Notas iniciais
Esta é a primeira história que publico aqui neste site, portanto se não sair nada de jeito por favor não me julguem!
Este primeiro capítulo é baseado em factos reais até certo ponto. Algumas partes são, obviamente, alteradas e inventadas por mim. Espero que gostem.
Ps: O Justin não é famoso nesta história

Estava deitada na cama com as costas apoiadas à parede quando senti uma brisa gelada a atingir-me. Um arrepio formou-se no meu corpo, percorrendo-o de uma ponta à outra. Senti que algo estava errado, como se algo que não era suposto acontecer tivesse acontecido. Rapidamente abanei a cabeça e suspirei, tentando evitar pensar no assunto e concentrei-me nas minhas unhas novamente, pintando agora o dedo mindinho com o meu verniz preto.

Após alguns minutos o som da vibração violenta do meu telemóvel veio interromper o meu sossego. Levantei-me e dirigi-me até ao aparelho, tendo especial atenção às minhas unhas acabadas de pintar.

“Jake a chamar”

Porque haveria ele de me estar a ligar? Não éramos propriamente chegados para ser honesta, apenas falávamos devido ao facto de estarmos na mesma turma.

Decidi atender curiosa com o propósito daquela chamada.

“Jake?” questionei confusa.

“Meredith” disse ele num tom de voz impossível de interpretar.

“Sim?” voltei a perguntar.

“Desculpa o incómodo” sussurrou ele no mesmo tom.

“Não faz mal, porque ligaste?” perguntei tentando ser simpática.

“Ouve...” começou ele fazendo uma longa pausa seguida de um suspiro. De seguida a sua voz quebrou-se e presumo que ele tenha começado a chorar.

“O que se passa Jake?” perguntei mais uma vez com ambos os olhos bastante abertos.

Consegui ouvir o som dele a fungar, revelando um choro intenso. Achei melhor manter-me calada até que ele dissesse o que pretendia.

“Desculpa” murmurou finalmente “É que não sei como te dizer isto” disse ainda entre soluços com a voz completamente abatida.

“Jake por favor diz” pedi começando a sentir-me seriamente preocupada com a situação.

“Estávamos a caminho do bar” iniciou ele fazendo uma breve pausa para respirar “Íamos festejar o facto do Richard ter passado o teste de condução” continuou pausando novamente e de repente a sua voz quebrou-se novamente “Eu tentei Meredith, eu juro que tentei, mas não consegui” murmurou por entre o seu choro.

“Tentaste o quê Jake?” perguntei cada vez mais confusa.

“O Mark” senti um arrepio ao ouvir o seu nome. O nome do meu melhor amigo que havia estado comigo há cerca de uma hora. “Estávamos a passar a estrada e o telemóvel dele tocou e ele deixou-se ficar para trás e de repente um carro passou e estava em excesso de velocidade e eu não sei como isto aconteceu Meredith” completou ele entrando em desespero, agora soltando gemidos por entre o choro.

Senti lágrimas formarem-se também nos meus olhos escuros.

“Jake” murmurei “Não me digas que...”

“Sim Meredith. As ultimas palavras dele foram dirigidas a ti” sussurrou com a voz rouca característica do choro.

“Últimas palavras?” consegui dizer sentindo uma dor gigante no peito e as lágrimas a cair intensamente.

“Ele disse que vai garantir que tu vais ser feliz daqui para a frente e que nunca te vai deixar” disse ele num sussurro que foi abafado pelos nossos choros em sintonia.

Um grito desesperado saiu do meu interior e senti um peso intenso no meu peito.

Deixei-me cair no chão sem me preocupar com mais nada, sempre com o telemóvel colado ao meu ouvido. Após alguns minutos de ouvir o choro de Jake e de chorar também, murmurei “Nunca o vamos deixar também” e de seguida desliguei o telemóvel.

Todo o meu corpo tremia com intensamente e o meu peito movia-se com intensidade à medida que eu soluçava também. Levei as mãos à cabeça sem saber ao certo o que fazer, o meu cabelo já estava encharcado das lágrimas, desviei-o para trás das orelhas. Senti uma dor no peito a ficar cada vez mais intensa e tossi tentando fazê-la sair. Apenas me engasguei e causei um choro ainda mais intenso.

Permaneci imóvel no chão do meu quarto durante algumas horas, sem falar, apenas com a companhia dos meus próprios soluços. Acabei por ganhar força nas pernas, sem saber bem como e o primeiro pensamento que me surgiu na minha mente foi dirigir-me ao sitio onde eu e ele passávamos os dias e as noites isolados do resto do mundo : a praia.

Olhei para o ecrã do telemóvel e noticiei imensas chamadas não atendidas, provavelmente não dei por elas por entre o ruído intenso do meu choro. Decidi não ligar a ninguém de volta. Precisava de algum tempo sozinha.

Como já era tarde, ambos os meus pais estavam a dormir, saí de casa rapidamente e comecei a andar até à praia, sem nunca ser capaz de travar as lágrimas.

Quando finalmente a alcancei, sentei-me na areia gelada e olhei para o mar salgado que emitia ruídos relaxantes. Fechei os olhos e deixei-me envolver por aquele ambiente, tentando trazer a minha respiração de volta à normalidade, porém imensas memórias surgiram e senti a necessidade de chorar com mais força.

Abri os olhos novamente e olhei para o céu estrelado. “Será que ele já lá chegou?” questionei-me a mim própria observando as estrelas no céu reluzentes. Talvez a viagem até ao céu seja demorada. Talvez seja rápida. Quem me dera que isto fosse tudo um pesadelo. Talvez até seja. Talvez até esteja a dormir no conforto da minha cama. Decidi levar uma mão à minha bochecha e apertá-la fortemente num beliscão. Infelizmente senti a dor. Não estava a sonhar, isto tudo era bem real.

Após alguns minutos de choro intenso ouvi um estrondo gigante do outro lado da praia e imensas vozes fizeram-se soar.

Fiquei perplexa. O estrondo que acabava de ouvir eram tiros. E pela sua intensidade não estavam longe. Decidi deitar-me na areia de barriga para baixo, pois era sempre o que as pessoas faziam nos filmes. Tentei evitar fazer barulho, mas era inevitável, um soluço involuntário escapava da minha boca a cada dois segundos.

Ouvi passos a aproximarem-se, contudo mantive-me quieta, apenas querendo sair dali o mais depressa possível e desejando ter o Mark ao meu lado para me envolver nos seus braços.

Sentindo os passos demasiado perto de mim, levantei a cabeça e vi um rapaz da minha idade com uma pistola na sua mão direita e rapidamente senti a minha respiração tornar-se mais rápida não conseguindo proferir uma única palavra tal era o estado em que me encontrava. Os nossos olhos encontraram-se e ele focou-se em mim por instantes. Tinha o olhar carregado de raiva e maldade. Admito que o seu olhar era algo assustador, porém despertava alguma curiosidade dentro de mim.

“Tens de sair daqui” disse ele do nada sem quebrar o contacto visual “não é seguro”.

Não consegui formar palavras tal era o meu nervosismo, todo o meu corpo tremia. Emiti então um som estranho que provinha do fundo da minha garganta.

“Foge” disse ele sem paciência, com alguma violência “Não me obrigues a matar-te”.

Após ele ter dito estas palavras comecei a rastejar desesperadamente pois era impossível levantar-me. O choro tinha voltado e quase não tinha força nos braços para transportar o meu corpo. Porém consegui alcançar a estrada e caminhei até casa, cheia de adrenalina dentro de mim, tal como tristeza, saudade e revolta. Quem me dera que o Mark aqui estivesse ao meu lado.

Deitei-me na minha cama e com bastante dificuldade fechei os olhos que me doíam intensamente. Acabei por adormecer na altura do nascer do sol.

Notas finais
Obrigada por terem lido!
Gostava que me dissessem as vossas opiniões, prometo que a história vai melhorar daqui para diante!
O que será que pensou o rapaz da praia? Quem será ele? Será que ele e a Meredith se vão encontrar outra vez? Como irá Meredith ultrapassar a morte do seu melhor amigo?
Ainda há muito por descobrir! :D