abertos.
Consegui ouvir o som dele a fungar, revelando um choro intenso. Achei melhor manter-me calada até que ele dissesse o que pretendia.
“Desculpa” murmurou finalmente “É que não sei como te dizer isto” disse ainda entre soluços com a voz completamente abatida.
“Jake por favor diz” pedi começando a sentir-me seriamente preocupada com a situação.
“Estávamos a caminho do bar” iniciou ele fazendo uma breve pausa para respirar “Íamos festejar o facto do Richard ter passado o teste de condução” continuou pausando novamente e de repente a sua voz quebrou-se novamente “Eu tentei Meredith, eu juro que tentei, mas não consegui” murmurou por entre o seu choro.
“Tentaste o quê Jake?” perguntei cada vez mais confusa.
“O Mark” senti um arrepio ao ouvir o seu nome. O nome do meu melhor amigo que havia estado comigo há cerca de uma hora. “Estávamos a passar a estrada e o telemóvel dele tocou e ele deixou-se ficar para trás e de repente um carro passou e estava em excesso de velocidade e eu não sei como isto aconteceu Meredith” completou ele entrando em desespero, agora soltando gemidos por entre o choro.
Senti lágrimas formarem-se também nos meus olhos escuros.
“Jake” murmurei “Não me digas que...”
“Sim Meredith. As ultimas palavras dele foram dirigidas a ti” sussurrou com a voz rouca característica do choro.
“Últimas palavras?” consegui dizer sentindo uma dor gigante no peito e as lágrimas a cair intensamente.
“Ele disse que vai garantir que tu vais ser feliz daqui para a frente e que nunca te vai deixar” disse ele num sussurro que foi abafado pelos nossos choros em sintonia.
Um grito desesperado saiu do meu interior e senti um peso intenso no meu peito.
Deixei-me cair no chão sem me preocupar com mais nada, sempre com o telemóvel colado ao meu ouvido. Após alguns minutos de ouvir o choro de Jake e de chorar também, murmurei “Nunca o vamos deixar também” e de seguida desliguei o telemóvel.
Todo o meu corpo tremia com intensamente e o meu peito movia-se com intensidade à medida que eu soluçava também. Levei as mãos à cabeça sem saber ao certo o que fazer, o meu cabelo já estava encharcado das lágrimas, desviei-o para trás das orelhas. Senti uma dor no peito a ficar cada vez mais intensa e tossi tentando fazê-la sair. Apenas me engasguei e causei um choro ainda mais intenso.
Permaneci imóvel no chão do meu quarto durante algumas horas, sem falar, apenas com a companhia dos meus próprios soluços. Acabei por ganhar força nas pernas, sem saber bem como e o primeiro pensamento que me surgiu na minha mente foi dirigir-me ao sitio onde eu e ele passávamos os dias e as noites isolados do resto do mundo : a praia.
Olhei para o ecrã do telemóvel e noticiei imensas chamadas não atendidas, provavelmente não dei por elas por entre o ruído intenso do meu choro. Decidi não ligar a ninguém de volta. Precisava de algum tempo sozinha.
Como já era tarde, ambos os meus pais estavam a dormir, saí de casa rapidamente e comecei a andar até à praia, sem nunca ser capaz de travar as lágrimas.
Quando finalmente a alcancei, sentei-me na areia gelada e olhei para o mar salgado que emitia ruídos relaxantes. Fechei os olhos e deixei-me envolver por aquele ambiente, tentando trazer a minha respiração de volta à normalidade, porém imensas memórias surgiram e senti a necessidade de chorar com mais força.
Abri os olhos novamente e olhei para o céu estrelado. “Será que ele já lá chegou?” questionei-me a mim própria observando as estrelas no céu reluzentes. Talvez a viagem até ao céu seja demorada. Talvez seja rápida. Quem me dera que isto fosse tudo um pesadelo. Talvez até seja. Talvez até esteja a dormir no conforto da minha cama. Decidi levar uma mão à minha bochecha e apertá-la fortemente num beliscão. Infelizmente senti a dor. Não estava a sonhar, isto tudo era bem real.
Após alguns minutos de choro intenso ouvi um estrondo gigante do outro lado da praia e imensas vozes fizeram-se soar.
Fiquei perplexa. O estrondo que acabava de ouvir eram tiros. E pela sua intensidade não estavam longe. Decidi deitar-me na areia de barriga para baixo, pois era sempre o que as pessoas faziam nos filmes. Tentei evitar fazer barulho, mas era inevitável, um soluço involuntário escapava da minha boca a cada dois segundos.
Ouvi passos a aproximarem-se, contudo mantive-me quieta, apenas querendo sair dali o mais depressa possível e desejando ter o Mark ao meu lado para me envolver nos seus braços.
Sentindo os passos demasiado perto de mim, levantei a cabeça e vi um rapaz da minha idade com uma pistola na sua mão direita e rapidamente senti a minha respiração tornar-se mais rápida não conseguindo proferir uma única palavra tal era o estado em que me encontrava. Os nossos olhos encontraram-se e ele focou-se em mim por instantes. Tinha o olhar carregado de raiva e maldade. Admito que o seu olhar era algo assustador, porém despertava alguma curiosidade dentro de mim.
“Tens de sair daqui” disse ele do nada sem quebrar o contacto visual “não é seguro”.
Não consegui formar palavras tal era o meu nervosismo, todo o meu corpo tremia. Emiti então um som estranho que provinha do fundo da minha garganta.
“Foge” disse ele sem paciência, com alguma violência “Não me obrigues a matar-te”.
Após ele ter dito estas palavras comecei a rastejar desesperadamente pois era impossível levantar-me. O choro tinha voltado e quase não tinha força nos braços para transportar o meu corpo. Porém consegui alcançar a estrada e caminhei até casa, cheia de adrenalina dentro de mim, tal como tristeza, saudade e revolta. Quem me dera que o Mark aqui estivesse ao meu lado.
Deitei-me na minha cama e com bastante dificuldade fechei os olhos que me doíam intensamente. Acabei por adormecer na altura do nascer do sol.
Notas finais
Gostava que me dissessem as vossas opiniões, prometo que a história vai melhorar daqui para diante!
O que será que pensou o rapaz da praia? Quem será ele? Será que ele e a Meredith se vão encontrar outra vez? Como irá Meredith ultrapassar a morte do seu melhor amigo?
Ainda há muito por descobrir! :D
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