Notas iniciais
Me desculpem pela demora, mas espero que vocês entendam como tem sido difícil pra mim, quer dizer, isso começou como uma fic cheia de romance e comédia e agora elas precisam passar por tudo isso, eu sei que aconteceu porque eu escrevi e me desculpem por isso, mas elas precisavam passar por isso, ainda estou tentando entender o porque, mas sei la... Nem tudo é perfeito, você sabem, desculpem a demora novamente.

Vários dias já haviam se passado desde que Clarisse chegara ali, mas ela não estava contando. Sua cela parecia ficar mais escura a cada dia, como se a escuridão estivesse engolindo o lugar. As vezes podia ver as sombras se mexerem como se tivesse vida, se encolhia em um dos cantos a fim de fugir da escuridão e então acordava ofegante. Clarisse estava começando a perder a noção da realidade. Não sabia se era pior quando estava acordada que tinha dores em todo corpo, sede, fome, medo ou quando estava dormindo e sonhava com Annabeth. Uma noite, ou talvez fosse dia ela não saberia dizer, sonhou que Annabeth estava ali com ela, mas no sonho ela não tinha mais os olhos brilhantes, eram apagados e distantes, seus cabelos caiam em seu rosto, brancos e embaraçados, não usava mais o uniforme laranja do acampamento meio sangue e sim um vestido em estilo romano que poderia ter sido lindo no passado, mas que no sonho de Clarisse parecia ter sido achado no lixo. Ela acordava sempre tossindo e se xingando por ter se permitido cair no sono novamente e então chorava. Não havia ninguém ali para vê-la chorando.

Ela estava sentada encostada em uma das paredes da cela, seus olhos estavam embaçados, seus lábios rachados e sua cabeça pesava uma tonelada, a lança que era presente de seu pai estava encostada no outro lado da cela e era um fio de prata no meio de toda aquela escuridão, Clarisse não a tocava mais, pois quando a tocava ela não soltava mais faíscas como de costume, estava morrendo assim como a dona e pensar nisso era quase insuportável. Clarisse estava pronta para aceitar a proposta de Hades.

***

As sombras se moviam novamente, dessa vez se aproximavam de seus pés quase a tocando, gritava a si mesma para abrir os olhos, sabia que estava sonhando, só podia estar sonhando. Olhou a parte distante onde estava sua lança, o bronze celestial brilhava majestosamente tornando as sombras ainda mais visíveis. Clarisse pensou que talvez aquele pudesse ser um truque de Hades para enlouquecê-la ainda mais, enfim, estava conseguindo.

Percebeu que a sombra tomava forma na parede da cela. Algo acontecia ali, algo que não pertencia aquele lugar, ela podia sentir a força estranha se formando, mas não era um monstro, não era Hades, não era nada que já houvesse visto antes. Toda a escuridão começou a se arrastar e a se juntar naquela parte da parede tomando uma forma humana, não era a forma de um deus, pois era pequena, como de uma criança. Clarisse se levantou com dificuldade e caminhou até a lança, quando a pegou nada aconteceu e seu coração fraquejou. A sombra na parede ficou mais escura e mais pesada, até alguém passar por ela como se fosse a coisa mais normal do mundo. Um garoto de uns quatorze ou quinze anos, com roupas escuras e cabelos ainda mais escuros, uma jaqueta de aviador e uma espada preta quase tão sombria quanto o resto nele. O garoto inspecionou o quarto com os olhos até encontrar os de Clarisse e soltar um suspiro aliviado.

– Você esta viva, deuses. – Soltou ele, guardando a espada e se afastando da parede, ele era muito magro e pálido, Clarisse achou que poderia estar daquela mesma forma no momento.

– Quem é... Quem é você? – Perguntou ela de forma estranha, talvez tivesse ficado ali sozinha por tanto tempo que se esquecera como falar, ou pelo menos como falar sem sentir dor.

– Sou um amigo, vim ajudar. – Ele tirou a mochila que carregava nas costas e começou a mexer lá dentro, Clarisse não desgrudava os olhos daquele garoto estranho. Ele tirou uma garrafa de dentro da mochila e estendeu a ela, mas ela recuou desconfiada e apontou a lança na direção dele. – É água, você precisa beber.

– Eu não conheço você, como sei que isso não é uma armadilha?

– Armadilha para que? – Perguntou ele afastando a lança com a mão e se aproximando, ela estava muito fraca para revidar. – Você acha mesmo que tem como ficar pior que isso? – Ele abriu a garrafa e empurrou nas mãos dela. – Quem te odiaria tanto para lhe armar uma armadilha nesse estado?

Ela não podia discordar, colocou a garrafa nos lábios e quando sentiu o gosto de água limpa viu que não conseguiria agradece o suficiente, tomou metade da garrafa em uma golada só, mas deixou o resto caso aquela fosse a única garrafa ela precisaria depois.

– Meu nome é Nico Di Angelo, sou filho de Hades por isso posso viajar nas sombras. – Ele tirou um pequeno pacote de dentro da mochila e estendeu a ela, Ambrosia. Ela o devorou e no mesmo instante começou a se sentir melhor, sentou-se no chão sentindo o efeito percorrer seu corpo. – Seus amigos me mandaram para ajudá-la e para lhe dizer que se prepare, pois estão vindo buscá-la e você precisa estar pronta.

– O que? – Ela se levantou de súbito. – Annabeth? Não. – Sua voz soava fraca e o garoto a olhou como se ela o estivesse ofendendo. – Ela tem que ficar longe daqui.

– Eu não acho que esta seja uma opção, filha de Ares. Esta acontecendo, eles estão marchando para salvá-la e não ah nada que você possa fazer. – Ele jogou as palavras como facas em cima dela, deveria se sentir aliviada, mas se sentia ainda mais assustada.

Ele tirou mais uma garrafa de água e pão de dentro da mochila estendendo a ela, o silêncio permaneceu entre eles.

– Eu preciso ir antes que meu pai perceba a minha presença. – Ele sacou a espada se preparando para voltar para as sombras, mas voltou a pegar a mochila e começou a mexer lá dentro. – Ah, quase me esqueci de uma coisa. Annabeth me pediu para lhe entregar isso, entretanto não sei o significado. Você entende?

Ele estendeu a mão pra ela, estava escuro, mas pode ver do que se tratava, era uma carta de baralho, uma dama de copas.

– Sim, eu entendo. – Disse ela com um sorriso que já não dava a muito tempo.

Nico não questionou, não era um garoto que se esforçava muito para conversar com as pessoas. Se virou novamente.

– Di Angelo?

–Sim?

– A quanto tempo estou aqui? – Perguntou ela com a voz embaçada.

– Dois meses. – Ele respondeu e pode ouvir o suspiro de espanto saírem dos lábios de Clarisse involuntariamente. – Eu sei, o tempo é diferente aqui.

– Obrigada. – Disse ela o deixando espantado, não esperava ouvir isso de uma filha de Ares, mas ele não se virou, apenas balançou a cabeça e começou a se juntar as sombras na parede deixando Clarisse sozinha na escuridão novamente, mas dessa vez quando ela tocou a lança ela quase explodiu em faíscas.

Notas finais
Essa foi uma das primeiras fic's que eu comecei a escrever e eu não imaginaria que teria tanta gente comigo, fazendo disso uma experiencia tão boa, de verdade vocês me fazem feliz toda vez que se manifestam, até mesmo os anônimos são especiais. Estamos chegando ao fim e eu odeio isso porque não sei lidar muito bem com finais, sou um pouco passional, sei la. Enfim, obrigado por tudo pessoal.