Capítulo Único

The Funeral — Band Of Horses (https://www.youtube.com/watch?v=UPW8y6woTBI)

Harry, eu vou lhe contar uma história incrível. A história de como conheci a sua mãe – James anunciou agarrando o pequeno bebê, Harry, que chorava desconsoladamente em seu berço.

Ele se sentou na poltrona grande cor de mostarda que descansava no canto inferior do quarto. Enquanto James ninava o pequeno Harry, aos poucos, o choro desconsolado ia se aquietando e se transformando num risinho tímido

Ela era a criatura mais encantadoramente linda que eu já havia conhecido. Na noite em que Remus e Tonks noivaram. A noite em que conheci sua tia Marlene. Era aniversário de 21 anos da sua mãe. Também foi a noite em que Amos Diggory terminou um relacionamento de 5 anos com ela, logo quando ela esperava que ele a pedisse em casamento. Você deve se perguntar é claro, porque isso é importante. Veja bem Harry, tudo está conectado, nada acontece por acaso. Se naquela noite Remus e Tonks não estivessem comemorando seu noivado, eu não teria saído para uma balada onde conheci sua tia Marlene, o que nos leva ao fato de que se eu não tivesse conhecido sua tia Marlene e tivesse levado um fora porque ela estava saindo com seu tio Sirius, eu não teria ficado frustrado pelos meus dois melhores amigos estarem transando, enquanto que, se sua mãe não estivesse esperando Amos Diggory no ponto de taxi para irem juntos comemorarem seu aniversário de 21 anos, ao qual ele terminou com ela, o mesmo ponto de taxi que eu precisaria pegar para retornar para casa, sua mãe não estaria lá, no lugar certo, na hora certa para que eu a conhecesse.

O que eu quero dizer Harry, é que se eu não a tivesse visto, se não tivesse vislumbrada a silhueta bem desenhada, o rosto choroso e o mar de cabelos vermelhos contra o céu noturno de sua mãe naquela noite chuvosa, eu teria pegado um taxi, teria voltado pra casa e provavelmente teria assistido a maratona de Star Wars mais uma vez. Mas ao invés disso, eu me dirigi para o seu lado, o guarda-chuvas estendido sobre a cabeça, toquei seu ombro levemente e perguntei: “Você quer uma beirada?”

Sua mãe me deu um daqueles sorrisinhos forçados que ela sempre dá quando está nervosa e não quer brigar. Me olhou com ternura e aceitou se abrigar na extremidade do guarda-chuvas que eu havia furtado de sua tia Marlene.

Eu me senti no dever de consolar sua mãe. Eu não sabia seu nome, eu não sabia sobre sua história de vida. Eu apenas senti que deveria consola-la, senti que deveria ficar com ela toda aquela noite para que ela se lamentasse e chorasse o quanto quisesse.

E é claro, eu a convidei para sair da chuva e se acomodar no banco do ponto de taxi, foi apenas uma amostra de cavalheirismo ao qual sua mãe recebeu sem questionamentos. Ela me contou sobre Amos Diggory, sobre como eles se conheceram e sobre o quanto ela o amava.

“Acredito que cada um de nós só conhece um, e eu já conheci o meu.” Foi o que ela disse.

“Você sabe o que vem depois do primeiro? O próximo.” Eu não a estava cantando, nem jogando indiretas, eu estava tentando ser o tipo legal, uma pessoa amigável. E é claro, ela respondeu à altura, riu como se fossemos velhos amigos.

“Oh! Bem. Eu não vejo isso acontecendo tão cedo.”

Nós passamos a noite toda juntos. Ficamos lá, sentados até que a chuva parasse por completo.

Ela me disse seu nome. Lily Evans. O nome soou como música para os meus ouvidos e de fato, descobri logo depois que ela tocava em uma banda. Se uniu a alguns amigos da faculdade, sua tia Dorcas, seu tio Arthur e namorada na época, atual esposa, sua tia Molly. Ela fazia arquitetura. Gostava de café, livros e poesia. Uma leve queda por jogos, confessou. Ouvia e cantava indie rock. Arctic Monkeys era sua banda favorita na época.

Quando a chuva estava quase no fim, ela deu-me uma conclusão final sobre nossa conversa:

“Eu me apaixonei por ele a muito tempo. É besteira, mas parece que ganhei a minha primeira loteria. E de repente BUM! E eu tenho certeza que não vou ganhar de novo. Então não faço mais apostas.”

“Eu entendo”

“Eu deveria ir embora.”

“Eu acho que você deveria se permitir apaixonar novamente, você sabe.”

Ela riu, um riso triste e ao mesmo tempo feliz.

Foi atração à primeira vista, a garota chorosa no ponto de taxi, então o cara se aproxima e lhe oferece uma beirada de seu guarda-chuvas, parecia-me um conto de fadas. Eu não sei o que me fez consolar sua mãe aquela noite, nem sei porque ela aceitou os consolos de um estranho, mas foi o que aconteceu e eu soube naquele instante, no momento em que ela me agradeceu pela companhia, que era amor.

Foi uma estrada com muitos obstáculos. Mas fico feliz por ter sido assim. Pois sabe, Harry, do momento em que conheci a sua mãe sabia que tinha que amar essa mulher com todas as forças, enquanto conseguisse, e que não poderia deixar de amar nem mesmo por um segundo. Carreguei essa lição comigo por todas as brigas bobas que tivemos, por todas as madrugadas de Natal, por todos os cochilos nas tardes de domingo, por todos os altos e baixos, pingos de ciúmes, desânimos ou incertezas que surgiram em nosso caminho. Eu carreguei essa lição comigo.

Eu agradeci a todos os deuses que existem e a todos que irão existir por ter conhecido aquela garota no ponto de taxi e por ter tido coragem de caminhar até ela, e tocar em seu ombro, abrir a minha boca e falar.

Engraçado quando as vezes você simplesmente encontra as coisas.

Veja bem Harry, você vai encontrar, ao longo de sua vida, dois tipos de mulheres uma será o “tesouro do destino ao longo de uma vida” e a outra “a coisa que é quase aquilo que você quer, mas não é bem isso”. Sua mãe era a primeira, e é claro. Ela era, é e sempre será o tesouro do destino ao longo de minha vida.

“Como eu irei saber se ela não é o meu tesouro do destino ao longo de uma vida? Talvez com o passar dos anos, ela venha a ser o seu tesouro do destino ao logo de uma vida” você provavelmente perguntaria se pudesse falar. Bem Harry, essa é uma pergunta muito fácil de responder. O tesouro do destino ao longo da vida não é uma coisa que se desenvolve com o tempo. É algo que acontece instantaneamente. Flui através de ti como a água de um rio após uma tempestade. Preenche-te e deixa um vazio, ao mesmo tempo. Sentes por todo o teu copo. Nas tuas mãos... No teu coração... No seu estomago... Na tua pele. Já se sentiu assim por alguém? Se tem de pensar sobre isso é porque ainda não sentiu.E eu sei Harry, eu tenho a certeza absoluta de que você encontrará isso algum dia. Todo mundo encontra, mas cedo ou mais tarde. Nunca se sabe quando ou onde, mas você encontra.

Foi assim com a sua mãe.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!