How To Be A Bad Girl
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Boa Leitura.
Eram 7:40. Tinha chegado atrasada logo no primeiro dia de aula. Mudar de escola nunca esteve nos meus planos, principalmente para uma como essa. A maior parte dos meus amigos eram má influencia para mim, de acordo com minha mãe. Enfim, me mudei para a escola mais politicamente correta de Huntington Beach. Os garotos vestiam pólo, calça jeans cinza e tênis. As meninas vestiam saias um pouco acima do joelho, camisetas rosa e sapatilhas. Maravilha.
Sempre fui meio que a rejeitada, pois era muito estudiosa e por usar óculos e aparelho, me achavam a pessoa mais feia do universo. Até que um dia, passei a concordar com eles. Cresci e tirei o aparelho, mas continuava a mesma, a garota estranha de óculos e rejeitada pela sociedade. Estudar e ser uma boa filha. Minhas irmãs foram, não seria eu o desgosto de meus pais.
Cheguei a escola a pé, pois meu carro estava no concerto. Os portões estavam quase se fechando quando entrei. Claramente, todos estavam já na sala, então fui a secretaria pegar meus horários e segui para a classe. Todos os olhares se voltaram para mim.
- Olá, no que posso ajudar? – Um homem baixinho e meio gordo, sentado a mesa principal levantou o olhar para mim.
- Ahn, desculpa, sou a aluna nova. – Ele levantou uma sobrancelha.
- Sim, sente-se. – Me virei para o resto da sala, enquanto o professor me indicava as carteiras.
Para minha sorte, havia um lugar, a ultima carteira da ultima fileira, vago. Foi lá mesmo que me sentei. Um garoto baixinho, de camiseta preta do Black Sabbath, sentado a minha frente, virou-se e me olhou com um sorriso que exibia sua perfeita fileira de dentes pequenos, que quase o faziam parecer infantil.
- Oi – ele disse e sorriu ainda mais largo largo.
- Oi. – respondi, acho que minha timidez estava bem clara, pois ele riu.
- Sou Jonathan, mas pode me chamar de Johnny. – Estendeu a mão para mim.
- Ah, sou Leana. – Ajeitei os óculos, sorri e apertei sua mão.
------------------------------------
As aulas se seguiram normalmente, então na hora do intervalo, fui para o refeitório. Havia uma mesa vazia no canto mais afastado. Puxei a cadeira e comecei a comer meu lanche que tinha trazido de casa. Vi Johnny sentado algumas mesas a frente da minha. Estava com alguns garotos, um extremamente musculoso, um de olhos verdes chamativos e um alto, que particularmente achei muito interessante. Todos exibiam algumas tatuagens pelos braços. Johnny sorriu, acenando para mim e rapidamente os outros garotos olharam em minha direção. Desviei o olhar, continuando concentrada em meu lanche.
Poucos minutos depois, os vi seguindo em minha direção. Sentaram-se em minha mesa e eu os olhei, encabulada.
- Sou Matthew. Mas me chame de Matt. – o menino mais musculoso sorriu. – Esses são James Sullivan e Zachary Baker – apontou para o restante.
- Ahn, sou Leana MacFadden. – Sorri de volta.
- Então... por que veio para essa escola? – Ele perguntou.
- Minha mãe achava que meus colegas eram monstros e estavam destruindo minha personalidade, sabe? Não estudavam, só pensavam em sair, e – olhei apreensiva para as tatuagens em seus braços. – Tinham tatuagens. Enfim, não saio muito. Não por que não quero, mas por que não me deixam. Minha mãe achou que aqui era a melhor opção para mim, mesmo eu não querendo vir para cá. Fora que mudei para esse bairro a pouco tempo e a outra escola era longe.
- Interessante. – Apoiou as mão na mesa. – Então quer dizer que não conhece ninguém por aqui? – Assenti. Ele sorriu doce, mas percebi algo a mais em seu olhar.
- Pode andar com a gente, se quiser. Te mostramos a escola. – Disse Johnny.
- Seria ótimo. – Sorri timidamente. O celular de Matt tocou e pouco tempo depois uma garota loira com uma camiseta do Guns N’ Roses, calça jeans escura e coturnos gastos apareceu. Ela olhou para mim.
- Oi, quem é você? – Perguntou, sorrindo.
- Leana MacFadden, sou nova aqui.
- Bom, sou Valary DiBenedetto. – Sorriu e se sentou no colo de Matt. Imaginei ser sua namorada. – Mas me chama de Val. – Assenti.
Todos começaram a conversar e até então por fora, me perdi em pensamentos, até que Zachary, o garoto de olhos verdes, me chamou.
- Ei, vamos cabular as próximas aulas, quer vir com a gente?
- N-não é arriscado? Quer dizer, é o meu primeiro dia. Não gostaria de causar uma má impressão... – Falei logo me arrependendo, pois todos começaram a rir escandalosamente.
- Não tem problema. Não é a primeira vez que fazemos isso. Nunca sentiram nossa falta. – O menino mais alto falou.
- James, não é? – Perguntei.
- Jimmy.
- Sim. Bom, eu não quero ser grossa, mas acho que poderia deixar para a próxima não é?
- Como quiser. – Jimmy deu de ombros e então o sinal tocou.
Então eles foram para o pátio, enquanto eu ia para a sala. Até tentei considerar o fato de cabular. Iria ser diferente. Eles me parecem tão... legais. Eu achava que coragem era fazer uma tatuagem, mas meus pais não deixavam, diziam que era coisa de marginal e meninas boas não faziam tatuagens. Ou pintavam o cabelo. Ou escutavam “musicas pesadas”. Fui criada em um meio onde o correto era ser estudiosa, delicada e gostar de musica clássica era atingir um quase estado de perfeição. Me falavam o tempo todo que minha obrigação era estudar e que eu deveria dedicar exclusivamente a isso se quisesse ser alguém na vida. Até o momento, esse era o certo para mim.
Então no final, hora da saída, descobri que a escola tinha uma biblioteca. Dei uma passada por lá e se assustei com a imensidão de livros que encontrei. Todos os tipos. Eu lia muito, muito mesmo. Era o que eu fazia enquanto meus amigos iam se divertir. Peguei alguns que achei interessantes e segui para o portão da frente do colégio.
Minha casa não era muito longe, mas a pé era bem complicado, pois o caminho mais rápido era também o mais deserto. Fiz uma pequena rota de caminhos a seguir enquanto calculava o tempo para chegar em casa, durante as férias. Tudo estava perfeitamente calmo, até que esbarro em alguém.
- Desculpe-me. – Me abaixei para pegar os livros que caíram.
- Tudo bem, a culpa não foi sua... – Então a pessoa se abaixou também e olhei para frente. Era Jimmy. – Oi. – ele sorriu enquanto me ajudava a pegar os livros.
- Oi... é, foi mal. Sou muito desastrada.
- Não foi nada. – sorriu. – I don't belong here e Escape from this afterlife? – Leu a capa de um dos livros. – são ficções não é?
- Ah sim. É... me interesso por esses assuntos, sabe? Parece ser tão... distante. Me atrai um pouco, eu acho. – o encarei e dei um meio sorriso, colocando o cabelo que caia atrás de minha orelha.
- Legal... talvez possa me contar a historia depois. – Me entregou o livro. – Então, mas para onde a senhorita está indo?
- Pra casa... Fiz esse caminho algumas vezes durante as férias, é mais rápido. – Comecei a andar e ele veio atrás. – Mas e você?
- Minha casa é aqui perto. Estava acertando a conta no bar. Um amigo meu é o dono.
- Não é muito novo para beber?
- Sou sim. – riu, orgulhoso. – Você bebe?
- Não... mais ou menos. – Me olhou confuso. – Quer dizer, tomo um pouco de vinho com meus pais, mas nada de mais. – Dei de ombros.
- Se começar a sair com a gente posso te apresentar as maravilhas do álcool... Mas enfim, que tipo de musicas você gosta?
- Meus pais me obrigam a escutar musica clássica. Dizem que ajuda na concentração. – vi ele fazer uma careta e ri. — Eles são muito conservadores. Mas gosto de rock no geral. Se meus pais descobrissem, me matariam.
- Serio? Eu e os meninos temos uma banda. Está no começinho ainda e não temos um nome definido. Mas compomos algumas musicas. Pode ver um de nossos ensaios um dia.
- Adoraria, de verdade. Mas duvido que meus pais deixem. – Ele me olhou um pouco decepcionado, mas depois sorriu.
- Podemos inventar alguma coisa e tenho certeza que deixariam. – disse.
- É... bom, eu fico por aqui. – Chegamos em frente a minha casa.
- Ok, te vejo amanha? – Perguntou.
- Claro. – Falei acenando para ele.
Esse garoto tem o par de olhos mais lindos que já vi.
Fale com o autor