Hot Coffee
1 Hot Coffee
Notas iniciais
E lá vamos nós~
Pessoas conversando, carros passando, uma música tocando dentro da loja. Era um sábado normal para a maioria das pessoas. Para aqueles dois jovens que conversavam sentados também seria. Se não fosse o fato de que para começar, um deles não era nada jovem e aquilo era quase uma despedida.
Rachel tomava um longo gole de seu expresso enquanto ouvia Apolo falar. A roupa manchada de tinta parecia combinar com os cachos ruivos revoltos presos com uma caneta. Seus olhos observavam com pouca curiosidade o rapaz de cabelos louros, pele perfeitamente bronzeada e roupas de surfista a sua frente. No fundo ela estava mais preocupada com a dissertação pela metade em sua mochila.- Basicamente, estou ferrado. — ele disse e deu um último suspiro, largando-se na cadeira.- Foi a primeira coisa que você disse quando começou a falar. — disse abaixando o copo vazio.- É a verdade. — disse endireitando-se e colocando os cotovelos sobre a mesa.- Você nem ao menos faz ideia do que vai acontecer? — ela perguntou com uma sobrancelha arqueada.Fazia quase um mês que a Guerra acabara e o castigo de Zeus para Apolo ainda não fora revelado. Aparentemente Apolo teria que resolver assuntos pendentes antes de ser punido.- Algumas. Não é como se Zeus fosse muito criativo para essas coisas. — o loiro olhou de relance para o céu em busca de trovões de repreensão, mas eles não vieram.- O que é uma punição para um deus como você? — ela perguntou genuinamente curiosa. Sabia de algumas histórias daquele tipo. Sofrer pelo resto da eternidade e coisas assim. Mas fariam algo daquilo contra um dos doze olimpianos?- É difícil dizer. Ele poderia me fazer viver como um mortal, ou me proibir de ter filhos por cem anos. É relativo. — ele falou dando de ombros.Ela sorriu de lado e revirou os olhos.- Viver como um mortal é um castigo pra vocês? Sério?- Nem tanto pra mim. Vocês têm um ritmo de vida interessante. Não me importaria de viver assim. — ele disse sorrindo — Falando disso, como está a escola?- Faculdade. — ela corrigiu e virou-se para trás para pegar algo na mochila.- Ah, claro, você é uma adulta agora, esqueci. — falou com sinceridade e depois piscou os olhos confuso com a constatação. Em que ano estavam mesmo? Não havia recrutado Rachel como oráculo há um ano ou coisa assim?- Está falando como a minha avó. — disse a ruiva colocando um laptop sobre a mesa. Parou uma garçonete que passava e pediu mais um copo de café. Apolo balançou a cabeça com o semblante sério.- É o seu segundo expresso em menos de uma hora, isso não vai te fazer bem.- Vida de estudante, você não entenderia. — disse com os olhos ocupados com o computador e o texto que escrevia.- Desculpe-me, mas eu tenho pelo menos cinco mil anos de idade. Eu acho que sei como é a vida de um estudante. — disse com certo sarcasmo e frisando a palavra "acho" — Também sei que não há como alguém passar em uma prova com duas noites mal dormidas à base de energético.Ela levantou o olhar e arqueou as sobrancelhas.- Estava me espionando?- Estava checando. Sabe, o espírito não se sente bem em corpos que não estão saudáveis. E na terça você era um deles. — disse ainda sério, mas sem o tom repreensor de antes.Ela ficou em silêncio por um tempo antes de respirar fundo e afundar o rosto nas mãos, os dedos massageando as têmporas. Ela já devia saber. Nunca estaria livre do olhar atento de Apolo. De certa forma era bom. Tinha alguém em quem confiar. Uma sabedoria anciã para lhe dar conselhos e fazer péssimos haikais.- São os meus pais. São contra eu ir morar sozinha e ter minha própria vida, como sempre. Começou com uma discussão boba e terminou com eu sendo "o fim dos negócios da família". — ela disse fazendo aspas no ar com uma careta — Sinceramente, não vejo a hora de ir embora.Apolo olhava com um olhar de compaixão. Brigas familiares eram sempre ruins. As de deuses eram bem piores, então ele tinha ideia do que Rachel passava. Gostava de ajudá-la, conversar com ela. Era diferente das outras moças. Tinha um jeito próprio de ver o mundo. Não se importava se estava falando com um colega de classe ou deus grego, trataria os dois da mesma forma.Quando se pegava pensando dessa forma tratava logo de esquecer tudo e se concentrar em outra coisa. Pois aquelas características estavam todas em certo grupo de mulheres: suas amantes mortais. De todas elas, a única que ele não admitiria tentar algo seria Rachel. Não só por ser o oráculo. Ela era especial. Era mais que uma serva, era uma amiga. Ele nunca, jamais faria com que ela sofresse como as outras.Ele deve ter se desligado por alguns minutos, pois voltou à realidade com a mão da ruiva balançando sobre seu rosto.- Tem alguém aí? — ela perguntou com um sorriso. Sua outra mão segurava um novo copo de café.Ele piscou algumas vezes antes de esfregar os olhos.- Acho que eu que preciso dormir.- Não sabia que deuses dormiam. — ela fechou o laptop, colocando-o na mochila — Tenho que voltar à aula.- Quer que eu vá com você? Eu não me importaria, sério. Só mexer um pouco com a Névoa, eu seria um ótimo estudante de Artes. — disse se levantando ao mesmo tempo que ela.
- Não precisa, você tem mais o que fazer. — disse terminando de arrumar suas coisas.Os dois se encararam por um momento constrangedor, não sabendo o que dizer ao certo.- Então...eu não vou te ver mais? — ela perguntou com certo tom de melancolia. Ele colocou as mãos nos bolsos da calça jeans, encolhendo os ombros e desviando levemente o olhar.- Não sei. Realmente é um mistério o que vai acontecer daqui pra frente. — ele disse em voz baixa. Voltou a encará-la decidido — Mas mesmo que acontecer algo muito grave, eu vou fazer de tudo pra te visitar. Nem que seja apenas em sonho, eu dou o meu jeito. Está bem?Ela apenas assentiu, dando mais atenção aos próprios pés e à rua. No final um esboçou um sorriso.- Se acabar virando humano, eu te dou uma ajuda. Se bem que não é bem um castigo, certo?Ele sorriu também, mostrando os dentes perfeitos que faziam qualquer garota suspirar. Ela só sentia um frio na barriga.- Certamente, não é um castigo. Ele se aproximou e lhe deu um beijo na bochecha. Era quente, como se ele estivesse com febre. Ou era ela que tinha febre? A questão é que ali naquele momento ela sentia calor.- Até mais, Ray. — ele se despediu com um aceno da mão e saiu pela rua, misturando-se a multidão até o momento em que não se podia ver seus cachos loiros.Ela ficou parada ali olhando para o nada por um tempo, até se dar conta de que estava atrasada. Pagou sua conta e saiu apressada para a universidade, com aquele sentimento agradável de que alguém se preocupa com você.
Notas finais
yay como eu disse, bem curto. Also, eu acho que uma historia em que o Apolo tem que viver como humano como castigo seria beeem criativo...~discretamente desliza nota de cem pela mesa~
#ficaadica
Bem, digam-me o que acharam!
XOXO
#ficaadica
Bem, digam-me o que acharam!
XOXO
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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