Hot Cold Blood - Klaroline.

1 Capítulo 1 - O Feitiço contra o Feiticeiro.


— Bonnie, não há outro meio de reverter esse feitiço? — Perguntou Elena em um tom desanimado se jogando no sofá dos Salvatore.

— Não, não há. Não temos escolha. — Afirmou Bonnie.

Houve então um silêncio mortal quando um barulho alto vindo da porta de dentro da casa fez com que as duas acordassem do devaneio.

— Elena, Bonnie! — Exclamou Damon. – Precisamos "sacrificar" alguém de fora. — Disse e o silêncio novamente tomou o recinto.

— Não. Eu vou! — Stefan apareceu do lado de fora da porta da sala recostando no vão externo, de braços cruzados. – Afinal, já convivemos um bom tempo e o conheço melhor que todos você. Talvez ele ceda ao meu pedido.

— Não sem algo em troca. — Elena diz ainda sem esperanças.

— Só não podemos deixar com que essa droga de feitiço acabe com as nossas vidas, Elena!!! — Exclamou Damon irritado.

Klaus ia embora de Mystic Falls na noite em que resolveram dar um jeito dele nunca mais os perturbar. Já que não poderiam matá-lo, seria mais cômodo o manter trancado num caixão com a adaga mergulhada nas cinzas de carvalho branco em seu peito e a sete palmos, como ele já fez com a própria família. Não sabiam se funcionaria afinal ele agora é um híbrido, mas não custava tentar. Klaus finalmente descansaria seu sono eterno da beleza.

Acontece é que não sabiam que o mesmo iria embora e consequentemente nunca mais os faria qualquer mal.

Tramaram o plano perfeito. Isolaram os dois Originais que ainda acompanhavam o irmão com traços psicopatas. Elijah fora atraído para fora da cidade com a missão de acabar com a vida de quem tramava contra seu irmão, e essa era uma desculpa fácil demais para usar caso precisassem o manter ocupado. Rebekah já fora atraída por Matt para irem a um lugar distante e mais íntimo. Sem desconfiar, ambos se afastaram do irmão híbrido. Seria impossível dar conta de três Originais, e com um deles híbrido então...

Foi realmente o plano perfeito se não fosse pelo fato de Klaus ter feito mais alguns escravos híbridos, que ele cismava de chamar de companheiros, para acompanhá-lo na sua nova vida em New Orleans.

FLASK BACK ON

Klaus saiu antes do final do Baile Anual de Mystic Falls. Caroline não estava, então nada parecia ter muito sentido naquele lugar. A decoração estava terrível, a música não combinava e os trajes estavam bagunçados. Sentiu por milésimos de segundos falta do bom gosto da loira.

Klaus se encaminhou para o carro, com calma o abriu e dirigiu até sua casa.

Lá esperava Bonnie, pronta para executar uma magia que o enfraquecia enquanto o Salvatore mais velho era o encarregado de apunhalar o coração do híbrido. Parecia simples e funcional, afinal Bonnie estava MUITO mais forte e isso consequentemente potencializou toda a sua magia. Imobilizaria o híbrido enquanto Damon faria o trabalho. Stefan e Elena seriam seus reforços caso algo saísse do planejado.

E saiu...

Assim que Bonnie ameaçou a praticamente explodir os miolos de Klaus, seus híbridos apareceram e a pegaram por trás, desprevenida. Eles a afastaram e um a segurou numa ameaça constante de separar sua cabeça do restante do corpo. Bonnie olha para o lado e vê Damon na mesma situação, então sabia que não havia a possibilidade de usar qualquer tipo de magia para eliminar o exército do mal.

Klaus em fúria, mas ainda enfraquecido, levanta-se e vai em direção a Damon. Procura pela estaca de Carvalho Branco cujo sabia que não encontraria, pois queimara a última restante, mas não hesitaria em dar mais uma checada. Apalpou mais um pouco e achou o punhal.

— Como vocês são tolos. Sabem que isso não me prende não me derruba, não me adormece... O máximo é abrir um pequeno buraco que em poucas horas fechará, Já em você... Diz Klaus numa calma assustadora apontando a arma para Damon e se aproximando lentamente, de modo a causar um suspense preocupante.

POV KLAUS

Eles são estúpidos por acharem que conseguiriam me aprisionar. Por sorte, arrebatei alguns companheiros para levar comigo na viajem de volta a New Orleans. Veio a calhar.

Olho para Damon com o punhal apontado para seu peito. Uso uma força mental descomunal para me controlar. A idéia não era matá-lo, afinal qual seria a graça de matar alguém que tem a vida inteira para sofrer?

— Então, qual prefere? — Olho divertido para as pernas de Damon. – A direita, ou a esquerda? Ou quem sabe aqui em cima... — Aponto para os seus braços. Divirto-me com o pensamento de ter um Damon por aí sem um dos membros e com pensamentos de qual sacrificar por ser mais inútil. Talvez se fosse pensar em inutilidade ele deveria preferir que... – OU AQUI! — Exclamo segurando sua cabeça tentando gentilmente romper o ligamento da medula, a separando de qualquer coisa que ele ousa chamar de cérebro ou consciência. Ouvia o berro de dor e os estalos dos nervos rompendo-se quando ouço mais alto ainda alguém gritando atrás de mim.

— KLAUS! NÃO!!!

Era Stefan. E Elena vinha logo atrás, desesperada. Era um choro quase infantil. Aquilo me irritava.

— Me dê três motivos para não fazê-lo, Stefan. — Disse ainda segurando o pescoço do querido odiado Damon em minhas mãos. – Um vacilo ou motivos não convincentes e tchau olhos azuis.

— Primeiro... — Stefan falou. Então oscilou por um momento e continuou. – Eu fui embora com você daquela vez, lembra? E prometeu a partir de então não fazer mal a quem eu amo. Segundo, você tentou e sempre tenta matar todos em qualquer oportunidade que tem, então fizemos o mesmo. Estamos quites! — Stefan parou de falar por um momento, parecia que hesitava em falar algo desagradável.

— Bom. — Eu disse com uma voz sarcasticamente doce. – Já que não tem um terceiro motivo... — Falei enquanto desistia de arrancar a cabeça do Salvatore mais babaca e enfiava a mão no peito de Damon de modo a agarrar seu coração. O mesmo rapidamente vomitou sangue. Não aguentava, coitado. Estava por um fio de me divertir sobre o cadáver de alguém e esquecer o negócio de não matar, apenas fazer sofrer quando Stefan completou.

— E... Estamos com Rebekah e Elijah.

Parei imediatamente. Meu coração, se é que ainda tenho um, gelou. Meus irmãos eram traidores, de vez em sempre faziam besteiras, mas nada que não fosse perdoável perto do que eu vivia fazendo a eles.

— Você não... — Bufei beirando o descontrole. Olhei para todos imaginando como cada um morreria. Faria todos de um jeito diferente, incluindo alguns novos métodos, me elevando ao topo na escala da maldade.

— Não. Não fizemos o que iríamos fazer contigo. Fizemos nada de mal a eles. — Falou Stefan tranquilo. – Por enquanto. — E arqueou a sobrancelha em tom de ameaça.

Que audacioso. Como ousa me ameaçar?

— VOCÊS NÃO PODEM CONTRA ELES!!! — Gritei, e pude perceber meu rosto molhado pelo suor. – Está blefando. — Falei convicto num misto de instantânea calma e ódio.

— É só tentar a sorte. — Stefan falou. Muito calmo para parecer um blefe, pensei.

É... eu não iria dar sorte ao azar.

Soltei o peito do Salvatore menos falso bom moço e o coração dele não veio junto com a minha mão. Ainda bem.

— Podem ir. — Disse a eles me afastando e apontando para fora da propriedade Mikaelson. Minha propriedade. – Mas saibam de uma coisa... — Já estávamos todos de costas um para o outro nos afastando lentamente quando nos viramos e concluí. – Haverá consequências. — E na pressa entrei em casa.

Peguei o celular e liguei para Rebekah e Elijah. Ambos estavam bem. Após me certificar da ainda existência deles no universo me tranquilizei de modo que quase desisti de fazê-los pagar. Mas não poderia. Quando profiro algo, isso se cumpre.

FLASH BACK OFF

O dia amanheceu depressa e eu nem dormi. Mesmo sabendo que estavam bem. Saí junto com o Sol à caça da consequência prometida aos moradores não convencionais de Mystic Falls. O elaborei o dia todo e quando voltei, Elijah já me esperava arrumado e Rebekah estava mais sorridente que nunca e, sinceramente, não estava interessado em saber porquê.

— Vamos embora, Klaus. Já conseguiu o que queria tornando-se um híbrido. O Híbrido Original. Já está na hora de voltarmos.

Elijah falou com uma calma de alguém que meditou 100 anos para articular uma frase. Apontou para o carro do lado de fora e andou em direção a ele.

— E você Rebekah? — Eu disse em um tom esperançoso e ela deu de ombros.

— Quem sabe um dia Nik. — E abraçou Elijah. Não queria me abraçar e eu não queria que fizesse, mas ela não poderia resistir e me apertou com força. Virou de costas para nós e entrou um pouco cabisbaixa.

Seria uma longa viajem, e Elijah não tinha a mínima noção do que eu deixara de presente de despedida.

Entrei no carro e fui.