Hotel California
1 Capítulo 1 - Paraíso ou Inferno?
O que lhes conto aqui, são apenas eventos que consigo lembrar. O que passei por aqueles dias, — Que poderiam muito bem terem sido meses — voltará sempre para me assombrar. Escrevo-lhes, na esperança que nos encontrem e nos ajudem.
Para entender o que me aconteceu, primeiro, permita-me apresentar: Sou Marcelo. Costumava viver no sul do Brasil, até que por conta do meu trabalho, precisei mudar-me para o Nordeste. Até que eu conseguisse me estabilizar na nova cidade, tive que ir e vir de Porto Alegre algumas vezes. Na última dessas viagens eu estava acompanhado por meu amigo James.
De qualquer modo, estávamos voltando de carro, porque eu precisava levar alguns equipamentos caros, e não confio no compartimento de carga dos aviões. Era uma viagem de quarenta e sete horas até Maceió, e não gosto de admitir, mas todo jovem faz bobagem, e na época utilizava drogas ilícitas. Tanto eu quanto James éramos hábeis no volante. Logo, andávamos o mais rápido possível por lugares sem fiscalização. Já no primeiro dia de viagem, estávamos tão chapados ao cair da noite, que acabamos nos desviando do caminho e entrando em uma estrada escura e deserta. "Nós devíamos voltar." James disse, ao notar que a paisagem mudara bruscamente.
Até agora não consegui entender de onde surgiu aquele lugar. No fim da estrada, onde minha vista cansada, misturada com o efeito das ervas que havia fumado, chegava ao seu limite, eu vi a luz. Os grandes muros de pedra cobertas por musgo, eram iluminados por dois postes antigos, nos estilo das praças do século dezenove. Eu não sabia se havia um retorno próximo, nem há quanto tempo eu segui na estrada errada, e honestamente, não seria capaz de dirigir nem mais um quilômetro sequer.
Até hoje, quando lembro dos meros segundos que meus olhos cruzaram com o dela, após parar o carro no estacionamento, e passar por aquelas portas de vidro fosco, me pergunto como um verde tão vivo e bonito poderia estar escondido ali, naquele fim de mundo. Ah, seus belos cabelos, e sua bela boca, que faria qualquer um encarar, sem ligar muito para lugares que geralmente são super sexualizados por homens. Para ser honesto, todos os membros do quadro de funcionários poderiam muito bem ter saído de uma revista de beleza, ao ponto em que os dois guardas que ela carinhosamente chamava de "amigos", pareciam autênticos galãs de HollyWood.
A construção, não era o que poderíamos chamar de convencional. Grandes escadas se encontravam no centro da recepção, onde à direita se encontrava o balcão onde ela estava, e à esquerda, dava-se acesso à torre do sino, onde segundo ela, já fazia parte das instalações do prédio quando seus antepassados compraram aquele lugar, há muito tempo atrás. O efeito da droga ia passando, mas eu podia jurar ainda ouvir algumas vozes no corredor do quarto que acabei ficando, embora ela dissesse que apenas eu e James estávamos hospedados naquele andar.
Lembro-me, de antes de apagar pela primeira vez, comentar algo do tipo: "Isso aqui poderia se chamar céu." E aquela vozinha que vive em nossa mente ter respondido: "Ou o inferno."
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