Hot Cold Blood - Klaroline.

20 Capítulo 20 - Bayou.


POV KLAUS

O dia passou rápido e em nenhum momento recebi uma ligação ou mensagem de Caroline, o que é estranho devido a sua forma de agir sempre atenta e preocupada.

— Pensei que nunca mais voltaria. — Ela se sentou na cama, na minha cama e eu sorri com isso.

E percebi então que Caroline não voltou a se instalar no quarto que deixei preparado para ela caso resolvesse ter mais uma crise de consciência. Ela permaneceu de camisola branca-mais-para-transparente curtindo preguiça e lendo alguns livros meus e... Meu diário? Fora com isso que ela se distraiu o dia todo.

— O que faz com isso, amor? — Tentei não parecer irritado. Tentei.

— Estava no meio dos livros e não sabia do que se tratava até a parte na qual você se envolve com uma loba, e não a loba vadia que carrega a sua filha, uma outra.

Eu pensei em me aproximar e arrancar aquilo das suas curiosas mãos, mas Caroline em nenhum momento alterou a voz ou usou seu famoso cinismo entre as palavras.

— Isso foi quando tomamos o controle da cidade e todas as ordens políticas funcionavam. As facções começaram a se envolver de muitas formas, incluindo esta. — Tentei ser o mais breve possível ou a qualquer momento Caroline se chatearia e todo meu plano da noite se transformaria em algo não muito bom para ambos.

— O que aconteceu? — Fechou o diário e me encarou como se estivesse disposta a escutar uma boa história a noite toda.

— Isso é uma discussão para outra hora. Agora se arrume, amor. Tenho algo para te mostrar.

Ela sorriu animada e deu um pulo da cama.

— Onde vamos? — Perguntou circulando os braços em meu pescoço.

— Sempre curiosa. — E me largou irritada ao ouvir a resposta, mesmo que a esperasse.

Caroline me deu as costas e entrou no banheiro, gritando algo em relação as suas roupas estarem no outro quarto e eu peguei o vestido que comprei e o deixei na cama, saindo para me arrumar em outro lugar. No quarto dela.

Em nenhum momento da minha existência me imaginei fazendo algo assim, escolhendo a roupa de uma mulher para levá-la a lugares que alguém normalmente levaria a namorada. E nós não éramos um casal. Ao menos não um convencional.

Ao descer, Caroline já estava sentada na sala conversando com a bolsa de sangue ambulante que atende por Matt e me esperando. Ela riu ao me ver, provavelmente pela minha demora ser maior que a dela e eu daria a desculpa dela ser excessivamente ansiosa quando se levantou e eu mal pude piscar.

— Devo admitir que eu realmente tenho um ótimo gosto. — Provoquei.

— Seria mais fácil dizer que eu estou bonita e que esse vestido apenas realçou os meus olhos. — Ela riu pegando sua bolsa e se aproximando da porta.

— Você não está bonita, Caroline. — Me olhou como se fosse voar no meu pescoço e eu a puxei pelo braço, dando um selinho. – Você é bonita. — Ela sorriu e retribuiu o beijo.

Só nos demos conta da cena patética que estávamos protagonizando quando escutamos o pigarreio de Rebekah nos alertando o quanto aquilo era ridículo até para Caroline e, dentro dos padrões da minha normalidade, essa era o que mais me agradava. E eu deveria aproveitar a noite antes que ela acabasse e amanhã seria mais um dia qualquer com Nola em guerra.

Abri a porta do carro e Caroline entrou sorrindo.

Sempre fui cavalheiro. Isso foi algo que nunca perdi com o passar dos séculos apesar de ter refinado meu gosto para a violência.

Todo o caminho seguiu comigo mostrando algumas paisagens e comentando algo sobre a cidade enquanto Caroline decidia uma hora ou outra perguntar onde estávamos indo.

Quando finalmente estacionei e ergui meu braço para que segurasse, ela desistiu de falar algo e apenas encarou o local, abrindo levemente a boca em frente ao restaurante que eu escolhi para passarmos a noite.

— Imaginei que fosse gostar de frequentar esse lado da cidade. — Olhei em sua direção e ela retribuiu.

Com três andares, estrutura rústica e o visual interno moderno, Caroline se encantou imediatamente. As enormes janelas de madeira e vidro davam todo o contraste de épocas ao ambiente junto a banda de blues que se apresentava no pequeno palco à nossa frente, em frente a mesa que escolhi para nós. Sei o quanto ela gosta de ser rodeadas de pessoas e nos coloquei no centro não importando o quão desconfortável aquilo era para mim. O lugar era iluminado, com amigos, casais e até algumas pessoas sozinhas. Ao todo, era como Caroline gostava. Era como Caroline é... cheio de vida.

Puxei a cadeira para Caroline e sentei-me à sua frente, fitando-a. Ficamos um tempo assim, até que suspendi minha mão para tocá-la e imediatamente ela se assustou. Toquei em seu rosto e a senti corar. A sensação da sua pele macia e sensível em minha mão fazia-me querer sair dali e ir para um lugar mais reservado. Ela, assim como eu, parecia não saber como reagir àquilo e então se ajeitou na cadeira como se estivéssemos fazendo algo errado quando o garçom se aproximou e pedimos nossos pratos.

— Você vai gostar daqui, garanto.

— Já estou.

— O suficiente para aceitar meu convite permanente?

— Não se garanta, Klaus. Temos um mês pela frente. — Disse divertida.

— E pretendo convencê-la de agora. — Me aproximei para beijá-la quando o garçom voltou novamente atrapalhando e comecei a achar ter sido uma péssima ideia vir aqui.

Tudo que eu pensava era o quando queria jogá-la nessa mesa não importando com as pessoas à nossa volta.

— Me convenceria caso terminasse com essa disputa quase animal por de território. — Ela disse em ironia e eu ri. Caroline sabia que isso era algo impossível de se concretizar e estava jogando de forma injusta.

— Se fosse assim tão fácil eu teria acabado com essa guerra há muito tempo. Não é só uma disputa “animal”, Caroline. Está para além disso. Envolve política, famílias, poder... Coisas da qual não compreende.

Ao contrário do que eu pensava, a conversa seguiu em tom agradável e não acusatório.

— Como fez naquela época para manter a ordem?

— Em 1919? — Ela concordou e então entendi que se referia ao que leu em meu diário. – Manipulação das variáveis. Jogos onde todos ganhavam sem o uso da violência. O tráfico de bebidas com os policiais corruptos em meio a Lei Seca. As bruxas circulavam livremente sem interferir em nossos assuntos e de vez em quando nos prestavam um favor mascarando uma coisa ou outra na alfândega. Vampiros quase não existiam e os poucos seguiam todas as nossas regras e os lobos... Bom, os lobos são outra história. A alfa da matilha nos auxiliou todo momento. Lana, como você leu, foi uma excelente aliada em todos os sentidos. — A escolha infeliz das últimas palavras pareceu tê-la atingido em cheio. Caroline mastigou sem vontade e se levantou.

— Vou ao toalete. Com licença. — E jogou a toalha na mesa antes de eu conseguir prosseguir.

Ela não foi grossa o suficiente para as pessoas nos olharem, mas eu sabia bem o que aquilo significava.

POV CAROLINE

Não sei o que me deu. A raiva tomou conta de mim de uma forma que eu tive que sair dali o mais rápido apenas para não tentar matar Klaus. Precisava tentar raciocinar o que acontece entre nós e porquê essa crise adolescente repentina só por ele citar uma mulher ao qual já dormiu não faz parte de mim.

Me encaminhei para a direção do banheiro e fui lavar o rosto. Alguns minutos depois e uma conversa feminista típica entre duas mulheres, saí apressada. Retornaria para a mesa e agiria como se nada tivesse acontecido quando fui puxada para o vão que fica ao lado do corredor do acesso para a cozinha. E a última coisa que eu precisava era Tyler tentando dar um de herói.

— Caroline. — Encarei seus olhos e fiquei confusa com sua reação.

— Thomas? O que faz aqui? — O questionei e ele apenas me levou para dentro do corredor, nos dando um pouco mais de privacidade.

— Olha... Eu... Nem sei por onde começar. — Cruzei meus braços esperando ele falar. – Você não pode ficar com ele. — Dei uma risada alta. Não acreditava no que tinha acabara de escutar.

Eu passei por Thomas afim de voltar para a mesa e, apesar de chateada, até isso parecia melhor do que ouvir besteira como se alguém pudesse mandar ou desmandar no que eu deixo ou não de fazer.

— É perigoso! — Continuei andando e Thomas pegou em minha mão, levando-me para mais perto dele. – Pelo menos me escute! — Falou um pouco mais alto e dei uma chance dele se explicar. – Eles planejam atacar para valer e esse acordo é só uma farsa para que não desconfiem. A qualquer momento esse lugar explode e você vai junto.

— E eu acho que posso dar conta. E por mais estranho que pareça, confio em Klaus para isso também. — Olhei para ele com cara de poucos amigos e ele insistiu em continuar falando.

— Da forma que todos conhecem os Mikaelson e, principalmente Klaus, ele não se importaria em te entregar na troca pela filha dele. Você precisa me ouvir Caroline. Por favor, fuja comigo. Vamos Sair daqui, ir para outro lugar. Você pode escolher qualquer um! – Ele falava ofegante e rápido.

Eu queria dar ouvidos ao que me disse, mas não conseguia. Tudo que eu queria era voltar para a mesa e prosseguir com o jantar. Talvez questionar uma coisa ou outra com Klaus, mas ainda assim, manter a noite como deveria ser. Tranquila e sem interrupções.

— E não dá para negar o que houve entre nós quando você chegou, de quando eu salvei sua vida e você a minha.

— Do que está falando, Thomas?

— Sobre os nossos beijos, nossa transa. Eu te salvei no bar e você impediu que Klaus me matasse no confronto com Marcel, Caroline. Sei que sente algo por mim, então venha comigo. — Thomas segurou meu braço e eu o empurrei sem delicadeza alguma.

POV KLAUS

Sobre os nossos beijos, nossa transa... Sei que sente algo por mim...”

Foi o suficiente.

Não pensei nas minhas reações, muito menos nas consequências.

O acordo seria quebrado aqui e agora porque definitivamente eu mataria aquele filho da puta. Mas com a atitude digna de um covarde, ele fugiu assim que notou minha presença e tudo o que restou foi o meu ódio.

— Venha comigo! — Eu segurei Caroline com força pelo braço e ela reclamou de dor enquanto eu a arrastava para o terraço do restaurante.

— Klaus! Pare! — Ela gritava e tudo que eu fazia era ignorar.

A empurrei contra o tubo de refrigeração e Caroline contorceu o rosto de dor.

— O que você fazia com Thomas? — Praticamente cuspi a pergunta.

— Nada! — Gritou. – E que droga você tem contra o meu braço direito?

— Não parecia. Me dê três motivos para eu não arrancar a cabeça dele ou a sua. Talvez eu comece até pelo seu braço... — Sorri com a ameaça.

— Você é louco, Klaus! — Caroline subiu alguns decibéis contra o meu rosto e ficamos perigosamente próximos.

— Caroline, não seja cínica. Eu lembro bem quando chegou que o levou ao baile do Marcel e depois se encontraram no hotel. Lembro inclusive de tê-los ouvido gemer antes de eu entrar no seu quarto... O que mais aconteceu depois disso além da troca de olhares durante todo esse tempo?

— Klaus, você age como uma criança mimada enciumada do brinquedo. E eu não tenho que ter essa conversa contigo da mesma forma que você não tem que explicar algo que aconteceu, que está no passado, para mim. E desde quando temos alguma coisa...

— O que...? — Me aproximei bruscamente dela. – Fixa? Estável? — E dei passos para frente enquanto Caroline se afastava de mim. – ...Durável? — Até ela encostar no metal frio do tubo. – É. Não temos.

— E você gosta do controle, não é? – Caroline sussurrou e pude sentir sua respiração acelerada tocando meu rosto.

— Eu gosto do controle. Gosto de exercer controle em tudo, especialmente sobre aqueles que eu... — Vacilei.

— Que você... — Ela me interrompeu e dessa vez foi ela quem me encarou nos olhos esperando uma resposta apropriada, a real, ou a violenta.

E foi uma mistura de ambas.

Eu a prensei com meu corpo e beijei Caroline violentamente. Ela resistiu. Queria uma resposta. E percebeu essa como sendo a única da qual eu poderia fornecer.

Seria ótimo se meu celular não vibrasse sem parar. E não, não era algo que eu pudesse usar para satisfazer Caroline, então minha irritação subiu em um nível alto que piorou com a interrupção dela.

— Acredito que deva atender. — Me afastou e apontou para o meu bolso.

— Marcel, a que devo a honra nesse momento tão propício? — Fui irônico suficiente para fazer Marcel bufar e Caroline soltar um pequeno sorriso, mesmo ela querendo rir alto.

— Você está por perto? Preciso que venha na Sta. Anne o mais breve possível. Os lobos querem uma reunião imediatamente.

Caroline olhou parta mim tão surpresa quanto eu estava. Eu mesmo disse que seria um mês sem problemas e ali estava o que tanto temi.

Chegamos na Sta. Anne em vinte minutos. O clima de tensão ficou claro no momento em que pisei no local e por mais que não quisesse trazer Caroline comigo, eu precisava ser honesto com ela e ela precisava saber o que acontece por aqui.

As discussões calorosas cessaram e todos se calaram quando me aproximei. Ser conhecido pela impiedade e falta de misericórdia tinha lá suas vantagens.

— Ela saiu do Bayou há mais de uma hora. Já disse que não está conosco. — Jackson, o alfa da matilha, falava irritado com Elijah.

— Posso saber a que se refere? — Me direcionei para ambos e todos começaram a se entreolhar.

— Hayley não voltou para casa e Elijah acredita que estamos com ela ou algo do tipo. Já falei que ela apareceu no Bayou, jantou conosco, mas depois foi para frente do lago. Disse que iria pensar, espairecer e depois todos pensamos que ela voltou para a casa de vocês. Só viemos aqui esclarecer isso. Não queremos que pensem que quebramos o acordo. Sabemos o quão bom ele pode ser para todos.

— E o que Hayley fazia a essa hora no Bayou sem acompanhamento?

— Hayley tem vontades próprias, Niklaus. Ela não é uma prisioneira. E você sabe que ela sempre visita a sua... — Elijah exitou. – Família. — Disse a contra gosto.

Jackson de fato parecia nervoso e todos ainda estavam tensos. Caroline observava a situação sem dizer nada, apenas trocava olhares ofensivos com Camille enquanto Rebekah e Marcel se preparavam para o pior. Genevieve acompanhada de Davina estava pouco ou nada preocupada. Certamente não era um assunto dela, mas passaria a ser.

— Faça um feitiço de localização. — Pedi à Genevieve, que prontamente se levantou, sendo seguida por Rebekah.

— Onde está Matt? — Caroline perguntou curiosa antes de Rebekah ir para a parte de dentro da igreja.

— Assistindo ao jogo em casa. — Minha irmã bufou enquanto Caroline respirava aliviada. – Patético. — E saiu.

Elijah pareceu incomodado em excesso e pelos meus vastos anos de experiência e convivência, sabia que tinha algo a mais que ele não estava contando.

Eu o puxei para um canto distante de todos e o questionei.

— Hayley nunca sai sozinha e você sabe bem disso. Você mesmo nunca deixou!

— Nós... Brigamos. — Ele abaixou a cabeça em arrependimento e prosseguiu. – Katerina entrou em contato. Disse que estava voltando e... — Respirou fundo e soltou o ar de vez. – Bom, irmão, você sabe como eu fiquei.

— Uma boa notícia. — Rebekah apareceu com as bruxas. – Hayley ainda está no Bayou. A má notícia é que ela está perdida. É apenas isso.

POV CAROLINE

Pensei que depois de Rebekah dar a notícia todos ficariam menos tensos, mas não foi o que ocorreu. Um homem de cabelos médios, barba e olhos negros se pôs à frente da mesa e anunciou que juntaria seus homens para ir até lá.

Klaus o interrompeu praticamente a gargalhadas e disse que jamais os deixaria ir sozinhos. O homem não quis que Klaus fosse junto e decidiram se separar.

Eles falavam algo sobre se dividirem, as bruxas e humanos ficarem para auxiliar enquanto eu me preocupava com a bebê e, confesso, também com Hayley. Me peguei pensando nisso e quando olhei para cima, Cami me fitava como se eu fosse de comer e ironicamente, ela é quem era.

Eu a provocaria indicando que minhas preferências sexuais eram outras quando ouvi meu nome.

— Caroline fica. — Klaus afirmou enfaticamente.

— Não. A loirinha vai com a gente, caso essa seja mais uma de suas gracinhas. Só por precaução. Se ela for esperta escolherá ir conosco. — Um jovem com o mesmo comprimento de cabelos que o outro, só que loiros, falou e Klaus pareceu mais irritado.

— Não se atreva... — Klaus foi para cima dele, sendo impedido por Elijah e Rebekah.

— Acho que sou grandinha o suficiente para escolher com quem ando no recreio. Vamos, Klaus. — Eu disse e ele pareceu não me escutar.

Deu dois passos para frente em direção a Elijah e seu olhar se tornou vazio e sombrio.

— Se alguma coisa acontecer a minha filha... — Klaus sacudiu a cabeça em negação como se imaginasse o pior e o fitou nos olhos em seguida. – Eu mato você, Elijah. — E saiu sem ao menos me esperar.

— O que houve entre você e Elijah? — Perguntei e Klaus resolveu de uma hora para outra me ignorar. – Droga, Klaus. Não quero saber fofocas de família. Quero realmente entender o que aconteceu. — Eu disse e Klaus parou em frente ao carro antes de abrir a porta.

— Katherine. O que aconteceu foi Katherine. — E entrou apressado.

Não foi preciso dizer mais nada. Entrei no carona e seguimos até o Bayou.

—______

Passamos toda a noite sem trocar uma palavra. Na verdade, dias. As contas eu perdi depois do segundo. Klaus se concentrava em farejar e escutar algo que nos levasse a encontrar Hayley e eu tentava ajudar ora fazendo o mesmo, ora deixando-o quieto.

Voltamos apenas uma vez no carro para verificar se havia alguma notícia, para eu trocar de roupa e procurar algum estoque de sangue perdido no porta luvas, sem sucesso.

Nunca antes a cooperação entre nós foi tanta. Eu sabia o que estava em jogo e respeitava isso profundamente. Não conseguia me imaginar na mesma situação.

— Não faz sentido. — Quebrei o silêncio. – Se Hayley vem aqui desde que descobriu a matilha, ela já devia conhecer bem o lugar. — Klaus parou o que estava fazendo e olhou para mim. – E eles quererem que eu fosse como se você fosse o culpado.

— Como você é burra, Caroline. Eles sabem que você é justa e fizeram isso para ver qual lado você escolheria para saber se a culpa era realmente minha já que estava comigo todo o tempo. E ainda bem que foi esperta o suficiente para escolher o meu. — Deu um sorriso sarcástico e eu me estressei.

Todo esse tempo quase de meditação para ele contemplar o milagre do meu silencio para uma resposta dessa.

— Eu sou burra e esperta? Você é realmente bipolar! Fiquei do lado de quem se eu não escolhesse, mataria meus amigos. Não por lealdade a você. — Fui tão sarcástica quanto e ele riu.

— Embora eu fosse apreciar esse momento nostálgico, acho que não vale a pena relembrar o quão patéticos seus amigos são.

— Pelos menos resolvíamos as coisas mais rápido. Isso é o que acontece quando se tem amigos. Estamos procurando a dias e nada. Meu celular acabou a bateria e de qualquer forma, estamos sem sinal. — Taquei meu celular no chão e ele quebrou. – Droga! — E recebi de brinde uma risada de Klaus.

— Três dias com esse, Caroline. E o Bayou é grande o suficiente para conseguirmos completar a busca na nossa parte em pelo menos mais dois dias, mesmo sendo vampiros.

— Está explicada a minha fome. E eu te mataria só sugando seu sangue, Klaus, mas infelizmente não posso. Então vou manter a maior distância possível de você só para não ter que passar por essa tentação.

Senti que Klaus falaria algo, mas usei minha velocidade para me afastar dele. Tudo o que eu queria era um tempo. O bastante para procurar comida em paz e sem julgamentos. Passei pelo lugar onde estávamos umas quatro vezes e comecei a estranhar esse fato. Eu percorria o lado de fora, mas sempre avistava Klaus vasculhando ao redor da nossa última parada.

Me mantive um tempo concentrada em achar algo para me alimentar quando Klaus apareceu na minha frente, me fazendo levar um grande susto.

— Ué! Ninguém pode mais andar em círculos em paz? Eu pararia do seu lado daqui a dois minutos de qualquer forma.

— Ou talvez você não consiga ficar sem alguém para te irritar de vez em quando.

— Não se gabe, amor. Eu poderia muito bem ficar o tempo que for necessário sem você. Começando do agora para o sempre. — Usei o tom e as mesmas palavras da qual ele costuma e saí.

— Caroline. — Klaus veio novamente atrás de mim e me virei bruscamente.

Soltaria mais alguma coisa para manter o nível de estresse no ar, mas me calei no momento em que olhei para ele.

Eu nunca o vi dessa forma. Não violento e descompensado, mas vulnerável. Não, nunca.

Havia preocupação em seu olhar e um misto de desespero. Eu parei de caminhar na direção contrária e fui em sua direção.

— Eu não posso perder.

— Você não vai perder sua filha, Klaus. Está tudo bem. Hayley deve ter encontrado algum abrigo e só aguarda ser achada. Ou talvez até tenha voltado para casa e nós nem ao menos sabemos. — Falei praticamente sem pausa e Klaus me interrompeu.

— Vocês. — Foi somente o que ele disse antes de me encarar profundamente. – Eu não posso perder vocês. — E senti meu corpo estremecer.

— Klaus, precisamos descansar. Nós temos que descansar. Já está no final da tarde e daqui a pouco anoitece. Amanhã antes mesmo do amanhecer começaremos a procurá-la novamente e... — Não pude completar. Ele se aproximou bruscamente e ficamos próximos.

— Descansaremos depois que eu acabar aqui. Depois de eu ouvir de você se sente o mesmo que eu. Que sente como... Caroline, eu...

Seu olhar estava aflito e assustado. Talvez ele nunca tivesse se visto na posição de perder alguém da qual genuinamente se importa, alguém do seu sangue e preocupado se alguém que não fosse, pudesse sentir algo por ele. De alguma forma minhas palavras o atingiram. Por um momento não parecia o Klaus conhecido por sua crueldade e se ele não tinha respostas no terraço do restaurante, eu também não, mas sabíamos exatamente o que sentimos um pelo outro e, definitivamente, não há palavras que consigam se expressar.

— Isso responde? — Eu me aproximei dele e o beijei.

Ele sorriu, sem pensar me prensou em velocidade contra uma árvore e nos beijamos em correspondência.

Seus lábios estavam apressados, famintos, sedentos, assim como eu. Tirei sua jaqueta sem nenhuma delicadeza e Klaus rasgou minha camiseta.

Nem ao menos me preocupei com ela.

Eu queria logo senti-lo. Queria rápido e violento. Feroz e desesperado.

Tirei sua camisa com pressa e ajoelhei em frente e ele, que chamou meu nome em um apelo, em vão. Abaixei sua calça, sua cueca e sem pudor algum, coloquei seu membro em minha boca. Eu o sentia ainda mais duro a cada deslizar da minha boca em seu membro, a cada leve mordida, chupões na sua ponta e toques no fundo da minha garganta durante longos e torturantes minutos. Quando ele sentiu que não aguentaria mais, me segurou pelos cabelos, fazendo-me levantar e distribuiu beijos em meu pescoço enquanto fazia minha calça deslizar pela perna.

Nossa respiração ofegante e descompassada denunciava o quão desesperados estávamos.

Sem menos, Klaus me enlaçou em sua cintura e me penetrou rápido, arrancando um gemido mútuo. Com o apoio da árvore e as minhas pernas envoltas de si, eu o sentia cada vez mais fundo. Klaus me fodia sem pena e sem parar.

Se a nossa conexão não consegue ser explicadas com palavras, consegue com o corpo. E essa era uma língua da qual entendíamos muito bem.

Minha face estava vermelha, meus gemidos altos e a cada estocada eu sentia que sairia do meu corpo. A longa tortura agora era comigo. Me segurei com força em seu pescoço enquanto gozava, o apertando com as unhas e procurando apoio, gemendo seu nome. Eu já estava completamente melada quando senti seu ritmo diminuir e Klaus repousar sua cabeça em meu ombro.

POV DAVINA

— E aí?

— Continuam presos, todos eles, sem achá-la. E nem desconfiam. — Disse orgulhosa e pude ver o sorriso em seu rosto.

— Muito bem. — Genevieve passou a mão em meus cabelos em sinal de aprovação. – Foi o suficiente. Pode soltá-los e mande a lobinha prenha de volta em segurança. — Falou enquanto saía. – Mas antes... — Ela parou de caminhar e olhou para trás. – Deixe-os curtir apenas mais uma noite juntos na floresta. Não vai durar muito.