Hotshot

7 Field Goal


Notas iniciais
Disclaimer: infelizmente Twilight não me pertence, mas o Edward basqueteiro, isso sim, então, respeitem! .

CAPÍTULO 7 − FIELD GOAL

.

Uma semana depois de compartilhar um beijo atordoante com Edward Cullen e concordar em ir a um encontro com ele, a Dra. Isabella Swan, tentava a todo custo se manter calma. Algo que não era tão fácil como parecia, nem em seu trabalho ela conseguia se concentrar com facilidade, fato que chamou a atenção do fisioterapeuta Jacob Black e da nutricionista Angela Weber, mas quando os dois tentaram persuadir a ortopedista a lhe dizer o que estava deixando inquieta, a médica era efusiva em fugir do assunto ou negar que algo estava acontecendo. Fato que não convenceu nenhum dos dois amigos.

− Ela está escondendo algo. – disse Jacob a Angela na sala de descanso, onde tomavam um café na manhã de segunda-feira, quando Edward voltaria ao tratamento, uma vez que já estava parcialmente recuperado da intervenção cirúrgica de 10 dias.

− Você acha?! – Angela perguntou retoricamente, com as sobrancelhas arqueadas por trás de seus óculos de armação de gatinho. – Eu tenho certeza! Eu nunca vi Bella tão distraída como ela esteve nesta última semana.

− Ang, sabemos que ela é discreta com a vida pessoal, mas... – começou Jacob, mas quando Angela assentiu com a cabeça, concordando com o pensamento do fisioterapeuta, no mesmo instante que a porta da sala de descanso abriu revelando Ben Cheney, o médico assistente da Dra. Swan e Dr. James Hunter, o psicólogo.

− O que está acontecendo com a Dra. Swan?! – questionou James, enchendo uma xícara de café.

− Ela praticamente que me expulsou do consultório! – exclamou Ben atordoado. – Disse que precisava fazer uns exames em Edward Cullen, e queria fazer sozinha! – completou praticamente ofendido.

− Você viu o quanto ela corava quando o viu?! Parecia uma colegial sendo convidada para o baile! – completou James, com um sorriso torto.

Jacob e Angela trocaram um olhar.

− Bella quis ficar sozinha com Edward Cullen?! – perguntou o fisioterapeuta lentamente, quando Ben assentiu em confirmação, um sorriso começou a aparecer no canto dos lábios dele. – Edward Cullen, o ala-armador do Boston Celtics, nosso paciente?! Esse Edward Cullen?! – questionou, mais como uma confirmação tola.

− Você, por acaso, conhece outro Edward Cullen?! – perguntou o residente com um rolar de olhos.

− Jake, Bella jamais se envolveria com um paciente no meio de um tratamento. Não é o perfil dela. – contrapôs Angela com ponderação.

− Hunter, o que você acha?! – inquiriu Jacob, buscando uma opinião mais “especializada”.

James tomou um longo gole do seu café, admirando os colegas de trabalho com atenção. O silêncio perdurou por um minuto inteiro.

− Realmente não é o perfil da Dra. Swan – começou lentamente, Angela olhou para Jacob com um “Ha!” em seus lábios, mas quando James levantou as mãos dizendo que tinha mais, o fisioterapeuta sorriu vitorioso para a nutricionista. −, mas o comportamento dela nos últimos dias é atípico... ela parece quase vivendo um dilema moral, sabe?! – deu de ombros. – Ela sempre foi muito difícil de se ler, em contrapartida, Edward...

Jacob com toda a sua altura e pele castanho avermelhada, sorriu amplamente mostrando seus faiscantes dentes brancos. Bella poderia ser reclusa, difícil de se abrir, mas se tinha alguém que era um livro aberto, extremamente fácil de se ler essa pessoa era Edward Cullen, e James como seu psicólogo – o único que havia visto e conversado com ele na última semana, a não ser a Dra. Swan – teria uma perspectiva muito mais profissional sobre o assunto. Sobre o que passava na cabeça do basquetebolista.

− Edward parecia feliz demais na última semana. O que é atordoante, para alguém que passou por uma nova cirurgia por causa de uma necrose. – deu de ombros. – Em nenhum momento do tratamento ele mostrou tanta empatia e ansiedade como na última semana.

“Vocês sabem como funciona terapia, é o único momento que o paciente fica mais vulnerável, ele se abre, tirando todas as máscaras possíveis, mas era como se Edward estivesse escondendo algo, algo bom, mas que ainda não estava certo se pudesse compartilhar.” – ele balançou a cabeça, apagando algo que surgia em sua mente. – “Isso é tão antiético da minha parte.”

− Se é antiético, você deveria ficar quieto Dr. Hunter. – a voz fria e afiada da Dra. Swan, surpreendeu a todos na sala de descanso que não a viram entrar. Bella podia ser sorrateira demais, era como se ela farejasse que estavam falando sobre ela.

Todos os quatro se mexeram inquietos com a reprimenda da médica, mas antes que o constrangimento os dominasse, ela caminhou com segurança até a cafeteira, pegando uma xícara de café para si mesma. O silêncio era opressor enquanto os quatro pares de olhos encaravam as costas de Bella, aguardando que ela lhes desse algum sermão sobre fofocarem sobre os dados pessoais de um paciente, numa sala em que qualquer pessoa pudesse entrar.

Dois minutos se passaram quando ela não disse nada, porém quando todos trocavam olhares expectantes, ela virou para encarar a eles. Seus olhos como os de um gavião estudou a postura de cada um deles, mas quando ela falou sua voz era segura, calorosa e extremamente profissional.

− A felicidade do Sr. Cullen, é porque a cirurgia que fizemos há 10 dias foi um sucesso, e que apesar do tecido necrosado, a área afetada foi mínima, o que pouco interferiu no sucesso que tivemos com o tratamento até agora. Eu havia compartilhado com ele algumas suspeitas, principalmente porque ele estava sentindo-se bem, mas vocês sabem como funciono, não gosto de dar muita esperança aos meus pacientes, para depois retirá-las. – ela deu de ombros, como se aquilo não fosse nada.

Tomou um novo gole do seu café, e voltou ao seu discurso.

— Mas como ele é de uma família de médicos, acho que ele desenvolveu um certo tipo de sexto sentido, ou algo parecido, então ele me fazia as perguntas certas, para confirmar suas suspeitas. Por isso que ele estava feliz, e como se estivesse escondendo algo na última semana. – ela bebeu mais um gole do café. – Era sobre isso que estávamos conversando, estava avaliando e parece que só teremos que voltar uma etapa no tratamento, não quatro como estávamos supondo, o que deixa tudo mais fácil e nós dá mais esperança.

Seus olhos castanhos brilhavam com um claro olhar de desafio, principalmente em direção ao fisioterapeuta Jacob Black e o psicólogo James Hunter, ambos se sentiram intimidados com o olhar dela, mas quando ela sorriu para eles, o temor dos profissionais pareceu correr suas espinhas.

− Inclusive ele está esperando vocês para a avaliação física e psicológica. – disse lentamente, encarou o relógio prata em seu pulso. – Eu gostaria que vocês realizassem isso antes do almoço, porque a tarde quero ver se ele consegue realizar alguns movimentos típicos do esporte, para ativarmos a memória muscular. – ponderou suavemente. – Dr. Cheney, acompanhe o Dr. Black e o Dr. Hunter, faça um relatório da sua visão como médico ortopedista da avaliação dos dois. – os três homens concordaram com um assente, e em silêncio deixaram a sala, lançando um olhar de desculpas para a médica e um que resplandecia boa sorte a nutricionista.

− Bella... – começou Angela, sabendo que deveria se desculpar com a médica, que considerava uma amiga.

− Ang, sério, não diga nada. – a ortopedista interveio, bebendo o restante do seu café. – Eu sei que vocês querem o meu bem, estamos juntos nessa empreitada há quase 5 anos, eu conheço todos vocês muito bem, sei que... – ela franziu o cenho. – que parece que Edward e eu estamos flertando um com o outro, e talvez até esteja – ela deu de ombros. −, mas não esqueça ele é meu paciente, e é a recuperação completa dele que devo me preocupar. O sucesso dele é nosso sucesso.

− Bella, desculpa, é que nós... – ela deu de ombros, mordiscando seu lábio inferior. −, nós nos preocupamos com você. Sua vida na última década foi a pesquisa desse tratamento, e você parece se esquecer que é um ser humano que precisa viver... sei que você tem seus encontros, e alguns namoros, mas todos vemos a necessidade que você tem de se apaixonar.

As bochechas da médica ficaram rubras, e ela desviou os olhos do olhar gentil da nutricionista, que era uma de suas melhores amigas.

− Jake conhece você a mais tempo do que todos nós, e ele sente quase que a necessidade de te ver feliz, com o brilho da paixão na sua pele, nos seus olhos, no seu sorriso – ela sorriu brilhantemente, e a médica copiou o gesto. −, palavras dele, não minhas, mas de qualquer forma eu concordo com ele, você precisa viver Bells. Sei que apesar de você querer tanto o sucesso do seu tratamento, você também quer uma família, conhecer um cara que te deixa feliz, que te dê tudo aquilo que sua menininha interna sempre sonhou.

− Como o que você tem com o Dr. Cheney? – perguntou a médica, com um sorriso conhecedor. Foi a vez da nutricionista corar e desviar o olhar. – Vocês não são tão bons em esconder Ang, e Ben... – ela riu consigo mesma. – Ele está apaixonado por você. Sei que vocês tentam manter o mais discreto aqui no hospital, mas todos nós já sabemos que vocês estão bem, não me surpreenderia se viesse um pedido logo. – ela deu uma piscadela para a outra mulher.

Angela bufou uma risada, enquanto balançava a cabeça.

− Bella, se eu não te conhecesse tão bem eu diria que você está tentando desviar do assunto. Mas sim, eu e Ben... bom... estamos juntos e estamos conversando sobre dar um passo adiante no nosso relacionamento, vimos alguns apartamentos... – Bella arqueou as sobrancelhas surpresa com o fato de que o relacionamento dos seus companheiros de equipe era mais avançado do que ela supunha. – Mas não sei... ele ainda está no segundo ano de residência, e eu não estou ficando mais jovem. – ela bufou.

A Dra. Swan rolou os olhos.

− Sério que isso é por causa da idade?! Ang, são alguns anos, e sinceramente você parece bem mais nova do que aparenta. Daria a você no máximo 30, não alguém que completa 35 na próxima semana. – ela riu.

− Dra. Swan! Nunca revele a idade de uma mulher! – exclamou com um fingido sobressalto. Bella gargalhou. – Mas você e o Sr. Cullen, também tem alguns anos de diferença... – ela disse com um sorriso conhecedor.

− Angela...

− Qual é Bella?! Somos só nós duas, eu sei que você tem conversado com a Vicky sobre ele, eu meio que entre ouvi a conversa de vocês sexta. – ela deu de ombros se desculpando. – E vou dizer o mesmo que ela te disse: ele não será seu paciente para sempre. É estranho, mas todos percebemos, principalmente James, por isso que ele estava falando o que dizia quando você entrou aqui, é como se vocês orbitassem um em torno do outro, nunca vi algo assim... é como se... o que vocês têm é... – ela suspirou. – Uau! Eu nem sei definir é magnético, elétrico!

Bella sorriu timidamente, sentindo suas bochechas enrubescer.

− Você assistiu alguma comédia romântica no fim de semana?! Ou foi daqueles livros picantes que me dizia outro dia?! – a médica perguntou para tentar desanuviar o clima pesado, ela sentia que Angela, assim como Victoria Hunter, conseguia lê-la sem que ela revelasse muito.

− Você é impossível Dra. Swan, mas vou deixar por assim mesmo, eu preciso cuidar do almoço do nosso paciente. – o brilho em seu olhar, parecia dizer muito mais do que suas palavras queriam dizer. – Acredito que devo preparar algo com um alto índice de fibras, proteínas, vitaminas do complexo B, C e E... e talvez um pouco de ômega 3 e 6, potássio...?! – ela enumerou profissionalmente, mas ainda com um olhar divertido.

A Dra. Isabella Swan sorriu grande para ela.

− Por isso que exigi que você viesse trabalhar comigo, é a melhor! – elogiou.

Angela corou e rolou os olhos com o elogio da ortopedista, mas com uma rápida despedida deixou a sala de descanso, deixando a Dra. Swan sozinha. Assim que os cabelos negros da nutricionista passaram pelo limiar da porta uma respiração que Bella, sequer havia notado que segurava deixou seus lábios.

Ela sabia que esse, se é que poderia se chamar assim, relacionamento com Edward era complicado com inúmeros fatores, mas principalmente porque ela deveria manter o profissionalismo para não chamar a atenção dos diretores do hospital e também assegurar que o Dr. Riley Biers, por intermédio do comitê olímpico dos Estados Unidos, cumprissem sua parte no acordo que estavam fazendo e investissem o que prometeram na ampliação da sua pesquisa.

Havia muito em jogo, e ela não poderia deixar que uma paixonite, uma necessidade “sexual”, afetasse tudo que ela lutou para conseguir em mais da metade da sua vida, por mais que Edward Cullen fosse tentador demais para o seu próprio bem.

− Maldita seja essa lesão. – murmurou para si mesma, pegando mais uma xícara de café, mas recordando do beijo urgente que Edward lhe deu assim que fechou a porta do seu consultório mais cedo naquela manhã.

Desde aquele momento absurdo que compartilharam no quarto em que ele se recuperava da cirurgia há uma semana, os dois viam roubando esses momentos escondidos. Ela tentava se manter profissional, evitando que deixasse envolver pelo atleta, mas Deus lhe dê forças, que era quase impossível.

Edward não era apenas bom na quadra com uma bola de basquete em mãos, ele era excepcionalmente bom fora. Suas mãos grandes eram ágeis e firmes. Quentes e calejadas da maneira correta. Seus braços de músculos esguios eram fortes e acalentadores, davam uma segurança que ela só se sentia ao lado do pai; entretanto, nada era como seus lábios. E sua língua.

Seus beijos eram fervorosos, sensuais, apaixonados, atordoantes. Mais de uma vez ela teve que lembrar como respirar para não cair desfalecida nos braços dele, por esquecer-se de como deveria inflar seus pulmões com ar e depois soltá-los.

Era difícil manter as coisas castas, principalmente quando ele parecia transpirar uma sexualidade que a deixava quente em lugares que antes sempre precisavam de muitos estímulos, mas com ele, bastava um beijo mais urgente, um esbarrão meio sem querer em seus seios e um aperto em suas coxas, que seu núcleo começava a pulsar com uma necessidade quase obscena. Não ajudava que ele também ficava excitado com facilidade, seu comprimento – por mais que ela só tenha visto coberto ou sentido – era surpreendente.

Sim, ela estava precisando de sexo. Aquele sexo que durava boas horas, que a fizesse gozar de maneiras que daria inveja a qualquer atriz pornô, que a deixasse mole, não sentindo nenhum osso ou músculo do seu corpo, que todo o pensamento se esvai e fica só a paz branca da satisfação.

Controle-se Bella!— ela se repreendeu alto, na sala vazia, balançando sua cabeça para afastar seus pensamentos nenhum pouco inocentes.

Ela precisava resistir a Edward, pelo menos por mais um pouco. Não era uma tarefa fácil, ela era uma mulher de 35, quase 36 anos, que não tinha um bom sexo há quase um ano, e que seu relógio biológico estava apitando alucinadamente.

Bufando com sua linha de pensamento, ela retirou seu celular do bolso, procurando a conversa com sua terapeuta.

BS: Oi Vicky, podemos conversar hoje?! Precisando me abrir.

Não era muito ético ter como terapeuta sua melhor amiga, mas desde que viera morar em Boston para cursar medicina da Harvard, Victoria que foi sua colega de quarto e tornou-se uma das poucas pessoas que Bella confiava. Assim, foi natural que quando precisava desabafar sobre o trabalho, a vida ou simplesmente se abrir com alguém ela procurasse Victoria. No começo ela foi resistente em aceitar os pagamentos da médica, mas depois de uma conversa bastante incisiva as duas traçaram uma linha que separava a amizade, da vida profissional.

VH: Oi Bella, que tipo de conversa seria essa?! Do tipo conversa de amigas que podemos ter, tomando um drink ou do tipo que preciso de uma prancheta e você em um divã?!

Bella sorriu com a facilidade com que Victoria a conhecia, era enervante como a ruiva parecia conhecer exatamente o que ela precisava, simplesmente pelo tom de sua mensagem de texto.

BS: Um pouco dos dois.

VH: Problemas no paraíso?!

BS: Não sei bem... Pode ser na minha casa?!

VH: Claro! Às 19h?!

BS: Perfeito! Vou encomendar o Beef do Midnight Sun.

VH: Eu levo o vinho! Até mais tarde. E não surte!

A morena gargalhou quando leu a mensagem da amiga, era típico de Victoria mandar algo como “não surte”, para ela, é como se ela tivesse adivinhado que Bella estava a um passo de surtar. Com um sorriso em seus lábios ela tomou o restante do café e retornou para seu consultório, ela precisava terminar de conferir a proposta de Riley e do Comitê Olímpico, antes de passar para sua advogada analisar.

.

Edward realizava os exercícios que Jacob o instruía com facilidade e perícia. Suas respostas às perguntas de James eram sempre claras e cheias de expectativa e esperança. Nada parecia fora do normal. Ben, que anotava cada etapa do que acontecia observava aquilo quase como se fosse um sonho idílico, porém ele não era o único que notava aquilo, tanto Jacob, quanto James percebiam que tudo parecia muito onírico para ser verdadeiro.

− Ok, eu vou morder a isca. – disse Jacob dramaticamente. – O que está acontecendo Edward?! O que você está escondendo?!

O basquetebolista que terminava a execução de um exercício, retornou à posição inicial e encarou o fisioterapeuta.

− O que você está dizendo Jake?! – perguntou com falsa confusão. – Estou motivado, é isso, a Dra. Swan disse que felizmente aquele problema da necrose não retrocedeu tanto o meu tratamento, e temos o mesmo prazo para o meu retorno, que se der certo, eu consigo jogar os últimos jogos dessa temporada, só isso é o suficiente para que eu fique determinado!

Os três membros da equipe da Dra. Swan trocaram um olhar, que mesmo não os conhecendo há tanto tempo, Edward sabia que não havia comprado sua meia verdade.

− Sabe, você subestima a nossa inteligência Cullen. – provocou James, abaixando sua prancheta numa mesa e cruzando seus braços. – Não só a minha que sou psicólogo, e entendo tudo sobre comportamentos esquivos, mas de Jacob e Ben. Todos nós sabemos que você está... hum... “interessado” – disse ele fazendo aspas no ar. – na Dra. Swan, inclusive, se não me falhe a memória, queria nossa ajuda para conquistá-la, mas tem se esquivando de qualquer pergunta sobre isso ou algo que chegue perto o suficiente. Então, Edward, o que está acontecendo?! – perguntou incisivo, no melhor estilo freudiano.

− Na-... – ele começou, mas quem o cortou, para a surpresa de todos foi o Dr. Ben Cheney:

− Edward, eu achei que estávamos desenvolvendo um tipo de amizade, isso aqui... – ele olhou para o fisioterapeuta e o psicólogo, que assentiram em concordância. −, é fora dos registros. Vamos pensar como... uma conversa de vestiário, depois de um jogo. – disse com um sorriso sincero e amigável. – Sabemos que você não é um cara que desiste fácil de um desafio, e Bella é um desafio.

Edward relaxou sua posição, suspirando pesadamente.

− Eu não achei que vocês fossem tão próximos dela, assim. – ele ponderou, dando de ombros.

− Ben, é o mais novo da equipe e já está aqui há 2 anos, todos os outros começamos com a Bella esse programa, todos vimos que isso aqui podia ser grandioso, e parece que vai ser. – disse Jacob com sinceridade.

− Bella e minha esposa, Victoria, são grandes amigas. Ela inclusive esteve em nosso casamento como dama de honra, se faz você entender o nível da amizade delas. – explicou James. – Aqui dentro do hospital nos esforçamos em manter tudo o mais profissional possível, principalmente porque estamos esperando um grande investimento para esse tratamento, trazer mais profissionais, algo que o legitime o tratamento.

Edward, lançou um olhar pouco convencido para James sobre o que ele falava, deslizando rapidamente o olhar para Jacob. O psicólogo, rolou os olhos impaciente.

− Jacob é o que tem mais dificuldade de manter a máscara de profissional, como tem mais contato com os pacientes, ele acaba se abrindo muito a eles, mas Bella, Angela, Ben, as enfermeiras e eu, tentamos nos manter mais distantes, tudo para sermos mais objetivos nos nossos propósitos. – James explicou com uma calma, que parecia estar dando aula de matemática para crianças.

Edward que prestava a atenção em cada frase dita pelos três, ponderou as palavras de James mais tempo que o necessário, deixando o silêncio ficar opressor, principalmente pelo olhar expectante dos outros presentes na sala.

− Se vocês tentam deixar tudo tão profissional, porque se importam tanto com o que está acontecendo comigo? – perguntou o atleta com um ar vitorioso, achando que havia notado uma brecha no discurso deles, porém o olhar divertido que os três compartilharam o desanimou.

− Não é porque somos profissionais que não podemos ser observadores. – ponderou Jacob. – Quem nos olha de fora, ou executando nosso trabalho não imagina o vínculo que partilhamos, passamos por muitos maus momentos até conseguimos chegar onde estamos hoje, tudo isso aqui – ele circulou com os dedos. −, funciona como uma família. Nós somos uma família, com alguns segredos, claro, mas ainda uma família, nos preocupamos um com o outro, conhecemos o outro melhor do que a nós mesmos. E assim, como estamos observando que você parece estar escondendo algo pelos últimos dias, Bella também está, e é uma matemática simples. – o moreno sorriu brilhantemente.

O basquetebolista admirou os três surpreso, com o quanto eles eram observadores e profissionais, nesses quase três meses em tratamento ele não havia percebido metade do que haviam lhe dito nos últimos 10 minutos, talvez, ele não fosse tão perceptivo quanto pensasse.

− Nós nos beijamos. – disse sem rodeios.

− Uau! – exclamou James surpreso. – Isso explica muita coisa. – murmurou para consigo mesmo, Edward o encarou confuso, com uma pergunta em seus olhos. – Ela e Vicky estão sempre conversando, mas nos últimos dias as conversas se tornaram mais... íntimas, se possível. – ele deu de ombros. – Sempre de portas fechadas e aos sussurros, ou então no consultório de Vicky no centro ou na casa da Bella, é como se estivessem fofocando.

Edward sorriu convencido e ergueu suas sobrancelhas.

− Será que é sobre nós?!

− Cara! Você é muito convencido! – riu Jacob. – Mas antes de James contar mais detalhes sórdidos dos encontros da Bella e da Vicky, esses beijos tem acontecido com que frequência, vocês já passaram para a terceira base?! – ele balançou as sobrancelhas. – E onde você a levou no primeiro encontro?!

− Primeiro, ainda não tivemos um encontro. Caso você não se recorde, Jacob, a última semana eu estive me recuperando de uma cirurgia que tirou um pedaço de tecido necrosado do meu tornozelo, não conseguimos ir muito além do que o consultório dela. – ele explicou como se fosse óbvio.

Jacob sorriu para o duplo sentido da frase do atleta, Edward rolou seus olhos exasperado.

− Segundo, estamos indo devagar. Bella ainda está temerosa, porque sou paciente dela, então estamos sendo discretos, e não estamos no high school para ficar de amassos e só pensar em rapidinha.

− Nem de brincar de médico?! – para a surpresa de Edward, quem fez essa pergunta foi James, não Jacob.

− Vocês têm quantos anos?! Doze?! – ele perguntou rindo. – E não, não passamos de alguns beijos castos, ela sequer me deixa tocar os seus seios. – murmurou com pesar.

Ben, Jacob e James gargalharam com a frase tão juvenil de Edward, era ridículo que três marmanjos que já passaram da casa dos trinta – e quarenta, no caso de James −, falassem sobre encontros com mulheres como se estivessem no ensino médio.

− Vocês são ridículos! – protestou entre gargalhadas o atleta. Depois de se recuperar da crise de risos, ele completou. – Ela já aceitou ir em um encontro comigo, estou pensando no sábado, talvez no Twilight Flower’s, é discreto, romântico e principalmente não irá chamar tanto a atenção. – ele deu de ombros. – Mas, eu sei que não vamos avançar mais do que alguns toques e beijos mais fervorosos, não por enquanto. – completou com sabedoria.

− Esse é um bom restaurante, foi lá que pedi Vicky em casamento. – James murmurou, mais para consigo mesmo. – De qualquer forma, Bella, é profissional Edward, você vai ter que ser paciente com ela, estar nesse... relacionamento?, já é difícil o suficiente para ela, até mesmo porque não gosta de misturar negócios com prazer, então ela vai protelar para seguir para um próximo nível o máximo que puder, você vai ter que ter paciência, meu amigo. – ele sorriu compadecido, Edward gemeu em frustração.

− Cuidado para não se esforçar muito batendo punheta, você pode deslocar o ombro. – divertiu-se Jacob.

− Porém, antes um ombro deslocado, do que as bolas roxas de vontade. – brincou Ben rindo, fazendo que todos o acompanhassem.

.

Depois de uma noite agradável com Victoria, onde Bella pela primeira vez foi realmente sincera com a amiga pelos seus sentimentos pelo seu paciente, ela sentia-se mais confiante em seguir com sabe-se lá o que eles estavam construindo. Claro, ainda havia a necessidade de serem discretos e manter alguns desejos reprimidos – seja pelo sucesso do tratamento, seja pela dificuldade de misturar a vida pessoal, com a profissional −, mas a verdade que ela estava animada para algo assim, que não fosse direto para o ato sexual puro e cru, mas a construção de algo aos poucos, ela só esperava que Edward também.

Apesar de se manterem firmes no tratamento, agora eles perdiam muito tempo, quando estavam sozinhos, para trocar beijos. Mas era evidente que os beijos já não satisfaziam nenhum dos dois, principalmente pela troca de olhares que deixava quem quer que estivesse com eles na sala incomodado.

Foi quando a Dra. Swan saiu para atender uma ligação do Comitê Olímpico no meio da tarde de sexta-feira, quando o atleta fazia sua sequência de exercícios com Jacob, que o fisioterapeuta, que já não suportava o carregado ar sexual entre eles, perguntou sem rodeios:

− Então, qual é os planos para amanhã? – Edward que fazia uns exercícios para fortalecer a musculatura de seu tornozelo, virou o rosto concentrado ao moreno em uma clara expressão de pergunta.

− Planos?! – perguntou se esforçando para repetir mais uma vez a sequência.

− Você e Bella ainda vão a um encontro amanhã, certo?! – ele perguntou.

− Sim. Nosso primeiro encontro. – concordou Edward ofegante, relaxando a perna depois de repetir por dez vezes um exercício que exigia bastante da mobilidade do seu tornozelo.

− Ok, e o que mais?! – insistiu Jacob. – Vocês irão no Twilight Flower’s e depois?! – incentivou, balançando para cima e para baixo suas sobrancelhas.

Edward franziu o cenho.

− Eu não pensei nisso. – disse.

Jacob esperou um momento, passando outra sequência de exercícios para o atleta, antes de falar:

− Edward! Por favor! Você só está pensando nisso! – ele exclamou irritado. O ruivo rolou os olhos impaciente.

− Não sei Jake, não é como se eu pudesse dirigir ainda. – rebateu irritado. – Ela se ofereceu para me buscar em casa, para irmos ao restaurante, talvez eu a convide para subir, tomar mais um vinho ou... assistir um filme. – deu de ombros. Jacob sorriu um sorriso cheio de dentes.

− Vinho?! Filme?! – repetiu. – A taça vai ser o corpo dela e o seu, e o filme será um pornô caseiro?! – provocou.

− Você só pensa em sexo?! – provocou Edward com um sorriso, finalizando o exercício.

Jacob o encarou desacreditado, enquanto arrumava o próximo aparelho.

− Posso ser gay, Edward, mas ainda sou homem, e como qualquer outro homem eu penso muito em sexo, assim como você! – rebateu com sensatez.

− Eu gostaria, mas não vai acontecer. – o atleta disse derrotado. – Ela traçou alguns limites por enquanto, duvido que ela vá aceitar meu convite para subir.

− Mas é um encontro, Edward! E isso para a quem há duas semanas não tinha nada é quase o céu. Tenho certeza que a Bella não é tão contida como prega. – ele sorriu sabiamente. – Sem contar que ela tem uma Ranger Rover, já viu o tamanho daquilo?! É quase uma casa!

− Jacob... – o basqueteiro disse com um tom de aviso, mas o sorriso no canto de seus lábios mostrava que ele pensava o mesmo que o fisioterapeuta.

.

Bella se encarou mais uma vez no espelho de corpo inteiro do seu closet. O vestido preto de mangas curtas que batia acima do seu joelho a deixava com as pernas longas, combinado com os scarpins pretos que usava deixava ela elegante e sensual. Seus cabelos castanhos estavam soltos – muito diferente do que ela normalmente usava no trabalho −, com ondas largas e com um pouco de volume. Seus olhos eram destacados pela maquiagem, enquanto seus lábios estavam convidativos o suficiente para serem beijados.

− Você está linda, Bella. – disse para o seu próprio reflexo. Com um sorriso agarrou a bolsa de mão que usaria e deixou seu lar.

Edward não morava muito longe da casa dela, na verdade era no mesmo bairro a apenas alguns quarteirões de distância, o que não ajudou em nada a médica acalmar o nervosismo que sentia. Porém, quando parou o carro em frente ao elegante edifício, viu o atleta munido de sua bengala – para ajudá-lo no apoio −, caminhar até ela com um belo buquê de lírios brancos e cor de rosa.

Bella sorriu afetada com aquele gesto.

− Sei que é um pouco clichê dar flores em um primeiro encontro, mas não achei conveniente vir de mãos vazias. – disse ele com um leve rubor nas bochechas. O sorriso da médica se ampliou.

− São lindas, Edward. Eu amei! – exclamou, absorvendo o aroma dos lírios. – Sem contar que eu adoro um clichê. – disse envergonhada. O atleta sorriu convencido, passando um de seus braços pela cintura da mulher e a puxando para um beijo urgente.

Quando se separaram Bella estava ainda mais corada, enquanto ele sorria convencido. Em um momento de constrangimento, ambos se acomodaram no carro e ela conduziu em direção ao restaurante que ficava numa região mais afastada.

O jantar foi incrível.

Edward era sedutor e lisonjeiro de maneiras que Bella jamais antes tinha visto. Ele a cortejava com palavras doces e as vezes antiquadas, pertencentes a algum personagem das irmãs Brönte, mas isso que deixava tudo ainda mais incrível.

O ambiente romântico e discreto do restaurante ajudava na aura sensual e apaixonada que rondava os dois. A música suave que tocava ao fundo, as velas que forneciam uma iluminação indireta, o vinho que compartilharam, a comida e principalmente a sobremesa – um delicioso bolo de chocolate, fazia que uma energia fluísse com facilidade.

E, por mais que gostariam de esticar aquele encontro por um tempo indefinido, quando o garçom – não muito discretamente −, perguntou se estavam prontos para pedir a conta eles sabiam que teriam que encerrar a noite.

Quando chegaram em frente ao apartamento de Edward, eles se envolveram em um beijo cheio de paixão, e quando se afastaram ambos estavam ofegantes, mas seus olhares brilhavam de satisfação.

− Eu me diverti muito essa noite. – ela disse, passando as costas dos seus dedos no maxilar dele, sentindo a barba por fazer.

− Eu também. – ele concordou. – Foi uma noite incrível, não gostaria que acabasse. – revelou timidamente. Ela sorriu e assentiu.

− Eu também. – sua voz era baixa, quase um sussurro, que se ele não tivesse tão atento a ela, jamais teria percebido.

Notando a relutância na voz dela de encerrar a noite, Edward tomou a decisão que sabia que era arriscada, mas naquele momento – nublado pelo desejo −, não conseguiu evitar o convite:

− Você gostaria de subir? – a insegurança no seu tom, rapidamente foi substituído por um sorriso de vitória com o sorriso amplo da médica.

Eu adoraria.

.

*Field Goal: também chamada de Basket, ou seja, a cesta. O momento que no basquete se marca um ponto.

.

Notas finais
N/A: Oi gente!! Ain como eu estava com saudade desses dois! Mas com toda a correria da vida e mês passado todo mundo empolgado por Midnight Sun eu deixei para postar depois isso aqui, e acho que valeu a pena, certo?! Nosso basqueteiro tá melhorando, nossa médica tá deixando ele entrar, e o amor está no ar!!! Ansiosa para os próximos! Sim, isso significa que está acabando mais 3 e daremos adeus a esse universo louco! Quero agradecer a todos que leem, comentam, mandam recomendação, surtam no twitter… amores, sério, vocês são incríveis! Isso aqui sempre foi para vocês e saber que estou agradando é sempre incrível! Infelizmente a Bri não vai conseguir mais betar os capítulos (TCC, aquele trauma da vida universitária), mas essa fic ainda é pra ela, sempre para ela que me apoiou desde o começo, e claro vocês também que não desistem de mim! Espero que vocês tenham gostado do capítulo e já sabe: deixa uma review! Amo vocês! Beijos, Carol.