Notas iniciais
A ideia surgiu depois de algumas(muuitas) madrugadas discutindo Tiva. Esperamos e gostem :*

Tony POV

Outra sexta-feira, outra semana chegando ao fim, uma semana particularmente difícil, homicídios triplos nunca são fáceis.

Abro a gaveta que fica no lado direito da minha mesa para guardar a arma e vejo algo reluzir. Eu sabia bem o que era, ela deixou o colar comigo como uma promessa de que um dia voltaria por nós. Mal tenho tempo de formar outro pensamento quando uma figura rápida entra no QG. Nem cheguei a guardar a arma.

—Temos um caso — fala Gibbs num tom estranho.

—Fuzileiro morto? — arrisco a pergunta. Tinha algo errado, dava para sentir. Gibbs, olhando diretamente para mim, responde:

— Não. Ziva é suspeita de assassinato.

O nome dela. Faz tempo que o ouvi ser dito nesta sala. Senti o olhar dos meus colegas em mim. Eu não sabia muito mais que eles, não a vejo há três anos, longos anos. Alguns flashes vem à minha mente: a primeira vez que a vi, primeiro dia trabalhando conosco, sua complicação com o idioma, e ainda consigo lembrar de todas as vezes que ela sorriu para mim, até seu último sorriso em meio às lágrimas no aeroporto. Lembro de todos pois cada vez que os via meu coração parava por um segundo, tinha certeza que ele poderia iniciar ou terminar guerras, aqueles sorrisos que aquecem e dão a sensação de voltar para casa. Eles eram a melhor parte do meu dia.

—DiNozzo! — a voz de Gibbs me puxa das lembranças — você vai ou não?

—Estou indo, chefe. — Respondo, voltando ao modo agente. — Seria um inferno de final de semana. O que foi que aconteceu, hein Ziva?

O corpo foi encontrado em um hotel, o que fazia pouco sentido, como se algo estivesse fazendo sentido no momento, Ziva nunca deixaria evidências e depois do nosso tempo em Israel nunca achei que ela mataria de novo. Senti os olhares e inquietações durante o percurso e pairava entre nós um silêncio desconfortável. Finalmente chegamos no hotel mas quando fui descer do carro Gibbs me impediu.

—Bishop, McGee vão, se atualizem no caso e nos esperem. — Gibbs falou e meus colegas nos deixaram a sós. Então ele virou para mim e calmamente demais para o Gibbs ele disse:

—Você não precisa investigar esse.

—Tratamento especial chefe?

—Vocês tem uma história, sempre tiveram algo, não sou idiota.

—Todos sentimos falta dela. Não se envolva demais no caso ok?

—Ok chefe.

Saímos do carro e fomos em direção a entrada do hotel. McGee nos esperava no lobby. Quando nos viu, Timmy logo tratou de nos informar sobre o caso:

—Quarto 1102. Uma mulher com as características da Ziva fez o check-in, o quarto está em nome de Ziva David. A camareira entrou essa manhã para limpar e achou o corpo. Ducky e Palmes já estão chegando.

Chegamos ao quarto, Ellie fotografava a cena. O quarto estava destruído, o vermelho do sangue manchava o branco estéril do quarto. Na cama o corpo de uma mulher estava deitado de bruços. A cena do crime estava ali, era real mas ao mesmo tempo eu não podia acreditar no que via nem que Ziva tivesse feito aquilo, não a Ziva que escreveu uma segunda Lista de Desejos onde o primeiro item era deixar o distintivo, ela não era mais a Ziva que eles conheciam, essa nova Ziva só eu conheci.

Eu olhava algo aleatório no banheiro do quarto sem prestar muita atenção quando Ducky e Palmer chegaram. Mais olhares. Quando nosso legista vira o corpo tudo para por alguns segundos, o silêncio que fica no quarto é assustador o único som é o de Gibbs do lado de fora conversando com alguém que realmente não interessa no momento. Olho para o rosto do corpo a nossa frente. Eu a conhecia. Os olhos castanhos tão parecidos com os que eu conheci, os cabelos encaracolados, a feição delicada, aqueles lábios que me mostraram o melhor sorriso do mundo. Ao fundo pude ouvir McGee falando com a voz fraca:

—Chefe, Ziva não é nossa assassina.

—Desenvolva McGee.

—Ela é a vítima. — Responde Timmy com a voz falha.

Nosso chefe olha para o corpo e sussurra num tom quase inaudível:

—Ziver?

Notas finais
Espero que tenham gostado e nos contem o que acharam