Houses
1 Hufflepuff
Notas iniciais
Hufflepuff
“Quem sabe é na Lufa-Lufa que você vai morar,
Onde seus moradores são justos e leais
Pacientes, sinceros, sem medo da dor.”
Quem conhecia Annie Sanders, notava que ela era uma menina mágica. Amada por todos a sua volta, ela encantava-os com sua doçura e ingenuidade. Tinha cabelos dourados que sempre balançavam ao vento quando brincava, e doces olhos castanhos, que lembravam chocolate derretido. O que a tornava mais bela era a bondade e a alegria que a menina demonstrava. Ajudava a todos, desde amigos a desconhecidos, pessoas a animais. Ninguém jamais questionou os atos mágicos que ela, inconscientemente, fazia; até a carta chegar.
Acompanhada de uma professora, miúda e gordinha, mas com o rosto maternal, Annie descobriu-se bruxa.
Por meses esperou até o expresso de Hogwarts, que a levaria para um mundo tão mágico quanto ela.
Não foi decepcionada.
Era 1992, Hogwarts brilhava a luz da lua vista dos barcos no Lago Negro,e naquele primeiro de setembro ela seria selecionada para uma Casa, onde de acordo com a Professora McGonagall, era formada sua “família” durante sua estadia no colégio.
Quando adentrou o salão principal, o medo correndo solto por suas veias, sua atenção que até o momento estava no teto estrelado, voltou-se para as quatro grandes mesas enfileiradas. A verde, a azul, a vermelha e a amarela.
Sonserina, Corvinal, Grifinória e Lufa-lufa.
Não sabia para aonde iria, não sabia se haveria diferença por ser uma nascida-trouxa; na verdade, não sabia de quase nada daquele novo mundo. Mas então, o chapéu seletor, que estava por sobre sua cabeça exclamou uma palavra, pequena e ainda desconhecida,e ela sabia que ficaria bem:
— Lufa-lufa!
Durante aquele ano letivo, muito sufoco e medo a acometera. Um herdeiro da Sonserina, que odiava nascidos trouxas, andara solto pela escola, e Annie temia viver tão pouco naquele mundo recém conhecido, e ao mesmo tempo ansiava por poder ajudar aqueles que haviam sido petrificados.
E ela o fez.
A professora Sprout, que muito docemente a deixara ajudá-la com as mandrágoras se orgulhara muito, e mesmo a Lufa-lufa não tendo ganhado a Taça das Casas, Annie rendera vinte pontos a sua casa, que para ela não pareceram nada comparado a felicidade que os amigos tinham de encontrar seus entes que antes não estavam presentes.
Seu segundo ano, foi bem mais tranquilo que o anterior. E a permitiu conhecer ainda mais o castelo, e suas diferentes peculiaridades.
Havia varias passagens secretas,e diferentes esconderijos, o que era ótimo para não ser pega pelo Sr. Flich, além de poder locomover-se com maior rapidez entre as aulas.
Falando nessas, as aulas eram a segunda coisa favorita em Hogwarts para Annie. Adorava Herbologia, passava horas e horas estudando plantas e nem via o tempo passar. Poções, Feitiços e as aulas de voo,lhe eram um pouco mais complicadas, mas mesmo assim muito legais. E ela até gostava de Defesa contra as artes das trevas, apesar de não gostar de duelar.
Gostava muitíssimo de Quidditch, e torcia avidamente pela Lufa-lufa, que ganhava muitos jogos com Cedrico Diggory como apanhador( apesar dela admitir infinitamente, que Harry Potter era muito melhor nessa posição do que todos os outros jogadores).
Mas, o que Annie mais gostava mesmo,era das pessoas. Eram tão diferentes uma das outras, e ao mesmo tempo, muito parecidas. Ela tinha um vicio em passar o tempo observando-as ,e ajudando sempre que podia. Na biblioteca, onde passava varias vezes o tempo livro estudando Herbologia, ela ajudava todos que passavam por lá, e isso rendeu a ela vários amigos.
Tinha a Ana Abbott e Susanna Bones, da mesma casa que ela, que sempre eram educadas e prestativas em ajudá-la no que precisasse. Uma ruiva da Grifinória, Ginny, sempre conversava com ela sobre a matéria do Snape, e ambas se ajudavam mutuamente. Luna Lovegood, uma garota que todos diziam ser meio amalucada, era super divertida e tirava altas risadas de Annie, que sempre acabava sendo expulsa por Madame Pince. Colin Creevey, tornou-se um dos seus melhores amigos, e passavam varias tardes jogados em frente ao Lago Negro comparando o mundo trouxa ao bruxo. Neville Longbottom, outro amante das plantas, era uma de suas companhias favoritas, uma vez que sempre tinham novas plantas e fatos para debaterem.
E toda essa observação rendeu-lhe também sua melhor amiga: Ivy Wyllikins. Com os cabelos grandes e cacheados, e pele morena; Ivy era super inteligente e ambas pareciam se entender como ninguém. Sendo Puro sangue, não tinha nenhum problema com a galera da Sonserina, e defendia Annie sempre que era necessário.
No ano do torneio tribruxo, antes de toda a tristeza que ocorrera para sua casa, ela descobriu mais duas coisas, as que talvez mais a definiriam durante o resto de sua vida. A primeira determinou seu futuro. Era um dia frio de outono, quando saiu para os campos de Hogwarts para assistir uma aula de Trato das Criaturas Mágicas. O Professor Hagrid, estava falando de Pelúcios, e ela se apaixonou perdidamente na matéria. Se tornou sua favorita, e Animais Fantásticos e Onde Habitam era para ela um diário do tanto que o lia. Decidira ali, o que queria fazer para o resto de sua vida.
Tronquilhos, Pelúcios,Barretes Vermelhos, Unicórnios,Hipogrifos,Dragões, Fênix, Fadas Mordentes,Grindylows. Era com o que ela mais gastava seu tempo, estudando e aprendendo buscando ser uma Magizoologista. Newt Scamander, uma das pessoas que ela mais admirava no mundo, e um Lufano, a fez demonstrar maior curiosidade por sua casa.
Nos seus primeiro anos em Hogwarts, sabia o básico sobre a Lufa-Lufa, mas no terceiro ano, em 1994, sentiu que precisava saber mais, precisava saber tudo. Queria ser uma Lufana que daria orgulho a sua Casa.
Passou horas na biblioteca, leu incontáveis livros no salão comunal, conversou com os monitores, com a Professora Sprout, e com Frei Gordo, e tentou tirar de toda a sua pesquisa a síntese de ser da Lufa Lufa. Conseguiu.
Tenha coragem, e seja gentil.
Cinco pequenas palavras, que mudaram sua forma de pensar, de agir, e passaram a defini-la. Virou sua ideologia, e ela deu mais orgulho a sua casa, principalmente quando Cedrico morreu e ela, mesmo sofrendo também pela dor da perda de um amigo, ajudou a consolar todos, e eles a consolaram também, porque na Lufa-lufa é assim, todos ajudam um ao outro.
O quarto ano não foi agradável, e jamais poderia ter sido com a presença constante de Dolores Umbridge na escola. Além desta, a recente descoberta( porque ela acreditava sim no Harry Potter) da volta de Você-Sabe-Quem, perturbava sua cabeça, sabendo quão desvalorizados eram os nascidos trouxas, e como lufanos eram para os comensais da morte, motivo de piada. Para falar a verdade, ela começou a notar que muitos achavam a Lufa-Lufa uma Casa de “restos”, uma Casa para qual iriam aqueles que não tem qualidade, aqueles que não eram nem astutos, nem inteligente, nem corajosos. Annie não pensava assim, a Lufa-Lufa, em sua mais humilde opinião, era a casa mais nobre de toda Hogwarts.
Durante aquele ano, treinou muito defesa contra as artes das trevas junto de Ivy, não porque gostassem, mas porque queriam poder proteger a quem amavam em uma guerra que a cada dia tornava-se mais evidente.
O quinto ano, foi marcado por três coisas: a volta Daquele-que-não-deve-ser-nomeado, NOM’S e a morte de Albus Dumbledore. Por mais que, inicialmente os dois primeiro já tornassem o ano ruim, também foi o ano que Annie mais foi feliz, mais curtiu. Se apaixonou perdidamente, amou com todas as forças e foi feliz até o fim do ano, quando tal tragédia acometeu à Hogwarts.
Naquelas férias de verão, ela pensou muito no que faria. Com uma mãe, pai, uma avó enferma, e uma irmã de dez anos, ela temeu muito pela segurança deles durante os tempos sombrios que o mundo bruxo vivenciava. E mesmo, com medo, embarcou no Expresso de Hogwarts para seu sexto ano.
A escola, sua tão querida Hogwarts, estava completamente diferente. Com a segurança e normas rígidas, Snape como diretor, os Carrow como professores, o ensino das artes das trevas, e o preconceito que sofria por ser uma nascida trouxa, quase a fizeram não retornar após o feriado de Natal.
No entanto ela voltou, porque era uma Lufana, e sabia que uma hora precisariam dela, e acabaram por precisar mesmo.
Era uma noite quente, e ela e tantos outros estavam abarrotados na Sala Precisa, quando por detrás do retrato de Ariana Dumbledore, saiu Hermione Granger, Ronald Weasley e Harry Potter.
Fora lançado o sinal, iriam guerrear. Iriam lutar pela escola que os acolheram.
Na madrugada do dia dois de maio, ela lutou bastante,e talvez não tenha sido o suficiente. Ajudando os alunos mais novos a ir embora, ela ficou após seu papel como monitora terminar para lutar. Tinha dezessete anos recém feitos, e permaneceu como tantos outros na mesa de sua Casa.
Após ajudar a professora Sprout com as plantas que mais causariam problemas aos comensais( as mandrágoras com certeza os irritariam) seguiu novamente para o castelo.
No meio da batalha, vislumbrou alguns conhecidos. Luna lutava lado a lado com Ginny contra algum comensal, Neville duelava com dois ao mesmo tempo. Ivy, ao seu lado dava o melhor de si, tal como ela, e ambas não sabiam quando ou onde aquele tormento teria fim.
Ela não viu o encerramento.
Fora durante um duelo, em que ela e um comensal mascarado lutara, que aconteceu. Ivy estava a poucos passos dela, recém estuporada, e ela observou enquanto o homem de preto se preparava para lançar a maldição da morte em sua melhor amiga, na irmã que a vida lhe dera. Não soube direito como reagiu, mas quando notou, já estava perante a amiga e impedia o homem de matá-la. Fora nobre de sua parte. E talvez tivesse sobrevivido se houvesse prestado um pouco de atenção. O comensal mascarado que até pouco duelava com ela, não tinha tanto senso de honra, e a atacou pelas costas.
—Avada Kedavra.
No fim, ela não viu a morte chegar. Foi tão rápida quanto o adormecer. Não ficou sabendo quantas outras baixas a Ordem e Hogwarts sofreram, e nem viveu para ver um mundo bruxo livre daquele Lorde a quem tantos temiam, incluindo ela própria. Mas morreu como uma Lufana. Pelo que acreditava, e por quem amava. E durante toda a vida dera o melhor de si.
Não havia arrependimentos na morte. Não havia escolhas erradas. No fim ela morreu, mas com orgulho de ser uma Nascida Trouxa e com orgulho de sua Casa, Lufa-lufa.
Disse Hufflepuff: “Ensinarei a todos,
E os tratarei com igualdade.”
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