How I met your mother
2 Capítulo 1
Notas iniciais
HUNTINGTON BEACH, 2034
—Crianças, o dia em que eu conheci sua mãe tinha tudo para ser mais um dia comum em que eu acordava atrasado, mas a boa noticia era que a minha vida começaria a mudar a partir daquela segunda-feira — trago um pouco de café e faço careta ao notar que aquela merda estava fria.
Aurora franziu a testa e logo questionou:
—Então você já estava bem com toda aquela história da Michelle?
Sorrio. Aurora era extremamente parecida com Sky. Seria uma cópia idêntica se não fosse pelos olhos castanho-chocolate.
—Não, filha, eu não estava nada bem com aquilo tudo. Eu planejava me vingar da Michelle, coisa de garoto — reviro os olhos e continuo — Eu não dormi nem uma hora na madrugada de domingo, por isso acordei atrasado para o último semestre da escola. Seu tio Jimmy sempre ficava animado com o "primeiro" dia de aula, mas só havia uma coisa que irritava-o: o meu sono pesado e atrasado.
HUNTINGTON BEACH, 6:38 am
2013
A voz vinda do alto-falante portátil de Jimmy seguida de barulho infernal de sirenes foram o suficiente para me fazer despertar para o primeiro dia de aula, mas não para me fazer levantar da cama. Cubro minha cabeça com o travesseiro enquanto escuto os passos de James cada vez mais perto.
—BOM DIA, CAMPEÃO, TÁ NA HORA DE ACORDAR, TÁ NA HORA DE ACORDAR — gritou ele tirando o travesseiro de cima de mim.
—Caralho, Jimmy — resmungo sentando na cama enquanto Jimmy abre todas as janelas do meu quarto. Meu coração batia tão forte que machucava o peito.
—Dude, você realmente quer se atrasar logo no primeiro dia pós-férias que promete ser o mais foda das nossas vidas? É TERCEIRÃO, PORRA.
Aperto os olhos por causa da claridade. A luz do sol entrava violentamente pela minha janela tingindo as paredes do meu quarto de azul-claro.
—VAMOS LÁ, BRIAN! TEMOS SÓ MEIA HORA PRA CHEGAR NA ESCOLA. LEVANTA ESSE TRASEIRO GORDO DA CAMA E VÁ TOMAR UM BANHO PORQUE, MEU QUERIDO — disse erguendo um dedo — UM GAMBÁ FOI ENTERRADO DENTRO DO SEU CORPO. E TRATA DE FAZER ESSA BARBA, SEU PSEUDO MENDIGO.
Encaro Jimmy, mas não me dou o trabalho de responder. Apenas levanto da cama e vou direto ao banheiro, deixando ele sozinho no quarto.
Assim que entro no banheiro, dou de cara com o meu reflexo no espelho. Foi só então que eu percebi o quanto o término me deixou arrasado não só psicologicamente, mas também fisicamente. Minhas olheiras estavam extremamente fundas, minha barba por fazer e o meu semblante um tanto quanto infeliz.
Entro no box, giro o registro e logo sinto a água quente escorrer pelos meus ombros. O fato de eu estar atrasado não iria mudar o meu banho demorado.
—Crianças, se vocês ainda não tiveram seus corações fodidos em mil pedaços, aí vai um fato: por incrível que pareça, os dois únicos momentos que vocês vão realmente pensar o quão bosta está sua situação amorosa são antes de dormir e no momento em que estão tomando um longo banho.
West arqueia a sobrancelha como se não tivesse entendendo uma palavra e Aurora apenas assente.
Ensaboo o meu corpo enquanto luto para não apagar ali mesmo, de baixo do chuveiro. O fim de semana se arrastou lentamente, me obrigando a viver cada lembrança do meu relacionamento com Michelle. Eu já não aguentava mais esse sofrimento, os olhares de pena vindo de todo mundo. Seria o primeiro dia depois das duas semanas de folga por causa das festas de final de ano. Faltavam apenas 5 meses para que a escola acabasse.
Precisava mudar. Precisava apagar aquele sentimento, precisava esquecer Michelle, precisava acabar a escola. E depressa.
Desligo o chuveiro antes que Jimmy aparecesse novamente com aquele alto-falante. Pego a toalha, enrolo na cintura e volto para o quarto.
Assim que saio do banheiro, percebo que James não está mais no meu quarto, mas ainda consigo ouvir sua voz vinda do andar de baixo. Visto uma camiseta branca, minhas calças pretas e cato meu coturno que estava enfiado de baixo da cama. Pego minha mochila dentro do guarda-roupa e, para minha surpresa, Suzy tinha colocado um caderno novo e um estojo.
Sorrio.
Meu pai e Suzy estão juntos ao que parece ser uma eternidade. Nunca consegui chama-la de madrasta ou algo do tipo, sempre referi-me a ela como mãe, pois, de certa forma, ela é mais presente do que a minha própria mãe.
Jogo a mochila por cima do meu ombro de desço preguiçosamente as escadas, mesmo sabendo que estou atrasado. Jimmy atacava uma tigela de cereais enquanto Suzy lia uma revista sobre novelas.
—Brian, fifalmente — Jimmy diz com a boca cheia de cereais — achei que eu teria que arrombar a porta do banheiro.
Reviro os olhos.
—Falando assim, parece que eu demorei uma eternidade — digo deixando a mochila no chão e puxando a cadeira para que pudesse sentar.
Jimmy engoliu e falou, antes de tragar mais uma colherada:
—Uma eternidade e meia, meu caro.
Sirvo cereal e um pouco de leite na tigela, mas antes mesmo que eu pudesse comer meu café da manhã, Matt buzina.
— Crianças, vocês sabem como é o destino: quanto mais atrasado você está, menos as coisas tendem a colaborar. Por isso, saí de casa sem tomar café da manhã. Guardem essa informação. Isso colaborou para eu conhecer sua mãe.
Fecho os olhos e respiro fundo. Caralho, nada estava dando certo!
Jimmy percebeu isso e riu.
—Filho, leva uma fruta pra ir comendo no carro — Suzy falou sorrindo.
Suspiro.
—Obrigado, mãe, mas eu vou ficar bem.
—SENHORA HANER, JÁ QUE O BRIAN NÃO QUER, EU VOU ACEITAR! — Jimmy berrou, mesmo após minha mãe franzir a testa e falar que McKenna estava dormindo.
Peguei a mochila do chão e levantei preguiçosamente da cadeira, reconsiderando a possibilidade de matar aula. Sabia que iria ser o assunto da escola e, honestamente, não estava pronto para isso.
—Vamos lá, amigão — Jimmy aparece passando os braços pelos meus ombros, me obrigando a andar rápido até o carro. E, como se lesse meus pensamentos, exclama — eu estou aqui por você. Vamos enfrentar isso juntos!
—DEIXEM DE VIADAGEM, SEUS VIADOS! — berra Johnny da janela do carro.
Jimmy se senta no banco ao lado do motorista — assumindo o posto de DJ — e eu me espremo entre Johnny e Zacky. Matt regula o retrovisor e pergunta:
—Tudo bem, dude?
Sorrio, coloco meus óculos escuros e falo:
—Como nunca estive.
—MENTIROSO! — Aurora grita.
Dou de ombros.
—Foi a mesma coisa que a sua mãe disse quando eu falei que era virgem — dou risada e vejo minha filha cruzar os braços — agora, me deixa continuar. Sabia que eu já estudei na mesma escola que vocês estudam hoje?
—Nossa — West exclama arqueando a sobrancelha — o colégio deveria ganhar uma placa como homenagem à escola mais antiga da cidade, então.
Aurora e ele riem e batem uma mão na outra.
Reviro os olhos.
—Onde eu estava mesmo? Ah, sim, a escola...
O colégio Huntington Beach High School é a maior e única escola pública da cidade, abrigando centenas de adolescentes de todas classes sociais. E eu não exagero quando digo isso. Praticamente todos os jovens da cidade estudavam lá.
—Viados, qual o primeiro período de vocês? — pergunta Zacky assim que descemos do carro.
—História — dissemos eu, Matt, Johnny e Jimmy ao mesmo tempo, o que fez Rev abrir um sorriso enorme no rosto.
—ISSO SÓ PODE SER UM SINAL! ESSE SEMESTRE VAI SER O MAIS FODA DE TODOS!
—E, de fato, iria ser mesmo, como vocês já devem imaginar.
— QUAL É — resmungou Zacky — eu vou ficar sozinho na aula de geografia?
—Sim, só você — Jimmy revira os olhos. E, então, Rev e eu começávamos a fazer o "jogo do diferentão", o que fez Zacky virar as costas e seguir sozinho até a sua aula.
—Único — digo.
—Exclusivo.
—Isolado.
—Queridinho da professora de geografia.
—Geógrafo.
—Mapa mundi.
Começamos a rir muito alto, o que atraiu a atenção de muitas pessoas.
—Ahn... gente — Matt coça a nunca e fala rápido — eu preciso dar...uma volta. Encontro vocês na sala.
Jimmy faz conchinhas com as mãos e grita:
—VAI VENDER COCAÍNA?
Matt se vira e coloca o dedo do meio, o que nos faz rir.
—Tá, vamos logo pra sala que eu quero dormir — Johnny diz e seguimos para o nosso primeiro dia de aula.
12h, REFEITÓRIO DA ESCOLA
— Qual é, a professora de história continua gostosa — Jimmy disse largando a bandeja em cima da nossa mesa.
—E não é? Tudo o que eu ouvi foi "vamos falar sobre a segunda guerra mundial e..." peitos... peitos... peitos... Hitler... peitos.
—Johnny, cuidado para não babar — Jimmy retrucou jogando um guardanapo de papel
—Hey, gente, onde está o Matt? — foi a vez de Zacky juntar-se a nós com seu inseparável prato de batatas fritas.
—Matt... — Jimmy abocanhou seu lanche antes de terminar de falar — ele esteve calado durante toda a aula de história.
—É, ele também esteve quieto durante a aula de física — disse.
—Isso só pode significar uma coisa, amigo — Rev falou de boca cheia — tensão pré-menstrual.
Rimos.
—Quem era aquela ruiva na aula de química? — perguntou Johnny à Zacky.
—Sei lá, deve ser a estagiária.
—Vou perguntar pra ela quando que vai rolar a nossa química.
—Cara, que piada bosta — rebateu Zacky
—Você riu... — disse Johnny, o que me fez sorrir.
—Dudes.
Levanto a cabeça e encontro um Matt um tanto quanto nervoso, agarrando tão firme as alças da mochila que seus dedos estavam brancos.
—Demorou hein, Matt — Zacky disse com a boca cheia — achei que nem iria vir mais.
—Matt nunca me abandonaria — disse Jimmy dando de ombros.
—Hã... eu tenho uma coisa pra falar... pessoa... vocês. Sério. Algo sério.
—Você sabe que a palavra "sério" não está no dicionário de James The Rev Sullivan — ele tragou seu suco de uva como se estivesse degustando de um bom vinho italiano.
—Crianças, o tio Jimmy falava sério quando a palavra "sério" não estava em seu dicionário. Sempre que Barbara e Joe tentavam "educa-lo", seu tio começava a rir. E bem, isso nunca mudou.
Matt me encarou. Naqueles poucos segundos, muita coisa passou pela minha cabeça. Estaria Matt envolvido com o tráfico? Ele havia matado alguém? Pior, ele havia matado alguém por causa do tráfico?
—Mas, crianças, quando se tem um coração partido em inúmeros pedaços, seus amigos pisam em ovos para falar sobre qualquer coisa que envolva relacionamentos. Eu lembro até hoje da cena a seguir. Hoje, eu e Matt damos boas risadas do ocorrido, mas tenho preciso confessar que na hora eu tenha ficado um tanto frustrado.
—Estou namorando — soltou, contrariando todos as alternativas anteriores — tudo bem se ela sentar aqui conosco?
—E ISSO TUDO MERECIA TANTO SUSPENSE? CARALHO, MATTHEW, PRECISAMOS REVER NOSSOS CONCEITOS — Jimmy berrava.
—Ela pode sentar com nós desde que me traga mais batatas — disse Zacky lambendo seu prato.
Matt olhou pra trás e acenou com a cabeça. Logo, uma garota baixa, com os cabelos loiro platinado preso num coque bem feito e olhos castanhos delineados aproximou-se de nós.
Meu queixo caiu. Não porque ela era bonita — ela era -, mas porque ela era idêntica a Michelle. A única diferença era que a garota era loira, e Michelle tinha um cabelo um pouco mais escuro.
Não fui o único surpreso na mesa. Jimmy alternava o olhar entre mim, Matt e a garota que, a essa altura, estava muda ao lado de Matt. Johnny prendia o riso e Zacky... bem, Zacky estava entretido demais roubando as batatas do Johnny.
—Essa é a Valary Dibenedetto, minha namorada.
A garota sorriu.
—E ae, Val — Jimmy se levantou e abraçou a garota que desapareceu em seu abraço — Seja bem-vinda ao grupo.
—Senta com a gente, Val. Vamos roubar as batatas do Zacky — zombou Johnny até perceber que quem estava roubando batatas ali era o ZV -HEY, SEU PUTO.
Por fim, Matt e Valary sentaram-se conosco e eu não dei um piu.
—Espera — Aurora protestou — você não sabia que a tia Valary e Michelle eram irmãs?
—Eu sabia que Michelle tinha uma irmã gêmea, mas não tinha conhecido Valary até então.
Se já estava ruim antes, conviver todos os dias com uma cópia mais loira de Michelle dificultava as coisas. Matt me olhava como se pedisse desculpa, mas quando se trata de amor, não é preciso se desculpar. Nós não escolhemos quem amar.
—E, crianças, essa foi a história de como nós conhecemos a sua tia Valary.
—O QUE? — Aurora e West gritaram ao mesmo tempo.
—Eu achei que você iria contar a história de como conheceu a nossa mãe — disse meu filho.
Pego uma Heineken que estava no armário de bebidas e beberico um pouco, antes de falar:
—Bom, isso é só um detalhe. E a história está apenas começando.
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