Hot Like Ice, Cold Like Fire.
20 Prólogo.
Notas iniciais
Clarisse Pov's
Encontrei Annabeth em frente a estatua de sua mãe, havia duas semanas desde que tinham me resgatado da prisão de Hades e desde então todas as vezes que precisava vê-la era ali que eu a encontrava. Não sabia ao certo o porquê de ela rezar tanto, mas a cada dia eu sentia que ela se tornava mais distante.
– Ela já te respondeu? – Perguntei ainda meio longe, não queria assustá-la e correr o risco de ser atingida por um golpe de judô, percebi que desde que voltamos ela se assustava por qualquer coisa e estava sempre atenta.
Ela me olhou rapidamente e desviou o olhar esfregando os olhos com força.
– Ela nunca responde. – Disse ela fitando a estatua com certa amargura. Seus cabelos loiros estavam trançados pro lado e a luz da lua refletia seus olhos. Parecia pra mim que a lua e os olhos de Annabeth competiam a respeito de qual brilhava mais lindamente, mas eu não cheguei a falar isso.
Annabeth foi a primeira e única pessoa que já me fez pensar em coisas dessa forma. Foi a única capaz de me fazer abrir meu coração, a única a amolecê-lo completamente. Eu era dela de corpo, alma e coração. O tempo em que eu passei na prisão de Hades tinha feito com que me abrir se tornasse ainda mais difícil, tinha me deixado mais forte, é claro, mas também tinha me feito mais dura mais fria. Eu sabia que depois de passar por tudo aquilo nada mais seria igual, me abrir seria ainda mais raro.
Caminhei até ela tirando a lança que estava presa as minhas costas e que andava comigo aonde eu ia e a espetei no solo antes de chegar perto dela.
Hesitei por um momento, mas sabia que ela precisava de mim mais do que demonstrava.
A abracei pelas costas sentindo ela se aconchegar em meus braços me trazendo uma sensação de tranquilidade tão boa que afastou de minha cabeça todas as preocupações. Ela puxou meus braços me fazendo apertá-la ainda mais contra mim e encostou sua cabeça no meu ombro, eu era mais alta do que ela agora e ainda estava me acostumando com a mudança, mas ela não parecia se incomodar.
– O que ah de errado, Annie? – Perguntei no ouvido dela, ela sorriu e fez uma careta.
– Me pergunte o que está certo se quiser uma resposta mais curta.
A virei fazendo olhar em meus olhos, mas ainda sem desfazer nosso abraço.
– Me diga.
– Só estou preocupada, esta tudo bem. – Ela sussurrou encostando sua testa no meu queixo evitando o meu olhar, eu sabia que não estava tudo bem.
– Você não precisa mais se preocupar, Annabeth. Eu estou bem aqui, acabou. – Falei tentando acalmá-la apesar de não saber se eu mesma acreditava no que estava falando.
Quando Percy me contou – porque eu o ameacei – tudo o que se passou quando eu estava no submundo o meu coração se partia em milhões de pedaços em cada frase dita por ele. Annabeth não comia, não dormia e caia no choro com frequencia. Se portava violentamente quando alguém tentava convencê-la a não descer no submundo e passava muito tempo sozinha. A única que era capaz de confortá-la era Thalia, fazia com que ela desancasse e parasse para se alimentar. Mesmo sabendo que eu deveria agradecê-la por cuidar de Annabeth eu não conseguia, porque sempre que pensava nela sentia que o que ela queria era muito mais do que a amizade de Annabeth e isso só me dava vontade de arrancar a cabeça da filha de Zeus do pescoço.
– Eu não acredito nisso. – Annabeth suspirou pesadamente. – Ele virá atrás de você.
– Annabeth...
– Não me trate como uma menina inocente, Clarisse. Organizei uma missão de resgate ao submundo e consegui voltar com todos vivos. Não sou frágil como pensa que eu sou. – Ela tinha a voz visivelmente alterada. – Eu estive tão perdida sem você aqui, sonhava toda vez que fechava os olhos que podia te beijar, te abraçar, te alcançar. As vezes jurava que podia vê-la passar pelas portas e me perguntava se estava ficando maluca. Acordava desejando vê-la e dizer que te amava, mas em segundos voltava a realidade e me lembrava de que podia nunca mais voltar a te ver e tudo voltava a não fazer sentido. Agora você esta aqui comigo. Eu posso ver seus olhos, posso ver seu sorriso e tudo o que eu tanto precisava. Eu amo você Clarisse, eu não sei se consigo passar por tudo isso novamente.
Eu segurei o rosto dela com as mãos sem saber o que falar, seus olhos estavam vermelhos. Encostei seus lábios nos meus e a beijei. Era tudo o que eu podia dar a ela no momento, pois sabia que era a única forma de fazer meu coração quebrado parar de doer.
– Eu prometo a você. – Disse ainda segurando seu rosto. – Não, eu juro. Juro pelo Estige que matarei todos que tentarem me separar de você. – Ela desviou os olhos. – Olhe pra mim, Eu farei tudo Annabeth pra que você nunca mais tenha que passar por isso.
Ela me beijou e dessa vez não consegui manter meus sentimentos por dentro e os deixei sair por meus olhos.
– Matarei todos eles. – Sussurrei quando nos separamos.
– Eu sei, eu te amo. – Ela me abraçou.
– Eu amo você também, sabidinha.
Sabia que ainda estávamos em perigo, mas manteria minha promessa. Estávamos juntas então estávamos bem...
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