How Things Began...
16 Two weeks, my angel
Notas iniciais
Gente, me desculpem mais uma vez, eu realmente queria ter postado bastante nesses dias, e eu tinha muitas ideias de cenas para montar e tudo mais... Mas acontece que pra eu vir ter paz e escrever... Não deu muito certo. D:
Basicamente, NADA deu muito certo pra mim nessas últimas semanas. Rsrs.
E eu estava meio que sem tempo pra nada nessa correria de fim de ano... E, como se não bastasse, eu ainda por cima estou doente... Vish.
Vou tentar não demorar tanto. Vou tentar mesmo! Eu me sinto muito mal quando não posto pelo menos uma vez por semana aqui, sério ):
Enfim, espero que gostem. Eu, particularmente acho esse capítulo super tosco, bobo e sei lá... rsrs mas ele foi meio necessário para o próximo (que já está pronto, então provavelmente posto daqui a pouco!), entãããããooo...
:3
Estávamos enfim em Nova York, onde faríamos dois ou três show e então voltaríamos as gravações. Duas semanas haviam se passado, o que significava que David era meu namorado à exatos catorze dias e isso era simplesmente bom demais. Foram dias ótimos, cheios de amassos — o que é sempre bom, não podemos negar — conversas — hora intensas, hora banais -, bastante romantismo da minha parte, o que era conseqüência de ainda mais bochechas vermelhas da parte de David.
Eu realmente não sei como Pat conseguiu um quarto para cada um de nós — considerando que dinheiro não era uma coisa que a gente esbanjava… Ainda. Espero que só "ainda".-, mas acho que ele ficaria bastante chateado em saber que pagou por um quarto que sequer foi usado — David, caham -...
Tudo bem que eu fico sempre maravilhado em como ele se sente o badass por sair na "calada da noite" — como ele chama — e ir para o meu quarto no hotel. Ele entra sem fazer o menor dos barulhos — apesar de eu sempre saber o momento exato que ele chega — e com um sorriso de orgulho próprio enorme no rosto. Eu sempre sorrio junto a ele. David entra e solta alguma frase de efeito do tipo "Sem problemas, meu caro. A fuga de hoje foi imperceptível. Tudo sob controle!", e então eu rio de novo… Acho que eu falo isso até demais, mas David é simplesmente o ser mais adorável da face da Terra. Adorável e… Mordível! Descobri essa informação um dia desses, ele tem bochechas deliciosas de se morder.
Por causa dessas fugas noturnas, eu fiquei bastante mal acostumado. Sempre que deito eu fico esperando pela melhor hora do meu dia inteiro. Quando ele corre até meus braços e deita completamente enroscado comigo. Percebi, também, em como somos nós mesmo que fazemos o conforto da nossa cama. Quer dizer, nós viemos dividindo uma cama de solteiro apertada durante todos esses dias, e eu nunca dormi tão bem. Mesmo tendo um magrelo me fazendo de travesseiro e fazendo questão de ressaltar toda noite que é sim um folgado e que eu não tenho direito de reclamar quanto a isso.
Aliás, David anda todo abusadinho e mandão desde que chegamos na Grande Maçã. Ele jamais deixa que eu seja o "fugitivo noturno". Sempre tem que ser ele a atravessar todo o corredor até meu quarto e a acordar horas mais cedo para voltar para o quarto dele. Eu não discuto muito isso com ele, porque sei como David pensa como se realmente estivesse em algum tipo de missão impossível e se sente realizado por ser competente de cumpri-la com sucesso todos os dias. Eu não quero tirar a alegria dele fazendo isso em seu lugar. Fazer o que? David ainda é — e sempre será — uma criança. Minha criança.
Sobre Seb… Claro, Seb pagou — até demais- o preço de ser o único a saber do nosso namoro e de meter tanto o bedelho. Aliás… Acho melhor nem comentar como ele reagiu ao descobrir que agora éramos mesmo namorados e toda aquela -adorável- melação. Ele meio que despistava os outros para que não desconfiassem de nada. Inventava desculpas, mantinha os outros caras ocupados — "Ei, que tal sairmos para conhecer o teatro da Broadaway… De novo?" -, enquanto David e eu estávamos ocupados demais um com a boca um do outro.
E eu pensava constantemente nisso. Eu não sei isso é saudável ou não, mas eu sempre pensava em David. Pensava em tudo sobre ele — e algumas vezes até tentava procurar por algum defeito para que eu não ficasse viciado demais… Mas David é completamente perfeito -, pensava nele quando ele estava ali do meu lado. Me abraçando, sentado no meu colo ou me beijando — e como eu amava ter a boca dele colada na minha -, ou quando estava longe. Quando estava a alguns metros de distância, quando estava em outro lugar que não exatamente do meu lado ou quando estávamos com todos os guys reunidos, que era quando trocávamos apenas olhares significativos, que ninguém além de nós poderia perceber ou entender. Pensava sempre em como gostaria que ele estivesse sempre nos meus braços, quando ele não estava por perto e, quando eu finalmente tinha seu corpo em volta dos meus braços… Pensava em como era ali que ele pertencia. Sempre. Pensava em como eu era apaixonado por sua risada, e em como me enchia de orgulho toda vez que eu era o motivo dela surgir.
Então eu estava ali abraçado com David e eu devia realmente estar olhando-o com o maior sorriso abobado, porque de repente ele parou de desenhar aleatoriedades no meu peito por de cima da camiseta, e começou a me olhar com curiosidade.
— Uma moeda pelos seus pensamentos. — Ele disse enquanto me abraçava ainda mais.
— Oh, então vou querer pagamento adiantado. — Disse levando meus olhos até bem perto dos seus e deixando um sorriso malandro transparecer.
- Não, preciso saber se vale a pena pagar pelo que você está pensando. — Ele cruzou os braços emburrado.
— David, David… Toda essa atitude não vai te levar a lugar nenhum. — Falei rolando os olhos e me sentando direito, de forma que rapidamente ele deitou em minhas pernas, ainda me encarando. — E você sabe o que eu estou pensando. É o que eu sempre estou pensando. — Afaguei seu rosto e cabelo e ele desfez o bico.
— O que é, Pierre? Fala logo! — Ele falou beliscando meu braçocom uma expressão autoritária. Eu só fiz ri, já que aquilo não me machucava.
— Ai! — Encenei — Credo David, você anda muito mimadinho pro meu gosto! — Cruzei meus braços, fiz um bico e cerrei minhas sobrancelhas, exatamente como David faria.
— "Muito mimadinho" pro seu gosto? Me poupe, Pierre! — Ele revirou os olhos — Você quem me mima… "Só" o tempo todo! — Comecei a rir. Até parece que ia manter aquela pose pra sempre.
— Por isso mesmo. — Rolei os olhos imitando-o novamente — Seria educado da sua parte se tratasse bem o cara que mais te mima no mundo. Caso não tenha percebido, ele merece. — Falei como se fosse óbvio. David sabia que eu estava brincando e não conseguiu segurar uma risada ou outra de vez em quando.
— Ô, me desculpe bebê… — David fez um bico mais adorável e falou com voz infantil, apertando minhas bochechas (coisa que ele adorava fazer) — Eu não te trato bem, é? — Balancei a cabeça em negativa e ele aumentou o bico — Me "dicupa". — Dessa vez ele já me olhava com enormes olhos esverdeados com a expressão mais cachorro-abandonado-com-fome do todas.
— Claro que "dicupo" você anjo. — Sorri de canto para ele, ao mesmo tempo que ele fazia o mesmo para mim — Até porque… Você é meu namorado. Eu não posso ficar de mal para sempre com meu namorado. — Era tosco (eu sei), mas eu amava dizer aquilo o tempo todo. Se eu pudesse, sei que sairia na rua com uma seta luminosa na cabeça escrita "MEU NAMORADO" apontando para David. E ainda assim, iria apresentá-lo na rua para qualquer desconhecido dizendo "Oi, esse é meu namorado. Ele não é lindo? E é meu. Meu namorado!". Sei que isso soa meio aleatório demais da minha parte (talvez seja a convivência?), mas eu simplesmente tenho tanta vontade de falar para o mundo que ele é meu. Tudo bem que David (mesmo que a gente pudesse falar disso abertamente por aí) jamais me deixaria fazer uma coisa dessas. Ele é muito tímido. O que é engraçado, por que quanto mais hiperativo e aleatório ele é, mas envergonhado ele é também. Mais uma das coisas adoráveis que ele tem, e só ele tem.
— Falando nisso, acabei de me lembrar de uma coisa… Namorado. — Ele disse rindo divertido — Lembra daquela vez que a gente estava, hã… Discutindo, no seu quarto… Porque Seb me levou até lá para que a gente resolvesse os nossos, uh, problemas…? — Concordei com a cabeça e pude ver David vacilar a falar. Seus olhos já marejavam. Realmente, aquilo não tinha sido a coisa mais agradável que a gente viveu. — Enfim. — Ele recompôs a fala e seu olhar voltou diretamente para o meu — Você falou que tínhamos que sair para você se vingar de uma vez. Você ainda não fez isso, Sr. Bouvier. — Ele cruzou os braços e me deu língua.
— Céus, David… Isso de novo? Você por acaso é masoquista ou algo do tipo? — Arregalei meu olhos para ele que agora voltava a rir.
— Talvez… — Ele lambeu os lábios malicioso e eu me arrepiei levemente. Não tão leve a ponto de que ele não tenha percebido e começado a sorrir com isso.
— Uh, eu não sei se gosto disso… — David afagava meu abdômen por de cima da camiseta e eu já estava falhando. De qualquer forma, David só estava brincando, aquilo não iria a lugar nenhum. Não agora. — E eu fiz minha "vingancinha" tosca, caso não tenha percebido. — Limpei a garganta de forma que minha voz saiu ainda mais grossa e David começou a me encarar confuso. — Qual é David, eu não te pedi em namoro? Minha vingança era que você teria que me aturar por muito tempo. Ou seja, teria que ser meu namorado. E eu fiz isso. — Sorri cruzando os braços vitorioso.
— Isso é sério? — Ele ria — Quer dizer que eu não tinha outra opção? Não poderia dizer não para você? — Ele levantou uma sobrancelha.
— Exatamente. Mesmo que você não me quisesse, o que é impossível, por que, né? Quem não me quer, Dav? — Deslizei minhas mãos pela lateral do meu corpo mordendo o lábio inferior fingindo sensualidade e David começou a gargalhar — Você teria que ser e ponto final. Eu não te daria direitos de escolher, por que sou eu que mando nisso aqui, entendeu?
— Oh, mas é claro! — Ele falou sarcástico e rolou os olhos — De qualquer forma, eu nunca diria não. — Ele desviou o olhar enquanto sorria levemente — Nunca diria não para você.
Aquilo me fez sorrir brandamente e então me abaixei para poder beijá-lo. Um beijo doce e calmo, que transmitia todos os sentimentos que estávamos sentindo naquele momento.
— Você é lindo. — Disse quando descolamos nossos lábios — Mas agora vamos, temos que tomar café, antes que os meninos voltem de mais um passeio pela cidade. — Falei tirando sua cabeça do meu colo com delicadeza e me levantando. — Vem.
David sentou na cama enquanto eu colocava uma calça, que estava jogada pelo quarto, por cima da samba canção e o esperava perto da porta — Tudo bem, Pierre. Mas agora me fala o que estava pensando aquela hora. — Ele disse manhoso e eu estava realmente começando a acreditar que seus bicos se formavam inconscientemente.
Rolei meu olhos e sorri — David, não seja tonto. O que será que eu estou sempre pensando? — Ele me olhou ainda meio confuso — Em você, anjo. Eu estava pensando em você. Sempre estou pensando em você. — Pisquei um olho para ele, que agora sorria completamente corado.
[…]
Os meninos chegaram depois de algum tempo, todos meio estressados com Sébastien, que o fizeram andar por Nova York até que se perdessem. Pat pelo menos parecia feliz, já que esse atraso rendeu alguns vídeos engraçados para a posterioridade.
Não ficamos muito lá, porém, já que teríamos que ir para Atlatic City — que é bem perto de Nova York, mas não tão perto aponto de termos o luxo de enrolar — fazer um show. Não seria como os shows que faríamos em Nova York. Era um daquele bem pequenos, igual aos do início de nossa carreira. Era uma ideia de Pat, eu acho. Ele disse que seria bom para ampliar nossa base de fãs ao algo assim. Chamar a atenção das pessoas aos poucos e era mais fácil mostrar quem realmente éramos fazendo esse tipo de apresentação, mais caseira ou algo de gênero. Não sei, não entendi muito bem, mas parecia uma boa ideia no fim das contas. Por essas e outras, não podíamos negar que Pat era o sexto integrante da banda.
Então nós nos apressamos colocando todos os instrumentos na van — mini, diga-se de passagem. Mas acho que tudo bem, dormir em um hotel e não em um carro já era reconfortante — e partimos para a cidade.
[…]
Fizemos um sound check extremamente rápido e logo estávamos no "palco". A melhor parte de tudo era o grande pano branco que cobria a parede atrás de nós, escrita com caneta marrom — e muito mal feito — "Simple Plan". Certo, aquilo era cômico.
— Vocês pediram o melhor! Vocês merecem o melhor! Esses caras estavam disponíveis… — E assim nós fomos apresentados — Dêem as boas vindas para o Simple Plan! — Ok, não que eu tenha achado a piadinha anterior engraçada, mas David havia. Então David ria, adoravelmente, com uma blusa preta bastante colada ao seu corpo magro e o apoiador de baixo com estampas de — hunf, é claro — Zebras, e eu comecei a rir também. Rir porque David estava feliz e isso me fazia igualmente feliz instantaneamente. Por que, yeah, era assim que as coisas funcionavam.
Nós fizemos uma excelente apresentação e até algumas — várias — pessoas vieram falar com a gente "pós-show". Foi uma noite legal no fim das contas. Pat também ficou satisfeito por estar certo. Sabe, ele geralmente é bom nesse lance de fazer a coisa certa para os outros. Ele só não é muito bom em perceber quando uma mulher simplesmente não está interessada nele.
Voltamos para o hotel em Nova York na mesma noite e com a notícia de que no dia seguinte começaríamos com a divulgação da banda — que era o motivo de estarmos lá, no fim das contas.
[…]
Ok, eu não sei como isso aconteceu. Realmente.
Eu sei que estávamos comemorando algo… Talvez o número de pessoas que haviam comprado ingressos para ver a gente? Talvez. Eu realmente não lembro. Sei que Pat havia aparecido com álcool no backstage. Muito álcool. Álcool pra caramba. Acho que não fui exatamente claro… Estou falando de muito álcool, muito álcool mesmo.
Lembro que David tomou uma latinha de cerveja e que foi o suficiente para ele ficar mais engraçado que o normal. Talvez o fato de eu estar bastante bêbado tenha ajudado a deixá-lo mais engraçado. Não sei, mas eu lembro de ter rido muito. David também. Ele ria pra caramba com apenas aquela latinha de cerveja. Eu não faço a menor ideia do quanto e bebi, mas foi bem mais do que uma latinha.
Latinha.
Céus, eu lembro que ri horrores dessa palavra. Eu estava trêbado.
Os outros também beberam, lembro mais ou menos de ver Seb com uma garrafa de não-sei-o-que na mão. Uma imagem meio conturbada e tremida. Jeff e Chuck também, sei disso. Chuck nem tanto. Chuck é o responsável afinal. Bom garoto é o Chuck, ham? Também acho.
Talvez eu ainda esteja um pouco bêbado.
Hey, só um pouco.
Talvez um pouco mais do que um pouco. Eu estou discutindo comigo mesmo, afinal.
Céus.
Hmm, agora me lembro mais ou menos… Lembro de ver ou outros irem ensaiar ou algo do tipo. Jeff disse algo como "Temos um show daqui a pouco afinal." e Chuck também falou… O que ele disse mesmo? Ah sim! "Sem exageros."
Bem, ops.
Lembro de ter ficado com Pat ali. Pat tem uma cara tão engraçada. Ele também tem bochechas enormes! Bochechas grandes e engraçadas. Porque falam tanto das minhas, afinal? Pat também é bochechudo.
Não sei, mas acho que as bochechas de Pat foram motivo de eu rir um pouco mais. Cara, Pat me embebedou! Ele me deu tudo que tinha sobrado, disso tenho certeza! Lembro dele rindo bastante da minha cara.
Oh, certo. Então Pat era o culpado.
Ok, agora vem a pior parte. A parte mais vergonhosa…
Certo, então vamos dizer que as roupas que eu usei nesse show não foram as mais adequadas.
Vamos dizer que não chegavam a ser "roupas". Assim, por dizer, no plural…
Eu apresentei um show inteiro apenas de cuecas.
E eu estou falando de cuecas mesmo. Nada de boxers ou samba-canção, que são, ao menos, menos vergonhosas. Cuecas.
Bêbado e de cuecas.
Então eu apaguei. Exatamente, a última coisa que eu me lembro foi eu entrando no palco — com todo o resto dos meninos já em seus devidos lugares -, fazendo uma coisa que, na minha cabeça embriagada, era uma espécie de dança enquanto usava nada além de cuecas.
Ah sim! Eu não cantei nada errado. No fim das contas, ao que parece, foi um ótimo show. Eu não errei as letras mesmo estando do jeito que eu estava. Boa coisa, ham? Bom, eu acho que sim, pelo menos.
Não, não, não! A última coisa que eu me lembro antes de apagar foi o olhar que David me deu. Céus eu ria tanto naquele palco. Eu me virei para ele uma hora e ele apenas me encarava com os olhos arregaldos.
Daí, bang.
Agora eu sinto um jato de água gelada atingindo meu corpo em cheio. Ei, isso está realmente acontecendo! Acho que agora eu acordei.
Talvez eu devesse abrir os olhos…
E quando o fiz, me encontrei na banheira do quarto do hotel enquanto aquele garoto loiro e baixinho, pelo qual eu tenho uma queda muito grande, jogava a água fria de volta na minha cabeça com uma espécie de balde que, sabe-se lá Deus onde, ele encontrou.
— David? — Certamente soou como uma pergunta totalmente ridícula, mas o fato que eu estava voltando a mim aos poucos. Acho que ainda podia soltar algumas besteiras.
— Não. Sou uma garrafa de vodka gigante. — Ele retrucou sarcástico e vi de relance ele rolar os olhos.
- Não é não! Primeiro que você é um tampinha. Se fosse uma garrafa de qualquer coisa, seria no máximo um yakult. — Falei soando infantil. Soando meio David. Ele riu de leve, mas revirou os olhos de novo — E segundo que eu sei que você é o Dave, não adianta mentir pra mim. — Mostrei a língua e ele me beliscou.
- Hey, hey, sem essa de "Dave", Pierre. Você já me tirou bastante do sério hoje. — Ele assumiu uma expressão mais séria mas um pequeno sorriso ainda brincava no canto dos seus lábios. Ele agora esfregava minhas costas com uma esponja e, bem, aquilo era bom demais. Quer dizer, wow, David estava me dando um banho.
— Te tirei do sério? O que eu fiz agora? — Eu o encarei com olhos grandes e um bico emburrado nos lábios. Na verdade eu me esforçava bastante para prestar atenção naquela conversa e não no carinho delicioso que ele fazia em mim. Se eu prestasse atenção nisso, eu provavelmente não conseguiria controlar meus atos.
— Caramba, não me diga que eu sou irritante desse tanto! — Balancei a cabeça em concordância rindo e ele fez o mesmo — Pensei que meu bico fosse um charme… — Ele suspirou.
— Mas é, anjo. Você é todo charmoso. — Disse tentando aproximar meu rosto do dele mas ele desviou. — Qual é David, o que eu fiz? — Ele riu. E então eu o fiz também. Mas eu não sabia do que diabos eu estava rindo.
— Obrigado pelo elogio, mas vou ignorá-lo, considerando que não acho que você ainda esteja em condições de falar sério. — Apenas revirei os olhos. David sabia exatamente o que eu sentia sobre ele e como eu realmente o achava lindamente maravilhoso. Eu me recusava a ter que discutir aquilo com ele. — E você, mocinho, — Ele levou os olhos sérios até meu rosto — apenas decidiu fazer um show inteiro usando apenas essa cueca branca!
Uh, certo. Eu meio que já sabia disso.
- Hã, sim… O que que tem? — Ele desligou o chuveiro e jogou o resto da água que ainda tinha no balde nos meus ombros, terminando de me lavar por completo. Bem, quase. Tirando a parte tampada pela cueca. — Eu estava bêbado, David.
— Ah, você jura? — Ele riu, e de novo eu comecei a rir também, de bobo. — Toma. — Ele me embrulhou em uma toalha azul fofinha e com uma menor branca, começou a secar meu cabelo. Tão adorável, na ponta dos pés.
— Sei que fiz papel de idiota, mas hey, foi um bom show, não foi? — Disse levantando minha cabeça para poder olhá-lo enquanto sorria.
— Se aquieta, Pierre! Me deixa terminar de te secar. — Ele puxou minha cabeça para baixo de novo e eu comecei a rir. Aquilo era tão não David e tão não Pierre. Era como se tivéssemos trocado de papéis. Era engraçado, de fato. — Foi um bom show, mas você não precisava causar tanto alvoroço.
— "Alvoroço", Dav? Do que você tá falando? — Voltei a levantar minha cabeça, encarando-o intrigado e ele me abaixou de novo com uma certa raiva (já que não foi um empurrão nada delicado).
— Tinham garotas lá, Pierre. Adolescentes alucinadas e então você aparece usando apenas uma cueca? — Então eu estava começando a entender sobre o que aquilo se tratava — Elas ficaram ainda mais malucas. Você as provocou desse jeito, Pierre.
- Aham, eu as provoquei, tem certeza, David? Porque eu acho que eu provoquei outra pessoa com isso... — Sorri-lhe sacana e ele me olhou com interrogação — Admita que ficou com ciúmes.
- Ciúmes? — Ele começou uma gargalhada muito falsa — Me poupe, Pierre. Até parece.
— Ok, David. — Ele me puxou para a fora do banheiro e só então em descobri que estávamos no meu quarto. Ele me sentou na cama e começou a pegar um punhado de roupa (desnecessária) pra mim — Então, sabe, estou pensando em começar a sempre me apresentar assim. Ao que parece deixa fãs alucinadas, ham? E eu nem sabia que a gente tinha isso, ainda. Talvez seja uma boa ideia. — Provoquei-o e ele me encarou com a raiva exposta.
— Não me provoque, Pierre. — Ele falou com o jeito mandão que havia adquirido. Levantei em um pulo ficando de frente pra ele, sorrindo malicioso.
— Admita, David. — Falei acariciando seus braços, me aproximando cada vez mais, até que dei um beijo em seu pescoço. Então eu sabia que ele não iria resistir.
— Argh, ok! Que seja! — Comecei a rir — E daí? Até onde eu sei, eu sou seu namorado. Eu tenho direito de ter ciúmes de você! Algum problema? — Ele cruzou os braços raivoso e eu ri mais ainda. Ah, mas dessa vez eu sabia do que. Yey.
— Problema algum! — Falei sorridente e dei-lhe um beijo nos lábios. — Coisa fofa! — Apertei sua bochecha e ele arqueou uma sobrancelha para mim.
— Certo, Pierre… Você ainda está bêbado?
— Não. Só estou feliz. — Disse dando de ombros, andando de volta em direção da cama e finalmente me vestindo, apenas com a calça de pijama que ele havia me dado. Nem morto eu colocaria camiseta, agasalho, meias e o escambal-a-quatro que ele havia pego para mim.
- Certo… E por que? — Ele começou a ir na minha direção ainda intrigado.
— Porque meu namorado tem ciúmes de mim, oras! — Falei como se fosse a coisa mais óbvia do planeta, já sentado na cama e puxando David pela mão — Isso é bonitinho.
- Você é tão estranho… — Coloquei-o no meu colo, começando a acariciar suas costas. Eu certamente sorria radiante. — Mas você sabe, de um jeito bonitinho.
Aquilo me fez sorrir ainda mais, e então eu rolei seu corpo pequeno pela cama, ficando por cima dele, mas sem apoiar todo meu peso nele, e beijando-o forte de surpresa. Ele arfou na minha boca e eu deslizava minha mão esquerda pelo lado do seu corpo inteiro e minha mão direita acariciava seu rosto e cabelo, sucessivamente. Parei o beijo depois de muito tempo, com vários selinhos e um beijo estalado em sua bochecha.
— Wow, pra que isso? — Ele me perguntou com os lábios extremamente vermelhos, depois que sua respiração voltou a se regular. Ele ficava ainda mais lindo daquele jeito.
— Deu vontade. — Dei de ombros, saindo de cima dele, me deitando sei deixar de abraçá-lo.
— Hm, você podia ter essa vontade sempre, hein? — Ele falou bem baixo, na altura da minha orelha, me fazendo estremecer quando deixou uma mordidinha ali.
— Oh, baby, não se preocupe com isso. — Me virei o suficiente para poder depositar um beijo em sua testa — Se tratando de você, eu sempre estou com essa vontade. — O senti sorrir contra a pele do meu pescoço.
Ele fez menção de se levantar, mas eu o puxei de volta.
— Fica aqui direto. Você voltaria de madrugada de qualquer jeito. — Falei de forma manhosa e ele mordeu o lábio inferior, praticamente cedendo.
— Minhas coisas estão no meu quarto…
— Deixa eu te perguntar uma coisa, os meninos já estão dormindo? — Ele assentiu com a cabeça — Então use as minhas coisas, oras!
— Ah, claro. E eu vou dormir com o que? Pelado? — Ele perguntou rindo e eu sorri-lhe ainda mais malicioso do que antes.
— Eu não vejo problemas com isso… - Falei encarando-o dos pés a cabeça, mordendo meus lábios e David revirou os olhos mais uma vez — Brincadeira, David! — Ri erguendo meus braços para cima — Coloca uma samba-canção e alguma camiseta minha, para de doce, e vem dormir.
— Nossa! Tudo bem… — Ele falou enquanto pegava alguma roupa na minha mala — Você tem noção de que toda e qualquer blusa sua vai ficar enorme de grande em mim, né? — Ele disse enquanto se dirigia para o banheiro para se trocar. Sorri balançando minha cabeça positivamente.
— Yeah. E eu acho isso sexy. — David riu mas arqueou as sobrancelhas — Digo, você usando roupas minhas… Isso é bem sexy.
— Qual é, Pierre… — Ele riu envergonhado — Eu sou todo e sempre sexy. — E então entrou no banheiro finalmente.
— Sim você é. — Ri para o nada.
Ele saiu enfim, com a minha blusa favorita da Role Model, e sequer dava para ver que ele usava uma samba-canção por baixo, de tão grande que ficou.
E quer saber? Ele realmente ficava muito sexy daquele jeito. Eu apenas fiquei olhando-o de boca aberta.
— Vou tomar isso como um elogio. — David apontou para minha expressão e desligou a luz do quarto.
Ele veio correndo até mim — medo do escuro, é claro -, praticamente se jogando com toda a violência do mundo. Levantei o cobertor abaixo dele o cobrindo e embalando-o rapidamente.
Ele riu, sabe-se lá do que, e eu sorri com o som da sua risada — Boa noite, meu bem. — Ele beijou minha mão, colocando-a de volta em sua cintura logo em seguida.
— Boa noite, meu amor. — Falei enquanto dava milhões de beijos do seu pescoço até o topo da sua cabeça.
Bom, eu ainda estava meio zonzo, eu havia chamado David de "amor" pela primeira vez e eu certamente estaria com uma ressaca do cão amanhã.
Juntando tudo isso parece meio horrível.
Mas acho que tudo bem, eu teria David para cuidar de mim no dia seguinte.
E no outro, e no outro, e no outro, e no outro, e no outro…
Notas finais
Ah sim! Só avisando para não deixar dúvidas: Sempre que eu deixar "[...]" na história, quer dizer uma passagem de tempo ou mudança de local... Algo assim. Acho que da pra entender sem explicar, né? (:
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