Notas iniciais
Desculpem a demora (:

(Pov’s Annabeth)

– Vamos pegar um taxi, alguém ainda tem algum dinheiro mortal? – Percy perguntou parecendo agitado assim que nós quatro estávamos todos juntos. – Nós perdemos todo esse tempo, precisamos recuperar o raio e salvar a minha mãe até amanha, precisamos de algo muito rápido, não existe nenhum deus da velocidade não? – Talvez fosse a hiperatividade ou talvez um efeito colateral por ter usado seus poderes sem entender realmente como eles funcionam, é acho que é isso, acho que ele superaqueceu o próprio cérebro.

– Calma gente não estamos tão longe, perdemos alguns dias, certo, mas não podemos perder a cabeça, precisamos sentar e planejar, precisamos de um bom plano e então pegamos um taxi. Eu trouxe isso. – Mostrei a eles o cartão platinum do Hotel e Cassino Lótus.

– E você por acaso acha que isso ai vai funcionar? – Grover perguntou em tom de cético, engraçado, achei que Clarisse é quem faria essa pergunta, mas ela estava estranhamente calada.

– Não custa nada tentar. – Dei de ombros e Percy também concordou.

– Eu estou com uma sensação muito ruim, muito ruim mesmo, acho melhor sairmos da rua. – Percy falou e já começou a andar, entrou em um beco e olhava para todos os lados feito um fissurado, Clarisse e eu trocamos um olhar desconfiado, na verdade eu só quis olhar pra ela mesmo, era patética essa minha necessidade constante de admirá-la.

– Gostei. – Ela disse me fazendo voltar a mim, Percy estava entrando em um bar, sim em um bar.

Pior do que quatro adolescentes entrando em um bar são quatro adolescentes entrando em um bar localizado em um beco que fedia a xixi. Todas as pessoas lá dentro eram grotescas e enormes, parecia uma reunião do clube da motocicleta, Percy com certeza tinha superaquecido.

– O que exatamente estamos fazendo aqui, cabeça-de-alga? – Perguntei puxando Percy pelo braço, ele parecia em êxtase, olhava para todos os lados como se procurasse por alguém, Grover parecia muito ansioso e ficava fungando como quem tenta identificar um cheiro estranho, Clarisse, é claro estava se divertindo.

– Eu quero uma Cerveja. – Clarisse já estava no balcão, eu tentei lhe lançar um olhar de desaprovação, mas ela não estava olhando na minha direção e Percy precisava mais de mim no momento.

– Cheiro de deus, cheiro muito forte de deus. – Grover se estreitou entre Percy e eu, será que Percy também podia sentir cheiro de deuses? Porque estaríamos ali?

– Fico feliz que possam sentir o meu cheiro. – Uma voz grossa e sarcástica falou atrás de nós nos fazendo dar um pulo de susto, nos viramos assustados e demos de cara com o que era, sem duvida, o maior cara ali dentro, ele tinha músculos enormes e definidos que fariam o Hulk parecer de brinquedo. Usava uma camisa vermelha que caberia quatro de mim dentro, uma calça do exercito e coturnos iguais aos que Clarisse usava, seu cabelo era cortado em estilo militar e óculos escuros escondiam seus olhos, todas as partes visíveis de seu corpo era coberta de cicatrizes, inclusive o rosto.

– Pai? – Clarisse apareceu ao lado do pai com olhar perplexo e ainda segurando a cerveja.

– Eu fico com isso garotinha. – Ele pegou a bebida da mão dela e acabou com tudo em uma golada só. – Só porque tem idade pra namorar não quer dizer que pode beber também. – Ele falou direcionando seu olhar pra mim, acho que pensou que eu ficaria com medo dele ou algo assim, mas eu o encarei da mesma maneira que ele fez e ficamos assim por alguns segundos bastante constrangedores. – Venham, semideuses, vamos sentar. – Ele tomou a frente, escolheu uma mesa e fez as pessoas que estavam sentadas nela se levantarem só com um balançar de mãos que eu achei extremamente rude. Como a Clarisse, a minha Clarisse podia ser filha daquele cara? – Eu sabia que você responderia ao meu chamado, garoto! – Disse ele se sentando ao lado de Clarisse e de frente a Percy que já parecia muito irritado antes de ser chamado de ‘garoto’ pelo deus da guerra.

– Não me chame de garoto. – Percy falou desafiante e Clarisse se encolheu no banco. – O que você que? – Ares tirou os óculos escuros, certamente com intenção de causar medo porque era exatamente o que aqueles olhos vermelhos eram capazes de fazer, Percy tinha as mãos fechadas e uma delas segurava com força a caneta.

– Vocês quatro, de certa forma tem provado coragem ao Olimpo, mas também burrice e o que estou prestes a pedir exige coragem e burrice, acho que são as pessoas certas para o trabalho. – Ares falava cada palavra com aquela voz gélida e um sorriso sarcástico, sorriso aquele que eu já vi muitas vezes na minha namorada.

– Não vamos fazer nada pra você. – Eu não sei o que Ares tinha feito a Percy, mas certamente tinha pisado no calo dele, porque os dois pareciam inimigos mortais.

– Ah é claro que vocês vão, quem você acha que é? Filho de Poseidon e é claro meu primo. – Ares gargalhou e sua voz soou por todo o bar, Clarisse se encolheu mais ainda como se aquilo doesse e eu tive vontade de abraçá-la. – Vocês vão fazer o que eu quero porque sem minha ajuda vocês nunca chegarão ao Hades em tempo.

– Gente, acho que deveríamos ao menos ouvir antes de negar. – Clarisse falou pela primeira vez desde que se sentou ao lado do pai, ela parecia minúscula perto dele seus braços fortes não eram nada comparados aos do pai, ela também tinha uma beleza que certamente não herdara dele, apesar de Ares não ser tão ruim assim, ele tinha um tipo grotesco de beleza do tipo que faz as mulheres inteligentes ficarem burras.

Ares se ajeitou no banco em que estava sentado pra poder olhar pra ela que parecia estar se escondendo. — Como esta aquela lança? – Ele disse como se esse fosse o assunto de que estavam falando e também não deu tempo de ela responder. – Deuses Clarisse, vocês esta ficando cada dia mais parecida com a sua mãe, ela ainda tenta te enfiar naquelas roupas de patricinha? – Ares gargalhou e Clarisse riu também, o sorriso era igual, mas ai ela olhou pra mim e os olhos com certeza eram diferentes.

– É ela continua tentando. – Os dois riram por algum tempo e Percy agora balançava o pé impacientemente.

– Podemos voltar ao assunto importante? – Percy falou e levou uma cotovelada de Grover que recebeu um olhar irritado de volta, nunca tinha visto Percy daquele jeito, de certa forma a presença do deus da guerra o alterava, deixando ele nervoso e estranho.

Ares estreitou os olhos exatamente como Clarisse faz, se inclinou pra frente e juro pelos deuses que eu achei que iria fazer alguma coisa contra Percy, ao contrario disso ele sorriu de lado. – Eu posso conceder a vocês um transporte rápido até Hollywood, mas preciso que busquem uma coisa pra mim. Larguei meu escudo em um parque aquático abandonado aqui na cidade, estava em um encontro com a deusa mais gostosa que existe, encontro esse que minha querida filha aqui quase me fez ficar sem. – Clarisse baixou a cabeça quando Ares lançou a ela um olhar intenso, Grover e eu nos entreolhamos confusos, mas Percy continuava com punhos serrados e se mexendo com impaciência. – Devo dizer que de certa forma estou orgulhoso, o normal é alguém ter o coração partido pelas filhas de Afrodite, elas não estão acostumadas a terem as próprias decepções. – Ah, então era isso. – Então é o seguinte, vocês vão lá buscam pra mim e eu os encontro aqui quando tiverem terminado.

E então ele desapareceu.

Clarisse relaxou no banco.

Grover começou a gemer. – Nada bom, nada bom.

Percy parecia outra pessoa, estava mais confuso do que o comum, mas pelo menos não estava mais soltando fumaça, ele colocou a mão na cabeça provavelmente tentando pensar. – Eu odeio esse cara.

– Fico feliz que tenham conhecido papai. – Clarisse falou desanimada e eu tinha certeza de que ela não estava nenhum pouco feliz com isso.

– Não devem ter muitos parques aquáticos abandonados por aqui, não é? – Percy perguntou com cara de tédio.

– Estamos em Vegas cabeça-de-alga, tem um monte de coisas abandonadas. – Ele fez um som de desaprovação e se levantou, nós todos levantamos e seguimos para a saída, ainda bem porque aquele lugar cheirava a carne estragada.

– Temos que começar procurando em algum lugar. – Grover falou.

– Internet cara. – Percy disse como se fosse a resposta mais sensata do mundo, todos sabiam que semideuses tinham problemas com tecnologia.

– Certo, vamos achar esse lugar, pegar o escudo e dar o fora daqui. – Clarisse disse já começando a caminhar e nós a seguimos.

– Então você vai me contar sobre o que o seu pai estava falando? Das filhas de Afrodite? – Perguntei tentando soar o mais tranquilo possível.

– Não. – Ela respondeu encerrando o assunto e me deixando muito desconfortável, com uma sensação esquisita, talvez fosse ciúmes, não, eu sou inteligente demais pra ter ciúmes.

Já estava anoitecendo quando encontramos o parque aquático de qual Ares falou. O portão estava fechado com cadeado e correntes e no alto havia arames farpados. Dentro, enormes escorregadores, tubos e canos se retorciam por toda parte, secos, desembocando em piscinas vazias. Algo não parecia certo naquele lugar, mas não podíamos mais voltar atrás, tínhamos que entrar ali.

Notas finais
Então? Ta bom?