Hot like fire
1 Capítulo único
Notas iniciais
Essa One só surgiu por causa da Beatrice...se vocês leem outras fics minhas, é provável que já até saibam quem ela de tanto que eu digo esse nome nas minhas notas iniciais hahaha
Para quem não sabe..é uma amiga virtual muito importante para mim! Essa One, tecnicamente, era para o aniversário dela kkkkk... mas se passou dois meses e só agora estou postando! Fazer o quê? Acontece!
De qualquer forma Bea..espero que goste dessa One super atrasada hahaha.. já não é mais de aniversário, mas continua sendo para você!
Boa leitura!
Lydia estava concentrada no trabalho. Os dedos se moviam com agilidade pelo teclado do computador e a testa franzida enquanto tentava acabar logo com a lista de afazeres que tinha naquele dia.
Se não fosse interrompida e nada a atrapalhasse, conseguiria sair na hora certa da empresa. Isso era tudo que ela precisava para conseguir descansar. Desejava desabar na cama e comer o máximo de besteiras que conseguisse.
— Ele quer você, Lydia! — Allison cantarolou perto do rosto da melhor amiga. Toda a concentração que Martin tentava manter se desfez.
— O quê? — Confusa, Lydia virou a cadeira de rodinhas para encarar o sorriso diabólico de Allison.
Allison sempre tirava a concentração de Lydia durante o trabalho. Ela tinha o dom de falar sem parar nas horas mais inconiventes e não sabia o momento que tinha que ficar quieta.
— Stiles. Ele quer você. — Ao ouvir o nome que saiu dos lábios da Argent, Lydia imediatamente revirou os olhos e bufou.
— Não começa, Argent.
— Não tente negar. Vocês foram feitos um para o outro! — A voz de Allison subiu vários tons enquanto o sorriso se ampliava pelo rosto. — Eu sei muito bem que você também gosta dele, sem contar que dá para sentir a tensão sexual de longe!
— Você quer falar baixo? Se alguém escutar isso, pode achar que é verdade! — Lydia tentou prender as mãos da amiga que trabalhava na mesa bem ao lado da sua. Porém era inútil, Allison continuou gesticulando muito com as mãos ao falar.
— É verdade, Lydia! Não sei como você ainda tenta negar.
— Allison, ele é nosso chefe! — Ao contrário da amiga, Lydia sussurrava com medo de alguém ouvir.
— Vai me dizer que nunca teve uma fantasia sexual de pegar seu chefe? — Argent debochou com facilidade, observando as reações de Lydia. — É como um clichê de filme pornô ou de um livro erótico! Vocês podiam se pegar loucamente no escritório dele.
— Deus! Por que eu virei sua amiga?
— Porque você me amou a partir do instante que descobrimos que somos fãs da mesma série.
Lydia conhecia Allison há pouco tempo. A Martin trabalhava na mesma empresa durante toda a vida e Allison só tinha ido para lá cinco meses atrás. Porém, bastou a Argent sentar na mesa ao lado de Lydia e tirar da bolsa seu casaco temático da série favorita, que as garotas começaram a conversar sem parar.
Assim, em um tempo recorde, elas passaram a se considerar melhores amigas. Confidenciavam segredos uma a outra, assistiam várias séries juntas, saiam nos finais de semana e sempre que possível, dormiam juntas na casa de Lydia.
— Eu preciso trabalhar, Allison.
— Duvido você conseguir se concentrar depois de ver essa bunda gostosa.
— O quê?
Lydia ergueu a cabeça a tempo de ver Stiles entrando na empresa. Os olhos verdes automaticamente focaram no bumbum do homem, percebendo o motivo da fala de Allison.
A calça que o Stilinski usava era levemente ajustada na parte trás, fazendo com que sobressaísse o tamanho da bunda no tecido caqui. Além disso, a blusa branca tinha os primeiros botões abertos e as mangas estavam dobradas nos cotovelos, dando maior visão da pele pálida e repleta de pequenas pintinhas.
— É uma bela bunda. — Lydia confessou desviando o olhar com certa relutância. Voltou a encarar a tela do computador.
— Eu transaria com ele até cansar! — Allison completou com um novo risinho maldoso. — Você tem essa oportunidade e desperdiça.
— Às vezes eu duvido de que você é mesmo virgem.
— Eu só falo besteira, mas não pratico nada. — Ela deu de ombros e finalmente, voltou a se ajeitar em sua cadeira, dando espaço para Lydia voltar a trabalhar. — Mas se tudo continuar dando certo com o Scott, essa situação vai mudar!
— As coisas continuam esquentando? — Dessa vez foi Lydia que se inclinou para a mesa de Allison
— O que você acha?
Lydia apoiou o braço na mesa de Allison e deixou todo o corpo pender para o lado da amiga. Abriu a boca para falar quando um familiar assobio a fez se calar. Seu pequeno corpo estremeceu antes de virar a cabeça para trás.
— É uma bela visão, Martin. — O deboche veio num tom divertido de Stiles.
— E-eu...
Allison riu de um jeito escandaloso quando Lydia percebeu que tinha empinado o bumbum para trás. Stiles estava perto dela e não disfarçou quando os olhos castanhos analisaram o formato da bunda.
— Então é isso que você faz enquanto eu não chego no trabalho? Fica conversando? — Lydia reconheceu na voz de Stiles a provocação. Ele não estava brigando. Porém, ela ainda teve raiva de Allison. — Vou começar a chegar mais cedo para fazer você se concentrar.
Lydia se ajeitou na cadeira, constrangida. Encarou Stiles e decidiu ignorar a presença de Allison. Olhar para o rosto lindo do chefe já era perturbador o suficiente, não precisava que sua melhor amiga piorasse a situação.
— Não precisa. — Ela murmurou desconcertada com aquele rosto perfeito. Forçou um pequeno sorriso nos lábios.
Ela podia negar ter algum interesse em Stiles e dizer que Allison era louca por falar que ele dava em cima dela, porém, nunca negou que o chefe tinha uma beleza notável. Qualquer pessoa via isso.
— Acredite, Stiles, com você por perto ela fica ainda mais distraída! — A piada de Allison fez com que o plano de Lydia de a ignorar fosse por água abaixo.
Lydia olhou irritada para a Argent e Stiles soltou uma risada alta. Ele era muito descontraído no ambiente de trabalho. Apesar de ser um chefe exigente, conseguia na maior parte do tempo, manter um clima agradável e brincalhão com seus funcionários.
Eram raras as vezes em que ele se estressava com alguém. Normalmente quando algum funcionário fazia algo errado, ele pedia para o sócio resolver. Preferia se concentrar na parte de administrar e em reuniões do que corrigir as pessoas.
— Todas as mulheres daqui ficam desconcertadas comigo! — Ele zombou sentando na ponta da mesa da Martin. — Lydia, você tem algum compromisso hoje?
— Não. — Ela respondeu incerta, tentando entender a mudança na voz do chefe.
Ele abriu um sorriso torto e juntou as mãos uma na outra como quem reza. Lydia poderia desmaiar diante a beleza daquele sorriso, mas se mante firme enquanto Allison a observava atentamente.
— O que você quer? — Ela perguntou por fim, franzindo o rosto.
— Preciso que fique até mais tarde no trabalho.
— Não! — Ela acabou exclamando alto demais. Jogou os braços para cima e fez um beicinho de desgosto.
Stiles apoiou as duas mãos nos ombros de Lydia e um novo sorriso tomou seus lábios. Dessa vez, sua boca parecia se contorcer formando um pedido mudo de desculpas
— Por favor, eu preciso da sua ajuda. Não vou conseguir resolver toda a papelada sozinho!
— Você fala como se eu tivesse escolha. — Ela se lamentou com a voz arrastada.
— Eu sei que você não tem, mas pelo menos sou educado e peço por favor. — Lá estava, mais uma vez, o tom de zombaria saindo dos lábios finos.
— O que acontece se eu bater no meu chefe? — Ela retrucou erguendo uma sobrancelha e sorrindo de leve.
Por Lydia trabalhar ali há um bom tempo, já tinha intimidade com Stiles. Se sentia na liberdade de brincar com ele, devolvendo algumas de suas provocações. Podia até mesmo, considerar que eram amigos.
— Vai ser demitida na hora! — Ele fez um falso tom de acusação para logo em seguida, inclinar o corpo para ela. Lydia se encolheu na cadeira por causa do excesso de aproximação do homem que continuava sentado em sua mesa. — E depois vou aproveitar que não é mais minha funcionária para chamar você para um encontro.
— Então talvez não seja uma ideia tão ruim bater em você. — As palavras saíram de forma impensada.
O rosto de Stiles estava próximo o suficiente para fazer a pele de Lydia encontrar em ebulição. Seu interior queimava e as chamas eram tão fortes que dançavam para o exterior. Tinha vontade de tocar no chefe para saber se o fogo aumentaria.
Stiles soltou uma pequena risada e finalmente levantou da mesa. Se afastou de Lydia, mas antes, piscou em sua direção e assim que virou de costas para ela, mordeu o lábio inferior. Diferente da Martin, o Stilinski não negava a enorme queda por ela.
— Se isso não é tensão sexual...
— Cale a boca, Allison. — Lydia cuspiu enquanto o rosto era preenchido por um tom vermelho.
— Talvez não seja uma ideia tão ruim bater em você. — Argent debochou imitando a voz da amiga. — Você pelo menos percebe como fica manhosa perto dele?
Fazendo uma pequena careta e sendo incapaz de negar a afirmação, Lydia golpeou Allison com um tapa no ombro. A Argent deu um pulinho na cadeira e começou a rir.
Então, as duas riram e Lydia permitiu que a melhor amiga voltasse a implicar com ela. Por isso, durante todo o dia Allison murmurou indecencias e fez com que Lydia olhasse diversas vezes na direção de Stiles.
— Deu minha hora, amiga! — Allison falou alto no final da tarde, empolgada enquanto arrumava sua bolsa.
— Não acredito que vou ter que ficar aqui até sei lá que horas! — Lydia resmungou enquanto estalava os dedos e tentava ajeitar o cabelo.
— Pensa pelo lado positivo!
— Qual?
— Todos os funcionários vão embora e você vai ficar sozinha com o Stiles!
Allison, como sempre, começou a rir. Lydia grunhiu antes de jogar uma caneta na cabeça da amiga. A Argent resmungou baixinho um palavrão e a Martin devolveu com um sorriso cínico.
— Vai logo para casa e pare de me perturbar!
— Tudo bem, Lydia. Eu sei que você quer logo que eu saía para poder ficar pegando o chefe!
Lydia decidiu erguer a mão mostrando o dedo do meio para a melhor amiga. Só assim Allison foi embora. Mas antes, deu um beijo no cabelo ruivo e vivo da Martin.
Demorou cerca de duas horas para Lydia ver Stiles novamente. Todos os funcionários tinham ido para suas casas e ela estava atolada com uma pilha de documentos.
Ela já estava ficando irritada com o Stilinski quando ele saiu do escritório com um sorriso doce nos lábios. Andou na direção dela e puxou uma cadeira para sentar perto.
— Vai me perdoar por dar tanto trabalho para você?
— Hoje é sexta-feira. — Ela arriscou reclamar em voz baixa.
— Eu também estou atolado! Vou no mínimo trazer minhas coisas para cá. — Ele respondeu dando pequenas batidas na mesa da Allison.
— Por quê?
— Para você aproveitar a minha doce companhia. — Debochou enquanto levantava da cadeira. — Se eu falar que já encomendei comida japonesa, você fica mais feliz? — Lydia tirou os olhos do computador e abriu um sorriso imenso. Comida japonesa era a predileta dela e Stiles sabia muito bem disso.
— Eu amo você! — Ela exclamou como uma criança feliz.
— Era o mínimo que eu podia fazer por ter estragado seu final de semana.
Enquanto trabalhavam lado a lado, não tiveram oportunidade de conversar. Digitavam no computador e assinavam vários papeis em completo silêncio. Os breves momentos de descanso eram somente para comerem da imensa encomenda de comida japonesa.
Depois de algumas horas ambos os adultos estavam exaustos. Lydia já tinha tirado os saltos que usava e os pés descalços estavam em cima de uma cadeira livre. Stiles estava encurvado para o computador e a cada dois minutos reclamava de dor na coluna.
— Chega! Não aguento mais! — Stiles foi o primeiro a se render enquanto massageava as têmporas. — Eu vou explodir de dor de cabeça se olhar mais um segundo para o computador.
Lydia suspirou de alivio e tirou os dedos doloridos do teclado. Relaxou o corpo na cadeira e fechou os olhos por alguns instantes. Nem percebeu que o homem exausto ao seu lado, a admirava.
— Podemos ir para casa? — Ela perguntou esperançosa enquanto abria os olhos preguiçosamente.
— Vamos agora.
Stiles levantou e se espreguiçou enquanto conferia o relógio. Ao ver como era tarde, recolheu de pressa seus objetos pessoais e ajudou a Lydia a arrumar as mesas bagunçadas.
— Finalmente! — Foi a única palavra de Lydia quando parou em frente ao elevador com Stiles ao seu lado.
Eles estavam cansados o suficiente para não falarem quase nenhuma palavra. No entanto, o clima estava agradável, amigável. Aquele silêncio não os incomodava.
Quando entraram no elevador com um imenso espelho, eles faziam planos internos do que fariam ao chegar em casa. Esses planos se resumiam a tomar um bom banho, deitar e relaxar. Achavam que conseguiriam fazer isso, até o momento em que o elevador parou.
— Nós ainda não chegamos no primeiro andar. — Lydia observou com lentidão, a mente cansada. Ela olhava para o pequeno painel do elevador que indicava que eles estavam descendo para o quarto andar.
Stiles teve um raciocínio mais rápido. Soltou um par de palavrões e grudou na porta do elevador. Apertou alguns botões do painel e não obteve nenhuma resposta. Arregalou os olhos e virou para Lydia.
— Nós estamos presos!
— O quê? — A boca de Lydia se escancarou ao finalmente entender aquilo.
— O elevador parou!
Por instinto, Lydia empurrou o corpo de Stiles e tocou no botão do alarme. O som estridente incomodou os ouvidos dos dois enquanto ela apertava repetidas vezes ali.
— Lydia! — Stiles precisou segurar o braço de Lydia ao ver o desespero tomando o rosto dela. — Não tem ninguém aqui, estamos sozinhos! Por que você está tocando o alarme?
— Nós estamos presos! — Ela repetiu já fraca. Começou a suar frio.
— E tocar o alarme não vai mudar isso! Somos os únicos na empresa essa hora. — Ele disse preocupado, levando as mãos ao cabelo e puxando os fios da nuca. Aquele era um claro sinal de nervosismo.
— Os seguranças...?
— Eu mandei eles embora e disse que ia fechar tudo. — Daquela vez, a voz de Stiles se tornou um sussurro culpado.
Então, foi Lydia que pronunciou uma longa sequência de palavrões. Ela andou pelo pequeno espaço com as duas mãos grudadas no pescoço suado. O rosto contorcido enquanto tentava pensar em uma solução.
Stiles, mais uma vez, grudou nas portas de metal e forçou os dedos ali. Usando uma força bruta, obrigou que a porta do elevador abrisse dos dois lados. Quanto mais empurrava, diminuía a esperança dos dois ali presentes. Afinal, ele conseguiu abrir a porta, mas se deparou com a parede do túnel do elevador.
— A gente parou no meio de uma parede! Não vamos conseguir sair daqui! — Quando Lydia falou, seu rosto já perdia a cor.
— E-eu... — Stiles respirou fundo e tirou o celular do bolso da calça. — Estou sem sinal, não vou conseguir ligar para ninguém!
Afobada, Lydia remexeu na bolsa que carregava nos ombros e tirou de lá o próprio celular. Grunhiu de insatisfação quando viu que também não tinha nenhum sinal para mandar mensagens ou ligar para alguém.
— Eu também estou sem. — As palavras saíram devagar de Lydia. Ela não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo.
Irritado, Stiles teve a necessidade de descarregar a raiva. Socou o espelho do elevador com uma força moderada e logo depois, apoiou a testa naquela superfície. Lutou para manter a respiração calma e contínua.
Lydia jogou a bolsa no chão e pegou o elástico de cabelo que estava em seu pulso. Prendeu os fios ruivos em um rabo de cavalo alto e logo em seguida, tirou os saltos que machucavam seus pés.
— Como nós vamos sair daqui? — Ela perguntou com os braços cruzados na frente do peito.
— Amanhã de manhã vem algumas pessoas para trabalhar no sábado. A gente toca o alarme e alguém nos salva.
— Nós vamos passar a noite toda presos?
Stiles encolheu os ombros e fechou os olhos. Precisou fechar as mãos em punho algumas vezes e permaneceu naquela posição por um longo tempo. Só voltou a abrir os olhos ao escutar a movimentação de Lydia ao seu lado.
A mulher tinha sentado no chão frio. As pernas expostas na saia preta estavam levemente abertas enquanto ela tentava, ao máximo, relaxar o corpo. As pequenas mãos lutavam para secar o suor acumulado no rosto.
— Podia ser pior. — Ele comentou enquanto sentava ao lado oposto de Lydia.
— Como?
— Você podia ter usado o outro elevador e eu ficaria preso sozinho.
Lydia fez careta e revirou os olhos ao mesmo tempo. Encarou Stiles e o observou por alguns instantes antes de falar. Ele estava esparramado no chão, a coluna torta e as longas pernas bem esticadas.
— Essa é sua forma de dizer que ama passar um tempo comigo?
— Sim. — A resposta veio com uma pitada de humor que aliviou o clima. — Quando pedi para você ficar até mais tarde, eu já tinha planejado prender nós dois no elevador.
Lydia riu baixo, percebendo que ele tornava uma situação tão desagradável, mais tolerável. Ela se ajeitou no chão enquanto sentia o calor aumentar dentro do elevador e decidiu seguir com a brincadeira dele.
— Não tinha outra maneira de ficar comigo? Podia ter tomado coragem e me chamado para sair!
— É que eu tenho fetiche por elevador. — Um sorriso maldoso surgiu enquanto Stiles falava com deboche.
— O quê?
— Sempre sonhei em transar em um elevador!
Mesmo com o tom de brincadeira, Lydia corou. Conhecia Stiles o suficiente para reconhecer quando tinha uma verdade por trás de seu deboche. E quando ele falou sobre o fetiche, definitivamente, ela reconheceu que a brincadeira dele tinha algum fundamento.
— Esse elevador não tem câmeras. — Stiles comentou tardiamente. — A gente pode fazer qualquer coisa que ninguém vai ver.
Por algum motivo, Lydia ficou tensa com aquela afirmação. Seu corpo se retesou enquanto observava o elevador e constatava que o que Stiles disse era verdade. Ninguém nunca ia saber o que eles fizessem naquela noite.
O silêncio se acomodou entre eles após o clima antes amigável, se tornar tenso. E durante aquele torturante tempo, as provocações de Allison preencheram a mente de Lydia. Ela quase podia ouvir a amiga sussurrando em seu ouvido que conseguia sentir a tensão sexual entre eles.
O ar se tornava cada vez mais escasso e o calor aumentava a cada segundo. Stiles e Lydia se sentiam presos dentro de uma sauna. Não conseguiam respirar direito e o suor brotava de suas peles e escorria ao ponto de pingar no chão.
Foi por isso que Stiles levou as mãos grandes até os botões da camisa branca. Ainda sem dizer nenhuma palavra para Lydia, abriu com agilidade os botões e arrancou a blusa social com certo desespero. A peça foi jogada no chão com descuido.
Lydia se sentia fraca, prestes a desmaiar. Porém, a visão que teve foi como se injetassem adrenalina em suas veias. Arregalou os olhos verdes e seu corpo ficou ainda mais quente, no entanto, o motivo para aquele calor era completamente diferente.
Observou com atenção enquanto Stiles se despia da blusa. Percebeu pela primeira vez, que nunca tinha visto o chefe sem camisa. Ela observou sem pudor o tronco que foi exposto a ela.
Analisou o peitoral magro e muito, muito pálido. As pintinhas que cobriam o rosto de Stiles eram ainda mais presentes em seu tronco. Toda sua pele estava coberta por aqueles sinais charmosos.
Por último, os olhos verdes focaram no abdômen magro e pouco definido. Alguns pelos cobriam aquela região e Lydia achou aquilo estranhamente atraente. O corpo de Stiles era muito natural e lindo. Sim, ele era mais lindo e sexy do que ela imaginava.
— Está muito calor. — Ele justificou ao perceber que Lydia o observava. — Precisei tirar a blusa.
— Tudo bem! — Ela respondeu rápido o suficiente para se constranger.
Tentou criar coragem o suficiente para desviar o olhar. Sabia que não podia ficar devorando o corpo de Stiles daquela forma. Ele era esperto o suficiente para notar com facilidade que ela o admirava.
Ela estava decidida a não olhar mais naquela direção, porém Stiles dificultou as coisas ao tornar a visão ainda mais sexy. Ele espalmou a mão no abdômen nu e esfregou os dedos por ali em uma frágil tentativa de recolher o suor.
Lydia nem percebeu, mas abriu a boca enquanto os olhos perfuravam o corpo do chefe. Ficou hipnotizada com aquilo, vendo a mão grande e calejada se arrastar por um lugar tão atraente.
Como Lydia temia, Stiles percebeu o interesse dela em seu corpo e soltou uma risadinha surpresa e indiscreta. Ela pulou no lugar, assustada e percebeu no rosto dele a satisfação de ver a admiração dela.
— E-eu só...
— Está aproveitando a bela paisagem. — Ele falou sem dar a oportunidade de Lydia terminar a frase. — Tudo bem, sem problemas.
Constrangida, Lydia olhou para as próprias mãos e balançou a cabeça. Se xingou internamente e coçou o pescoço melado de suor. Estava cada vez mais incomodada com o calor.
— Sabe, se você tirar a blusa vai se sentir melhor. — Stiles falou poucos instantes depois. — Prometo que não vou assediá-la.
Lydia o encarou com os olhos meio arregalados. Ele tinha um pequeno sorriso debochado que lhe típico. E por mais que ela não quisesse se expor na frente de Stiles, a ideia de se livrar do tecido que a aquecia ainda mais, era tentadora.
— Não é uma ideia ruim. — Ela confessou baixo, ainda sem graça. Stiles concordou com a cabeça antes de voltar a falar.
— O máximo que eu vou fazer, é apreciar a paisagem igual você fez. — O deboche misturado a sinceridade fez Lydia ficar ainda mais desconcertada.
Ela permaneceu parada por mais alguns minutos, buscando coragem. Por fim, com os olhos fixos no chão, tirou a blusa de dentro da saia, puxando o tecido delicado e florido. De uma vez só, antes que desistisse, arrancou a blusa pela cabeça e a jogou no chão na mesma direção onde estava a camisa de Stiles.
Escutou um breve arfar vindo de Stiles e teve medo de encará-lo, sabendo que os olhos castanhos intensos deviam estar observando seu corpo. Manteve a cabeça baixa ao virar o rosto na direção dele.
Enquanto tomava ousadia para encarar o rosto de pintinhas, os olhos de Lydia acabaram encontrando uma parte do corpo de Stiles que ela nunca tinha observado. Corada, olhou para um volume discreto na calça caqui.
Stiles não estava alterado, Lydia sabia que perceberia a diferença caso ele estivesse excitado. Mesmo assim, sem nenhuma ereção, aquela parte intima se destacava contra o tecido, fazendo com que ela tivesse pensamentos indecentes de como seria vê-lo sem nada para cobrir.
— Você sempre vem com esse tipo de lingerie para o trabalho? — A pergunta curiosa e indiscreta fez com que Lydia finalmente erguesse a cabeça.
Stiles encarava o sutiã preto de bojo e coberto por rendas que Lydia usava. O tecido escuro se destacava na pele clara e bonita. Era impossível para Stiles não notar como os seios da mulher pareciam querer fugir do sutiã.
— Eu gosto de renda. — Ela respondeu com a testa franzida. Olhou para os próprios seios.
— A calcinha também tem renda? — Ele perguntou olhando sugestivamente para a saia preta.
— Stiles! — Lydia reclamou baixo e em troca, viu o rosto dele assumir um tom rosado.
— Só estou perguntando porque também gosto de renda. — Tentou se justificar com um mínimo sorriso.
Lydia revirou os olhos e tentou demonstrar indiferença, no entanto, sentia conhecidas pontadas na altura do ventre. Àquela altura, nem ela podia negar que o clima estranho que se formava era por causa do desejo que surgia de forma explicita nos dois.
Por longos momentos, um novo silêncio se estabeleceu. Stiles não conseguia parar de olhar para os seios de Lydia e a pele branquinha. Sentia uma vontade enlouquecedora de abrir o fecho do sutiã e abocanhar os seios que ansiava ver.
Lydia também não conseguia parar de olhar para Stiles. Os olhos verdes analisavam prazerosamente o tronco nu. Desejava passar as mãos por aquele corpo, sentir a textura da pele suada e depositar beijos no abdômen tentador.
O calor aumentava. A cada segundo ficava mais insuportável. Lydia passou a respirar com dificuldade, os lábios entre abertos em uma busca de maior oxigênio. O rosto foi perdendo a cor.
— Lydia, você está bem?
A cabeça de Lydia girava e os olhos se tornavam muito pesados. Com certa dificuldade, ela negou com a cabeça. O mal-estar caia sobre seu corpo cansado.
Stiles foi rápido ao sair do lugar e se arrastar até ficar próximo a Lydia. Colocou as mãos sobre o rosto dela e puxou com delicadeza. Os olhos castanhos a analisaram com preocupação.
— Você está gelada, Lydia! — Ela exclamou assustado enquanto os dedos percorriam cada centímetro de seu rosto.
— Preciso sair daqui. — Lamentou baixo, manhosa e fraca.
— Calma, eu vou distrair você e fazer com que se sinta melhor. — Prometeu de forma cuidadosa.
Lydia foi capaz de concordar com a cabeça. Para a total surpresa da mulher, sentiu uma das mãos do chefe alcançar sua cintura e segurar na saia que usava. Ela se retesou e tentou chegar para trás, encostando as costas na parede. Em resposta, Stiles se aproximou ainda mais, a encurralando.
— O que você está fazendo?
— Você está assim porque está muito abafado, Lydia. Deixe eu tirar sua saia.
— Eu não... — A voz dela falhou, a vergonha alcançou os olhos verdes.
— Se eu disser que não vou olhar para sua calcinha, você fica mais calma?
— Promete?
— Prometo. — Ele confirmou com o rosto e por ela o conhecer, acreditou na sinceridade dele. — Eu só vou olhar se você disser que eu posso. — Acrescentou com a voz mais rouca.
Lydia não teve tempo para digerir aquelas palavras. Os dedos longos e habilidosos de seu chefe abriram com facilidade o zíper da saia que usava. Ela arfou quando ele puxou o tecido para baixo de forma brusca.
Em um instante a saia já estava jogada no chão junto com as blusas. Lydia estava inteiramente exposta com a lingerie preta coberta de renda. Percebeu que Stiles cumpria a promessa de não olhar para baixo e isso a deixou mais à vontade.
— Você vai se sentir melhor. — A promessa foi dita em um tom muito grave e rouco. Lydia se arrepiou com aquela sonoridade, se surpreendendo com a sensualidade da voz de Stiles.
As mãos dele voltaram a alcançar o rosto de Lydia, sentindo a temperatura da pele cada vez mais suada. Botou uma mão no bolso da calça e tirou de lá uma pequena embalagem de lenço de papel. Arrancou dois lenços e secou o suor do rosto e do pescoço de Lydia.
— Obrigada. — Ela murmurou distraída com a proximidade do chefe. Aproveitava o momento para decorar em sua mente cada detalhe do rosto bonito.
Stiles abriu um sorriso gentil e Lydia suspirou. Sempre quando ela faltava o trabalho por estar doente, ele passava em sua casa e a ajudava em qualquer coisa que precisasse. O cuidado dele fazia com que o coração dela ficasse mole, mesmo sem querer confessar.
Eles estavam próximos um do outro, próximos demais. E como se isso não fosse o suficiente, Stiles tomou a liberdade para tocar de leve nos joelhos de Lydia. Não olhou naquela direção, como prometeu, porém, fez com que ela separasse delicadamente as pernas.
Lydia cedeu sem nenhum tipo de protesto e Stiles se ajeitou entre suas pernas, apoiado nos próprios joelhos. As mãos dele passaram a acariciar o cabelo ruivo preso no rabo de cavalo, assim, aos poucos, a respiração de Lydia foi normalizando.
— Está um pouco melhor?
— Estou. — Ela confessou sem dificuldades, os olhos fechados. — Seu cafuné é bom.
— Você só precisava se distrair, acalmar um pouco.
— Você é uma boa distração. — Quando falou, Lydia pode ouvir uma pequena risada de Stiles e isso a fez abrir os olhos.
— Eu tenho formas melhores de distrair você.
Lydia gostou de como a voz de Stiles soou maldosa. Ali, sozinha com o homem, não tinha motivo para tentar negar as reações de seu corpo por causa da proximidade dele, nem existia o problema de o Stilinski ser seu chefe. Não tinha ninguém para julgar, repreender, ou ver o que acontecia.
Naquele elevador eram apenas dois adultos solteiros e com pouca roupa. Por isso, Lydia acabou abrindo um sorriso sugestivo, sem se preocupar com nada, sem pensar em nenhuma consequência.
— Que formas? — Ela incentivou com a pergunta baixa que provocou um imenso sorriso nos lábios finos de Stiles.
— Posso mostrar... — Soprou a frase de forma tentadora e arrastada. Lydia já tremia de expectativa.
Ele inclinou o rosto até o pescoço de Lydia e sem se importar com o suor, depositou ali pequenos beijos. Ela se surpreendeu com a atitude corajosa e também, doce.
Os lábios de Stiles eram calmos, delicados e até mesmo, carinhosos. Repousavam sobre a pele de Lydia de maneira sutil, dando beijos estalados e depois, esfregando a boca ali.
Lydia pendeu a cabeça para trás, abrindo espaço para ele ter total liberdade. Suspirou e mordeu o lábio inferior enquanto sentia Stiles roçar a boca na altura de sua garganta. Depois de longos minutos, os dentes dele mordiscaram sua pele de leve.
Ela se rendeu com facilidade. Os músculos cansados relaxaram, as pernas ficaram moles e as mãos se aconchegaram no cabelo escuro e sedoso. Ficou apertando leve, puxando alguns fios ao sentir os arrepios dominando o corpo, subindo pela coluna.
Quando Stiles se afastou, ela resmungou baixo. Abriu os olhos preguiçosos e os lábios formaram um biquinho inconformado. Desejava ardentemente que o chefe voltasse com a boca cuidadosa sobre sua pele.
— Você está com sua garrafa de água?
Confusa, Lydia concordou com a cabeça e com certa dificuldade, abriu a bolsa e entregou a Stiles a garrafa plástica. Tinha apenas um pequeno gole de água que fez a boca de Lydia se tornar seca.
O calor infernal provocava uma cede incontrolável. Então, ela se assustou quando Stiles levou a garrafa na boca e derramou todo o conteúdo da água para dentro de si.
Ela abriu a boca, sem acreditar que Stiles tinha tomado toda a água que tinham. No entanto, uma mão forte foi ao maxilar de Lydia e os dedos pressionaram suas bochechas de forma desconfortável, obrigando que ela permanecesse com os lábios escancarados.
Lydia foi surpreendida pela boca de Stiles. Ele juntou seus lábios secos de forma quase brusca e então, em vez de começar a beijá-la, separou os próprios lábios e derramou a água dentro da boca da funcionária.
Todo o conteúdo que Stiles absorveu serviu somente para molhar a boca, pois permitiu que Lydia engolisse cada gota. Ele despejou a água aos poucos, com os lábios roçando na boca Martin de forma que a obrigou a acolher dentro de si a água misturada a resquícios de saliva.
Após Lydia engolir tudo, Stiles se afastou vagorosamente. As pupilas dos olhos castanhos estavam dilatadas e ela enxergou naquele olhar uma ferocidade que ainda não conhecia. O desejo transbordava dele.
Lydia sentiu um incomodo entre as pernas. Se remexeu no lugar e assustada, percebeu que a calcinha já estava úmida. Com aquelas poucas atitudes, ela já se sentia pronta para se render aos desejos.
— Isso foi...
— Sexy? — Ele perguntou com certa confiança. O humor dominava sua íris junto com o desejo. — Essa é uma das vantagens de ficar com um homem mais velho. — Gracejou de um jeito tão provocador, que ela tremeu.
— Stiles. — Por algum motivo, ela só disse o nome dele.
Como sempre, Stiles sorriu. Ela não entendia como ele tinha a capacidade de sorrir tanto. Olhando para aquele sorriso, Lydia voltou a ficar tonta, porém não era por causa do calor do ambiente fechado, mas sim por causa do calor que vinha de dentro de seu corpo, surgindo do ventre. Ela estava cada vez mais excitada.
Foi com aquele sorriso capaz de inundar qualquer calcinha, que Stiles voltou a inclinar o rosto na direção de Lydia. Mais uma vez, seus lábios se encontraram com cuidado e expectativa.
A sensação boa os deixou paralisados por alguns instantes. Até a boca de Stiles criar forças para se mover com calma e precisão, conhecendo os lábios grossos e macios.
As bocas se cumprimentaram, movendo para os lados, provando a textura um do outro. Enquanto isso, Stiles foi se aproximando mais de Lydia, se ajeitando entre suas pernas e permitindo que as mãos conhecessem a cintura nua e exposta, onde começou a fazer uma massagem sutil.
Suas línguas demoraram torturantes minutos para se encontrarem pela primeira vez. No início, compartilharam apenas um beijo seco e confortável, prazeroso. As mãos dele escorregavam da cintura fina e alcançavam o quadril, para logo em seguida, voltar a subir e as dela, se fixaram no pescoço dele.
A língua de Stiles invadiu a boca de Lydia repentinamente. Ela arquejou e abriu os lábios, dando o espaço que ele queria para conhecer seu interior. O beijo deles se encaixou de forma inesperada.
Era como se já tivessem se beijado antes, como se suas bocas fossem velhas conhecidas e as línguas, melhores amigas. Cada movimento era prazeroso e ritmado. Seus lábios tinham acabado de encontrar a alma gêmea. Era como se fossem formados para se encaixar, para se beijar.
Lydia perdeu a capacidade de pensar, já Stiles, só conseguia pensar nela. Pensava no seu beijo, no sutiã que ele ansiava tirar e na calcinha que ainda não tinha visto. Pensava que estava realizando o desejo de provar os lábios fartos e em como ela era linda, irresistível.
Se separaram com relutância. Os dois arfavam e se encaravam como se tivessem acabado de se olhar pela primeira vez. Os olhos demonstravam admiração, os corpos transpiravam de excitação.
— O que você acha de esquecer por um dia que eu sou seu chefe? — Lydia ergueu uma sobrancelha, pensou em alguma resposta. — Prometo que não vai se arrepender.
Lydia tentou raciocinar. Tentou encontrar motivos que a impedisse de satisfazer os pensamentos impuros que surgiam em sua mente. Tentou até sentir a boca fina de Stiles em sua clavícula.
Quando os arrepios subiram por sua coluna e o calor que surgia do ventre se tornou insuportável, Lydia, mais uma vez, perdeu a capacidade de pensar. Passou a agir, se rendendo as vontades que seu corpo exigia que fossem atendidas.
Pelas horas que se passaram daquela longa noite, eles esqueceram completamente das posições que ocupavam no trabalho. Por fim, ficarem presos no elevador não foi algo tão ruim.
Notas finais
O que acharam? Gostaram? Quero muito a opinião de vocês!
O título dessa fic é por causa da música Hot like fire do The XX! Quem quiser escutar, vai conhecer uma música que eu viciei por muito tempo hahaha
É isso, meus lindos! Espero que tenham gostado do meu presente de natal. Amo postar Ones para vocês!
Beijinhos
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