Notas iniciais
Oi meninas, trouxe mais um cap para vcs. Não postei tudo que prometi no cap passado, mas ele esta bem grande e muito emocionante, sei que vão gostar.

POV Edward

Alguns dias se passaram sem que eu falasse com Bella novamente. Nós nem ao menos tínhamos nos visto nos últimos 4 dias.

Alice ao contrário todos os dias tomava café da manhã comigo e quando dava vinha ao meu quarto quando chegava do hospital.

Sim, ela também esta trabalhando como voluntária. Segundo ela já que ela esta aqui comigo nada melhor do que fazer algo realmente importante e significativo. Não que ela tivesse desistido de me ajudar, mas segundo ela nós tínhamos que dar um espaço a Bella. Ela confessou a Alice que estava muito confusa, mesmo as duas não tendo voltado ainda as boas. James também estava complicando tudo, segundo Alice eles brigavam seguidamente e o motivo era sempre o mesmo. Eu. Ele queria ir embora com Bella o mais rápido possível, imediatamente se pudesse, mas ela bateu o pé firme dizendo que não iria embora. Ela havia se comprometido a ficar no mínimo 4 meses naquele lugar e segundo Alice a palavra de Bella valia mais do que qualquer contrato.

Eu ainda estava conhecendo a cidade, mas já começava a por minhas ideias em pratica. Havia arrumado um tradutor que me acompanhava durante o dia nas minhas caminhadas. Ele me levava aonde eu dizia que precisava ir e traduzia minhas conversas com as autoridades locais. Eu estava avançando muito rapidamente e em breve já poderia por em prática tudo que pensei. Na verdade tive que refazer boa parte dos meus planos quando cheguei aqui, pois tudo era muito diferente do que imaginei, mas na síntese ainda era a mesma coisa. Ajudar.

Cheguei ao meu quarto quando já anoitecia. Peguei uma muda de roupa e fui ao banheiro tomar um banho, ou o mais próximo disso que eu conseguia com aqueles baldes de água.

POV Bella

Já fazia 4 dias que eu não via o Edward. Mas isso não quer dizer que eu não sentisse a sua presença em cada canto que eu olhasse. Não que ele estivesse me seguindo ou me vigiando, mas ele estava impregnado em mim. Sob minha pele. Em cada respiração vinha um pensamento dele........ das suas promessas.... dos seus beijos.....

– Inferno! _ praguejei empurrando para longe os papeis que eu deveria estar assinando.

– Ei, os papéis não tem culpa do seu mau humor. _ disse uma Alice risinha entrando na sala que eu estava ocupando.

Cerrei os olhos em sua direção e falei:

– Claro que não. A culpada é você.

Ela bufou e veio se sentar a minha frente.

– Bella, vai ficar assim quanto tempo. Somos amigas poxa.

– Mas você não pensou nisso quando me traiu desse jeito.

– Eu não te traí! Eu te ajudei.

– Trazendo ele para cá? Nossa, obrigada mesmo pela ajuda. _ falei sarcástica.

– Bella, deixa de ser teimosa. Dá uma chance para ele se explicar. Converse.... tente se entender com ele.

– Não tem o que entender nem o que explicar. Ele é um homem casado que me enganou para me levar para cama. Ponto! É simples e fácil de entender e eu já entendi perfeitamente.

– Você sabe que ele já largou a esposa.

– Claro, aí eu volto a ir para cama com ele e magicamente eles vão reatar o casamento ou ele vai descobrir que não pode largá-la assim ou outra coisa qualquer. Nós sabemos muito bem como funciona essa coisa de amantes. No fim eles sempre voltam para as esposas.

– Você esta sendo infantil.

– Alice, eu acreditei nele uma vez e olha no que deu. Não vou repetir o mesmo erro duas vezes.

– E por que não? Você repetiu o erro voltando para James.

– É diferente.

– Como? Você sabia que não o amava. Sabia que estava apaixonada por outro. Sabia que ele queria casar e que isso não dá certo quando um dos noivos ama outra pessoa e ainda sim não só voltou para ele como aceitou seu pedido de casamento. Para mim isso é um puta erro!

Eu abaixei minha cabeça e a segurei com as mãos em sinal de desespero.

– O que eu faço Alice? Estou tão confusa!

Ela veio para meu ladro trazendo sua cadeira e me abraçou fazendo com que eu recostasse em seu colo.

– E como James tem levado?

– Estamos brigando todos os dias.

– Pelo Edward?

– Também. Mas não só por isso.

Ela ficou em silencio só fazendo carinho em meus cabelos, mas eu sabia que ela só estava esperando eu encontrar meu tempo para falar, por isso decidi despejar logo de uma vez.

– Ele não quer mais esperar. E eu ainda não estou pronta para ir para cama com ele de novo.

– Vocês ainda não voltaram a dormir juntos desde que reataram o namoro? _ ela perguntou incrédula.

– Não. _ respondi baixinho.

– Bom, acho que entendo o mau humor dele então. Mas... por que Bella?

– Alice! _ eu me levantei do seu colo rapidamente.

– Como vou para cama pensando em outro!

– E você não pensou nisso quando aceitou voltar para James?

– Pensei, e até falei com ele sobre isso, que não teria como, mas ele me garantiu que esperava o tempo que fosse. Que seria paciente, que seria gentil......

Deixei a frase morrer no ar.

– E onde foi parar toda a gentileza dele agora?

Bufei frustrada.

– Todas as gentilezas e sutilidades do James fugiram no mesmo voo em que o Edward chegou.

Ela deu uma risadinha mas logo se calou quando viu o olhar assassino que eu mandava para ela.

– Ok, desculpe. Mas Bella, mesmo torcendo para que você volte para o Edward eu sou obrigada a dizer que entendo o James. Vai fazer um mês Bella. Homem nenhum aguenta isso.

– Eu sei, mas eu não consigo. Eu já tentei Alie. Mas não vai, sei lá, eu .... eu travo.

– Mas como pode ser isso Bella. Você é a pessoa mais desencanada com sexo que eu conheço. Você ama a arte de amar. Nunca se teve problemas com sexo casual nem nada disso. O que esta acontecendo agora.

– Nem eu sei. _ falei me sentando novamente. _ Como você mesmo disse eu sempre fui solta no sexo. Mas... desde que dormi com Edward..... mas precisamente desde a última vez.. algo mudou aqui dentro. _ falei apontando para meu coração. _ Eu ainda sinto tesão, sinto desejo, mas junto vem uma necessidade tão grande por ele. E nessa hora quando lembro o porquê de não estamos juntos me vem uma dor que chega a ser sufocante e acabo desabando em lágrimas.

– Eu acho que entendo. Você experimentou fazer amor em vez de fazer apenas sexo Bella. Isso muda tudo realmente. Seu corpo assim como seu coração já tem dono e parece que ele se recusa a se entregar para outro que não seja ele.

– Então meu corpo vai ter que se acostumar ao celibatário porque meu corpo nunca mais vai sentir o corpo dele.

– Bella, por que faz isso com você mesma? Por que não dá uma chance?

– E você? Você chorou comigo, você gritou, tive que segurar você para não deixar você correr até Carlisle e dizer tudo que tinha acontecido, até na festa você tentou bater nele. O que mudou? Por que agora virou amiga dele e esta o defendendo tanto?_ perguntei o que tanto me intrigava, mas ainda não tinha tido coragem para perguntar.

– Nada mudou. Eu já avisei a ele que o capo caso ele te faça sofrer de novo. Ainda o odeio pelo que ele fez a você. Mas..... mas eu te conheço a anos e posso dizer que você nunca foi tão feliz quando naquela semana. Bella, você não andava você flutuava. Você iluminava tudo por onde passava. Nunca foi assim com James. Era mais o sexo e o voluntariado que juntava vocês dois. E depois quando tudo aconteceu e eu vi você desabando eu quis mesmo matá-lo e de preferência bem lentamente. Mas.... mas quando eu ouvi tudo que Carlisle falou durante a semana que você já tinha ido embora. De como o filho tinha amadurecido devido a um novo amor, de como ele estava acabado e destruído por que a sua paixão havia dado um fora nele e quando eu o vi aparecer em minha sala desesperado por sua causa eu vi que talvez ele tenha sido um canalha sim, mas por que ele não sabia como agir. Bella, uma pessoa, mesmo que muito inteligente, pode ganhar o maior dos diamantes da face da Terra, mas se ela nunca teve um antes, se ela não sabe o que fazer com ele, se ela não souber reconhecer ele ela vai apenas jogar fora, por que quando bruto o diamante é uma pedra feia e sem valor. Só depois de lapidado é que tem seu brilho, sua beleza. Edward nunca amou, nunca teve esse sentimento para poder saber o que fazer, como agir ou mesmo descobrir o que era. Só o fez quando perdeu você. Quando sentiu a falta que você fazia. Sei que dói, sei que machuca, mas mesmo assim ele é só fruto do meio em que vive. Talvez a falha tenha sido dos pais, talvez dele mesmo mas o que importa é que ele esta tentando, Bella ele esta tentando de verdade. Ele dorme em um colchão velho em um quarto mofado, toma banho de balde, ele anda em meio a sujeira e aos miseráveis e doentes e não reclama. Ele todo dia aprende algo novo e esta feliz com isso e ele anseia tanto poder dividir isso com você.... tem que ver o brilho nos olhos dele quando ele fala que você se orgulharia do que ele esta aprendendo.

Alice discursava incansavelmente sobre isso.

– Mas e se ele se arrepender. E se eu ceder e ele perceber que tudo não passou de uma ilusão? Perceber que essa não é a vida que ele quer?

– Aí minha amiga, você vai poder deitar a cabeça no travesseiro sabendo que fez tudo que podia, mas se esse amor não deu certo não foi por sua culpa. Muito melhor do que daqui a alguns meses ou anos você perceber que esta infeliz e que tudo poderia ser diferente se tivesse dado uma simples oportunidade a ele.

Sem dizer mais nada ela se levantou e saiu da sala onde estávamos.

Eu sabia que ela estava com a razão, eu só não sabia se era forte o bastante para dar outra chance a ele.

Antes que pudesse pensar em alguma outra coisa James entrou na sala com os olhos brilhando.

– Arrume as malas meu amor, estamos indo para a África, seu avô mandou nos chamar.

...

POV Edward

Estava em meu quarto com Alice contando algumas novidades sobre meus projetos quando a gritaria no corredor chamou nossa atenção.

Eu e ela nos olhamos ao mesmo tempo em que uma mulher gritava.

– Bella! _ Alice e eu dissemos ao mesmo tempo.

Corri para abrir a porta e encontrei Bella em frente a minha porta e um James furioso tentando passar por ela.

– Ah, aí esta o desgraçado. Saia da minha frente Bella!

– James, já chega! Pare com esta palhaçada e vamos conversar no quarto! _ Bella gritava tentando chamar a atenção de James, mas o mesmo olhava em minha direção quase espumando de ódio.

– Seu desgraçado, é tudo culpa sua! _ ele esbravejou.

Cruzei os braços em frente ao peito e o olhei ameaçadoramente.

– Posso saber o motivo de você estar me elogiando tanto?

– Mas é um bostinha sínico mesmo. Como se você não soubesse, como se você não tivesse estragado a minha vida com a minha mulher.

– Ora, você é casado? Eu não sabia?

Eu sabia que estava tripudiando em cima do sofrimento alheio, mas não aguentava mais escutar calado todos os desaforo que esse cara me dizia.

Não. Aquela não era a primeira vez em que ele ia até a minha porta, mas era a primeira em que ele ficava até que eu a abrisse. Normalmente era só um xingamento ou um simples soco na porta. Era a primeira vez em que ele esperava eu abrir e o encarar.

Ao terminar minha frase desafiadora duas coisas aconteceram ao mesmo tempo. Bella se virou para me encarar com os olhos cerrados de indignação e James na pressa de me alcançar empurrou Bella de qualquer maneira para o lado.

Ela se desequilibrou e caiu no chão batendo a cabeça levemente na parede. James permaneceu congelado no lugar sem parecer acreditar no que tinha feito e eu corri até ela.]

– Bella? Bella, machucou?

– Aii.... _ foi tudo que ela conseguiu dizer segurando a cabeça com força.

Nessa hora enxerguei tudo vermelho e deixei Alice cuidando dela enquanto me atirava em cima de James.

– Seu maluco. _ gritei dando um soco na cara sem que ele esperasse. _ olha o que fez com ela?

Ele pareceu despertar do seu espanto e veio para cima de mim, mas eu fui rápido o suficiente para me esquivar do seu soco. Mas nem tanto do seu pontapé em meu joelho que fez com que eu caísse no chão.

– A culpa é sua. Tudo isso é culpa sua.

– Não fui eu quem a jogou de cabeça no chão seu imbecil. ! _ eu rugi antes de lhe acertar outro soco no olho.

Nessa hora Alice se meteu entre nós, acho que tentando evitar que nos engalfinhássemos e começássemos a rolar pelo chão.

– Os dois palhaços podem ir parando. _ ela falou nos afastando._ James, dê o fora, vá para seu quarto ou para o inferno, não me importa, mas a Bella vai ficar no meu quarto hoje. _ Alice disse séria.

– A merda que vai! Bella, vamos meu amor.

– Fique longe dela seu desgraçado. _ eu falei me metendo na sua frente.

– Saia. Da. Frente. Da. Minha. Mulher. _ ele disse entre dentes.

– Por que você não pergunta a Bella se ela quer ir com você?_ falei friamente ainda a sua frente e rezando internamente para que ela não quisesse ir, por que por nada nesse mundo eu deixaria ela ir com ele descontrolado desse jeito. Mesmo que a tivesse que trancar a força em meu quarto.

– Amor? Você bem não é? _ ele falou todo carinhoso com ela.

– Quero ficar sozinha hoje James! _ ela disse encolhida e sem olhar na direção dele.

Percebi ele respirar fundo tentando se conter.

– Você vai ficar com ele? Depois de tudo?

– Eu disse sozinha. Sem você. Mas claro que você não me ouviu. Você parece não ouvir nada do que eu digo e sempre distorce tudo! Precisamos mesmo ficar longe um do outro. Eu tenho muito em que pensar e você também deveria refletir. Você parece outro homem.

– Agora a culpa é minha por querer proteger você dele?

– James. Chega. ­

Ele deu um passo a frente mas eu fui rápido bloqueando a passagem.

– Tudo bem. Você fica na ALICE hoje. Amanhã conversamos.

Então mesmo relutante ele se virou e foi embora.

Rapidamente me virei e a ajudei a se levantar.

– Eu estou bem Edward, pode deixar. _ ela disse tentando me afastar.

– Sei que quer ficar longe de mim Bella. Mas não adianta reclamar, vou deixar você no quarto de Alice. _ então antes que ela pudesse reclamar eu a pegava no colo.

– Ei! Eu ainda posso andar.

Ignorei seu comentário e fui até o quarto de Alice que era a poucas portas do meu.

Alice abriu a porta rapidamente e eu entrei no quarto com ela a deixando sobre o colchão.

– Tem certeza que está bem? Não é melhor Alice te examinar?

Ela suspirou e soltou um risinho.

– Sou médica esqueceu. Sei quando preciso ser examinada.

Ouvir aquele pequeno riso me encheu de um sentimento que eu não pude descrever. Seria algo como estar submergido a muito tempo e de repente alcançar a superfície e conseguir respirar.

– Mas eu também me lembro do quão teimosa pode ser. Afinal você recusou ser examinada até mesmo quando eu a atropelei.

Mordi minha língua na mesma hora em que a frase escapou por meus lábios.

Ela me encarou por um segundo depois disse:

– Eu realmente sou teimosa, mas estou bem. Qualquer coisa Alice esta aqui.

Acenei concordando com aquilo, mas eu ainda não queria ir embora.

– Posso fazer algo?

– Não obrigada, acho que preciso descansar, só isso.

– Claro. Qualquer coisa....... estou a 3 portas daqui.

Ela corou e acenou com a cabeça.

Mas antes que eu alcançasse a porta a curiosidade falou mais alto.

– Bella. Sei que minha presença aqui complicou sua vida com James e não vou fingir me importar com isso, mas........ por que o descontrole dele hoje?

Ela baixou os olhos e mordeu o lábio inferior parecendo se decidir se me contava ou não. Então ela apenas deu de ombros e falou:

– Esta tendo um surto grave cólera na região onde meu avô tem um hospital na África. Meu avô mandou chamar James e ele queria que eu fosse junto.

Engoli em seco.

– Você vai?

Seus olhos brilharam por um minuto e logo ela sorriu.

– Ele parecia zangado ou feliz para você?

Soltei uma risada pelo nariz e respirei aliviado.

– Apesar de querer matá-lo por tocar em você, estou feliz que você vá ficar.

– Estou fazendo isso pelo meu compromisso com essas pessoas Edward. Espero que não confunda as coisas.

– Eu sei. Mas isso já é alguma coisa, afinal se você não vai usar uma desculpa forte como essa para fugir de mim então eu posso ter esperanças. _ falei olhando dentro de seus olhos.

– Bom, não é como se adiantasse eu fugir, afinal, você garantiu que iria atrás de mim até o fim do mundo.... _ ela deixou a frase no ar como se quisesse confirmar.

– Não tenha dúvidas de que vou correr o resto da vida atrás de você se for necessário.

Ela me deu um sorriso doce.

– Boa noite Edward.

– Até amanhã Bella.

{...}

Dois dias se passaram desde que James agredira Bella.

Soube por Alice que ele já havia viajado para a África e que ele prometera a Bella que ficaria lá o mínimo possível. Mas Alice me garantiu que seria impossível ele voltar pelo menos por um mês. Então eu deveria aproveitar esse tempo ao máximo para me aproximar dela, pois quando voltasse não tenho dúvidas de que faria o impossível para me manter bem afastado dela.

Não éramos exatamente amigos no momento, mas pelo menos ela não fingia mais que não me via ou fugia de mim. Já nos cumprimentávamos quando nos encontrávamos no hotel e ela respondia gentilmente quando eu lhe perguntava como havia sido seu dia no hospital.

Pensava em talvez lhe chamar para comer algo em meu quarto hoje, claro que também chamaria Alice. Bella jamais aceitaria ficar sozinha comigo. Mas eu não me importava, o que eu queria mesmo era ficar perto dela.

Pensava nisso enquanto desenhava uma planta para um prédio. Estava sentado no meio fio na rua de frente para o prédio inclinado que vi no meu primeiro dia aqui.

Agora as pessoas aqui já não me olhavam tão desconfiadas. Quer dizer, elas já estavam se acostumando a me ver todos os dias para cima e para baixo, desenhando e conversando e o fato de ter sempre o guia e tradutor ao meu lado parece que passava um pouco de confiança a eles.

– Perdido na sua mente arquiteto? _ perguntou Rama, meu guia

– Quando você vai me chamar pelo meu nome Rama?

– Seu nome ser complicado. Enrola a língua para falar. _ ele disse fazendo careta.

Rama me chamava de arquiteto desde o primeiro dia em que nos conhecemos.

Eu me limitei a rir e voltei a fazer o desenho.

– Isso vai ser o que? _ ele perguntou olhando curioso o que eu tanto desenhava.

– Quero que seja um prédio, para ficar no lugar desses. _ falei apontando para frente.

– Arquiteto, tem certeza que governo vai deixar? _ ele perguntou desconfiado.

– Eu já te expliquei Rama, o governo vai lucrar com isso. Por isso vai facilitar em tudo os meus projetos.

– Arquiteto um homem bom! _ Rama disse com os olhos brilhando para mim.

Sacudi a cabeça negando.

– Já te contei que só comecei a pensar nisso por causa de uma mulher.

– Mulher muda nossas vidas. Mas não vejo muitos ricaços por aqui ajudando o povo por causa de mulher. Tem muito disso no seu país?

Olhei meio assustado com sua pergunta.

– Não.

Ele assentiu.

– Então arquiteto já era bom aqui. _ ele falou colocando a mão em meu coração. _ Mulher médica só ajudou arquiteto a enxergar.

Confesso que nunca tinha olhado por esse lado. Será que Rama tinha razão?

– Filho e filha gostaram muito do presente de arquiteto. Obrigada. Eles nunca riram tanto na vida.

Eu havia ligado para casa e pedido que meu pai enviasse duas bicicletas pra os filhos de Rama. Eu havia perguntado a ele por que ele vinha a pé todos os dias do vliarejo dele em vez de vir de bicicleta. Ele me contou que naquele país, ter uma bicicleta era como ter um carro, só os ricos possuíam tal coisa. Então claro que eu providenciei uma para ele no mesmo dia, mas tive a ideia de dar o presente para os filhos dele também, mas infelizmente ali não vendia bicicletas infantis.

– Fico feliz com isso Rama.

– Sabia que eles fizeram uma..... como se chama? Hummm.... uma agenda? Acho que é isso, uma agenda para quando cada um vai usar?

– Como assim? _ perguntei confuso.

Eu havia dado duas bicicletas.

– São mais de 10 crianças no nosso vilarejo. Eles estavam combinando que dia cada um vai brincar. O vilarejo esta mais feliz do que em dia de casamento!

Rama parecia pensativo e feliz em quanto falava, por isso ele não viu que eu chorava.

Lembro de quando pequeno sempre arrumar problemas no colégio por nunca querer dividir meus brinquedos no recreio. E olha que eu sempre tive de tudo. E no entanto, aqui, crianças que não tinham absolutamente nada dividiam o brinquedo mais preciso com seus amigos. Por que aqui, o absurdo é ser feliz sozinho quando se pode repartir o que se tem, mesmo que seja pouco.

Enxuguei minhas lágrimas antes que Rama visse. Eu aprendia cada dia mais com esse povo maravilhoso.

Ele abriu a boca para falar sobre alguma outra coisa quando uma vibração estranha passou pro nós.

Eu e ele trocamos um olhar assustado e antes que eu pudesse pensar em algo os estalos dos vidros do prédio inclinado foram ouvidos.

Um a um todos eles foram quebrando.

Sem pensar em nada eu corri como louco na direção do prédio gritando.

– Corram, corram, o prédio esta caindo!

Todos me olhavam sem entender e se viravam de novo para ver os vidros continuarem se quebrando no nada.

– Rama, vai cair tudo, avise.

Então como se acordasse do transe Rama veio correndo comigo gritando ao meu lado no dialeto deles enquanto eu continuava gritando mesmo sabendo que ninguém ali me entenderia.

– Saiam, rápido, vai cair. O prédio vai cair.

As pessoas começaram a correr apavoradas. E foi aí que o caos começou.

Não era um simples prédio. Apesar de gigantesco o prédio abrigava em baixo inúmeros comércios irregulares o que fazia com que o local estivesse cheio de gente que rapidamente entrou em pânico.

Multidões em pânico em geral são tão perigosas quanto qualquer outra coisa.

Eu tentava ajudar levantando os que caiam, ou apenas apontando em que direção eles deveriam ir. Mas tudo aconteceu muito rápido, em menos de 3 minutos o estrondo do prédio vindo a baixo foi ouvido.

Por alguns segundos o silencio que se espalhou foi ensurdecedor. Chegava a ser sufocante. Então, em seguida começaram os gritos e o choro e mesmo não falando aquela língua eu sabia que todos ali estavam pedindo socorro!

{...}

POV Bella

Estava fazendo uma sutura simples em uma mulher que havia se cortado enquanto revirava entulhos no centro da cidade. O dia estava particularmente calmo.

Mas eu deveria ter suspeitado. A calmaria antes da tempestade.

Do nada uma mulher entra gritando no hospital. Ela gesticulava e levava as mãos a cabeça claramente apavorada.

Alice que estava em uma sala ao lado veio correndo ver.

– O que houve Bella?

– Eu não sei, ela entrou agora.

Então uma das tradutoras do hospital chegou tentando acalmar a mulher para entender o que ela falava. Vi desesperada a mulher perder a cor e ter que se segurar para não desmaiar.

– Preparem-se ! _ ela gritou_ Um prédio desabou. São centenas de feridos.

Logo uma correria se instalou no hospital, médicos correndo, estocando material ao alcance das mãos, enfermeiras juntando macas e cadeiras de rodas, refeitórios sendo esvaziados para virar enfermaria. Mas eu não via nada disso. Minha mente estava muito longe, em outro lugar, em outra pessoa.

Alice me contara a dois dias depois de eu muito insistir que Edward passava os dias andando por essas ruas juntos a um interprete olhando os prédios locais e estudando algo.

Eu não era uma especialista nesse assunto, mas sabia que um prédio não caia do nada sem dar avisos, sinais de que algo estava errado. Será que era esse prédio que ele vinha estudando? Será que ele estava lá? Será que estava ferido?

– Edward?! _ me vi gritando de repente.

Então, pela primeira vez em anos não foi a minha profissão ou os feridos ou os necessitados a minha prioridade.

Eu precisava achar Edward. Eu precisava saber se ele estava bem. Eu precisava disso mais do que respirar.

[...}

POV Edward

– Arquiteto?

– Arquiteto? _ eu ouvia Rama gritar ao longe.

Acho que com a queda, o susto e o tumulto eu acabei apagando por alguns instantes.

Me levantei cambaleante e tossindo muito. Era quase impossível respirar no meio de tanta poeira.

– A.... aqui. Rama! AQUI!

Gritei mais alto para ver se ele me achava pela voz. Pois pela visão era impossível achar mesmo a estátua da liberdade nesse momento.

– Arquiteto! _ ele chamou mais uma vez já sem o tom desesperado na voz.

– Rama! _ gritei percebendo que sua voz estava mais perto.

Até que em minutos assim ele finalmente me achou.

– Arquiteto, esta bem? _ ele perguntou me olhando atentamente e me ajudando a ficar de pé. Eu ainda estava um pouco tonto e não conseguia respirar.

Tossi muito antes de responder.

– Estou. Estou sim.

– Vamos, arquiteto precisa de ajuda. Médico.

– Não Rama. Tem muitos feridos. Vamos ajudar.

Rama ainda me olhava preocupado.

–Estou bem Rama, me ajude a ajudar essas pessoas. Eu não entendo o que estão gritando.

Então no segundo seguinte ele e eu começamos a correr ajudando os feridos.

{...}

Eu já estava ali a mais de duas horas ajudando aquela gente. A poeira já havia se dissipado bastante, mas ainda era difícil enxergar bem alguma coisa. Parecia um dia de muita nebulosidade. Pessoas ainda gritavam desesperadas soterradas nos escombros. Toda a ajuda que tínhamos eram os próprios moradores, pois das autoridades tudo que veio foi um carro de bombeiros.

Os médicos do hospital estavam em toda a parte ajudando nas triagens nos dando informações de como remover os feridos mais graves. Muitos tinham ferimentos expostos, fraturas expostas e infelizmente, muitos estavam mortos, soterrados e esmagados pelos escombros.

Eu não tinha noção de quantas pessoas tinha ajudado a retirar dali. De quantos homens e mulheres tinha ajudado a carregar até uma maca ou mesmo carroça para que pudessem levar para o hospital. O horror parecia que nunca ia ter fim.

Os gritos agora vinham mais dos que estavam já do lado de fora do que dos ainda estavam a espera do resgate. Sabíamos que corríamos contra o tempo e sabíamos que estávamos perdendo. A cada minuto que se passava era uma vitima que morria, sufocada, por hemorragia ou por muitos outros motivos.
Olhava e via médicos por todos os lados e me perguntava se Bella estaria entre eles. Mas eu não podia procurá-la agora. Sabia que onde quer que ela estivesse ela estava bem, pois ela estava bem longe daqui na hora do acidente e eu era extremamente grato por isso.

Nesse momento interrompendo meus pensamento ouvi um choro fraco e sufocado ao longe.

Tentei pedir que as pessoas a volta parassem de falar mas era impossível. Todos estavam chamando ou buscando por alguém. Também procurei por Rama mas não o avistei. Ele e eu havíamos nos separado, pois afinal, pra socorrer não precisávamos de interprete e ele e eu seriamos muitos mais uteis separados.

Sem outra alternativa fui me rastejando pelo chão a procura do som novamente. Andai uns 20 metros assim até que ouvi o som novamente e voltei alguns metros procurando ouvir melhor.

Bem fraquinho e misturado com choro eu ouvia uma criança chamando.

– Aqui! Aqui!

Ela dizia outra coisa também mas essa eu não entendia.

Comecei a cavar desesperado removendo pedras e entulhos com minhas mãos até que avistei uma pequenina mão. A segurei com um medo estúpido de que se a soltasse ela cairia sumindo no mar de escombros.

– Calma, calma, eu estou aqui.

– Raila aqui, Raila aqui! _ a voz gritava desesperada.

– Calma princesa, te achei. Não vou soltar.

– Raila aqui! _ ela repetia chorando.

Comecei a puxar as pedras que a cobriam. Logo avistei seu rosto coberto de poeira e lama.

–Ei, eu cheguei. Vou tirar você. _ falei tentando acalma-la.

Ela continuava gritando coisas no dialeto local e em inglês.

– Ajuda Raila!

– Estou aqui Raila. Não vou embora.

Ela pareceu se acalmar mas ainda chorava muito.

Faltava apenas uma pedra para poder ter espaço para eu puxá-la de lá, mas essa era muito pesada e eu não tinha forças sozinho.

Voltei a gritar por Rama, mas era inútil, ele obvimante não estava perto.

Então vendo e ouvindo meus gritos e desespero homens vieram ver o que acontecia e logo entenderam que eu precisava de ajuda.

Juntos todos nós puxamos a pedra e depois de muito esforço e quase desistência de alguns ali conseguimos mover a pedra. Muitos se afastaram indo ajudar outros e alguns continuaram a me ajudar a remover mais alguns entulhos até que já havia abertura suficiente e eu me debrucei dentro do buraco agarrando a menina pela cintura e a puxando para mim.

Quando a abracei em meu corpo senti uma sensação nunca antes sentida por mim.

Ela ainda chorava e soluçava em meus braços. Me afastei para olhá-la e percebi que era uma menina de no máximo 6 anos. Estava machucada, arranhada e claramente tinha a perna quebrada.
Mas algo me assustou. Quando ela engasgou com o choro ela tossiu e em seguida vomitou sangue. Alarmado e desesperado não perdi tempo. A peguei no colo e corri com ela nos braços em direção ao hospital.

Mas no meu caminho apareceu um anjo. E mais do que nunca eu me apaixonei por ela.

– Edward. Graças a Deus você esta bem. _ ela falava nervosa.

Mas eu não tinha tempo para isso agora.

– Bella, socorro. Salva ela. Salva a Raila.

Continua.....

Notas finais
E então? O que acharam? Bom, como puderam ver esse cap foi extenso e emocionante como prometi. Por isso decidi deixar alguns acontecimentos para o proximo cap. Ele vem na sexta, pode ficar tranquilas. Espero o comentário e a opinião de vcs. Bjs Dani Ps: Já sabem, querendo fazer parte do cap, só pedir que eu add. https://www.facebook.com/groups/1412653685617779/