Hot Cold Blood - Klaroline.

10 Capítulo 10 - Fell's Church.


POV CAROLINE

Klaus havia me expulsado de New Orleans, isso era um fato. Mas não podia reclamar. Era tudo que eu queria desde o início e agora consegui.

Dormi dois dias na minha casa. Sentia falta da minha mãe e da sua comida e apesar de não ser comida humana que realmente me sustenta, a da minha mãe era de fato sensacional. Mas como alegria de estudante universitária dura pouco, era hora de ir e fazer as matrículas.

Perdi as contas de quantas lágrimas minha mãe derramou em meio de uns “se cuida. Não faça besteira, Caroline”. Despedidas são sempre ruins, mas dela, era horrível.

Eu fui direto para o Campus esperando Elena e Bonnie aparecerem. Quando elas chegaram, escolhemos nosso quarto e tudo parecia perfeito.

— Babaca. — Pensei alto quando desfiz as malas e vi a pulseira da bailarina de Las Vegas que com certeza Klaus implantou ali só para me irritar com essa lembrança. Mas foi impossível não rir da atitude infantil do cara que se diz o mais maduro do mundo.“Tenho mais de mil anos blábláblá”. Acho que o tempo só fez com que ele tivesse mais experiência em ser idiota.

No fundo da mala, achei uma foto antiga minha e de Tyler. A única coisa que faltava aqui era ele.

Não, eu não queria pensar em Tyler. Essa é uma nova fase e não quero permanecer com essa sombra de dúvida da nossa relação e eu tinha escolhido o amor próprio. Lembra Caroline? Então certamente a única coisa que faltava para completar o ritual de transição é uma festa. Uma boa festa regada a bebida, diversão e universitários no cio.

Eu, Elena e Bonnie saímos para tomar um café no Campus enquanto paquerávamos alguns calouros. Bom… pelo menos eu o fazia, já que minhas melhores amigas resolveram me lembrar que sou a única realmente solteira-por-rejeição do grupo.

Não demorou muito tempo para eu me juntar a Comitê de Organização Festivas e conquistar a presidência mesmo sendo caloura. A cada ideia dada, os veteranos gostavam mais de mim e eu já estava me sentindo a rainha do baile antes dele começar.

A semana inteira foi de correria com as aulas e os preparativos da festa, mas com Elena e Bonnie ao meu lado tudo parecia mais leve e fácil de lidar.

Eu estava com um humor digno de mim e estava amando. Todo o clima está mais leve, mais brando e menos psicopata. Conheci muita gente nova, fiz colegas e convidei todo mundo para badalar no primeiro final de semana do semestre.

A festa mal começou e já encheu. As pessoas se divertiam como se não houvesse amanhã. Tudo brilhava. Os copos, as bebidas, os acessórios distribuídos por mim, Elena e Bonnie e claro, eu. Estava tão radiante com meu primeiro evento na Universidade e o verdadeiro sucesso da escolha do tema neon que me permiti jogar na noite. Entrei na multidão, peguei uma bebida e dancei como se fosse o último dia.

Encontrei com Elena no meio da pista e começamos uma dança sensual, onde todos abriram espaço para nós duas. Não preciso dizer o quanto amei ser o centro das atenções com aquele monte de universitário gato transbordando hormônios babando em nós. Bonnie entrou na brincadeira e agora éramos três nos esfregando, descendo e subindo e vi todos os olhares masculinos fixarem em nós, mas apenas um quase me comia.

Olhei para o final da festa e vi um homem moreno, e os olhos... Na verdade não tinha como saber, mas iria descobrir.

Saí da dança enquanto as duas continuavam e fui buscar uma bebida, esperando o belo moreno se aproximar de mim.

— Bem que me disseram que você gosta de se divertir de verdade. — Ele disse num sotaque... Ah não. O sotaque sexy, mas que infelizmente me lembra... Não, melhor não. Vamos beber para esquecer.

— Sim. Mas acredito que não tenha pique para me acompanhar. — Sorri para ele enquanto pegava o drink.

— Estou um pouco enferrujado, confesso, mas talvez você queira me ajudar a soltar o corpo. — Ele falou no meu ouvido. Ah, esse sotaque molhador de calcinhas. Foi irresistível.

Eu o puxei pela jaqueta e o levei para a pista, num lugar pouca coisa mais distante das outras pessoas. Comecei a dançar e ele tentou me acompanhar, mas de uma maneira engraçada e nós dois rimos. Ele me agarrou pela cintura e segurou minha bebida. Foi se agachando no ritmo da música e eu o acompanhei. Estávamos nos divertindo. Ele deu um gole no meu drink e me encarou. Seus olhos eram escuros. Um marrom escuro sexy e pervertido.

— Ei. Isso é meu! — Falei divertida me referindo à bebida.

— Então acho que terei que devolvê-la a dona. — Ele deu mais um gole deixando sua boca completamente molhada e me beijou.

Pude sentir o gosto do drink misturado ao beijo delicioso do moreno de olhos marrons. Ele deixou o copo cair no chão e me agarrou com a outra mão. Ficamos tão perdidos nos pegando que nem sei quanto tempo se passou. Ele se desvencilhou com os cabelos bagunçados por mim e disse ofegante.

— Enzo, a propósito.

— OK, Enzo. Caroline. — Estendi as mãos em cumprimento e ele riu.

— Eu sei.

— Como assim sabe?

— Damon me disse que estaria aqui e eu quis conhecê-la. Lembrarei de agradecer amanhã depois de acordamos na minha casa. — Ele sorriu maliciosamente.

— Damon! — Passei a mão no rosto.

— Não se preocupe, não sou como ele. — Respirei aliviada. – Sou pior. — Enzo deu o sorriso mais safado do mundo e me levou com velocidade para o lado de fora.

Continuamos a nos agarrar entre as árvores do campus, longe da festa quando ouvi um barulho distante. Por um momento parei de beijá-lo para prestar atenção, mas ele pegou meu rosto me forçando a continuar o beijo. Quem disse que eu iria resistir? O levei para um lugar, também entre as árvores, um pouco mais longe. Bonnie me disse que se encontrou escondido ali com Jeremy algumas vezes enquanto escolhia o Campus e acertava nossa transferência. Se mato falasse...

Ele fez questão de tirar sua própria camisa, eu fiz o mesmo com minha jaqueta e ele me ajudou a tirar a blusa. Enzo não perdeu tempo e beijou meus seios ainda cobertos pelo sutiã, o que me deixou ainda mais excitada. Continuamos assim, meio despidos, quando escutei o barulho mais próximo. Eu parei para tentar saber o que era, mas ele me jogou de costas na grama, abaixou minha calça, abriu seu zíper e ia me penetrar, sem rodeios e sem drama. Eu precisava daquilo, mas me preocupei pelo local distante, ermo e muito escuro. Olhei para cima e vi uma sombra de longe. Talvez fosse o momento me confundindo. Mas não dava para ignorar. Achei melhor voltar para a festa e falei isso em meio aos beijos que eram quase impossíveis de se desvencilhar. Ficamos alguns minutos assim. Ele se levantou e me ajudou em seguida.

— Deveríamos repetir. — Enzo falou com empolgação. – Posso fazer melhor sem essa grama toda grudada em nós e num lugar mais apropriado. — E eu ri alto.

— Vamos voltar logo para a festa. — Eu disse caminhando em direção ao salão e colocando minha blusa no caminho.

Ajeitei meus cabelos e continuei lá como se nada tivesse acontecido. Elena e Bonnie estranharam meu sumiço e até me questionaram, mas quando viram a minha cara e da de Enzo, entenderam e voltaram a se divertir, rindo de nós dois.

Fiquei todo tempo com Enzo enquanto ele me contava algumas histórias e ríamos de Damon toda vez que ele me lembrava alguma besteira feita pelo Salvatore insuportável.

A festa tinha acabado e ainda estávamos todos animados. Elena propôs uma noite em claro entre meninas, mas Enzo tinha outros planos para nós na casa dele e eu teria todos os dias para beber com as minhas gatas durante a faculdade.

Pedi para ele ir na frente enquanto pegava algumas coisas guardadas no armário do campus, como bolsa, a carteira e um batom lindo da nova estação. Eu fui para o corredor, mas eles já tinham o trancado, então tive que passar pelos fundos da quadra. Estou distraída mandando uma SMS para Enzo com um “Já chego. Me dê um minuto. Não parta sem mim, rs.”, quando olho para frente e me assusto.

— Creio que isto seja seu. — Klaus tirou de trás de si meu casaco, o mesmo que larguei na floresta e nem sequer senti falta, até agora.

Ele me seguiu. E pior, foi ele quem assistiu o meu lance no meio da floresta do Campus. Me senti uma adolescente de quatorze anos que foge durante a madrugada para fazer sacanagens com o namorado.

Demorou um tempo para eu perceber que se tratava de ninguém menos que Klaus. Com uma cara de não sei o que, olhando para mim como se eu fosse a única do mundo ao qual ele tem que perturbar. E tudo o que eu pensava era que tinha um moreno lá fora me esperando para dormir com ele e acordar como criaturas quase normais depois de uma noite de boa diversão e sono revigorante.

— Não me diga que veio aqui só para devolver minha jaqueta favorita. — Eu disse a pegando da mão dele. – Se for, obrigada. Cumpriu sua missão. Pode ir agora. — Eu passei por ele que continuava sentado na arquibancada e me dirigi para o corredor dos armários.

O abri, peguei minhas coisas e quando saí, Klaus não estava mais lá para o meu alívio. Não tinha a mínima intenção de saber porquê ele estava aqui e o que o trazia a Fell’s Church.

Meu celular apitou e abri um sorriso enquanto me encaminhava para o lado de fora. Era uma mensagem: “Tive que sair antes, loira. Por uma boa razão Me encontre na minha casa. Terá uma tão bela e linda surpresa quanto você. Mais beijos molhados. Enzo.” seguido do seu endereço.

— A Colheita da qual Elijah te explicou... foi completada. Davina está morta. — Klaus disse atrás de mim, me dando um susto que me fez bater a porta do carro.

— Você não pode chegar aqui, entregar minha jaqueta e dizer que alguém morreu. Eu não me importo com seus assuntos, Klaus. Me sinto feliz e livre desde que me tirou daquele lugar. Eu estou na faculdade. Minhas aulas já começaram há uma semana e tudo o que quero é que suma daqui. Tenho planos para esta noite e não será você quem o estragará. — Eu falei abrindo novamente a porta do carro.

— Entendo... — Klaus disse se aproximando.

— Não! Não entende! — Eu bati novamente a porta do carro, que estalou alto pela minha irritação. – E nem quero que entenda. — Ele fez praticamente a mesma cara que eu pós-término com Tyler. Pela primeira vez eu abaixei o tom de voz numa mesma frase e não era a ressaca a culpada disso.

— Meus irmãos me deixaram sozinho naquela mansão, Caroline. Eles acreditam que usarei o sangue da minha própria filha para gerar mais híbridos. — Ele não parecia com raiva e sangue nos olhos pela acusação, parecia apenas... decepcionado.

— E você o fará? — Perguntei mais curiosa do que realmente estava preparada para ouvir a resposta.

— NÃO! — Eu o olhei com estranhamento e ele ficou incomodado. – Como poderia? Eu não me importo com um exército. Eu tenho a mim, eu tenho os vampiros de Marcel e eu tenho meus irmãos. Tudo o que eu preciso é trazer Davina de volta e conseguirei provar para eles que a intenção com minha menina é a melhor. E fazer daquele lugar uma fortaleza... para ela.

— Então vá! Mate alguém. Mate todos. Ressuscite a bruxa. Construa sua fortaleza. Só me deixe fora disso.

— Tudo bem, Caroline. Deixarei. — E sumiu.

—_______

Fui recebida com um “entre” gritado por Enzo quando bati na porta. Passei pelo corredor e vi uma das portas entreabertas. Quando entrei, abri a boca pela surpresa. A luz de um abajur clareava o local e Enzo estava nu na cama com apenas um pedaço do lençol tapando as suas partes. Eu ri da cena e ele também. Joguei minhas coisas num canto e fui para o banheiro o deixando sem reação.

— Ei. — Onde pensa que vai? Ele disse inconformado.

— Para o banho. Talvez você queira me acompan... — Não consegui completar com Enzo já me encostado na parede fria do banheiro enquanto tirava a minha roupa.

—_______

Eu dormia em paz. Estava começando a sonhar com coisas felizes quando meu celular tocou uma, duas, três vezes e finalmente alguém teve uma reação. Enzo rolou por cima de mim, o pegando e olhando o visor.

— Acredito de deva atender. Nunca é bom ignorar a ligação de uma mãe preocupada.

Eu ouvi a palavra mãe e imediatamente eu despertei de vez atendendo a ligação com urgência.

— Mãe! São... — Na verdade nem sabia que horas eram. Tive que olhar o visor para continuar. – 2:30h. e eu ainda estou dormindo.

— Não seja cínica Caroline. Você está na universidade e ninguém aí dorme antes das 4h. Só preciso que você me explique uma coisa. O que diabos Klaus está fazendo em Mystic Falls?! — Ela disse em um tom um pouco mais alterado que o normal.

— Mãe, caso a senhora tenha esquecido, o Campus fica em Fell's Church, 40 minutos de Mystic Falls.

— Eu sei, Caroline. Mas não posso mais encobrir um rastro sequer de Klaus sem que o Conselho desconfie.

Se Klaus pensa que infernizando minha cidade natal conseguirá me deixar de mal humor, está enganado.

Não foi difícil encontrá-lo, já que ele deixou um rastro de corpos pelo caminho. Eu entrei no Grill de uma forma que todos os olhares se voltaram para mim e com certeza me acompanharam até o balcão, menos o dele que permanecia indiferente analisando a bebida no copo. Por sorte aquela era a noite de folga de Matt.

— Caroline. — Ele falou não de uma maneira cínica, ou sarcástica, mas de um jeito tão brando que eu estranhei.

— Se pensa que o que fez me deixou abalada, sinto em te informar que isso não acabou com os meus planos da noite. — E me sentei no banco ao seu lado.

— Bom. Pelo menos alguém obedeceu a lei dos planejamentos. — Ele disse no mesmo tom da frase anterior. Pedi uma bebida e ele olhou para mim.

Pude ver o estado ao qual ele se encontrava pelo seu olhar. Por um singular momento eu quase esqueci o monstro que o Klaus é, o que ele fez com essas pessoas agora e com os vampiros antes de eu partir... Dele me obrigar a partir dizendo aquelas coisas. Mas ele estava tão miserável naquele momento que eu apenas quis apreciar a situação.

— Ninguém tem culpa de você ser megalomaníaco suficiente para que duvidem da sua palavra.

— Se veio aqui para me perturbar, te dou dez segundos de vantagem. — Ele me fitou e quase vi chamas nos seus olhos.

Eu ri como quem diz “sabia” e saí do Grill.

Minha mãe ficaria chateada, mas eu não conseguiria passar mais do que esses dez segundos olhando para Klaus.

— Era para ela ressuscitar. — Klaus sussurrou do outro lado da calçada, longe de mim e eu só pude ouvir graças ao vampirismo.

Pensei em parar de andar e dar uma resposta apropriada quando percebi que ele não falou com a intenção de que eu ouvisse. Klaus estava obviamente chateado com seus irmãos e frustrado com a morte de Davina.

Eu queria chegar lá e dizer “a culpa é sua, toda sua!”, mas isso extrapolaria o limite dos dez segundos de distância. Mas eu sou Caroline e minha curiosidade sobrepôs a minha vida.

— Sem ofensas, amor. Mas a sua companhia não é mais tão necessária. — Ele disse com um sorrisinho debochado no rosto.

— Então me diz, Klaus. Que merda você foi fazer na Universidade Whitmore? — Eu não estava com paciência e falei mais alto que o necessário.

— Quem agora pensa que tudo é com ela mesma? — Klaus sorriu debochando ainda mais entre as palavras. Pelo jeito estamos os dois sem paciência.

— Sério que estamos brigando? Pelo o que mesmo? — Dei as costas e quando comecei a andar ele soltou essa:

— O que te trouxe aqui amor? Não tenho culpa se você sentiu minha falta. — Outro sorriso desse e eu daria uma voadora nele.

— Você surtou mais, Klaus? Olha bem para a minha cara. — E o olhei com toda impaciência que acomete a minha pessoa no momento.

— Não parece. — Ele tocou na pulseira e dessa vez não vi as covinhas se formarem na sua bochecha.

Droga. Eu esqueci de tirar a pulseira da bailarina antes de vir. Mas foda-se. Eu tinha nenhum acessório decente para vestir e ele não tem a ver com isso.

POV KLAUS

— Respondendo a sua pergunta, Stefan só queria mais uma confirmação de que Elena tinha seguido a vida e está bem sem ele. — Tirei a mão da pulseira e voltei a olhar para Caroline que ainda estava tão sem paciência quanto eu. – Eu só não sabia que assim que chegasse veria você ser carregada por não sei quem para um lugar deserto, escuro e distante. — A provoquei e ela pareceu não gostar disso.

— Oh. Um cavalheiro! Ou seria um perseguidor? — Ela gritou no estacionamento.

— OK Caroline. Da próxima vez a deixarei ser violentada se for o caso! — Ela cruzou os braços em desaprovação e eu continuei. Até que ver Caroline irritada não era ao todo ruim. – Talvez eu deva falar com a Xerife sobre o pequeno incidente no qual a sua filha querida e ingênua vai para um bosque com um desconhecido transar com ele na grama. — Há uma parte boa da noite em que eu a estressaria ao ponto dela quase enfartar. E estou disposto a fazer isso a noite toda.

— Você não ousaria... — Caroline ficou tão vermelha que pensei que fosse explodir. – Eu não transei com ele! — Ela vacilou por um instante e continuou. – Não ali! — Ela pôs as mãos no rosto como se tivesse falado besteira e ficou mais corada ainda. – Droga, Klaus! Isso não é da sua conta! E o foco não é esse! Você pode me dizer que porra você pretende fazer com Stefan para vigiar a vida da Elena para ele?

— Em visto do nosso pequeno desentendimento em Nola imaginei que não quisesse ir comigo tentar algo que traga Davina de volta a vida e...

— Assume logo que eu sou a pessoa mais divertida que você conhece e não consegue imaginar uma viagem sem mim. — Ela me interrompeu.

— Não se ache, amor. Já consegui companhia. — Pelo visto mulheres não suportam a ideia de rejeição. – Sugeri ao meu querido amigo estripador uma viagem para uma visitar uma pessoa que me ajudará com essa questão e de brinde ele se sairia dessa droga de relacionamento que nada acrescenta a sua vida entediante e monótona.

— Nossa, você tem um amigo. — Ela provocou.

— Caroline... — Eu não estava com tanta paciência assim senão para torturá-la.

— Klaus... — Ela usou o mesmo tom que eu e confesso, era de fato irritante.

— Vá e deixe os adultos resolverem as coisas, Caroline. Eu vou para casa aguardar o Salvatore Estripador e você volta a preencher as lacunas na lição de Biologia. — Ela me empurrou para o lado, entrou no carro enquanto me fuzilava com o olhar e saiu como um piloto de fuga.

—________

Não fazia assim tanto tempo desde que deixei esse lugar no passado e Rebekah não perdeu a oportunidade de mudar toda a decoração. Agora a sala tinha um pequeno sofá no centro de um carpete bege com um bar no canto. Pelo menos isso. Me sentei e percebi o quanto as coisas evoluíram de maneira descontrolada enquanto eu tentava manter o controle de mim mesmo.

Depois que Caroline foi embora, os ataques cessaram já que eles não veriam um alvo loiro e barulhento dando mole por aí e Hayley era fora de cogitação para qualquer facção que queira tomar Nola. E eles sabem disso. Ameacei Sophie tantas vezes que ela retirou a sua ligação com Hayley, nos indicando Agnes como mentora do feitiço que quase matou a mãe da minha filha. Elijah a matou sem piedade e me senti orgulhoso pelo meu irmão finalmente sujar um pouco seu terno de vermelho.

Marcel e eu estávamos próximos novamente e combinamos de cuidar da bruxa juntos, mas quando ela começou a ter sintomas dos quatro elementos da natureza, nos assustamos. Tivemos, mesmo que contra a nossa vontade, completar a Colheita.

Hayley e Elijah se aproximaram ao ponto de trocarem beijos por aí. Enquanto eu não os via, tudo bem. Mas no flagrante foi impossível controlar a raiva e quase matei meu irmão por isso, o que deixou a loba e Rebekah indignadas. Eles descobriram que teria como usar o sangue da minha filha para gerar mais da minha espécie. Isso os deixou tão abalados quanto eu, mas não acreditaram que eu não sabia devido as ameaças que fiz a Sophie, o meu descontrole sobre a situação de Elijah com a minha menina, as minhas fugas durante o dia e saídas na noite ao qual eu dormia com Cami e ele não sabiam. Depois do acidente do bar eu a visitei algumas vezes e ficamos um pouco mais próximos do que eu gostaria. Discutimos sobre as minhas memórias, ao qual ela redige, acabamos na cama e fizemos sexo algumas vezes essa semana. Ela gostava de como eu não tinha pena dela por ser humana.

Eles saíram da casa acreditando que eu era a maior ameaça a vida da Hayley, da bebê e de toda New Orleans. Não que eu tivesse pena e não passasse por cima de todos para alcançar um objetivo, mas eu preferia estar com todos eles novamente antes disso acontecer, e “família é poder” como diz meu nobre irmão. Ele tem razão. E eu pretendo recuperá-la.

O barulho de Stefan batendo na porta me tirou do devaneio e eu rapidamente fui atender.

— Finalme... — Abri a porta e minha boca logo em seguida.

— Você realmente acha que eu deixarei Stefan viajar contigo? Ir meu melhor amigo, lindo, gentil e voltar estripando todo mundo ou pior, como você?

— Caroline... O que fez com Stefan? — Eu a puxei para dentro irritado por ser ela quem vai comigo quando eu tento deixá-la fora de perigo.

— Nada. Eu só... conversei com ele... — Ela suspirou e percebeu que eu não acreditei no que disse. – ameacei emocionalmente e fiz uma mini lavagem cerebral para convencê-lo a não ir e virar estripador novamente. E com você o risco é enorme.

— Como se no momento eu quisesse isso. Se bem que não seria má ideia...

— Nem pense nisso, Klaus! — Caroline exclamou e eu a carreguei forçadamente para o quarto de Rebekah. Ela cruzou os braços e me encarou.

— Para onde vamos, Klaus?

— Quando amanhecer eu partirei com ou sem você.

— Para onde vamos? — Ela voltou a perguntar e eu virei de costas. – Não vai me dizer? — Me encaminhei para o lado de fora do quarto. – Ei! Isso é sequestro. — E perdi a pouca paciência que me restava.

— Caroline, qualquer sequestrador te devolveria em três segundos de cativeiro porque seria o suficiente para ele nunca mais querer ouvir a sua voz. — E fechei.