How Do You Say I Love You?
15 Tour
Notas iniciais
Pela porta silenciosamente ele entrou no quarto. Deitou-se ao meu lado aconchegando-me em seu peito, como ele fazia. Dando-me segurança e proteção. De repente o quarto de paredes marfim deu lugar a um borrão verde. Eu corria desabalada pela floresta. Em busca de uma brecha de luz solar, era tudo tão úmido e escuro. Peter não estava mais comigo. A toda velocidade continuei correndo. Então o chão sumiu de meus pés, cai no espeço vazio do precipício. Rodopiei no ar e rompi na água, nela dissolveu-se uma tinta vermelha, sangue. Em minha barriga senti uma pontada intensamente forte. Levei as mãos ao ponto da dor. Tentando estancar o sangue ao mesmo tempo em que tentava sair da água e abrir os olhos, que pareciam colados, sair daquela agonia. Por fim, abri os olhos.
O quarto estava claro, uma claridade branca e embaçada vinda da porta de vidro. Levantei e fiz uma nota mental para fechar as cortinas antes de dormir. Fui ao banheiro, minha barriga doía de tão apertada.
Após o banho – vestindo short jeans e camiseta azul – decidi descer ao restaurante do hotel em vez de pedir o café da manhã no quarto. Grata pela sonolência impedir minha mente de vagar para qualquer pensamento ou paro o sonho desagradável, o qual já estava se embaçando em minha memoria, entrei no elevador. Desci dois andares, o elevador parou no 20º andar. Cheguei para o lado para dar espaço ao novo passageiro. Fitando os botões de controle do elevador, vi pela visão periférica que era um homem.
– Bom dia! – disse simpático.
Ergui o olhar – bom dia! – dei-lhe um sorriso. Era difícil não sorrir em meio a tanta simpatia. A porta fechou e o elevador recomeçou a descer. Olhei para ele disfarçadamente. Franzi o cenho, eu já o tinha visto antes... esse cavanhaque, os óculos... Sim! O homem que estava com Peter no bar. Sim, era ele.
– Gostando das férias? – ele quebrou o silencio constrangedor.
– Ah, sim. Obrigada. Hm, e você?
– Trabalhando. Mas dá pra curtir. – ele sorriu. – Qual é o seu nome?
– Jasmin, Jasmin Duarte.
– Philip Lawrence. É um prazer Jasmin. – estendeu a mão. Apertei-a e sorri constrangida. Voltei a fitar os botões de controle do elevador. Amigo de Peter... Tão simpático quanto ele.
Chegamos ao 3º andar, sai primeiro da cabine e fomos na mesma direção. Então engoli o “tchau” que estava na ponta da língua. Philip abriu a porta dupla de vidro do restaurante.
– Mahalo. – agradeci.
Sentei-me no banco alto do balcão do enorme salão. Ele sentou em uma mesa perto da janela, mais distante. Além dele de mim, o local estava vazio.
– Aloha kakahiaka! Em que posso servi-la? – Disse atendente de pele muito bronzeada e olhos orientais. Imaginei que fosse imigrante.
–Aloha,.. Um café, por favor. – ela sorriu e sumiu atrás do balcão. Peguei o cardápio e comecei a folhear.
– Aloha! – esse cumprimento chegou até mim vindo de trás. Girei no banco.
– Hey Nina. Aloha – dei um sorriso fraco. De alguma maneira agora a frente dela senti uma vontade incontrolável de desabafar, abraça-la. Não consegui disfarçar. Não com Nina. Sempre nos falamos pelo WebCam, e ela sempre me ouviu com interesse, fazendo-me rir. Mesmo distante.
Por isso ela percebeu. Mas de inicio nada comentou.
– Que surpresa te encontrar aqui a essa hora. Pensei que estivesse cansada de ontem... – deu um sorriso insinuador.
Eu ri brevemente – que horas são?
Ela olhou no relógio de pulso – hm, 6:41.
– Hmm – murmurei. Tive a impressão de ter dormido muito. Mas realmente era estranho o restaurante estar tão vazio. Então lembrei que não era tão tarde quando me deitei ontem, 21h00min mais ou menos. Meu café chegou. “Mahalo” – eu disse.
A atendente cumprimentou Nina informalmente. Nina era amiga de todo mundo naquele hotel!
Percebi que estava dispersa. Nina também percebera, mas me deixou com meus pensamentos. Agradecida beberiquei mais um pouco do café, pousei a minha xicara no pires.
– Como foi a festa ontem? – Forcei um pouquinho para parecer animada. Não queria abafar seu entusiasmo seja lá pelo que tivesse acontecido na noite anterior.
Nina dei um largo sorriso, olhou para mim – foi bem divertido. E a sua noite? Como foi?
Ela sabia que não tinha sido “bem divertido”. Mas mesmo assim perguntou de forma sutil. Para que eu mesma contasse. Nina pode ser esfuziante e louca a maior parte do tempo, mas nessas ocasiões ela é extremamente sutil e delicada. Gosto disso nela.
– Você está livre hoje? – perguntei. Não, eu não fugi do assunto. Nina pareceu entender a mesma coisa, franziu o cenho.
– Tenho um tour longo hoje, das 7:30 ás 13:30. O restante do dia estou livre. Por quê?
Agora fui eu quem franziu a testa. – Nina, como é que você tem anto tempo livre?
Ela riu — trabalho aqui há anos amiga. Nunca tirei férias, raramente tirei folgas. Tudo pra chegar onde estou. As férias e folgas acumularam. Resolvi gasta-las. Deu de ombros.
– Ah... — ergui as sobrancelhas. – Posso ir com você? No tour.
– Claro Myn! Precisa perguntar?
– Então é melhor eu subir pra me arrumar. Mas antes, olhe aquele cara sentado lá perto da janela. Ela girou no banco, olhando pra trás.
– Hm, oque tem ele?
– Nada demais. Mas preciso conversar com você. Aqui não.
Embarcamos no ônibus da agencia de turismo, Nina em pé na frente explicando sobre a monarquia instituída pelo Kamehameha no Hawai’i. Terminando seu discurso sentou-se ao meu lado, os turistas começaram um burburinho de comentários entusiasmados.
– Então Myn. O que há?
– Ai Nina, eu nem sei por onde começar... – franzi a testa, respirei fundo – O Peter... ele é o Bruno Mars.
Nina arregalou os olhos, boquiaberta. – Quê?!
– É eu sei.
– Tem certeza? Tipo, como assim? E por que você não está sei lá, encantada com isso?
– É ele sim. Pesquisei na internet. Vi fotos.
– Você tá saindo com Bruno Mars!? – exclamou ela cética.
– Pssssiu! Nina! Fala baixo!
– Ca-ram-ba! – ela dividiu a palavra. Em seguida uniu as sobrancelhas, quando viu minha expressão. Ela disse baixinho me consolando – que foi amiga? Por que você está assim?
Contei a ela a tarde maravilhosa em que passei com Peter. – de passagem comentei que o cara do restaurante, o Phillip é amigo de Peter — E na volta, as garotas tirando fotos no MacDonald’s, — era por causa dele — em um clique eu me toquei. Narrei nossa conversa, nossa declaração mutua e depois ele cantando Jus The Way You Are.
– ... e Nina, eu não sei oque pensar. Eu estava realmente confiando nele e ele mentiu pra mim Nina.
– Calma. Você nem deixou ele se explicar. Você simplesmente saiu do carro. – Abri a boca para protestar, mas ela fez sinal para eu me calar – eu sei que nessa situação qualquer um se sentiria traído. Mas pensa só, ele é um cantor famoso e quantas pessoas se aproximam dele apenas por isso? Inúmeras. Ele deve ter seus motivos. E amiga, se você fala dele assim, com tanto carinho ao lembrar-se dos momentos em que passaram juntos... Você não deveria desistir assim. Dê uma chance a ele.
– Não sei...
– Pense Myn. Pense muito antes de fazer qualquer coisa. Eu nunca a vi tão contente durante esses anos em que nos conhecemos, você nunca ficou tão feliz com cara nenhum. E você nem sabia que ele era o gato do Bruno Mars. – ela deu ênfase no nome – mas me conta uma coisa? Como é que você não sabia que ele é o Bruno? Cara! – disse ela estupefata.
Eu não disse nada. E Nina me deixou em paz com meus pensamentos. Saiu em direção à frente do ônibus novamente, murmurando alguma coisa sobre o cara lindo no carro vermelho ter passado em frene ao hotel. Observei-a trabalhar, o ônibus passava pelas avenidas de Waikiki e Nina falava sobre suas atrações. Em determinados pontos descemos do ônibus e fomos conferir de perto o Waialae Contry Club , Waikiki Aquarium, Mau Uae Nature Park. Eu olhava com interesse para as atrações e a paisagem, mas não conseguia ouvir nada do que Nina falava. Ao em vez disso mergulhei em pensamentos.
Nina tinha razão. Como é que eu não o reconheci? Eu nunca havia visto o seu rosto antes de chegar ao Hawai’i, não fico por ai pesquisando sobre cantores. Mas isso não muda o fato de eu ter me sentido uma tapada. E por que ele mentiu sobre o seu nome? Será que tinha medo que eu me envolvesse com ele por interesse? Ou estaria brincando comigo? Não, por mais que isso passasse por minha cabeça confusa não chegava ao meu coração. Eu sentia a sinceridade emanar dele. Com ele eu me redescobri, deixei de ser a profissional, adulta, responsável. E voltei a ser apenas eu. A liberdade que senti ao seu lado, a confiança. Isso nunca sentira por ninguém, não tão rápido. Com ele foi tudo tão simples. E senti no fundo do eu coração que tinha que ser verdadeiro. Se não fosse eu não teria sentido oque senti. E abrir mão dele... Eu não via como uma opção aceitável. Não queria isso, apesar das circunstâncias.
Não tinha certeza se estaria em condições de ouvi-lo, não tinha decidido isso ainda.
*Continua! ;)
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