Hot Cold Blood - Klaroline.

2 Capítulo 2 - O Feitiço contra o Feiticeiro II.


STEFAN

Estamos todos impacientes. Famintos e impacientes.

Discutimos sobre como e o que eu faria caso chegasse até Klaus. Mas, primeiro teria que descobrir para onde ele foi.

Enquanto todos se fuzilavam com olhares irritados, fui até a mansão Mikaelson em busca de um híbrido banhado em ódio. Bati em sua porta umas 10 vezes. Havia desistido e descia lenta e desanimadamente as escadas quando ouvi um leve barulho de madeira rangendo. Olho para trás encontro uma Rebekah irritada e entristecida.

— Seja lá o que for não é meu problema. — Disse Rebekah enquanto recostava na porta de braços cruzados.

— Preciso conversar com uma criatura metade lobo, metade morcego e totalmente descontrolada, conhece alguém assim? — Falei irônico e divertido.

— Seja lá o que Nik fez ou deixou de fazer, a essa altura ele e Elijah já estão longe daqui. — Rebekah disse descendo as escadas e indo na minha direção. Segurou em meu ombro e gentilmente disse. – E se eu estivesse em seu lugar não tentaria dialogar com ele por agora. Ele está bem irritado pelo o que tentaram fazer com ele há alguns dias. Certo? Ou vocês têm a memória tão curta assim? — Alfinetou a loira.

— Outch! — Imitei o som de uma pancada. Rebekah levantou as sobrancelhas com um pequeno sorriso e completou.

— Você pode ligar para ele e declarar falência emocional com um “OK. Você venceu. Agora pare com a palhaçada”. — Por menos de um segundo ela fez uma pausa e continuou. – É... não adianta. Ele não se importará. Ou... — Rebekah parou por mais um segundo e engatou. – Um “se você fizer ou não fizer isso que te ameaço agora...” com cara de mau, sabe? Daí é partir para o ataque e ver cabeças rolando. — Completou com um sorriso debochado e sarcástico.

— Com o sério risco de uma delas ser a minha. E eu gosto de tê-la em meu pescoço. — Falei caminhando para fora da propriedade, tão humorado e sarcástico quanto.

Voltei para a nossa casa de mãos atadas. Rebekah não estava disposta a ajudar, mas também não atrapalhou, o que por si só foi uma vitória.

Já fazia 5 dias e algumas horas que Klaus trancou todos. Apenas eu permanecia do lado de fora. Observando. Vigiando.

Com o passar das horas a tensão aumentava mais e mais. Não sei como ele fez, mas todas as fontes de alimento estavam cheios de verbena e ter um feitiço que faça com que todos que entrem não saiam mais, os impedindo de ver o maravilhoso luar crescente aqui fora, é complicado para qualquer um, mas para vampiros famintos, é pior. Bem pior. Ter que lidar um tic tac interno constante os avisando que a hora do jantar se aproxima, com 3 preciosos humanos no mesmo recinto só acabava de vez comas coisas.

Não tenho minha humanidade desligada, mas é que se fossem apenas humanos aleatórios estaria tudo ótimo, mas estes eram Matt, Bonnie e Jeremy.

Passou uns minutos desde que comecei a pensar no que faria, afinal se pegasse mais uma espécie de coelho ou esquilo eles entrariam no rol de animais em extinção. Foi quando o celular tocou em um toque animado que só uma certa pessoa enxerida é capaz de pôr no celular dos outros para si.

— Finalmente! — Pensei alto. Até demais. E atendi.

— Sr. Salvatore, você pode me dizer que merda é essa que aconteceu nessa cidade?!

Abro a boca para responder quando sou interrompido.

POV CAROLINE

— Você acredita que desde que cheguei passei apuros? Antes tivesse ficado com meu pai até o final das férias. Desde a rodoviária até em casa não consegui compelir uma pessoa sequer! Nem o moço do churros, e eu só queria mais recheio, acredita??? — Falo revoltada. Dou uma volta pela casa enquanto o outro lado da linha permanecia em um breve silêncio. Abro o freezer e o encontro vazio. Nem o cheiro. – Stefaaann, eu estou p-u-t-a e com fome! Porque sabe... alguém pegou meu estoque de sangue do freezer. Foi você? Heim?! — Quase ameaço meu amigo de morte quando ele me interrompe.

— Foi Caroline. — Ouço a voz de um Stefan meio oscilante. – Na verdade eu realmente precisei.

— Mas tudo? — Revoltada de novo. – Será que a preguiça por auto piedade foi maior que sair para caçar ou ir ao hospital e... — Paro de falar quando me dou conta. – VERBENA! Verbena Stefan! — Berro no ouvido do Salvatore puro amor. Quase consigo sentir pena dele. – Por isso você pegou meu estoque de raros O + e não consegui compelir as pessoas. Nem a manicure.

— Vampiros não precisam de dinheiro, Caroline. — Stefan fala meio óbvio.

— Eu sou honesta Stefan, só queria um desconto. Eles aumentaram o preço! — Ia emendar em um outro assunto quando Stefan me corta bruscamente.

— Caroline! Preciso que venha aqui.

Peguei o carro e dirigi o mais rápido que pude. Ao chegar na casa encontro Stefan estático na porta olhando para dentro e quando ele me cede espaço para bisbilhotar, lá estão Elena, Bonnie, Matt, Jeremy e Damon meio alcoolizado.

— Seja lá o que for acredito de whisky não resolva. — Falo apontando para dentro. Já ia entrar na casa quando Stefan me segura pelo braço e me puxa com força para fora.

— Não faça isso! — Diz ele meio desesperado.

Ouço atentamente enquanto Stefan me explica o que tentaram no dia do Baile. Pela primeira vez não estava preocupada com o evento, que por sinal devia estar horrível já que eu não o organizei esse ano. Ele me contou que tentaram usar Bonnie na sua versão 2.0 melhorada para enfraquecer Klaus enquanto alguém estúpido suficiente tentaria o apunhalar. Não funcionou e quase todos morreram. Então como sempre, Klaus planejou tudo e ainda saiu da cidade sem avisar. Usou o fato de todos o quererem aprisionado debaixo de uns quilos de terra para planejar sua vingança que consistiu nessa então prisão domiciliar com escassez de alimentos decentes e com vítimas em potencial. É... fez sentido. Mas olha que legal, todos eles amigos!

Ainda atordoada pelo o que acabara de ouvir, só pude me lembrar da última mensagem de voz da qual tive acesso. Peguei o celular e me dispus a ouvir novamente.

"Caroline, estou em um dos meus lugares favoritos no mundo, cercado de comida, música, arte, cultura e tudo o que eu posso pensar é o quanto eu quero mostrar isso a você. Talvez um dia você deixe.". Klaus.

E então me lembrei do convite que ele havia feito a mim depois da formatura, um dia antes de eu viajar para ficar com meu pai.

— Isso! — Exclamei em tom de vitória.

Pude ouvir todos pararem de fazer o que os convinha para despertar um silêncio absoluto. Até Bonnie que conjurava algo para pelo menos descobrir que droga era aquela, parou instantaneamente.

— Isso! Isso. — Repeti mais vezes do que podia contar.

— Caroline, mas não sabemos... Como... — Então Elena gradativamente abaixou o tom de voz até que parou de falar.

— É, Klaus. Eu aceito a ir de primeira classe, mas dessa vez é por conta própria. — Falei quase sussurrando. Um pouco mais alto do que deveria.

Virei de costas com um sorriso estampado e fui fazer as malas. Enquanto me afastava pude ouvir o último diálogo dos prisioneiros.

— Stefan... — Falou Elena num tom infantil para que o mesmo me seguisse.

— Vai por mim Elena. De todas as pessoas, ela é a única qual ele não tentará matar instantaneamente. — Afirma Damon, mais embriagado que antes, mas ainda com a razão no lugar.

Entrei no carro e dirigi o mais rápido que pude.