Hot Cold Blood - Klaroline.
25 Capítulo 25 - Sonambulando Através da Esperança
CAROLINE
A escuridão invadiu o ambiente e eu olhei instintivamente para os lados. Não havia nada. Eu estava sozinha. Flashes de memória pairavam no ar, mas não conseguia distinguir bem o que se passava entre eles. E eu só sabia de uma coisa.
Precisava sair dali o quanto antes.
Uma dor excruciante me calava toda vez que eu tentava gritar, então me atentei em caminhar mais alguns metros ou sei lá qual distância, já que me encontrava em um completo vazio. E tudo o que eu sentia era uma sensação estranha de estar dando voltas. Até que, ao fundo daquele lugar, alguém finalmente deu as caras. Mas para o meu azar, o clima ficou ainda mais frio e sombrio, se é que isso fosse possível. Ao me aproximar, percebi que havia uma mesa posta para dois. Como em um jantar fúnebre.
— Vejo que finalmente apareceu. Seja bem-vinda, querida. Esperei a vida toda por isso. — Uma mulher surgiu em meio às sombras e apontou para uma das cadeiras. Me sentei lentamente, ainda desconfiada do que estaria por vir e ela se aproximou um pouco mais do que eu realmente gostaria.
As suas feições não me eram estranhas, mas eu tinha certeza de nunca a ter visto antes. Um misto de curiosidade e angústia pairou sobre mim, mas me conhecendo, a curiosidade falou bem mais alto.
— Quem é v...? — Tentei perguntar. Mas antes que pudesse completar a frase ela se pôs ao meu lado e pronunciou seu nome.
— Sra. Mikaelson. — A encarei assustada e ela riu. – Esther Mikaelson, para os íntimos.
— Mas você está... — Ainda com a boca seca tentei pronunciar, mas nada saía. Se lembro bem, Esther Mikaelson está...
— Morta? — Confesso que aquilo estava me assustando mais que o normal de coisas esquisitas que já presenciei. E olha que minha cota é até bem alta. – Sim, eu estou. E pelo visto você também... Ou quase lá. — Ela me fitou por alguns segundos e antes de eu conseguir digerir, se sentou à minha frente e bebeu algo que parecia vinho. Ou sangue. Não sei. Preferi não morrer de intoxicação alimentar, vai que eu ainda estava meio viva. – Tentei usar a jovem bruxa para tentar escapar. Mas aparentemente a garota da colheita foi mais esperta do que pensei. — E continuou o ritual no qual bebia e comia como se estivéssemos em um almoço de domingo e eu finalmente percebi algo que estava deixando escapar.
— Garota da colhe… Davina... — Indaguei. Algumas memórias estavam retornando dolorosamente sem a minha permissão. – Hayley... Klaus! Oh, meu deus, Klaus! A bebê! — Exclamei e me levantei abruptamente.
Esther riu e mandou eu me sentar novamente. Mas como Caroline Forbes é, me recusei e ela fez do jeito mais difícil. A matriarca Mikaelson me lançou tão forte contra a cadeira que pude sentir alguns ossos do meu corpo estalarem. E mesmo com dor, tentei me levantar inúmeras vezes. Obviamente em vão.
— Nunca te disseram que é falta de educação se levantar no meio de uma refeição? — Esther se irritou e me prensou ainda mais. Dessa vez, contra a parede. – Ainda não acabamos, mocinha.
— Olha... — Tentei falar de uma maneira clara, mas pela dor, a minha voz saía entrecortada. – Se isso é uma brincadeira de mal gosto sobre o inferno, eu desisto, OK? — Confesso que não aguentaria pensar em passar a eternidade tendo que jantar com a minha sogra ou sei lá que diabos posso chamá-la já que eu e Klaus somos algo indefinido numa cadeia bizarra de acontecimentos.
— Inferno? — Esther gargalhou e finalmente me soltou. – Isso aqui não é nada comparado ao inferno. Estamos apenas tendo uma conversa informal e descontraída no que costumamos chamar de limbo já que não tivemos a chance de nos conhecer bem quando Niklaus estava caçando a cópia.
— E o que alguém como você está fazendo no limbo e não no inferno? — Perguntei sincera, já que realmente aquilo não fazia o menor sentido. O que não pareceu tão boa ideia assim como, em mais uma vez, agora sabendo a quem Klaus puxou, Esther Mikaelson me torceu ainda mais. A única diferença é que dessa vez eu consegui gritar tão alto que tenho certeza que alguém mais escutou.
Cada vez que Esther me machucava, mais eu tentava me prender ao mínimo de sanidade que me restava para além de toda dor.
— Dizem que o coração pertence aquilo que você chama de lar. Mas me aparece que você ainda não encontrou o seu lugar no mundo. — Ela disse em tom de deboche e finalmente me largou no chão de um jeito meio que para causar um efeito dramático. E conseguiu. – Sim. Eu encontrei. E é em Mystic Falls com a minha mãe e os meus amigos. — Olhei para cima e sibilei o que consegui entre falar algo e cuspir sangue ao mesmo tempo.
— Tem certeza que é realmente isso? Você tem certeza que quer voltar? A realidade pode ser mais cruel do que você imagina. — Toda a dor, o frio e o drama estavam me irritando o suficiente para eu desejar acabar com a graça.
— Olha... eu realmente espero estar falando com a minha consciência pós morte só para me confundir tipo como se eu estivesse em um inferno ou limbo, como você mesma disse, criado por mim. — Me recusei a acreditar que aquilo era o fim. Não podia ser.
Enquanto tentava não acabar de morrer e elaborar um plano para fugir daquilo senti uma pontada forte no peito e caí novamente chão sem conseguir respirar ou me mexer. Absolutamente tudo no meu corpo doía e não consegui pronunciar mais nada. Muito menos raciocinar
— Parece que terei que deixa-la ir, Caroline. Seus amigos esperam por você. E meu filho também.
A tortura parecia não ter fim.
Eu estava no inferno. Ou no meu inferno pessoal. Eu realmente não sabia a diferença.
Procurei a estaca em meu peito e percebi que havia um buraco nele. O que diabos estava acontecendo? Senti todo o meu corpo vibrar com intensidade e me puxar de volta para algum lugar que não soube dizer. Parecia um sequestro que você fica com uma venda e só aparece “bum” do nada no lugar.
De volta à realidade, uma dor dilacerante tomou conta de mim e eu acordei abruptamente segurando meu peito.
— Não se preocupe, amor. Já passou. — Uma voz conhecida ecoou pelo local enquanto me segurava em seu colo.
Demorei o que entendi ser outra vida mortal para me adaptar ao fato de estar sentindo algo que não fosse angústia e dor.
— Não se preocupe. O resquício da magia logo vai passar. — Outra voz conhecida invadiu o espaço.
— Magia? — Indaguei. Ainda estava confusa. Minha mente ainda não conseguia separar as coisas que realmente aconteceram para as que Klaus deixou fora de jogo enquanto eu era torturada de verdade.
Ele se afastou e quando eu me preparava para falar algo, quem eu menos esperava entrou no quarto e se pronunciou.
— Caroline. Acho que devemos conversar. — Davina disse em um tom baixo. Algo próximo a um sussurro e eu cruzei os braços quando as últimas memórias de Davina nos traindo começaram a retornar com força.
Klaus me sentou na cama e se retirou.
— Acredito que eu não tenha muita escolha. — Eu disse ríspida e Davina se aproximou da cama.
Confesso que pensei que para Klaus sair dessa maneira e me deixar sozinha com quem tentou me matar a algumas horas era algo inédito tanto na personalidade dele, quanto na sua confiança, e enfim relaxei o mínimo possível para me permitir ouvir o que a bruxinha traiçoeira tinha a dizer.
— Eu sei que está com raiva de mim por tudo, mas... Eu queria que você soubesse que tudo o que fiz foi o necessário para sairmos vivos dessa luta. — Davina sentou-se ao meu lado e foi inevitável não reparar nos seus olhos marejados. Ela estava emotiva e me convenceu a ouvir todo o resto. Por mais ruim que fosse eu estava disposta a ouvir tudo. Nem que fosse pela minha mera e conhecida curiosidade. – Quando eu morri, jurei ódio eterno aos Mikaelson e Esther me convenceu que eles mereciam ser punidos em vida. E eu concordei. Por tudo que eles fizeram, principalmente Klaus. Mas Genevieve tomou o meu lugar como líder do coven por ser mais velha e eu nada pude fazer a não ser me submeter a ela até o último momento. Eu não contava que o plano dela incluía te torturar até a morte e matar a bebê em sacrifício na troca da sua própria eternidade. E eu não poderia deixar isso acontecer. A estaca te mataria sem o mínimo esforço e, só por estar em seu peito, ela encontraria o caminho até o seu coração. Mas as anciãs ficaram ao meu lado e me deram forças para passar para você e fazer a estaca parar de andar antes de o pior acontecer. Eu sinto muito que você tenha passado por tudo isso nessas últimas semanas, Caroline.
— Semanas? – Questionei. Ainda estava confusa e tentando processar tudo o que ela falou.
— Duas semanas e meia, na verdade. – Bonnie apareceu novamente no quarto e eu pensei que estivesse em um looping de sonhos estranhos. Mas quando ela se aproximou de mim e vi aquele sorriso, percebi que era tudo real.
— Care! – Elena deu um grito quando me viu e veio correndo na minha direção e atrás dela pude ver Stefan e Damon visivelmente apreensivos.
Depois do abraço de Elena e Bonnie pude suspirar aliviada por finalmente ter voltado para uma vida cheia de provas semestrais e trabalhos atrasados. nem eu acreditava que já estava pensando em coisas acadêmicas. E o pior, ansiosa por isso.
— Você me trouxe de volta a vida quando arriscou a sua para seguir Klaus. Você me salvou, Caroline. E graças a sua coragem eu estou aqui para contar isso e me arrepender. E a pequena nada tinha a ver com isso tudo, mas infelizmente... – Davina concluiria, mas a minha reação misturada a piora da apreensão do Salvatore menos e mais insuportável me deixou em um estado pouco controlado.
— A explosão... — Lembrei. – Onde ela está? — Eu perguntei em um tom preocupado. Ninguém estava disposto a realmente responder a não ser ficar um olhando para a cara do outro como crianças que fizeram merda e agora tem que limpar a bagunça. – Onde ela está!? – Gritei e todos finalmente olharam para mim. – Davina! Elena... Stefan! – Exigi uma resposta imediata praticamente aos berros.
— Caroline, eu sinto... Ela era muito pequena e… — Elena vacilou para completar. Ela estava visivelmente tão transtornada quanto eu.
— Ela não resistiu. – Klaus concluiu por Elena como se aquelas palavras fossem muito difíceis de pronunciar e precisasse de alguém com muita coragem para ser firme ao falar.
Demorou algum tempo, como tudo que aconteceu hoje, para eu entender a bomba que foi lançada em mim sem chances de defesa. Meu corpo já estava aqui, teoricamente, mas a minha mente foi puxada através do espaço e do tempo me enfiando uma realidade cruel bem no meio do peito. Exatamente onde estava a estaca de carvalho branco. E antes fosse uma ao invés da dor que eu senti em olhar para todos e cair em um desespero indigno de mim.
— Eu deveria tê-la protegido, era a minha obrigação. Tudo, todo esse tempo e... – O sentimento de culpa me corroeu rapidamente e pensei em tudo o que poderia ter feito para evitar isso, para evitar que Klaus... – Klaus. Oh meu Deus! Klaus...! — Corri para ele e o abracei o mais forte que pude e todos se retiraram, dando espaço para nós dois. Seja lá o que isso signifique.
Uma lágrima desceu em meu ombro e eu desabei.
— Shhh, não foi culpa sua. — Ele falava em meu ouvido sem parar.
KLAUS
O tempo te torna resistente. Mas o meu tempo me tornou imune. Ao menos eu pensava assim. Até agora. Ver Caroline desabar daquela forma fez deixar expostas todas as feridas que tentei fechar com as inúmeras garrafas que abri sem pensar e deixei o líquido escorrer livre pela minha garganta.
Eu devia comemorar a volta de Caroline, mas assim como ela, não estava em condições. Então resolvi fazer isso pelas duas formas de me sentir.
A felicidade e o luto.
E pior era eu não estar nem ao menos embriagado o suficiente para me permitir esquecer.
Depois de tempo suficiente olhando para o fundo do copo e lamentando por, em mais de mil anos, não ter previsto os acontecimentos, decidi encarar Caroline, me fazendo lembrar que, não importa onde eu esteja, sempre serei atingido.
— Graças ao livro que Bastiana me deu em Paris consegui lidar com a situação. — Falei olhando para Caroline sentindo que devia ao menos uma explicação para ela. – Ele era justamente o livro de magias da minha mãe. E as bruxas que salvamos lá, além das Bennett e as anciãs, ficaram ao nosso lado. Adivinhe por quê? — A questionei.
— Porque você pediu por favor, porfavorzinho? – Caroline tentou amenizar o clima pensado e tenso que cismou em pairar no ar e se recusar a sair.
— Porque você fez o que era certo, Caroline. – Segurei em seu ombro e a fitei. – Elas viram em você a misericórdia, a gentileza e a bondade que não existe em mim. Porque diante de toda essa escuridão que nos cerca e me pertence, você trouxe esperança de que, um dia, poderíamos ser salvos... por você... e pela minha filha. E eu ganhei a guerra mesmo perdendo a batalha. Quando você morreu, eu tinha a minha pequena. Agora, o contrário. Eu tenho você. O quão irônico isso é?
Ela permaneceu um um atônito silêncio. E eu entendia o quão doloroso era aquilo e de nenhuma forma a forcei a responder, mesmo que para ela mesma.
— E agora? — Caroline repetia chorosa.
— A questão é que eu não posso mais continuar fazendo isso, amor. Eu não posso mais continuar fazendo isso com você. Eu devo permanecer. E você deve ir. — Abaixei a cabeça involuntariamente. Foi difícil encará-la ao afirmar isso. Mas eu já tinha feito muito estrago na sua vida desde o momento em que apareci até agora. Não poderia arriscar mais uma vez sequer. – Não posso deixar mais nada acontecer com você. E não se preocupe, deixarei em paz você e os seus amigos para fazer a quantidade de coisas estúpidas que vocês julgarem o suficiente. Para sempre. Eu prometo. — Acreditei que deveria dar a ela o que mais quis de mim. O motivo pelo qual me procurou no início de tudo. – E eu preciso resolver isso sozinho. Do meu jeito.
Caroline me conhece às vezes mais do que eu mesmo nesses mais de mil anos e entendeu bem a minha intenção logo após o meu breve discurso.
— Você tentou me matar três vezes. Três vezes, Klaus! Torceu o meu braço duas, me machucou e transou comigo com qualquer tipo de sentimento, raiva, tesão, menos amor! E eu já cheguei na parte onde entendo que ou você não possui qualquer tipo de sentimento por mim ou não tem coragem de assumir nem para você mesmo. — Ela disse de um jeito que me atingiu em cheio.
— Eu nunca desliguei minha humanidade totalmente com você. Não por muito tempo, na verdade. Eu me forçava a continuar desligado, mas... Caroline, eu não estou no humor de discutir. — Não podia ao menos me permitir balançar.
Eu precisava ser decisivo. Se eu quisesse dar paz em meio ao caos, precisava resolver as pontas soltas. Com Caroline não era possível. Toda vez que pensava em dar um passo à frente, a segurança dela me distraía.
— Sua filha morreu! E a culpa é... Droga, Klaus! É sua? É minha? Eu nem sei mais! Tudo isso, nós enfrentamos tudo isso, eu te acompanhei, eu te aturei e até te ameacei e... E eu sinto muito que tenha acontecido dessa forma. Mas essa guerra... Nós podemos passar por ela novamente. — Ela insistiu nem acreditando tanto assim.
— Você tem razão. Podemos passar por isso novamente. Eu e meus irmãos fizemos isso tantas vezes… Mas não com você.
Caroline percebeu meu tom. Eu não estava gostando disso tanto quanto ela. Mas sentia que era necessário. E então eu fiz o que poderia ditar a regra final desse jogo sem ganhadores.
— Talvez devêssemos esquecer a nossa aventura, a nossa diversão, as nossas brigas e lutas, as nossas transas e o motivo disso tudo. Mas como um castigo maldito pela minha existência, comigo não é possível. Então talvez dê para salvar pelo menos alguém dessa maldita relação. — Me aproximei abruptamente dela, fazendo-a recuar mesmo sem conseguir por eu ter segurado seu rosto com as minhas duas mãos. – Você vai esquecer tudo isso. Porque eu também vou a partir do momento em que eu sair de mim. E você vai desejar estar longe daqui quando eu fechar e abrir meus olhos novamente porque tudo o que restará de mim é o Niklaus Mikaelson, o Híbrido Cruel e Sádico que tortura e mata qualquer um por prazer, por poder, por status, por diversão. E você precisa temer pela sua vida porque esse home... monstro é capaz de acabar com ela antes mesmo de você conseguir piscar a próxima vez.
— Klaus… — Ela sibilou enquanto tentava, entre lágrimas, resistir.
Foi inevitável a lágrima quente que desceu também pelo meu rosto. Eu sabia bem o que estava em jogo com isso. E o mais cruel foi eu ter que tomar a atitude de salvar dela já que a minha não teria mais jeito.
— Caroline, ambos sabemos que você não conseguirá levar uma vida como gostaria quando isso começar a te torturar. E eu sinto muito que você não tenha mais de mil anos para aprender a controlar o momento de se desligar e ligar quando quiser. E eu abriria mão de qualquer vontade minha para isso não acontecer, mas eu tenho. Eu preciso. — Pronunciei, também relutante, mas sincero.
O fato é que qualquer pessoa que ousar permanecer na minha vida acabará punido até por algo que nunca fez. Isso é algo que não posso deixar acontecer com a loira à minha frente. E enquanto não eliminar todos os meus inimigos, os meus e dos meus irmãos, tenho que tomar medidas extremas. Uma delas que envolve algo que eu não quero, mas preciso fazer.
— Klaus. Não não. Você vai desligar. Não... Por favor, não… — Ela implorava, mas não conseguia se mover.
Eu, a criatura mais egoísta e sádica quero que ela seja feliz, mesmo que isso represente ficar sozinho, como sempre fui.
— Caroline, não resista.
Nunca foi tão difícil compilar alguém e eu comecei a achar que as lágrimas de ambos poderiam impedir.
— Klaus, não. Eu vou embora e esquecer. Esquecer isso, esquecer tudo que tivemos e esquecer o quanto eu te amo e o quanto eu gostaria de ficar aqui com você. Só não... Não retire minhas memórias de você, do que passamos, de nós. — Caroline chorava copiosamente e eu estava quase a acompanhando.
— Não se preocupe, amor. Daqui a duzentos anos você vai sentir alguma coisa palpitando em seu peito e nem saberá o que é. — Argumentar deixava tudo mais instável e me fazia querer recuar.
Pensei em matar Hayley e o que ela carregava. Eu não queria esse filho desde o princípio. Mas Caroline acreditou em mim até quando a fé dos meus irmãos se dissipou entre as minhas atitudes erradas. E a verdade é que todas as mulheres que se envolveram comigo morreram. Algumas pouco tempo depois na minha guerra e outras porque eu quis. E eu não podia deixar Caroline seguir o mesmo destino traçado por mim. Ela teria a chance de ir embora e se recuperar de tudo o que passou, principalmente comigo. E diante de tudo, preferi dar o golpe de misericórdia.
— Não vou, amor. Quando sair daqui, eu vou apenas fazer você sentir a única coisa da qual nunca sentiu por mim. Medo.
CAROLINE
— Maldito egoísta! Droga, Klaus! — Eu já estava berrando e todos os envolvidos nessa maldita batalha apareceram.
— Caroline... — O olhar. Aquele olhar sombrio e cruel. Meu nome não soou como uma mera repreensão. Soou como ameaça. E eu precisava sair dali, mas meu corpo insistia em ficar.
O ambiente ficou tenso e todos se entreolharam receosos.
— Eu acho melhor você ir. — Elijah pronunciou cauteloso, como se estivesse me resguardando.
— Por favor, Caroline. — dessa vez foi Rebekah quem falou.
E eu finalmente entendi. Eu sabia desde o princípio que uma hora ou outra algo aconteceria e acabaria com tudo. Estar no mundo de Klaus é brincar de roleta russa. Você pode disparar todos os cartuchos vazios, mas uma hora... uma bala vai te acertar. No meu caso, bem em cheio, direto no peito.
Me sinto covarde por não conseguir permanecer ao seu lado nesse momento, mas seria mais covardia ainda ficar da forma como estou. Como estamos. Quebrados, massacrados, completamente dilacerados, destruídos, como previ desde o início. E Klaus sabia disso.
Após uma breve troca de olhares entre todos, meus amigos entenderam exatamente o que eu não queria, mas precisava e Stefan me pegou pela mão.
Pensei em olhar para trás, mas resisti.
A forma como ele me olhava ir embora aos poucos deixou claro que ele estava tão relutante quanto eu em deixar isso acontecer. Mas era necessário. Era preciso. Nenhum de nós tinha estrutura para aguentar o que estaria por vir. Klaus faria o necessário para vingar a morte da sua filha e de Hayley. E eu não consigo me ver compactuando com isso. E esse ódio… não faz parte de mim, não me move, não me faz agir.
E me dirigi ao portão com a esperança de que um dia, tudo isso iria passar. E antes de eu chegar ao ponto de sair da sua casa, Klaus respirou fundo, me fazendo olhar uma última vez para trás.
— Quando eu voltar, amor, você saberá. E quando estiver preparada... você retornará... para mim. Leve o tempo que for.
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