Hot Cold Blood - Klaroline.
12 Capítulo 12 - Sexo, Drogas e Cabaré.
POV KLAUS
Nós fomos dormir tarde devido a... Bom, devido a certos acontecimentos na noite anterior, mas eu precisava continuar e o quanto antes. Peguei o mapa que Bastiana me entregou e fui ao encontro de uma certa loira que com certeza ainda dormia anestesiada. Sorri no caminho.
— Caroline. — Bati na porta do seu quarto. – Caroline, acorde.
— Não queeeeerrrroooooo. — Ela disse manhosa e eu dei um sorriso. Típico.
— Caroline... — Bati mais uma vez e escutei barulho de algumas coisas caindo.
— Klaus! — Ela gritou. – São seis horas! S E I S horas. Meu fuso horário ainda está confuso. — Ela deu uma pausa e abriu a porta com uma camisola branca de seda, os cabelos completamente bagunçados e o rosto amassado. Se eu não estivesse admirando a paisagem certamente estaria com pena. – EU ainda estou confusa. — Falou passando a mão no rosto, depois nos cabelos e deu espaço para eu entrar.
— OK. Fique aí então. — Ela estranhou. – Assim que eu resolver algumas coisas voltarei para buscá-la. — Ela acenou concordando e voltou para cama quase se arrastando. Saí apressado.
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Ao mesmo tempo em que não quero me importar, me importo. A verdade é que não consigo ficar mais tanto tempo sem notícias deles e principalmente da minha futura lobinha. Minha família se tornou o meu martírio e a minha cruzada.
— Como ela está?
— Também estamos bem, Nik, obrigada por perguntar.
— Não tenho tempo para provocações, Rebekah.
— Ela está bem. Hayley idem. — Elijah provavelmente achou que seria melhor pegar o celular da mão da nossa irmã antes que ela falasse mais alguma besteira.
— Daqui a pouco acaba toda a comida do mundo. Quase certeza que essa criança nascerá ou com muita saúde ou obesa. — Rebekah gritou distante. Não sabia ao certo se deveria ficar feliz ou puto pela provocação.
— Alguns vampiros de Marcel não conseguem aceitar o acordo de vocês e querem dar início a uma revolta. Creio que estejam fazendo pactos até com outras facções para tomar o poder da cidade. Não sei se Marcel está envolvido, Niklaus. — Elijah pareceu um pouco preocupado e com isso, eu também fiquei.
Tenho certeza que pelos sentimentos idiotas que nutre pela Hayley e o amor pela família, o deixarão mais forte para enfrentar qualquer adversidade. Nós temos nossas visíveis diferenças, mas eu confio plenamente na capacidade do meu irmão de resolver determinados incidentes que exijam força bruta e um pouco de violência.
— E onde vocês estão? — Queria ter a certeza de que estariam bem, se não, teria que adiar a minha volta a Nola.
— Com alguns dos seus híbridos, na nossa Mansão... do Quarter.
Então eles voltaram. Bom sinal. Uma preocupação a menos.
— Elijah. Se ele realmente estiver envolvido, eu mesmo faço questão de matá-lo e já até imagino como. Talvez queira me ajudar com isso. — Eu disse ao meu irmão e tenho certeza que ele abriu um sorriso. Toda aquela nobreza escondendo o que todos já sabemos que somos. Monstros.
POV CAROLINE
Klaus acabou de me acordar e agora não consigo mais dormir. Ótimo! Eu realmente estava confusa com o fuso horário e tudo o que aconteceu ontem. Meu corpo ainda estava entorpecido pelas sensações. Isso provavelmente explica esse meu bom humor, mesmo ainda morta de sono, de fome e o ânimo que me deu para ficar livre e conhecer a cidade sozinha a partir dessa hora. Peguei um papel, fiz uma lista e saí por aí fazendo anotações.
Já tinha conhecido o Louvre com Klaus e todos os bairros de compras ontem. Hoje me dediquei a Catedral de Notre Dame, Palácio de Versalhes, Rio Sena e alguns jardins espalhados pela cidade, como o solitário Des Tuilleries. Agradeci a Bonnie por fazer esse lindo anel que me permitiu ter uma vista espetacular do pôr-do-sol no topo da Torre Eiffel. E por fim, Moulin Rouge, o lugar ao qual eu queria vir desde o princípio e o que deixei por último, apreciando com calma a apresentação maravilhosa das dançarinas com aquelas roupas glamorosas e o cenário perfeito. Sexy, pervertido, excitante, sexual e mesmo assim nada vulgar. Queria ficar mais um pouco e acabar de assistir o mini curso de pole dance, mas já conhecia todos esses truques graças aos exercícios divertidos com Elena e Bonnie na época de líder de torcida e precisava voltar. Klaus chegaria a qualquer momento e seria bom já ter tudo organizado para partir. Passar um dia sem ele me perturbando foi a melhor coisa e a mais sensata que fiz.
Voltei ao hotel cedo, no começo da noite, mas era um fato eu estar cansada e louca para voltar para a cama. O lado ruim é que seria sozinha. O lado pior é que Louis me viu e resolveu parar o elevador.
— Senhorita Mikaelson. — Ele chamou, encostando na porta do elevador para que não fechasse.
Mikaelson?! Por que droga todos pensam que sou a mulher dele? Será que ninguém percebe que é inviável Klaus ter um relacionamento comum e não sádico com qualquer ser desse mundo?
— Espero que me desculpem pela outra noite. Meu genro é... bom, são negócios e creio que já imaginem todo o resto. — Ele olhou sem graça e sorriu em seguida. – Com isso, gostaria que apreciassem uma apresentação de artes que será aqui mesmo, no hotel. Sei como ele é fascinado por esse tipo de exposição. — Ele concluiu e me entregou um par de entradas.
— Obrigada Louis, mas Klaus não está. — Disse sorrindo por educação. Ainda queria subir, comer e descansar, tipo, para sempre.
— Então talvez queira companhia. — Ele estendeu o braço para eu acompanhá-lo e não teve como negar o pedido.
Ao entrarmos no enorme salão, todos direcionaram seus olhares a nós, inclusive Jean, que imediatamente abaixou a cabeça quando me viu e seguiu com a sua linha de marido exemplar.
— Consegue ver aqueles quadros no final da galeria? — Ele falou e eu acenei positivamente. – Quem os comprou foi meu bisavô, ainda jovem, que logo percebeu o talento do Sr. Niklaus e decorou o hotel com algumas telas dele.
Aquilo me deixou surpresa. Não por Klaus conhecer a família George a sei lá quantos séculos, mas de eu não ter reparado em algumas obras do hotel, sendo que quase todo ele é composto por pinturas dele.
— Agora vamos procurar um lugar para nos sentar. Logo começará o festival.
Nos sentamos e logo começou a apresentação de várias obras de pinturas e esculturas, sendo explicadas pelos seus respectivos artistas. Quando chegou nas partes do recital de poesias eu não estava mais suportando. Primeiro porque isso é muito Klaus. Segundo, eu não compreendo francês, o que me deixou com vontade e sair dali correndo. Terceiro já era tarde e precisava subir para comer antes que arrancasse a jugular de alguém aqui mesmo. Minha cabeça girava em torno de um massacre, então preferi a segunda opção e subi.
— Você já pode me dizer onde está. — Falei entrando no quarto, pegando uma bolsa de sangue e a devorando.
— E o que pretende fazer com essa informação?
— Me tirar do tédio infinito. — Bufei e Klaus riu.
— Ninguém conhece a França em um dia, Caroline. Agora admita que é você quem não consegue imaginar uma viajem sem mim. — Ele falou se achando o máximo que seu ego conseguia.
— Jamais! — A essa altura já era a segunda bolsa de sangue.
— Me encontre no Brandmeesters em no máximo duas horas.
— Fácil assim?
— Precisarei de você aqui.
— Onde fica isso?
— Tenho certeza que sabe se virar. Te mandarei a passagem. — E desligou.
POV KLAUS
Quando saí pela Red Lights District não imaginava que seria tão complicado encontrar o local. Com a legalização da profissão ficou difícil achar um cabaré quando as mulheres preferem trabalhar por conta própria e casas noturnas não são o ponto alto de Amsterdã.
Mas ao final do bairro, lá estava ele. Impossível não ser notado piscando em neon, “Plezier”, onde anunciava um grande show para esta noite.
Assim que entrei comecei a escutar as conversas cruzadas e reparar na movimentação toda do ambiente. O prédio tem uma estrutura de três andares com muitas salas. Percebi ser quase impossível passar para o terceiro sem ser alguém de dentro. Digamos que bruxas não são fãs de vampiros, quanto mais de algum Mikaelson e sendo eu, piorou. Então não poderia simplesmente compilar ou matar alguém se eu pretendia ser discreto e contar com a ajuda de uma delas. Já comecei a elaborar algo que me fizesse ter acesso ao andar de cima com uso de violência inevitável quando recebi uma ligação um tanto inusitada que veio a calhar.
—__________
— Pensei que nunca mais fosse aparecer. — Disse a Caroline que se sentou a minha frente.
— Isso porque você disse que o próximo voo não demoraria. Pena eu não ter capangas para me levar e pegar em qualquer lugar. — Ela disse irônica, pedindo um café expresso.
Expliquei a ela o que pretendia. Se eu quisesse contar com a sua ajuda sem objeções e sem estresse teria que ser honesto. O estranho não foi ela me ouvir em silêncio, foi ela concordar de imediato, o que eu descobri rapidamente o porquê.
— Vamos acabar logo com isso. Preciso dormir para ontem, ou você verá o que realmente é uma Caroline surtada.
Ela não pareceu incomodada em passar pelo lugar com aquelas mulheres seminuas dançando sensualmente em uma janela. A noite estava amena e nem um pouco fria, o que fez as ruas ficarem ainda mais cheias.
— Imagino que Stefan não conseguiria fazer isso. Observe e aprenda. — Caroline rasgou a calça a transformando em um short e a camiseta num top em um beco próximo a Plezier.
Eu a olhei de cima abaixo e ela me repreendeu com o olhar.
— Nem pense em falar algo!
Caroline compilou um pequeno número de pessoas na parte de trás e entrou sem maiores esforços. Segui pela frente e quando entrei, o local estava ainda mais lotado que antes por homens, mulheres e alguns seres da noite que aguardavam o show começar. A procurei pelo local sem sucesso e as luzes do palco acenderam de forma que me cegaram por um instante e pude vê-la vestida... ou não tão vestida assim, me olhando com uma cara assustada, que logo com os aplausos me ignorou e mudou sua feição para satisfação. Sempre soube que Caroline adorava ser o centro das atenções, mas essa apresentação foi o auge para ela e jamais a Miss Mystic Falls perderia a oportunidade de fazer o seu número.
O palco ficou pequeno quando ela começou a fazer coisas no pole dance como se fizesse isso a vida toda e as pessoas nem sequer piscavam. A sua pouca roupa com aquelas plumas que combinavam perfeitamente com seus cabelos loiros dançavam junto com ela a cada movimento. Toda vez que ela ficava de cabeça para baixo naquele ferro e se jogava, as pessoas davam um gritinho assustado e aplaudiam. Me aproximei mais e ela continuava subindo e girando, descendo e se esfregando naquilo, sem se importar com a minha presença próxima. Mesmo com a música alta, escutei em vários idiomas o quanto ela era desejada e o quanto pagariam até em joias para tê-la essa noite após o espetáculo. Eu queria subir e retirá-la dali imediatamente. Se eu não estivesse aqui por um único objetivo certamente todos estariam sem os olhos, mas infelizmente e contra os meus instintos, eu tinha que confiar nela.
O show finalmente acabou com palmas que pareciam infinitas e Caroline desapareceu do palco. As luzes voltaram ao normal, mas não consegui distinguir o que era o que, a não ser um pensamento que circuncisava a minha mente e esse era o quanto eu queria sair dali antes que matasse qualquer um que ousasse olhar para ela daquele jeito novamente.
Ela demorou um pouco e quando voltou, olhou provocativamente na minha direção, deixando claro que ela seria só minha esta noite e ninguém além de mim teria o direito de cobiçá-la. Provavelmente ela já sabia das regras antes de entrar no jogo e ele começar a rodar.
Antes que eu pudesse falar algo, Caroline me carregou para uma daquelas cabines de dança privada no interior do clube, me pôs sentado e retirou o sobretudo, revelando uma lingerie minúscula branca do tipo que nem Rebekah usaria, seria ousado até para ela. Tentei falar mais uma vez e ela me alertou sobre uma pequena fresta deixada na porta para os seguranças se certificarem que as meninas não seriam agredidas ou algo do tipo.
Ela começou a dançar enquanto falava comigo.
— Tem uma passagem lá para cima. Eu verifiquei. Só entram as meninas que estão acompanhadas. — A dança comum evoluiu para uma rebolada e uma jogada de cabelo sensual com seus seios bem encima de mim, fiquei imediatamente excitado. – O terceiro é o camarim, foi lá que me arrumei. Na frente tem uma porta onde ouvi uma conversa sobre negócios e talvez seja ali que deva ir. — Ela continuou dançando daquele jeito e eu não conseguia mais me segurar.
— Caroline, se você continuar com esses movimentos serei obrigado a fazer pior do que quando estávamos no elevador, entendeu bem? — A segurei pela cintura e a puxei ainda mais para perto de mim. Ela chegou seus lábios próximo aos meus e quando percebeu que o segurança passou, se afastou.
— Você não pode encostar em mim! E eu não posso parar ou eles desconfiarão. — Ela continuou brincando de ser sensual sabendo o que isso me causava.
— Nem se eu te “contratar”? — Dei um sorriso malicioso e ela me bateu, se repreendendo logo em seguida e rindo do ocorrido.
— Você é um idiota!
— Sinto muito, o tempo acabou. — O homem que vigiava as cabines falou.
— Vamos? — Caroline saiu de cima de mim e sinceramente, não queria que isso acontecesse.
— Para onde, amor?
— O andar de cima. — Ela disse óbvia e eu arregalei os olhos e o sorriso, o que a fez bufar.
Caroline enrolou o sobretudo para o bem das pessoas desse ambiente que gostam de ter a cabeça no lugar e subiu as escadas comigo. Pelo o que sei de interpretar olhares, eu era a pessoa mais invejada daquele local, principalmente depois de a porta de um dos quarto ser trancada com nós dois dentro.
— E então, amor. — Falei sugestivamente colocando uma mecha dos seus cabelos atrás da orelha e ela me olhou confusa com o contato. Foi divertido observar a sua reação.
— Não... — Beijei sua mandíbula, próximo ao pescoço. – Comece. — Fiz o mesmo deslizando para seu queixo. – Você não está aqui... — Ela suspirou pesadamente. – para pegar o cara mau?
— Já disse, o único cara mau aqui sou eu. — Beijei o canto da sua boca, sentindo seus lábios e ela se jogou para o lado, desvencilhando de mim.
— Quando eu subir, deixarei a porta aberta. No primeiro corredor, tem o Mike, um segurança que vigia os acessos principais. O resto tenho certeza que sabe se virar. — Caroline abriu a porta com pressa para eu sair, ainda respirando pesado e eu olhei em seus olhos antes de sumir da sua vista.
Passei pelo corredor sem problemas. Pelo jeito, ninguém aqui usa verbena, o que facilitou muito a minha vida e poupou a de outras pessoas.
— Como...? — Uma mulher se levantou rapidamente, assustada por me ver logo após eu bater a porta da grande sala.
— Deveria vigiar melhor os seus acessos. — Sorri sarcástico.
— Nunca precisei. — Ela pareceu despreocupada depois de relaxar, provavelmente sem saber o risco que corria. – Aqui não há muito invasores. E você é... — Cerrou os olhos, curiosa.
— Klaus. — Me apresentei.
— Klaus, Klaus... — Ela buscou na memória. – Ahh. — Passou a mão na mesa indo em minha direção. – O Híbrido. O Mikaelson Híbrido. — Ela sorriu e passou a mão em meus ombros, parando atrás de mim. – Acredito que viera cobrar um favor.
— Me diga você.
— Por sorte sua meu coven lhe deve um, o que eu acho um absurdo, mas elas acham que sim. — Pegou um copo de whisky e me serviu. – Então... — Ela apontou para mim e eu olhei desconfiado. – Vamos lá. Preciso do que tem aí. Entreguei o papel que consegui em Vegas a ela e finalmente descobri para que ele servia. Ela o falou em voz alta a frase indecifrável escrita junto com algumas coisas que pegou em um pequeno armário, os despejando na mesa e no final, falou algo que eu pude entender.
— Ac spirituales. Antiquus homines, atque indica mihi quid acciderit. Spiritusfuit, ostende mihi viam.
Por um momento seus olhos ficaram negros e depois voltaram ao normal. Ela enfraqueceu e eu a peguei antes de atingir o chão.
— Infelizmente há nada que eu possa fazer. — Ela concluiu ainda apoiada em mim.
— O que quer dizer?
— Não há como ressuscitar as bruxas da Colheita se a sua energia foi roubada.
— E para onde foi esse... poder?
— Elas morreram em New Orleans, certo? — Eu concordei e ela prosseguiu. – Logo a energia que foi desviada também permanece lá. No cemitério Lafayette, especificamente, já que foi o palco do ritual. — Ela disse meio óbvia e a sentei.
Por algum motivo ela ficou preocupada e não quis abrir o jogo, mas provavelmente ela sabia qual seria a minha reação diante dessa omissão e respirou fundo antes de começar a falar.
Eu saí de lá extremamente satisfeito apesar de não ver uma gota de sangue rolar com uma dose cruel de culpa apontando para mim.
— Enquanto você brincava de tabuleiro lá encima, eu fiz mais uma apresentação. — Caroline disse com um sorriso enorme no rosto e o meu fechou.
— Não estrague meu bom humor, amor. Consegui algo crucial para o que eu quero.
— Então devemos comemorar! — Ela bateu uma palma empolgada e eu parei sério na sua frente. – Você pode deixar de ser ranzinza pelo menos uma vez na sua vida e comemorar algo?
— Não há nada para comemorar, Caroline. New Orleans ainda precisa ser controlada, minha filha tem mais inimigos do que pode contar e tudo o que eu quero no momento é contornar isso e fazer Davina voltar.
— OK. Foda-se. Eu vou. Depois de comer algo, claro. — Ela me empurrou para o lado e andou em direção a movimentação.
— Você não precisava “acabar logo com isso para dormir”, senão surtaria? — Falei um pouco mais alto e ela olhou para mim.
— Você viu onde estamos? — Ela apontou para todos os cantos e sorriu. – Só me dê o endereço de onde está e abra a porta para mim em silêncio, por favor. Sua voz já me irrita naturalmente e me irritará mais ainda se eu estiver com sensibilidade pós alcóolica. — E saiu caminhando sem me dar chances de respondê-la apropriadamente.
Quando entrei no clube Caroline já estava louca. Não consegui descansar muito tempo pensando no que ela faria sozinha nesse lugar um pouco mais liberal do que está acostumada e se ela tinha trocado de roupa por debaixo daquele sobretudo curto. Pela primeira vez eu me permitiria enlouquecer com ela. Eu queria um jeito de reverter a morte de Davina, algo ao qual manter meus objetivos e consegui. Por enquanto estava tudo sob controle, então não havia motivos para não “celebrar”.
Avistei de longe um cara puxando assunto com Caroline enquanto seus amigos ficavam em volta dela como se fosse o abate da noite.
Me aproximei e a puxei para perto de mim, deixando os abutres sem reação.
— Não precisa agir como se fosse o macho alfa! — Ela disse um pouco chateada por eu ter a tirado um pouco do centro das atenções, mas não tão surpresa em me ver ali.
Não há muitos clubes em Amsterdã, então não foi tão difícil encontrá-la.
— Amor... Eu SOU o macho alfa. — Eu disse quando a voltei do giro que eu dei nela durante a dança, colocando a mão em sua cintura e continuando.
— Klaus... — Ela afastou o seu rosto do meu. – Não estamos em um baile. — Eu ri e ela sorriu de volta.
— Eu sei. — E ela colocou seu rosto novamente no meu ombro.
— Vou ao banheiro. — Caroline disse subitamente e se afastou, indo em direção aos toaletes e percebi que não estava louco suficiente para aturar essa noite.
Praticamente uma garrafa de absinto quase sem pausa para respirar e eu estava no meio da pista sendo agarrado por algumas mulheres enquanto dançava com outras no meu pescoço. Por mim, com aqueles corpos quentes e pulsantes tão próximos, seria o maior banquete do mês, mas tentei manter o mínimo de civilidade possível e seguir com a noite sem pensar no quanto eu queria sugá-las até que não haja uma gota sequer de sangue em seus corpos. Ao invés de drenar corpos, eu o fiz com mais uma garrafa rapidamente tentando afastar os pensamentos homicidas de mim.
— Quem é você?! — Caroline gritou algo no meu ouvido e eu não entendi.
— O QUE? — Perguntei ainda sem entender.
A música irritante estava alta em excesso, o que contribuiu para o quadro de insanidade do qual me encontrava.
— É... Q u e m — é — v o c ê. — Ela me puxou e disse pausadamente como se explicasse a um bebê que ele não pode morder o amiguinho. – Devolva o Klaus, seu maldito! — Ela completou me dando um tapa no peito e eu achei tão engraçado que dei uma gargalhada.
Ela me acompanhou e continuamos gargalhando tanto tempo que entendi que eu estava realmente “mal”.
— Eu podia te filmar bêbado desse jeito. Ninguém acreditaria que você pode ser divertido. Queria que Stefan o visse nesse estado lamentável de existência.
— Ele já me viu pior. E já ficou pior também.
— Stefan? — Ela gargalhou, provavelmente imaginando a cena. – A quantos lugares você o levou?
— Incontáveis.
— Essa é a lua de mel mais longa de toda a história.
— Digamos que sim.
— Eu não estou me sentindo muito bem. — Caroline disse rindo e indo para o lado de fora. – Será que foram aqueles bolinhos da cafeteria? Bem que eles disseram que dá um barato.
Um muffin ou brownie com drogas. Impressionante como isso não me surpreendeu vindo de Caroline.
— E o quanto você bebeu agora? — Dependendo da mistura eu poderia cuidar dela ou quebrar seu pescoço e me poupar desse trabalho todo.
— Vários bolinhos. — Ela disse gargalhando e foi impossível não rir com a incoerência da sua resposta e o tom dela. Mas precisava me manter sério, o que a esta altura com meu estado alcóolico se tornou um desafio.
— Agora eu prefiro Stefan. — Esperei que Caroline me desse mais um soco ou um tapa e depois risse, ou até mesmo eu risse da cara que ela faria. Mas foi estranho.
— Não prefere não. Ele não pode fazer isso. Ou pode? — Ficamos frente a frente por uns dois segundos em silêncio até que meu sorriso fechou. E ela me beijou.
— Caroline. Talvez seja a quantidade de álcool, ou as drogas que a deixaram assim. Vamos voltar. — Eu disse e ela se aproximou novamente.
— Ssshhhhiiii... — Fez enquanto colocava um dedo na minha boca me mandando calar e sorriu.
Abri a porta do carro para ela, que a fechou antes que estivesse totalmente aberta, se encostando na mesma enquanto me puxava pela jaqueta me dando outro beijo leve. Me afastei novamente e ela repetiu o gesto sem soltar uma palavra. Caroline insistiu e me puxou ainda mais para dentro, agarrou na minha nuca e estreitou o contato. Eu coloquei uma mão no teto do carro, evitando que isso acontecesse, mas ela aproximou seu rosto ainda insistindo no beijo e eu apenas deixei. Ela deixou meu lábio inferior molhado com seu toque e eu dei permissão para ela continuar.
Nossas línguas se tocaram e senti um choque no contato. Tirei a mão do teto do carro e a imprensei contra ele.
— Caroline...
— E daí? Você também está.
— O que?
— Alterado.
— Sim, eu estou. — Olhei para baixo e ela olhou junto minha visível ereção.
— Não quis dizer desse jeito, idiota. — Ela me deu um tapa e riu.
Eu a prensei contra o carro e abri seu sobretudo, botando a mão dentro daquele pedaço de pano que ela ousa chamar de calcinha. Não, ela não tinha trocado de roupa, audaciosa. O local estava escuro e vazio. Caroline pensou em ter alguma reação, mas não conseguiu quando meu dedo deslizou na sua quente e úmida intimidade enquanto eu a encarava. Continuei com o movimento vagarosamente enquanto beijava seu pescoço, depois sua boca novamente. Seu semblante era de prazer e eu continuei até a sentir encharcada, implorando para eu a invadir. Quando abriu os olhos Caroline me viu a encarando daquela forma e me afastou, entrando no carro rapidamente, o trancando.
A respiração rápida e aliviada de Caroline durou tão pouco quanto a tranca da porta do carro quando a estourei e a arranquei lá de dentro.
— Você me deve outra porta.
— Esse carro não é seu, amor. — A olhei desejoso de cima abaixo e ela estremeceu. – e falaremos disso outra hora.
Eu a joguei no capô antes dela perceber e ameaçar reagir novamente, arranquei sua calcinha a jogando longe das nossas vistas e fiz o que o melhor Mikaelson faz quando quer dar prazer a uma mulher. O gosto dela era viciante e eu não queria parar.
Minha boca e língua dançavam em sua intimidade e eu poderia ouvi-la gemer mesmo se estivesse a milhas de distância. A cada vez que ela ofegava e se contorcia mais eu a torturava. Agora eu me deliciava com o corpo dela e estava no controle.
Caroline tentava de todas as formas me segurar ou me empurrar, não sei ao certo, pois segurei suas mãos de modo que elas fossem inutilizadas no momento. Eu parei quando percebi que estava bêbado, ela chapada e praticamente acordamos um bairro. Fechei sua roupa, entrando no carro em seguida.
POV CAROLINE
Como assim estou prestes a chegar ao ápice e Klaus para no meio do caminho? Eu mataria para voltar a sentir sua boca quente de novo e o mataria por ser tão rápido em fechar meu sobretudo e me jogar no carro.
— Ainda estou excitada. — Eu disse e ele me ignorou, dando de ombros. – Grosso!
— Você ainda viu nada.
— Vi sim... — Olhei com malícia para sua notável ereção, que pulsava sob aquele jeans. – Se fosse o Kol, garanto que não seria assim. — O provoquei.
— O que disse, amor?
— Que o seu irmão mais assanhadinho e super gato jamais deixaria uma dama passar necessidades.
Acredito que ele estava se segurando para não fazer nada comigo sob efeito das drogas para não dar motivo de queixas no dia seguinte, mas isso foi o auge. Ele ficou possuído. Eu falei sem pensar, como sempre. Mas a verdade é que eu nem precisaria estar chapada para falar algo do tipo para ele. Claro que não usaria seu irmão morto, isso foi apelação, mas eu não estava ligando naquele momento e jurava que Klaus finalmente cumpriria as suas constantes ameaças de me mandar para casa mais cedo e acabar com a minha festa.
Ele parou bruscamente o carro e me arrancou de lá, me jogando para dentro de uma casa em um bairro mais ermo. Eu sempre ouvi lendas de que quando você toma um susto ou sua adrenalina sobe subitamente, o efeito do álcool ou de algumas outras substâncias passa. Pelo jeito, não é só lenda.
— Eu vou te machucar, Caroline. — Klaus me jogou no carpete da sala. – e não vou parar nem que você implore. — Ele veio para cima de mim e me virou de costas, puxando meus cabelos para trás e sussurrando no meu ouvido. – eu não vou parar. Não vou.
Klaus me penetrou devagar e pude sentir seu corpo tremer. Ele alternava o ritmo entre o rápido e devagar, me fazendo não conseguir decidir sobre qual eu sentia mais prazer. Segurou meu quadril com força, deixando a marca dos seus dedos e me investindo com pressão. Eu empinava e rebolava em seu pau para senti-lo mais, arrancando gemidos dele. Klaus já estava perdendo o controle e os sentidos. Ele inverteu o jogo quando tirava por completo e me penetrava de novo várias e várias vezes e dessa vez eu que gemia mais alto. Era um jogo sujo por controle ao qual sabíamos exatamente como jogar, mas nunca quem ganha.
— Klaus... — Saiu mais como um gemido do que realmente gostaria. Ele me puxou pelos cabelos e investiu fundo, se mantendo assim e dizendo.
— O que, amor? — Falou rouco de novo em meu ouvido e eu molhei ainda mais. Esse sotaque...
— Por favor... — Eu não sabia mais se era por favor pare ou por favor continue. Finalmente decidi quando ele usou uma mão livre para me masturbar enquanto voltava a me estocar rápido e forte. – Não pare. Por favor não pare.
Meu corpo ganhou vida e me fez contrair por completo, sentindo-o mais dentro de mim e Klaus também perdeu suas forças.
Ele deitou ao meu lado e me puxou para seu peito, fechando seus olhos e dando um sorriso, tentando pular a parte da qual ele me encara e cai na real que amanhã cedo estaremos onde fomos destinados a estar, de lados opostos do ringue.
Estava cansada. Satisfeita e cansada. Rapidamente eu adormeci.
POV KLAUS
— Olhem só o que eu trouxeee... — Caroline fez um suspense e abriu a porta com a própria mala enquanto eu carregava as outras três. – ROUPAASSSS... DE... PA-RISSSS!!!
— AAAAAHHHHHHH!!! — Elas gritaram como loucas se abraçando e pulando ao mesmo tempo em círculos. Nunca em minha existência entenderei esse comportamento feminino.
— Klaus? — Elena finalmente percebeu a presença de alguém no quarto. Devido ao complexo de perseguição que rege a sua vida, ela deveria prestar mais atenção nos detalhes. – A última vez que o vi você nos deixou presos para morrer de fome ou matar nossos amigos. — Ela se aproximou de mim como se fosse fazer algo, coitada.
— Caso se esqueceu, devo lembrá-la que só o fiz porque vocês, junto a sua amiguinha Bonnie, tentaram me matar.
— Porque você fez o mesmo conosco antes! — Ela só não avançou em mim e teve um membro arrancado porque Caroline a afastou de mim, se colocando entre nós dois.
— Ei eiei, calma gente! Eu e Klaus, nós... convers... — Ela deu uma vacilada entre as palavras e eu ri. – Bom... O importante é que ele não irá mais nos perturbar. Certo...? — Ela me fitou com um olhar matador e embora eu quisesse responder que “não”, tive que concordar. Não estava com paciências para brigas adolescentes.
— Como quiser, amor. — Eu sabia que ela odiava quando eu a chamava amor perto dos seus amigos mais do que quando estamos sozinhos.
— Meninas. — Caroline avisou e saiu comigo. Dei um tchauzinho irônico antes de Caroline fechar a porta com força e me levar irritada para o lado de fora do Campus. – Estava bom demais para ser verdade! — Ela cruzou os braços de frente para mim e eu ri.
— Não consigo evitar, amor.
— Não me chame de amor, Klaus!
— Estamos sozinhos, Caroline.
— É, estamos. — Ela falou conformada. – E você não consegue evitar ser idiota nem no último momento.
— Último momento... — Me aproximei dela, que não recuou, apenas permanecia de braços cruzados como se quisesse proteger algo. Como se quisesse proteger a si mesma de alguns pensamentos que deviam ser proibidos em sua mente. – Então isso é uma despedida.
— Sim. — Ela sorriu sem animação e eu a beijei.

Eu o faria novamente e de uma maneira mais devastadora de modo a provar que eu era bem melhor fazendo coisas no escuro do Campus Withmore do que um qualquer numa festa universitária quando meus instintos de predador não me deixaram ignorar um cheiro inconfundível. Antes que eu agisse como sempre, de maneira violenta e descompensada, saí dali sem deixar vestígios.
POV CAROLINE
Eu estava com raiva. Mais triste do que com raiva, na verdade. Não conseguia explicar porquê. Klaus me pegou desprevenida, me dando um selinho sutil e demorado. Eu tenho certeza que ele teria feito algo mais se não saísse dali correndo de mim como um covarde. A parte boa é que com isso seria bem mais fácil não pensar nas nossas aventuras e o quanto, mesmo involuntariamente, eu me diverti nessa viajem. Não via a hora de contar para Stefan e já mandei uma sms para ele marcando de nos encontrarmos para desabafar tudo, menos as partes pornôs, isso eu pularia, claro. Me peguei rindo alto quando escutei um barulho atrás de mim. Preparei um dicionário de palavrões para atirar na direção de Klaus, quando me virei e deixei o celular cair no chão, pronunciando involuntariamente.
— Tyler.
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