Hotel California
1 Capítulo 1 - A visita
Notas iniciais
Dean apareceu na sala trazendo uma bandeja com o café da manhã para o irmão. Estava preocupado com Sam que estava visivelmente debilitado por causa do segundo teste para fechar o Inferno e também abalado com a recente morte de Sarah Blake.
– Dean... Você não precisava fazer isso. — disse Sam olhando para a bandeja sem interesse.
– Você não comeu nada desde ontem, Sammy... — lembrou o irmão.
– Porque eu não estou com fome... — explicou Sam, mas ao ver o olhar preocupado de Dean, resolveu aceitar — Obrigado... Eu acho.
De repente o barulho de alguém batendo na porta os deixou em alerta. Se olharam e pegaram as armas que haviam deixado em cima da mesa há alguns minutos. Levantaram e andaram devagar até a porta. Se olharam apreensivos mais uma vez, antes de Sam abrir a porta e Dean lhe dar cobertura.
– Mia!? — surpreenderam-se os dois ao mesmo tempo ao ver a garota pronta para bater na porta novamente.
Imediatamente ela parou de sorrir ao ver aquela peculiar recepção e brincou antes de passar por eles e entrar na casa:
– Oh! Nada diz "Olá, Mia! É tão bom te ver! Quanto tempo!" melhor do que uma arma apontada pra minha cabeça.
– Desculpe... — lamentou Sam guardando a arma.
Dean fez o mesmo e perguntou em seguida:
– Mas o que diabos você está fazendo aqui?
– Eu também senti saudade, Dean. — devolveu ela com ironia.
– Desculpe... — pediu ele.
De repente ela parou ao sentir um cheiro familiar e foi até a mesa dizendo entusiasmada:
– Oh meu Deus! Isto é café?!
– É do Sammy... — avisou Dean.
Mia o ignorou, pegou a xícara, tomou um gole e disse em seguida olhando para Sam:
– Você não ia tomar mesmo, ia?
– O que tem nas sacolas? — perguntou ele.
Mia sorriu e empurrou uma delas para Sam e a outra para Dean revelando animada:
– Presentes!
– Presentes? — repetiu Dean — Por quê? Nem é meu aniversário.
– Por que tanta desconfiança, Dean? — perguntou ela enquanto olhava em volta examinando as estantes — Eu tenho certeza que você vai gostar! Anda logo, abre!
Dean abriu a sacola e sorriu ao mesmo tempo em que viu o seu conteúdo:
– Torta!
– A melhor do Kansas! — completou Mia.
– E uma coletânea do Led Zeppelin?! — surpreendeu-se ele ao ver o CD — Ok, o que está acontecendo, Mia?
– Sua vez! — orientou ela olhando para Sam e ignorando a desconfiança de Dean.
Sam colocou a sacola sobre a mesa antes de abrí-la e retirar o inesperado objeto.
– Uma tesoura? — estranhou ele — Por que você me deu uma tesoura?
Dean riu enquanto Mia observava o cabelo de Sam um tanto intrigada.
– Eu não sei o que eu estava pensando, Sam. — disfarçou ela — Mas... Sei lá, acho que eu pensei que talvez... Só talvez, ok? Você pudesse cortar as pontinhas...
– Sério? Mais piadas com o meu cabelo? — reprovou ele sorrindo.
– Relaxa, eu só estava brincando. Aqui está o seu verdadeiro presente! — anunciou ela abrindo a última sacola que trazia e jogando um palhacinho para Sam.
Sam o segurou no ar e depois o olhou com certo horror. Mia e Dean riram imediatamente da cena.
– Você não fez isso... — disse Sam sem acreditar que aquilo estava acontecendo.
– Qual o problema, Sam? É só um palhaço. Um lindo e engraçadinho palhaço. Ele é uma gracinha! Aperta a barriga dele! Tem uma surpresa! — incentivou Mia.
Sam relutou, mas por fim seguiu a orientação da garota e quando o palhaço perguntou "Vamos ser amigos?" ele respondeu:
– Acho que não...
– Ok, eu admito que palhaços também me assustam um pouco. — confessou Mia depois de alguns instantes — Parece que eles estão sempre rindo de alguma piada que a gente não entendeu, e são meio bizarros... Mas você já passou por tantas coisas, Sam, que já está na hora de superar este seu problema com o Ronald.
– Ronald? Você deu um nome para o meu palhaço? — indagou Sam.
– Viu? Você já está chamando ele de seu! — constatou ela animada.
Sam colocou o palhaço em cima da mesa enquanto Dean começou a comer a torta e depois continuou:
– Desculpe perguntar, mas por que os presentes?
– Nada... — respondeu Mia enquanto os dois a observam desconfiados – O quê? Eu não posso presentear os melhores caçadores deste mundo? Os mais lindos, fortes e destemidos...
– O que você quer, Mia? — interrompeu Dean ainda mais desconfiado.
Mia olhou para eles e mudou de assunto enquanto ia até a cozinha:
– Quer saber? Eu preciso de mais café!
Sam e Dean a seguiram. Mia colocou mais café na xícara e indagou enquanto os irmãos se entreolhavam:
– O que foi?
– Olá, Mia! — recomeçou Dean — É tão bom te ver! Quanto tempo! O que você tem feito? O que te trouxe aqui?
– Eu estou ótima, Dean! Obrigada por perguntar! Mas não precisa ficar todo desconfiado. Eu vim porque... Porque...
– Porque... — tentou ajudar Sam.
– Porque eu senti saudade, ora! O que mais seria? Eu não posso sentir falta de vocês? Acredite, vocês não são tão chatos quanto pensam. — respondeu ela.
– Claro que você pode sentir saudade dos chatos aqui. — respondeu Dean — Você só não pode nos enrolar com este papo furado ou com presentes. Muito menos com uma torta deliciosa... Então, fala logo. O que está acontecendo, Mia? — insistiu ele.
– Ok. Vocês venceram. Como sempre, aliás... Bem, na verdade, eu estou precisando de um livro. — confessou ela por fim.
– Você fez tudo isso por causa de um livro? — estranhou Sam — Mia, era só pedir. Você é nossa amiga. Mais do que isso, você é praticamente da família. Você pode vir aqui quando quiser e ver quantos livros você quiser...
– Eu preciso de um livro emprestado. Você sabe... Emprestado por alguns dias. — esclareceu ela.
– Não. — negou Dean imediatamente — Nenhum livro sai daqui. Desculpe, mas este lugar e tudo nele é um legado muito importante... Você sabe... Homens das Letras...
– Viu? — disse Mia olhando para Sam enquanto saía da cozinha e voltava para a sala.
– Por que você precisa deste livro? — interessou-se Sam — O que tem nele de tão importante? Mia, o que você tem feito ultimamente? E o que aconteceu com a Califórnia? Se eu bem me lembro, era pra lá que você estava indo da última vez. Por que você voltou?
Mia empurrou uma escada em direção a uma das estantes e começou a subir antes de responder:
– Ah! Sobre aquilo... Eu mudei de ideia. Férias? Uma caçadora nunca tira férias... Agora eu entendo isso.
– Caçadora? — repetiu Dean — Então você está caçando? E sozinha?
– O que te fez mudar de ideia sobre ir para a Califórnia? — quis entender Sam.
Mia tomou mais um gole do café e continuou procurando o livro.
– Eu tive um pressentimento... — respondeu ela evasivamente.
– Um pressentimento? Como um pesadelo? — sugeriu Sam — Você sonhou com alguma coisa e resolveu investigar? Foi isso?
Mia parou de procurar o livro e se virou para eles.
– Foi mais do que isso. Eu tive uma espécie de... Visão. — revelou ela e depois ficou de costas para eles novamente e voltou a procurar o livro.
Houve um longo momento de silêncio e Mia pediu:
– Por favor, digam alguma coisa. Qualquer coisa.
– O que você quer dizer com "visão"? — arriscou Dean.
– Que eu estava acordada quando aconteceu, gênio. — responde ela e depois de alguns instantes explicou — Bem, na verdade, começou como um pesadelo, mas depois quando eu acordei... Ele ainda estava lá. Passando como um filme bem diante dos meus olhos... Foi bizarro, aliás...
– Ele? — repetiu Sam.
– Um lobisomem. — explicou ela.
– Então deixa eu ver se entendi. — recomeçou Dean — Você está dizendo que sonhou com um lobisomen e... ?
– Não só com o lobisomem, Dean. Com as vítimas, com coisas que ainda iam acontecer, com detalhes do lugar, pistas... Como eu disse, eu tive uma premonição e resolvi investigar. — contou a garota.
– E você foi caçá-lo sozinha? — indagou Sam sem conseguir disfarçar a surpresa e a preocupação.
– Sim. — assentiu ela naturalmente — O que eu deveria fazer? Chamar o controle de pragas?
– Talvez nos ligar... — sugeriu Sam.
– Você o matou? — perguntou Dean surpreso.
– Não, gênio! Eu dei meu coração pra ele comer... É claro que eu matei o desgraçado! Quando nós encontramos um monstro, matamos o monstro, certo? Regra número 1 do negócio da família. Vocês deviam saber disso... — zombou ela.
– Nós sabemos disso. — afirmou Dean.
– Então qual a surpresa? Ele estava matando pessoas e aquilo precisava parar... Então eu fiz ele parar. Bem simples, não? — relatou ela.
– Então... Por que você precisa deste livro? — quis entender Sam — Se você já cuidou do lobisomem...
– Por que esta noite eu sonhei com um deus pagão... — contou ela — E eu sei onde ele está. Eu vi algumas placas...
Sam e Dean se olharam surpresos e preocupados ao mesmo tempo. Enquanto ela descia da escada carregando alguns livros, Dean perguntou:
– Mia, o que mais você caçou ultimamente?
Ela parou tentando lembrar e respondeu num ritmo acelerado enquanto folheava os livros:
– Alguns vampiros no Tennessee, Ghouls em Minnesota, um Wendigo em Illinois, matei um Cão do Inferno por lá também, mas infelizmente eu não consegui salvar o homem que fez o pacto... Isso me deixou meio deprimida, então eu exorcizei alguns demônios na Luisiana. Muito sal, muita água benta, um pouco de latim e eles foram literalmente para o Inferno. Até que foi divertido... Ah! E eu também desenterrei, salguei e queimei um corpo em New Orleans, como vocês meio que me ensinaram aquela noite no cemitério, lembram? Bons tempos... Exceto a parte que eu tive que me cortar com aquela faca de prata...
Ao ouvir tudo isso, Sam lembrou de alguma coisa e perguntou preocupado:
– Mia, há duas semanas você me ligou perguntando como se matava mesmo um vampiro... Onde você estava exatamente quando me ligou?
– Num ninho deles...
– Mia! — repreendeu Sam — Você podia ter morrido...
– Oh! Não se preocupe, Sam. — tranquilizou ela — Eu tinha tudo sobre controle. Eu dopei os dentuços sanguessugas com sangue de homem morto antes de te ligar.
– E o que o Cas acha disso tudo? — quis saber Dean ainda tentando assimilar as coisas que a garota estava contando.
– Droga! Livros errados! — deixou escapar Mia frustrada — Oh! Cas não sabe. Eu não tive tempo de contar... Pra dizer a verdade, eu não o vi mais pessoalmente deste aquela noite na estrada. Além disso, eu sei que ele está meio ocupado protegendo a tábua dos Anjos e não quis incomodá-lo com este tipo de coisa... Às vezes, ele entra nos meus sonhos, mas nós não conversamos muito porque... Mia parou de falar e seu rosto ficou vermelho — Bem... Nós... Enfim, digamos que nós temos mantido contato.
– O que vocês fazem nestes sonhos? — interessou-se — Dean embora já imaginasse a resposta.
– Então ele não te contou? — estranhou Sam salvando Mia de ficar ainda mais constrangida.
– Contou o quê? — não entendeu ela enquanto subia a escada novamente e recomeçava a procura pelo livro.
– Que... Crowley pegou a Tábua dos Anjos? — contou Sam.
Mia se virou surpresa e perguntou confusa:
– Por que ele não me contou isso? E o que ele tem feito ultimamente então? Eu pensei que ele estivesse se escondendo dos outros anjos... Mas neste caso... Não faz nenhum sentido... Achei! — vibrou ela segurando o livro que procurava, mas ficou tão eufórica que se desequilibrou e começou a cair da escada.
– Buffy! Cuidado! — gritou Dean enquanto Sam dava um passo à frente.
Mas alguém apareceu bem a tempo e a segurou no colo. Mia sorriu e Castiel sorriu de volta.
– Meu herói. — suspirou ela.
O anjo colocou Mia no chão devagar e os dois continuaram se olhando de um jeito apaixonado por algum tempo. Sam e Dean sentiram o clima, tossiram para chamar a atenção deles e Dean retomou a conversa:
– Mia, nós podemos te ajudar com este deus pagão...
– Deus pagão? — estranhou Castiel — Do que vocês estão falando?
– Ah! Desculpe, Cas! Deixa eu te apresentar para a sua nova namorada! Angel, Buffy. Buffy, Angel! — brincou Dean e como o anjo pareceu não entender a piada, ele explicou — Mia está caçando. Sozinha.
Castiel a olhou preocupado e tentou alertá-la:
– Mia, você não devia... Depois do que aconteceu em Mystic Falls... Eu pensei que... Você precisa tomar cuidado... É perigoso, arriscado e...
Mia o silenciou colocando o dedo sobre os seus lábios e propôs:
– Que tal conversarmos sobre isso mais tarde, Angel?
– Ok. — concordou Castiel depois de alguns segundos.
Quando ela se afastou e abriu o livro, Dean repetiu espantado:
– Ok?! O que significa conversar mais tarde? É algum tipo de código? Cas, a Mia está em perigo! E você só responde ok?
– Não, eu não estou em perigo, Dean. — discordou ela — Eu estou salvando pessoas, caçando coisas... É como você diz, o negócio da família. Eu finalmente abracei esta vida, não tem volta e nada vai me fazer desistir de fazer a coisa certa. Então, não entre em pânico, ok?
– Mia... O que você está fazendo é perigoso. — preocupou-se Sam — Se você quer caçar, tudo bem, vá em frente, mas me corrija se eu estiver errado... Os seus pesadelos se tornaram mais intensos, não foi? E você tem tido visões também...
– Você teve visões? — estranhou Castiel — Por que você não me contou?
– Pelo mesmo motivo que você não me contou sobre Crowley e a Tábua dos Anjos. — respondeu Mia — Porque eu não queria te preocupar. Está tudo bem. Eu estou lidando bem com essas coisas... Nem um de vocês precisam se preocupar...
– O que o Sammy está querendo dizer é que... Você devia ir devagar, Mia. — sugeriu Dean — Nós não sabemos por que estas visões começaram, mas é óbvio que...
– Eu sei, Dean. — interrompeu Mia — Alguma coisa está mudando em mim. Evoluindo. Sei lá...
– E até sabermos o que é exatamente, é melhor você se afastar um pouco do negócio da família. — sugeriu Dean.
– Nem pensar. — discordou ela imediatamente.
– Dean está certo. — apoiou Castiel — Você pode estar em perigo e infelizmente eu não poderei estar lá quando você precisar de ajuda, então você devia dar um tempo disso tudo. Pelo menos por enquanto...
– Mia... — começou Dean.
– Não, sem esse negócio de "Mia...". Me escutem. — pediu ela — Minha vida mudou mais nos últimos meses do que uma pessoa normal aguentaria. E quer saber? Eu aceito isso. É a minha vida agora e não tem nada que eu ou vocês possam fazer para mudar isso. Eu sei que quando eu fui para Mystic Falls sozinha eu... Não me saí muito bem no começo, mas depois eu dei a volta por cima. Eu consegui enganar um vampiro de mil anos. Isso deve significar alguma coisa, não? Eu não posso ser uma caçadora tão ruim assim...
– Ninguém está dizendo isso. — interrompeu Sam.
– Então parem de agir como se eu fosse um perigo para mim mesma. — pediu ela — Ok, talvez eu seja, mas eu sei que eu posso fazer isso. Eu estou melhorando, ok? Eu estou caçando há um mês, sozinha e, veja só, eu ainda estou viva!
– Isso não tem graça, Mia. — desaprovou Castiel.
– Eu sei. Desculpe. Mas o que eu estou querendo dizer é que eu estou bem e eu posso fazer isso. Confiem em mim. Ok... Eu admito que tem coisas sobre mim que eu mesma não entendo. Eu não sei, por exemplo, por que aqueles vampiros em Mystic Falls ficaram tão fascinados pelo meu sangue, eu não sei como eu voltei da morte quando mandei Crowley pro Inferno... Eu não sei por que eu sonho e vejo coisas que ainda não aconteceram... Eu não sei quem eu sou... Ou o quê eu sou, ok?
– Você é uma garota especial. — afirmou Sam.
– Não... É algo mais. — corrigiu ela — Eu sou... A garota sobrenatural... No fim das contas é isso que eu sou. E quer saber? Por mim, tudo bem, porque eu tenho os melhores amigos e o melhor... Anjo da guarda que uma garota pode desejar. Tudo bem, honestamente eu não sei o que está acontecendo comigo, por que eu sou assim ou por que eu estou mudando, mas eu não me importo porque no meio de tudo isso, no meio destes malditos pesadelos e agora visões, eu encontrei uma forma de fazer a coisa certa. De ajudar. Então, por favor, não tirem isso de mim, ok? Por que é a única coisa que me restou e é a única forma de transformar esta... Maldição, em algo bom. É a única forma que eu tenho para fazer a diferença... Foi assim que eu conheci vocês, pra começar. E é isso o que eu quero fazer. Então, por favor, aceitem e parem de se preocupar tanto comigo. Eu estou bem. Confiem em mim...
Todos se entreolharam um tanto comovidos pelas coisas que Mia tinha dito e pela forma como ela se sentia em relação a si mesma. Na verdade, perceberam que nunca tinham parado para pensar realmente no lado dela. Também nunca tinham conseguido entender por que ela era especial...
– Apenas, tome cuidado,ok? — pediu Dean por fim — E se você precisar de alguma coisa... Qualquer coisa... Nós estamos aqui. Sempre.
– Eu sei. — assentiu Mia — E não se preocupe, eu vou devolver o livro inteiro.
– Eu não me importo com o livro, Mia. É com você que nós estamos preocupados. — esclareceu Dean — Mas se você quer mesmo caçar, tudo bem. Só tome cuidado e não se meta em nenhuma missão suicida como em Mystic Falls, ok? Não morra.
– Pode deixar. — garantiu ela e depois se virou para Castiel — Você vem, Angel?
– Mais tarde. Eu preciso conversar com Sam e Dean sobre... Algumas coisas. — explicou o anjo evasivamente.
– Ok. — assentiu ela e depois pegou uma caneta e escreveu algo na mão dele — Eu vou estar neste hotel.
Mia começou a se afastar e apertou a barriga do palhaço só para provocar Sam que estremeceu. Ela sorriu com aquilo e em seguida lembrou de alguma coisa e perguntou:
– Ah! Como anda o terceiro teste?
Sam respirou fundo antes de responder:
– Precisamos curar um demônio.
– Algum voluntário? — interessou-se ela.
– Vamos curar o Crowley. — revelou ele.
– Boa sorte com isso. Aquele desgraçado vai dar trabalho. — disse ela — E... Sinto muito sobre a Sarah. Se serve de consolo, eu também sonhei com ela. Ela parecia bem.
Sam assentiu e quando Mia saiu da casa, Dean perguntou:
– Cas, quando você vai contar pra ela?
– Eu vou contar. — garantiu o anjo — Eu só não tive coragem ainda.
– Tem certeza que o que você está fazendo é a coisa certa? — questionou Sam — Fechar os portões do Céu, ir embora pra sempre? Tem certeza que você pode confiar em Metatron?
– Ele quer consertar as coisas no Céu, assim como eu. Então sim, Sam. Eu posso confiar nele. — afirmou o anjo.
– E tem certeza que você está pronto para se despedir de Mia? Pra sempre? — duvidou Dean.
– Eu gosto dela, Dean. Mais do que isso. Mia me ensinou que um anjo também pode amar e eu a amo. Isso será uma das coisas mais difíceis que eu terei que fazer... Deixá-la. Mas de certa forma, eu estou fazendo isso por ela também. Depois que vocês fecharem o Inferno e eu, o Céu, Mia não precisará mais fugir de anjos ou demônios. Talvez ela até repense e volte para a sua antiga vida. Por mais que seja difícil, eu sei que é o certo a se fazer. Por mais que eu queira ficar com ela, eu não posso esquecer quem eu sou realmente e o que eu preciso fazer. Muito menos me esquecer das coisas que eu fiz no Céu. E pela primeira vez, eu tenho a chance de consertar o que eu fiz no passado e é o que eu vou fazer.
– Não é pra gente que você tem que dizer tudo isso. — lembrou Dean — O problema é que você fica meio abobalhado perto dela e não consegue completar uma frase, então vai ser difícil...
– Não demore muito pra contar a verdade pra ela, Cas. — aconselhou Sam — Ela merece saber. E é melhor que seja através de você.
Castiel assentiu e Sam começou a arrumar os livros que Mia tinha deixado sobre a mesa. De repente algo chamou a sua atenção.
– O que foi, Sammy? — estranhou o irmão se aproximando.
Sam folheou os livros sem entender, Castiel se aproximou também e perguntou preocupado:
– O que há de errado?
– A Mia está mentindo. — revelou Sam.
– Como assim? — estranhou Dean.
– O livro que ela levou não é sobre deuses pagãos. É sobre rituais de invocação... De demônios. — explicou Sam.
– Você tem certeza? — quis confirmar Dean surpreso.
– Tenho, fui eu mesmo que cataloguei aquela prateleira. — contou ele.
– Nerd... — sussurrou Dean e depois de alguns instantes disse um tanto confuso — Peraí, a Mia sabe como invocar um demônio. Ela leu sobre isso no diário do nosso pai. Por que ela precisa deste livro? O que este ritual tem de diferente dos outros?
– Eu não sei ao certo, Dean, mas deve ser algo maior do que simplesmente chamar um demônio para uma conversa. Os rituais destes livros são... Bem mais complexos. — tentou explicar Sam.
– E por que ela está atrás deste tipo de coisa? — indagou Castiel sem entender — E por que ela mentiria sobre isso? O que ela quer com demônios? Ela sabe que o Crowley só está esperando uma oportunidade para...
– Talvez seja exatamente isso. — deduziu Sam o interrompendo.
– Como assim, Sherlock? — quis entender Dean.
– Talvez a Mia queira invocar o Crowley. — respondeu ele depois de alguns instantes.
– E por que ela faria uma coisa tão estúpida? — perguntou Dean.
– Porque ela precisa de respostas. — deduziu Castiel — E ela acha que somente o Crowley pode respondê-las... Eu preciso encontrá-la...
Castiel começou a sair da sala preocupado e enquanto isso, perto dali, Mia entrou no Mustang. Colocou o livro no banco ao lado e se olhou pelo retrovisor.
– Agora você vai até o fim, Mia. — disse para si mesma antes de ligar o carro e dar partida.
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