Hot Cold Blood - Klaroline.

8 Capítulo 8 - Las Vegas III - O Corredor.


POV CAROLINE

Que merda acabou de acontecer aqui?! Numa hora Klaus está me torturando, na outra, tenta me beijar. Se é algum tipo de nova forma de tortura, eu me recuso a participar dessa.

Eu o empurrei para longe e vi o espelho se espatifar. Ele tirou o paletó repleto de cacos do espelho e se aproximou novamente de mim. Senti que ele iria de fato me matar quando senti sua mão em meu pescoço, mas ao invés disso ele me puxou pela nuca e me beijou. Ele me beijou (???)! Tentei me esquivar todo o tempo, não sendo necessário depois de alguns segundos, pois ele já se encontrava do outro lado do camarim.

Meu coração disparou. Não entendia se seria morta ou estuprada. Ou estuprada e depois morta. Aquilo realmente estava me assustando.

— Caroline... Eu... — Ele tinha perdido as palavras. Se aproximou novamente e eu me recolhi.

Ele ficou na minha frente e abriu a porta atrás de mim para que eu pudesse sair. Eu tentei fazer isso novamente, mas ele me puxou de volta pelo braço. A droga do braço que ele tentou quebrar, e que doía mais que nunca agora!

Klaus me jogou no divã do canto do camarim e eu caí batendo com as costas. Agora não sabia onde sentia mais dor. Eu me preparava para reagir quando ele foi para cima de mim, me beijando novamente. Foi intenso e rápido, pois logo se dedicou ao meu pescoço. Fechei os olhos esperando ser uma pegadinha ou pelo menos um sonho muito louco e quando os abri, ele sorriu para mim e eu retribuí sem pensar. Nos beijávamos com pressa um do outro e o senti tirar a parte de cima do meu vestido. Eu o deixei, mesmo achando estranho.

Ele passava a barba cerrada pelo meu pescoço, onde distribuía beijos intensos. Tentei afastá-lo, mas ele era mais forte. Então apenas deixei antes que ele me machucasse novamente. Ele descia dando beijos molhados por toda extensão do meu abdômen enquanto uma das mãos brincavam com meus seios. Aquilo não estava certo.

Klaus deixou uma perna minha abaixada e levantou a outra na altura do encosto do divã me deixando completamente vulnerável e o dando uma visão privilegiada do que estava para vir. Eu tentei levantar e ele me empurrou de volta, me fazendo lembrar das dores espalhadas em três ou mais partes do corpo. Não estava contando.

Um medo surreal passava pela minha cabeça e eu não sabia como reagir àquilo. Klaus era incrivelmente sexy e perigoso, mas eu estava me deixando levar, mesmo resistindo. Porque droga o vampirismo ampliava as coisas de forma tão descontrolada, incluindo o tesão? Não me ensinaram ou explicaram como lidar com essa parte antes. Pensava que fosse mais que excelente me sentir pronta e disposta o tempo todo, até agora. Eu não poderia apenas continuar odiando-o ampliadamente?

Ele me fitava somente com os olhos virados para cima, ainda com a cabeça entre minhas pernas, como se esperasse alguma reação. Ele estava tão confuso quanto eu, mas era Klaus novamente, eu sabia porque ali também era eu, e pude perceber pelo olhar que mudou, mas eu não me importava e pelo jeito ele também não.

Ele passou a língua por cima da minha calcinha já encharcada pela minha gritante intimidade enquanto me encarava e pude sentir seu toque quente esquentando ainda mais meu corpo, me estremecendo por completo. Ele deu um sorriso inconfundível de vitória e quando repetiu o gesto, vi que tentava disfarçar sua satisfação. Com a boca ele chegou o objeto que o atrapalhava para o lado o segurando com os dedos para não voltar. Ele mordeu os lábios e pude sentir seu corpo em chamas. Eu já estava louca para sentir seu contato e quase o empurrei em direção a minha intimidade quando ele passou a língua vagarosamente pela minha vulva, me arrancando arrepios e um suspiro profundo.

Chegando ao clitóris, ele se dedicou intensamente, lambendo, chupando, sugando, dando leves mordidas e beijos molhados. Eu segurava seus cabelos entre os dedos e ele pareceu gostar, pois acompanhava meus movimentos. Klaus sendo “dominado”, quem diria...

Não se dando por satisfeito, introduziu dois dedos fazendo um movimento delicioso de “vem cá” enquanto sua boca e sua língua dançavam no meu clitóris já enrijecido de tanta excitação. Ele me torturou tanto tempo que eu puxei seus cabelos com força. Ele segurou minha coxa com a mesma intensidade e eu gemi alto. Quem disse que dessa vez eu ligava para dor? As afastou, estreitando ainda mais seu contato com minha intimidade.

Senti meus pés formigarem e uma onda progressiva de inebriante prazer passar pelo meu corpo inteiro me fazendo tremer forte num espasmo. Gemi mais alto e intensamente, sem controle nenhum sobre a situação.

Agora eu conhecia o olhar e sorriso de prazer do híbrido mais ridiculamente estúpido e delicioso que existe.

POV KLAUS

Eu sabia que tinha proporcionado a Caroline o orgasmo mais intenso que ela pode experimentar na sua eterna vida. Seu corpo tremia todo e ela não se aguentava, mas eu continuava a lamber, chupar e sugar a parte mais sensível do seu corpo. O gosto dela era viciante e eu queria mais. Cada vez que Caroline gemia e ofegava pelo prazer que a proporcionava, meu membro latejava na calça pedindo para sair. Depois que a dor da ereção se tornou insuportável, me livrei da roupa em segundos e sem que ela sequer percebesse, a virei de costas, ajeitando seu corpo no divã e a penetrei devagar, dando uma estocada mais forte quase chegando no fundo. Ela se contorceu para frente de prazer, dando um gemido tão gostoso ao me sentir invadindo seu corpo que por um momento a voz dela não parecia mais tão irritante e eu endureci ainda mais, se é que isso fosse possível. Segurei em seus cabelos, a puxei de volta para trás e ela não reclamou. Estava com uma mãos em seus seios e a outra nos seus cabelos enquanto a empurrava em direção ao meu membro. Eu a fodia loucamente e com tanta força que ela se transformou e mostrou os dentes. Pensei que ela fosse me morder, mas em milésimos de segundos, Caroline me pôs sentado e tomou o controle, descendo e subindo em meu membro enquanto segurava meu pescoço com um olhar matador de quem está prestes a arrancar a cabeça de alguém. Ela apertava cada vez mais minha garganta, mas eu sabia que tinha desistido de tentar, desistido de resistir a isso, por mais que nós dois estivéssemos confusos, não era hora para pensar em se vingar de mim. E tudo que eu pensava era como ela era apertada e molhada.

Estávamos ambos suados e perdidos. Quando senti que iria gozar, Caroline se tremeu toda novamente comigo ainda dentro dela e eu não pude mais resistir.

POV CAROLINE

Em um momento eu estava deitada de pernas abertas quase surtando, e no outro virada de costas para Klaus, que me penetrou tão devagar que pude sentir meu corpo vibrar com a invasão. Quando minha intimidade se acostumou e tê-lo, ele aumentou o ritmo e eu me transformei involuntariamente, tamanho prazer que sentia. Klaus era grande e quando começou a doer um pouco, eu o virei sem que ele percebesse e sentei em seu membro, o cavalgando deliciosamente. Eu descia, subia e gemia no meu próprio ritmo, segurando forte em seu pescoço. Eu queria aproveitar a chance para matá-lo, e ao mesmo tempo não queria. Ele pareceu não se incomodar. Eu desisti e aproveitei o momento. Talvez outro dia ou outra hora.

Meus cabelos estavam tão bagunçados quanto os dele e nossos corpos suados. Quando eu menos esperava, minha intimidade ficou ainda mais molhada e me tremi toda com ele ainda dentro de mim. Ele gemeu alto enlaçando um dos braços nas minhas costas com sua mão apertando e puxando minha bunda em sua direção, a outra entre meus cabelos e percebi que o ápice havia chegado não só para mim, e pude senti-lo me preencher.

Ficamos alguns minutos na mesma posição comigo jogada em seu ombro, tentando fazer nossa respiração voltar ao normal e quando nos demos conta de tudo que aconteceu nos afastamos um do outro. Mas era tarde demais para nos arrepender.

Acabava de me vestir enquanto Klaus permanecia de costas e em silêncio. Quando coloquei a mão na maçaneta para sair, ele veio em minha direção, segurou minha mão com cuidado e disse.

— Você não pode voltar lá. E se ele descobrir o que fizemos? — Ele dizia enquanto fazia carinho na pulseira que estava em meu pulso.

— Do que está falando, Klaus?! — Perguntei assustada.

— Marie, me desculpe. Não foi minha intenção machuca-la tão gravemente. — Ele disse agora segurando minhas duas mãos e olhando para meu tornozelo.

— Aaron. — Passei uma mão em seu rosto e ele suspirou pesadamente. – O tombo foi a desculpa perfeita. Fugiremos essa noite. — Eu disse e ele olhava para o meu pé que estava enfaixado e inchado.

— Ele vai nos matar se descobrir sobre nós! — Ele me abraçou forte. – Você vai ficar bem. — Disse se referindo ao meu pé. – Nós ficaremos bem. — Agora disse se referindo a tudo.

— Sim. Ficaremos. — E colamos nossos lábios. – Aaron...

Em um rompante, a porta foi levada abaixo e nos assustamos com o barulho.

Cerca de dois homens me seguraram e outros dois carregavam Klaus, mas quando ele foi puxado, não foi seu corpo que fora, e sim o de um jovem rapaz com roupa de bailarino que parecia ter saído de dentro dele.

— Você vai pagar! — Um dos homens dizia enquanto levava uma bailarina logo atrás do rapaz. E percebi que ela devia ser “eu”.

Eu e Klaus nos olhamos sem entender, mas os seguimos. Ele entraram numa porta no final do corredor, dando para uma sala enorme cujo tinha um homem sentado na cadeira virado de costas.

— Ora, ora... Tentando se encontrar com essezinho nas minhas costas. Eu disse que você seria só minha Marie. Eu disse.

Ele se virou, mas não conseguíamos ver seu rosto. Tirou um punhal da gaveta, andou em direção ao jovem bailarino e rasgou sua garganta. A menina chorava copiosamente. Então o homem chegou perto dela, e pediu para que todos saíssem, retirando seu cinto e abrindo a calça.

— KEVIN! — Eu exclamei e apertei meus olhos, não queria ver essa cena. Apenas ouvimos um barulho intenso de gemidos de dor e depois um disparo.

Quando eu os abri, estávamos na mesma sala, como se nada tivesse acontecido, com a porta aberta, meu tornozelo e pé ilesos.

Klaus saiu furioso.

POV KLAUS

Eu estava furioso. Toda essa merda que estava acontecendo era culpa dele. Nunca fui misericordioso e gosto disso, mas era uma menina. Uma criança de no máximo 15 anos. E eu teria uma filha.

Fui atrás de Kevin no seu camarote, mas quando cheguei na escada, um segurança pediu meu ingresso. Agi como Caroline e quebrei seu pescoço. O outro tentou puxar uma arma, e eu odeio armas de fogo, não há nada mais estúpido. Todos sabem o quanto adoro um combate corpo a corpo. Ele disparou e quando percebeu, tinha atingido seu amigo no peito. Começou a tremer quando me viu atrás do corpo que caía no chão. Tentou atirar mais uma vez e com minha rapidez, virei seu braço em direção a cabeça e ele disparou espalhando sangue por todo lugar. Um outro tentou usar uma faca, cujo cravei em seu pescoço, fazendo esguichar enquanto ele gritava e tentava parar o sangramento. Isso sim é um espetáculo! E eu mostraria a Kevin o que um verdadeiro artista com potencial pode fazer.

Cheguei até ele e quando pensei em fazer algo a respeito, haviam alguns seguranças atrás de mim com armas e objetos que poderia me incomodar como uma farpa.

— Nem tente. Isso não faz efeito. — Falei sarcástico com um sorriso no rosto.

— Vampiros. Eu devia ter desconfiado. — Kevin diz cerrando os dentes.

Procurei por Caroline e a vi lutando contra alguns homens de Kevin no palco. Ela tinha uma habilidade, força, rapidez e resistência incríveis, principalmente para uma vampira recém criada. Lembrarei de agradecer os Salvatore por tê-la treinado tão bem.

Eu o segurava pelo pescoço com apenas uma mão quando um dos capangas de Kevin me atravessou com uma barra de ferro. Com a outra eu a retirei e lancei, fazendo-a atravessar a cabeça de um outro que tentava matar Caroline enquanto ela arrancava o coração de um com as mãos. A garota estava aprendendo.

Eu segurei Kevin com mais força, enterrando meus dedos em sua garganta. Ele arregalou os olhos de dor, sem poder gritar. Agora sim... Arranquei sua jugular e seu corpo estirou-se no chão. Olhei para trás pensando em como mataria o restante e vi que não havia nada ali.

Olhei para baixo e vi Caroline, que agora estava no centro do palco se desvencilhando de alguns golpes, e quando ela ia ser atingida por um tiro, os homens sumiram.

O que mais foi estranho, foi como o público reagia. Sempre atento, depois sorrindo e aplaudindo, como se tivessem decorado um roteiro.

POV CAROLINE

Stefan e Damon tinham me treinado bem, mas enfrentar tantos era complicado. Eu me esquivava de um, de outro e de outro, mas sempre tinha alguém que me atingia.

Eu arranquei o coração de um para que os outros ficassem assustados suficiente, mas não adiantou, pois quando olhei para trás, Klaus tinha atravessado a cabeça de um e o outro ia atirar em mim. Eu esperei mais um vestido ser estragado, dessa vez por buracos de bala, quando os homens desapareceram. Olhei para cima e vi Klaus com a mão sangrando muito e jogando no chão o corpo de Kevin. Os homens também sumiram.

Olhei para o público que continuava a reagir como se realmente houvesse um espetáculo não sangrento acontecendo ali.

Procurei uma saída, mas as cortinas se abriram comigo ainda no palco, e eu estava no centro. A bailarina me agradeceu acenando com a cabeça, eu me retirei, ficando na lateral e ela entrou. Eu e Klaus assistimos o último ato, sem sair da posição, como se estivéssemos paralisados tamanha perfeição e química que eles tinham.

Aaron deu um último giro em Marie que caiu graciosamente em seus braços, encerrando o espetáculo com um beijo e sons de “eu te amo” vindo dos dois.

POV KLAUS

Nos olhamos sem entender o que tinha acontecido, e demorou pouco mais de alguns segundos para eu me lembrar que a bailarina estava com o pé enfaixado no camarim, e que agora não havia machucado algum.

Eu já tinha assistido esse espetáculo. Ela caía por culpa do bailarino e saíam do palco. Las Vegas não era tão famosa na época. Isso foi nos anos 80 quando Stefan era um estripador e nos divertíamos dilacerando toda a cidade.

Tudo o que Kevin fez foi criar uma realidade paralela para forçar Marie e Aaron a permanecerem eternamente escravos dele, para que ela possa ser usada por ele e ele morto na sua frente todos os dias como um castigo eterno. O dia deles ficava preso em um looping infinito de acontecimentos controlados por ele. Um jeito cruel de começar e terminar o dia para um casal que só queria viver um amor em paz. Eu não acredito no amor, mas eles mereciam o deles.

Fui para o saguão, que dava visão para a parte do cassino. Caroline estava debruçada, ferida e sangrando na sacada observando as máquinas serem desligadas e as pessoas saírem dela. Tudo ficou em silêncio. Um perfeito silêncio. Pensei em dizer algo sobre o aspecto deplorável do qual se encontrava, mas hoje ela surpreendeu, foi uma guerreira, lutou contra mais de quinze homens armados com tudo e não se abateu, apenas olhava entristecida para baixo enquanto o restante do público saía atrás de nós e desciam as escadas.

Eu expliquei tudo a ela. Como Kevin criou o espetáculo por décadas para fazer duas pessoas de fantoche. Ela pôs a cabeça entre as mãos e suspirou fundo.

— Eles só queriam ficar juntos. — Ela disse se virando para mim com os olhos cheios de água. – Só isso. — E uma lágrima desceu.

Eu não sabia o que fazer em relação a isso, e a lembrei de algo que poderia conformá-la.

— O que Kevin provavelmente não sabia é que eles faziam amor... — Ela me olhou com estranhamento pela palavra que usei e continuei. – Sim, faziam amor, Caroline. — Ela franziu o cenho e eu já estava começando me sentir incomodado. – Não tem como definir de outra forma a representação de sexo para eles se não assim. — Eu a peguei pelos dois ombros e a virei para mim, que fez uma pequena expressão de dor, mas sem reagir. – Toda vez que acabava o espetáculo eles transavam, ou seja, todos os dias eles sabiam como era ter o outro nos braços.

— Eu prefiro “fazer amor”.— Ela disse e riu.

— Bruxas não deveriam praticar magia negra. E eu queria agradecê-los por nos livrar dessa posição. — Uma mulher um pouco mais velha com os cabelos escuros e pele parda se aproximou. – Kevin usou uma de nós em sua própria traição para aprisionar todo o coven e usar nosso poder para fazer o que ele quisesse. Nesse caso, manter em um constante, um jovem casal de bailarinos apaixonados sobre seu controle.

Caroline engoliu seco.

— Então isso no camarim foi porquê... — Disse esperando ela dizer que o que aconteceu entre mim e Caroline fora obra de um feitiço.

A bruxa riu e continuou.

— Não seja bobo. Eles só apertaram o gatilho com o contato dos objetos e os primeiros beijos, as primeiras carícias, mas não os controlaram. Vocês fizeram todo o resto, e quando chegaram ao... Bom, vocês sabem... Eles conseguiram reviver os fatos através de vocês e consequentemente descobriram o que houve.

Caroline olhou assustada para a bruxa, que sorriu para ela e falou para nós dois.

— Não se preocupem com a criança. Tem um jeito. Você só precisa ir para casa e fazer de lá um lar seguro para sua menina. — Ela disse olhando para mim. – E você saberá quando chegar a hora, é só prestar atenção. — Falou para Caroline.

Ela entregou a Caroline um papel dobrado e ela abriu, o entregando para mim em seguida. Nele estava escrito algumas palavras indecifráveis e um nome.

Eu abri a boca para falar com Caroline que ela poderia ir comigo, já que tinha vindo de táxi para cá, mas ela sumiu. Passei os olhos sobre o local, mas nem sinal dela. Talvez ela quisesse voltar sozinha mesmo ferida. A Caroline de sempre, teimosa e orgulhosa. A loira dona da minha enxaqueca nesses últimos dias. Nem meus irmãos, o Quarter e o bebê me fazem tanto.

Antes de entrar no carro, olhei para o céu e percebi o quão linda estava a noite e a lua gritava, me chamando para um passeio. Esse passeio poderia ser em algum parque da cidade ao algo que me desse a oportunidade de pintá-la.

Assim que girei a chave e liguei o carro, ouvi um barulho chato, mas que não poderia ignorá-lo.

— Quem ousa me incomodar a esta hora? Espero que não esteja em problemas Rebekah... ou melhor, Elijah?

POV CAROLINE

Precisei sair na frente. Não estávamos tão distante do hotel então fui a pé até lá.

Meu Deus! Isso foi... louco... e incrível. Todas as minhas emoções estavam elevadas a milésima potência. Eu sabia que elas eram intensificadas, mas como hoje, eu nunca tinha sentido antes.

Tentei entrar rapidamente para não ser notada, mas no meio do caminho alguém correu atrás de mim.

— Srta. Mikaelson. — A recepcionista disse e eu deduzi que fosse comigo. Pensei que ela fosse dizer algo sobre o trapo do qual me encontrava.

— Zumbi. — Falei sem pensar e ela me olhou com estranhamento. – Festa a fantasia. Eles fazem mais sucesso que vampiros atualmente. — Ela riu e disse.

— O quarto da Srta. já está liberado. — Esticou a mão me entregando a chave.

— Ah! OK. — Exclamei surpresa.

Caroline e sua boca aberta...

Depois de um rápido banho eu comecei a beber pensando no Tyler e no que ele faria quando voltasse para Mystic Falls já que não estávamos mais juntos. E pensei que antes de Klaus invadir a nossa vida, vivíamos como o casal de bailarinos. Depois da primeira garrafa, todo o resto começou a se misturar na minha cabeça. Na segunda, eu lembrei de como me tornei vampira, já que esse é o motivo de eu me sentir assim e toda essa doideira acontecer. Lembrei dos amantes da ópera de novo e isso me remeteu a Stefan e Elena, que cujo agora ela está dormindo com Damon que foi o idiota que me compilou, transou comigo e me transformou. Na terceira vez que liguei para o serviço de quarto a menina que me trouxe o restante do pedido olhou assustada para mim e deixou o carrinho ali dentro, saindo rapidamente.

Eu sou tão hipócrita! Repreendo Klaus por matar pessoas sem motivos e fiz o mesmo. E ainda fiz sexo com ele!!! Como eu teria agora a cara de pau para xingar Elena por escolher Damon? Pior... como contaria isso para os meus amigos? “Oi. Transei louca e deliciosamente com o cara que infernizou nossa vida dentro de um camarim em Las Vegas. Mas não se preocupem, foi tudo para pegar um sei lá o que para que ele volte a ter vantagens e faça mais vítimas da sua insanidade em New Orleans”. Não, não parecia uma boa.

Nunca li na contra indicação que misturar duas garrafas de whisky com quinze de cerveja, uma de vinho e outra de vodka dava uma enorme crise de choro. E ainda tinha mais duas de rum. Na próxima vez, se eu não secar antes, lembrarei disso.

O que eu tinha feito da minha vida? Simplesmente não queria pensar. Apenas chorar.

Estava tão tonta que sentei. Queria me vestir mas não conseguia nem me levantar direito. Parecia que tinha um ímã no chão, e ele era tão geladinho... Queria ficar ali para sempre.

POV KLAUS

Passei pela parte de trás do hotel por dentro da garagem para que ninguém me visse, senão teria que compilar todo os hóspedes para esquecerem o que viram. Um cara acabado, suado, encharcado de sangue até nos cabelos, que por sinal estavam bagunçados e cansado, muito cansado.

Entrei no quarto e nem sinal de Caroline. Pelo jeito ela caminhava lentamente pela cidade e se quer chamar atenção por estar igual a um trapo, eu não me importava. Tomei um demorado banho e quando saí, ela ainda não estava lá. Agora eu fiquei preocupado. Como voltaria para casa e explicaria a Elijah que fui com Caroline e a deixei vagando para sempre nas ruas de Las Vegas? Pior... e se ela resolvesse aparecer de TPM com uma metralhadora e um exército atrás de mim?

Abri a porta do meu quarto para descer, procura-la pela cidade e ouvi um choro baixo vindo do quarto à frente. Era Caroline. Se eu não tivesse super audição jamais a ouviria, muito menos saberia que ela virou minha vizinha, não mais minha hóspede.

Ela pode se fazer de durona quantas vezes quiser, para quem quiser, mas não para mim. Eu sabia que ela matou hoje, alguém “inocente” como o segurança e arrancou o coração de outro não tão inocente assim, e sabia sim o quanto estaria se culpando por isso. Quase pude sentir remorso pelo o que fiz a ela e seu braço mais cedo.

Bati na porta e ela não respondeu, tampouco parou de chorar. Demorei mais alguns minutos para bater, e novamente nada.

Então me lembrei que talvez o choro não fosse por eu ter quase arrancado sua cabeça pelos cabelos ou quase tê-la deixado sem braço, talvez fosse...

Meu corpo paralisou na metade do que seria uma outra batida.

A gente...

Nós...

O camarim...

Passei a mão em meu rosto e depois na boca. Ainda podia sentir o gosto melado dela. O cheiro estava impregnado no meu corpo mesmo depois do banho.

— Caroline, abra. — Bati novamente. – Caroline, por favor. — Continuei. E nada.

— Caroline! — ... – Caroline! — Gritei mais uma vez. Na próxima, arrancaria a porta.

— Ninguém pode mais curtir o resto de uma noite de merda em paz?! — Ela abriu a porta, se encontrando em um estado lastimável e excessivo de embriaguez pré-mórbida, com um roupão ainda molhado, de cabelos bagunçados, descalça e com os olhos inchados. – Satisfeito? — E tentou fechar a porta.

Na verdade ela só não a fechou por completo porque eu a impedi. Ela se afastou, talvez pensando que eu fosse fazer algo, e eu entrei.

Todo o quarto estava destruído e eu involuntariamente abri um pouco minha boca.

— O que foi? Veio acabar de... — Eu fiquei de frente para ela, que parou de falar e olhou para mim com os olhos ainda lacrimejando.

— Quero saber se você está bem. — Segurei seu rosto próximo demais ao meu. Ela não se importou muito, estava visivelmente cansada para relutar ou algo assim. Mal se aguentava em pé.

— Como se você se importasse. — Ela disse e eu olhei fundo demais nas suas contas azuis.

Eu realmente não me importava. Mas se não me importava, o que eu estava fazendo ali? Aquelas memórias nossas em Mystic Falls e as do camarim se repetiam na minha mente. Fechei os olhos tentando afastá-las e quando os abri, vi as cenas nos brilhantes olhos azuis de Caroline, como se ela me mostrasse tudo de novo e de novo.

Me afastei, assustado com meus próprios pensamentos.

— Foi o que pensei. — Caroline disse enquanto abria outra garrafa das incontáveis que se encontravam vazias no chão do quarto.

— Pensei que quisesse falar sobre o que aconteceu... — Ela me interrompeu.

— O que aconteceu O QUE, ONDE?! — Deu alguns goles na bebida, fez um sinal com o dedo levantado para que eu não falasse e continuou. – Na minha vida por ter me permitido viver como vampira? Na minha cabeça por perder meu namorado para o orgulho dele? No meu pedaço de sanidade por ter aceitado a vir com você como se eu tivesse escolha? Ou pela bruxa ter dito que mesmo sua bebê estando bem, não poderei me livrar de você tão cedo?! Mais alguma coisa que eu esqueci N-I-K-L-A-U-S...? — Ela disse alterada e falar meu nome pausadamente assim me deixou nervoso.

— ... — Tentei dizer algo, mas não consegui.

Caroline já estava na metade da garrafa. Ela caiu e eu a segurei antes que atingisse o chão.

— Aaahhh... — Ela riu subitamente se levantando. – O camarim... — Riu de novo e se afastou dos meus braços. – O camarim. — Repetiu bebendo mais um pouco.

Andou na minha direção, dando um gole mais fundo na garrafa. Tocou meu lábio inferior com o polegar enquanto segurava meu rosto com a mesma mão. Deu mais um gole que acabou com o líquido, com os lábios ainda molhados os tocou levemente nos meus e disse.

— O que acontece em Vegas, fica em Vegas.

E desmaiou.