How Things Began...
1 O Começo do começo
Notas iniciais
Ah, finalmente as coisas estavam dando certo para mim. Quer dizer, eu estava prestes a iniciar uma banda com meu melhor amigo e outros grandes amigos nossos. Eu sempre soube que meu destino estava na música, e até já havia participado de uma banda, Reset, a pouquíssimo tempo atrás… Chuck, meu melhor amigo, também estava lá, mas nós não sentimos como se fosse algo nosso, algo especial. Resultado: Nos mandamos, lógico. Essa nova banda era perfeita para um grupo de desequilibrados como nós, era totalmente nosso, era divertido e eu finalmente senti como se estivesse fazendo a coisa certa, apesar de estarmos completamente desamparados e sem futuro, no dado momento… Tudo bem, ainda nem tinhamos um nome pra banda bendita, ela ainda iria crescer, assim como nós… Havia tanta coisa pela frente, tantos sonhos para realizar e…
– Ei, cara, quer fazer o favor de vir me ajudar a carregar essa bateria, sim? — Era Chuck, claro… Ai ai, só porque seu porão era o único ambiente em que podíamos ensaiar, ele queria tudo mais que perfeito. Mesmo que se tratasse de onde cada instrumento devesse ficar.
– Hã… Claro, Comeau, onde você quer colocar a princesinha dessa vez? — Falei em tom de deboche e Chuck me fuzilou com o olhar. Ri da cara dele, mas fui ajudar o coitado. Coitado mesmo, tão mais fraquinho do que eu, nunca conseguiria carregá-la sozinho.
Jeff, Pat e Sébastien chegaram logo em seguida com o resto do material. Isso significava: Jeff com sua guitarra recém comprada com a ajuda do resto da galera, Sébastien com sua inseparável guitarra de anos e anos desde que ele sonhava em estar numa banda -leia-se sempre-, e Pat com sua também inseparável… Filmadora. Pat é um tremendo rato de tecnologia, e não sai de casa sem a chance de registrar tudo que acontece.
–Hei, mocinhas! Tudo pronto? — Acenou Jeff. Fiz uma cara de antipático pelo apelido "carinhoso" que tinha acabado de receber.
Seb acenou e logo revirou os olhos para a tamanha organização desnecessária de Chuck. Pat, claro, já havia ligado a câmera.
Passamos umas boas 3 horas ensaiando canções, e até que estávamos indo muito bem… Para covers. Pois é, eu andava escrevendo bastante, mas ainda não tinha criado coragem para mostrar pro resto dos guys. Também não havia pensado em nenhuma melodia… Bom, nenhuma boa o bastante, pelo menos. Os meninos foram embora e eu e Chuck pedimos uma pizza. Eu geralmente passava a noite na casa dele, mas nesse dia decidi ir para casa andando. Não sei o motivo, mas estava me sentindo estupidamente melancólico naquele fim de tarde, e pensei que uma boa caminhada no friozinho de Montreal (bom, era primavera, e não estava tão frio como geralmente) até em casa seria bom para arejar a mente.
Montreal… Ah… Como eu sou apaixonado por essa linda cidade. O cheiro das flores da primavera deixavam ela ainda mais linda e inspiradora (tá, eu sei que isso soa meio mulherzinha demais, mas pô, que eu posso fazer se esse lugar é perfeito?). Fui andando e pensando em algumas letras secretas que havia composto, enquanto assobiava algumas melodias falhas que tinha inventado na hora, quando avistei pregado em um poste um anúncio, aliás, um convite: Se tratava de um show do Reset, essa sexta (ou seja, hoje) em um barzinho no centro de Montreal. Confesso que fiquei muito feliz pelos caras, e me animei de ir conferir o som deles e a nova formação do grupo… Principalmente o baixista. Eu era o baixista do Reset, precisava saber quem havia ficado no meu lugar. Não sei porque, mas eu simplesmente precisava saber se o cara mandava bem e se estava mesmo ajudando a banda a decolar. Querendo ou não, eu ainda me preocupava com a banda, e queria todo o sucesso do mundo pra eles.
Depois que cheguei em casa — e que tive que fugir de Jay tentando amarranhar meu cabelo e me encher de socos -, liguei para Chuck avisando a notícia do show da nossa banda de quando tínhamos 13 anos, e ele nem em deixou terminar falar, se animou -assim como eu- de ir ver a banda. Por mais que praticamente ninguém da banda original continuasse lá, a nostalgia bateu, né? Chuck mal desligou o telefone e já foi avisar Seb, Jeff e Pat para se prepararem para o show.
Chegamos lá umas 23h e os caras já estavam tocando -bem, diga-se de passagem-, olhei para o conjunto e, cara, todos os integrantes haviam mudado… Meio triste isso, mas fiquei feliz pela banda renascer das cinzas.
Nos sentamos numa mesinha boa o suficiente para ouvir a música e beber ao mesmo tempo. Chuck não é muito disso, por isso ficou com a tarefa de dirigir o carro para os outros 4 patetas bêbados.
Estávamos todos nos divertindo muito, contando piadas, rindo que nem adoidados, curtindo o som e falando conversa de embriagados. Foi no meio de alguma graçinha idiota que Seb soltou que me lembrei que ainda não havia olhado o novo baixista da banda. Parei pra prestar atenção apenas no baixo, e cara… Ele mandava muito bem! Muito melhor do que eu um dia seria. Ele tinha uma melodia impagável, linda e talentosa. Me virei para ver o sujeito, e…
Ele era lindo… Parecia um anjo de tão perfeito.
Mas ei! Ele era um cara, credo! Porque eu estava pensando essas coisas? Por favor, Pierre Bouvier gosta é de mulheres, não de carinhas! Com certeza era o álcool mexendo com a minha mente para eu pensar uma coisa tão anormal assim… Né?
Não sei cara… Preferi acreditar que sim, e voltei a olhar o baixinho. Ele era extremamente bonito, magro e pequeno… Perfeito.
Chuck bateu nas minhas costas e disse:
–Impressionante, né?
Fiz que sim com a cabeça, sem tirar meus olhos daquele menino. Quer dizer então que não era o álcool — Chuck não estava bebendo-, o loirinho era realmente lindo demais a ponte de confundir a mente COMPLETAMENTE heterossexual dos outros. Ok, então era isso, ufa! Sem problemas então… Né?
– Cara… Isso pode parecer meio doido, mas… E se a gente chama-se ele pra banda? -Chuck continuou.
–Que? Chamar pra banda? Que banda? — Peraí cara… Do que o Chuck estava falando?
–Acorda, Zé Mané, chamar esse baixista para a NOSSA banda, claro!
–Mas ele já está numa banda…
–Eu sei, mas ele é muito talentoso… Sem ofensas Pierre, você toca muito bem, mas ele é melhor… Não custa tentar, né? — Fiz uma leve cara de ofendido, mas não exagerei, eu sabia que era verdade.
–Hmmm…- Falei por último, Chuck aceitou isso como um "vamos pensar a respeito" e virou de volta para os guys bêbados.
Então não era o que eu estava pensando… Chuck se referia ao talento de baixista do loirinho -que obviamente ele tinha, e de sobra-, e não se referia a sua beleza estonteante. Isso me deixou extremamente confuso… Cara, eu não sou gay! Não mesmo. Porque me sentia tão atraído pelo baixista?
Não sei… Simplesmente dei de ombros e voltei a encará-lo com admiração e brilho no olhar. Ele era um anjo.
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