Hostage

3 Capítulo 2 - Cada respiração que você dá e cada movimento que você faz...


Notas iniciais
Olá, espero encontrá-lo bem! Achei interessante avisar que essa fanfic possui uma versão em au!text no twitter, sendo que a primeira parte está terminada. Apesar da trama central ser a mesma, os enredos são diferentes, então pode ser que você ache interessante ler. Meu @ no twitter é QueenofSly e no meu fixado você pode encontrar essa e outras aus. Boa leitura!

Lily Evans procurava desesperadamente sua carteirinha.

Sob o olhar vigilante da bibliotecária, que parecia julgá-la, ela tirou todo o conteúdo da sua bolsa. Primeiro o computador, que ocupava um espaço considerável, inclusive abrindo o aparelho para ter certeza que a carteirinha não estava entre o teclado e a tela. Depois a agenda e um caderno pequeno para anotações importantes, folheando ambos de forma minuciosa.

Sentindo seu nervosismo aumentar, ela revirou o estojo com as canetas coloridas, sua carteira e necessaire, analisando todos os bolsos da bolsa e da própria roupa até que foi forçada a suspirar, derrotada. A carteirinha não estava ali, o que significava que ela não podia emprestar a pilha de livros que havia pego e que estavam sobre a mesa, ao lado de suas coisas.

Se tivesse sorte, ela encontraria a carteirinha de estudante quando chegasse em casa. Se tivesse azar, o que era mais provável levando em consideração seus últimos dias, ela teria que pedir a segunda via e pagar trinta reais para ter acesso aos privilégios de estudante universitário que lhe foram tirados momentaneamente. Contendo um palavrão, ela sentou numa cadeira e começou a guardar suas coisas, se perguntando se a bibliotecária teria piedade da sua alma e a deixaria emprestar os livros se em troca Lily ficasse uma semana organizando as estantes.

— Algum problema?

Lily interrompeu sua divagação para encarar o homem parado ao seu lado. Ele era esguio, com os olhos e cabelos escuros da mesma cor, em um tom que a remeteu a chocolate quente. Pequenas cicatrizes ocupavam um lado do seu rosto, indo da sobrancelha ao queixo, como se um gato raivoso o tivesse o arranhado há algum tempo atrás. Percebendo que o estava encarando de maneira indiscreta, Evans desviou o olhar para os sapatos sociais dele, reparando que os mesmos combinavam com a calça de alfaiataria e a camisa social com as mangas dobradas.

O tom de voz que ele usou com ela, gentil e preocupado na mesma medida, somado com o paletó cuidadosamente dobrado e colocado sobre a bolsa lateral de couro marrom, que ele carregava em um dos ombros, fizeram com que ela finalmente percebesse porque tinha a impressão do homem ser familiar.

Ele era Remus Lupin, professor de História no Colégio Gryffindor. Lily sabia disso porque, há alguns anos, Sirius Black havia lhe mostrado uma matéria d’O Profeta Diário em que Remus estava sendo parabenizado após ser votado como melhor professor do ano letivo de 2019. E Sirius conhecia Remus porque ambos haviam estudado juntos durante o ensino médio.

Parando de analisá-lo quando Remus se mexeu desconfortável, Lily suspirou e voltou a encarar a pilha de livros.

— Estou refletindo sobre as minhas chances de pegar esses livros e chegar no carro antes que a bibliotecária me alcance.

Ele deu uma risada nasalada, fazendo com que automaticamente ela gostasse dele.

— Não seria melhor se você emprestasse os livros? Assim ninguém precisaria correr.

— Bem, seria. Mas perdi minha carteirinha, então me sobram poucas opções.

— Entendo… Você é Lily Evans, não é?

Lily voltou a olhá-lo, percebendo que não havia se apresentado. Corando e pensando no sermão que ouviria se sua mãe estivesse por perto, ela assentiu e estendeu uma mão para ele.

— Sim. Como sabe disso?

Remus encolheu os ombros.

— Seria estranho se não soubesse seu nome. Sirius tem várias fotos suas no quarto dele e vive contando histórias sobre a última viagem que fizeram juntos… Só associei uma coisa com a outra.

Lily conhecia Sirius desde os treze anos de idade porque suas famílias moravam na mesma rua. Ela sempre passava na frente da casa dos Black quando voltava a pé da escola, de modo que ouvia com frequência os sermões raivosos da Sra. Black, mesmo dali, da calçada.

Ela não sabia se era por isso, mas com frequência via Sirius sentado na escadaria que levava até a porta de entrada da casa dos Black. Quase sempre que olhava pela janela do seu quarto, ele estava lá. Às vezes, ele percorria a rua em que moravam de uma ponta a outra, em outras desenhava na calçada na frente da casa. E, na maioria das vezes, só ficava sentado sem fazer nada.

Em um desses dias, quando a lição de gramática estava particularmente ruim, Lily tomou coragem para sair do seu quarto, descer as escadas e atravessar a rua, percorrendo o pequeno trajeto até estar cara a cara com Sirius. Quando ele a encarou, com os olhos assustadoramente claros, e afastou o cabelo comprido do rosto, ela perguntou:

— Por que você sempre fica aqui?

— Porque é melhor do que ficar em casa — ele disse simplesmente.

E Lily não precisou de mais justificativas. Seus pais raramente brigavam com ela ou com a irmã e quando o faziam, nunca gritavam com elas. Os Evans acreditavam que o diálogo era o melhor caminho para a resolução dos conflitos e que para que o diálogo existisse, todos precisavam ser ouvidos e respeitados.

Ela não precisava ser a melhor da turma para perceber que a casa dos Black era diferente da sua. Diferente de um jeito ruim. Lily entendeu rapidamente porque o garoto, que a encarava de forma indiferente, preferia ficar ali fora.

— Qual o seu nome? — ela perguntou.

— Sirius. E o seu?

— Lily. Eu moro na casa 4 — ela indicou o lugar com a cabeça.

— É, eu sei — foi tudo o que ele disse enquanto levantava.

E foi isso. Sirius entrou em casa e Lily percorreu o caminho de volta para a sua, contando à mãe sobre a estranha conversa que tinha tido com o menino da casa 13. A Sra. Evans não precisou de mais informações para entender que a família Black era… Complicada. Por isso, no dia seguinte, quando viu o garoto sentado na escada sob o sol, ela o convidou para ir até sua casa para comer sorvete, indicando a sacola do mercado que carregava em uma tentativa de mostrar que realmente tinha sorvete.

Sirius hesitou por um segundo, imaginando que sua mãe odiaria se soubesse que ele entrou na casa de um vizinho. Com esse pensamento, ele sorriu e acompanhou a Sra. Evans até sua casa, encontrando Lily na cozinha. Os dois se encararam por alguns segundos, meio desconfortáveis, e sentaram enquanto a mãe dela arrumava tudo. Aos poucos, com a tagarelice da Sra. Evans, todos foram se soltando e conversando amenidades.

E foi assim que a amizade de Lily e Sirius surgiu: num dia de verão, em uma cozinha fresca enquanto tomavam sorvete, ao som de MPB e da conversa agradável incentivada pela Sra. Evans. Aos poucos, eles começaram a passar os dias no quintal dos Evans, brincando com água, ou na sala, assistindo filmes com Petúnia. Quando não estava muito quente, eles se aventuravam pelo bairro, descobrindo novas praças e lanchonetes baratas. Depois de alguns meses, Sirius e Lily estavam tão à vontade com a presença um do outro que o menino começou a invadir o quarto dela, interrompendo uma leitura qualquer para falar sobre uma briga que ocorreu no colégio ou algo assim.

Porque Lily e Sirius não estudavam no mesmo colégio. Os Black achavam a escola do bairro muito simples, de modo que Sirius e seu irmão, Regulus, frequentavam uma escola chique num bairro afastado. Na verdade, Lily se questionava com frequência o que a família de Sirius fazia morando em um bairro de classe média no subúrbio de Londres.

Mas isso logo mudou.

Um ano após o início da amizade, Lily e Sirius se despediam na mesma calçada em que se conheceram, com promessas de manter contato. Os Black estavam se mudando para um bairro chique de Londres, Sirius faria o ensino médio em um internato caro e Lily ficaria ali, na mesma escola em que estudou a vida inteira e na mesma casa em que cresceu.

Durante os anos de ensino médio, eles trocaram cartas que depois viraram longos e-mails com fotos de seus novos amigos, das apresentações dos trabalhos, das decorações de seus quartos… Foi assim que Lily soube que Remus era Remus, assim como provavelmente reconheceria James Potter, Peter Pettigrew e Marlene McKinnon na rua, se um dia esbarrasse com eles.

Era meio estranho, na verdade, que após anos de amizade Lily não tivesse conhecido nenhum dos amigos de Sirius, mas não podia culpá-lo. Afinal de contas, ele também não conhecia nenhum dos amigos dela.

Se perguntando quando Sirius voltaria para Londres, Lily levantou e respondeu:

— Sei o que quer dizer. Você é Remus Lupin, certo?

— Primeiro e único — ele disse, sorrindo. Então indicou os livros com a cabeça quando viu ela pegar a bolsa. — Não vai emprestá-los?

— A menos que você aceite carregar alguns exemplares até meu carro, creio que a missão de fugir da bibliotecária terá que ser cancelada.

Remus riu, fazendo com que a bibliotecária fizesse um sonoro “shhhh!’’. Ignorando-a, ele mexeu na própria bolsa.

— Bom, não é a mesma coisa do que correr pelos corredores, mas acho que serve — ele disse, estendendo a própria carteirinha de estudante para ela.

Lily arregalou os olhos, olhando dele para os livros e dos livros para a carteirinha algumas vezes.

— Tem certeza?

Remus deu de ombros.

— Qualquer amigo do Sirius é meu amigo. E eu não conseguiria dormir sabendo que em algum lugar por aí tem uma mulher chorando porque não conseguiu ler… Predição de Propriedades Termodinâmicas?

Ele perguntou após ler a capa do livro que estava no topo da pilha, olhando para Lily com um olhar julgador ao mesmo tempo em que ela pegava a carteirinha dele.

— É meu tema de mestrado. Sou formada em Engenharia Química e meu mestrado é na área de termodinâmica, cinética química e reatores, mais precisamente na predição de propriedade termodinâmicas e equilíbrio químico e de fases.

— Me parece um monte de palavras difíceis para uma coisa pior ainda.

Lily riu, atraindo outro “shhhh!’’ da bibliotecária.

— Basicamente. Você faz o que aqui?

— Aqui na Terra ou aqui na universidade?

— Você sabe o que está fazendo aqui na Terra?

— E alguém sabe?

— Deixa eu adivinhar… Filosofia?

Remus riu e ambos silenciosamente concordaram em pegar logo os livros para emprestarem antes que a bibliotecária os expulsasse dali.

— Na verdade, não. Sou formado em História e faço mestrado em Direitos Humanos e Políticas Públicas — diante do olhar dela, ele completou. — Fiz uma pós em Educação, mas ultimamente tenho sentido vontade de estudar Relações Internacionais, políticas públicas… Sei lá.

— Sei como é. Às vezes penso em largar engenharia e ir estudar física, cosmologia…

A conversa foi interrompida quando chegaram ao balcão. A bibliotecária ficou mais do que contente em emprestar os livros para eles, meio que os mandando embora quando terminou seu trabalho. Do lado de fora, Lily agradeceu Remus. Ela sabia que ele era inteligente e gentil, mas ainda assim estava surpresa com o fato de ele simplesmente dar sua carteirinha para uma estranha emprestar seis livros, correndo o risco de sujar seu nome e ter uma multa por atraso que poderia se estender até sua formatura.

Porque a verdade era essa, Lily e Remus não passavam de estranhos com um amigo em comum.

— Prometo que vou devolver os livros antes do prazo — ela disse enquanto eles caminhavam até o carro dela.

— Não se preocupe com isso. Em último caso, eu sei qual é o seu carro.

— O que quer dizer com isso?

— Que caso você atrase os livros, pode pagar a multa, mesmo que esteja em meu nome. E caso não queira pagar, eu sempre posso pedir para alguém guinchar o seu carro.

— Alegando o que? — ela perguntou, abrindo o porta malas para guardar suas coisas.

— Não preciso alegar nada. Tenho um amigo na polícia que conhece um cara que guincharia seu carro apenas por diversão.

— Anotado — riu ela, fechando o porta malas e se virando para ele. — Mas não se preocupe. Não vou atrasar.

— Eu sei, estou só brincando com você. Sou professor na Gryffindor, não recebemos multas por atraso.

A Gryffindor era uma das escolas de elite que tinham vínculo com a Universidade de Hogwarts. Era a escola em que Sirius estudava antes de ir para o internato, um lugar em que Lily jamais sonhou em colocar seus pés. Só a mensalidade era quinze mil libras, mas ainda assim ela às vezes se encontrava fantasiando com o sistema de intercâmbio oferecido pela instituição — sistema o qual permitiu que Sirius conhecesse Oliver, que morava na França, e Amos, que morava nos Estados Unidos.

— Mesmo que você nunca devolva o livro?

Ele deu de ombros, colocando as mãos nos bolsos da calça.

— Tecnicamente recebemos bem o bastante para não precisarmos fazer isso, mas é. Mesmo que eu fique com o livro, não há multa. Talvez uma advertência ou algo assim.

Lily assentiu, se encaminhando para o banco do motorista quando viu o horário.

— Prometo devolver antes disso.

Remus acenou e eles se despediram com a promessa de se encontrarem para um almoço ou algo assim na próxima semana. Lily entrou em seu carro e Remus seguiu seu caminho a pé já que a escola em que trabalhava era ali perto. Nenhum dos dois percebeu o homem alto de cabelos negros oleosos que os observava desde a biblioteca.

***

No final daquele mesmo dia, Lily recebeu uma mensagem de Sirius perguntando como havia sido o encontro entre ela e Remus. Após algumas mensagens trocadas, ele disse que voltaria para a Inglaterra na próxima semana — Sirius estava em Los Angeles, visitando Amos Diggory —, de modo que ele e Lily poderiam sair para conversar.

Combinando de se encontrarem em breve, eles se despediram e ela pode dedicar as próximas horas para tentar organizar seu apartamento ao mesmo tempo em que fazia uma vídeo chamada com Alice Fortescue, Mary MacDonald, Dorcas Meadowes e Emmeline Vance.

Lily era amiga de Alice desde que se lembrava porque suas mães eram melhores amigas, de modo que as famílias se encontravam com frequência e a convivência entre as garotas passou de forçada para algo natural com o tempo. Mary se juntou ao grupo durante o ensino médio delas, quando os MacDonald deixaram os Estados Unidos para morarem no subúrbio de Londres devido ao trabalho do pai de Mary.

Foi só durante os anos de faculdade que Dorcas e Emmeline se juntaram ao grupo. Apesar da primeira cursar Letras e a segunda Veterinária, elas se juntaram a Lily em uma matéria optativa e deram todo o apoio que Evans precisava, afinal de contas fazer faculdade já não é muito fácil, mas fazer isso estando longe de sua família e amigos deixa tudo mais difícil. Porém, desde que decidiu que queria ser Engenharia Química, Lily sabia que precisava se formar na MIT, afinal de contas o Instituto de Tecnologia de Massachusetts é classificado como a melhor universidade do mundo na área.

Por isso, após se formar no ensino médio, Lily deixou a Inglaterra para trás e partiu para os Estados Unidos, morando no campus durante os anos de faculdade e contando com o apoio de Dorcas e Emmeline desde o primeiro ano. Após a formatura, Evans retornou para casa e algum tempo depois, Dorcas se mudou para Londres por causa do trabalho e Emmeline decidiu acompanhar as amigas depois de um término difícil.

Agora elas conversavam por vídeo chamada, em parte porque suas vidas caóticas impediam que se encontrassem com tanta frequência quanto gostariam e em parte porque Alice havia se mudado para Nova York com Frank Longbottom há alguns meses — algo que elas sabiam que iria acontecer desde que Alice disse que estava namorando um jogador de futebol americano.

— Sou muito doida por dizer que ver vocês falando da faculdade está me deixando com vontade de estudar de novo? — Alice perguntou depois de Lily terminar de falar sobre o trabalho que tinha que fazer.

— Sim — Emmeline respondeu imediatamente, empurrando Mary para o lado com o ombro, de modo que conseguisse aparecer na câmera. — Ouvir a Lily só me lembrou da apresentação sobre dermatite canina que eu tenho que fazer.

— Não é pra daqui um mês? — Mary perguntou ao mesmo tempo em que mexia na câmera, de modo que as outras conseguissem ver que ela estava sentada com Emmeline se inclinando sobre ela enquanto Dorcas dobrava roupa, ao fundo.

— Sim e eu já quero chorar — Emme choramingou, indo ajudar Dorcas.

Emmeline, Dorcas e Mary dividiam um apartamento em Londres devido ao valor alto do aluguel e para Lily era uma surpresa que não tivessem se matado ainda. Emmeline podia ser difícil de lidar às vezes e Dorcas não era conhecida pela sua paciência, mas talvez a personalidade calma de Mary fosse tudo o que elas precisavam para manterem as coisas nos eixos.

— Como foi o teste que fez na semana passada, Mary? — Alice perguntou enquanto mudava o celular de lugar, cozinhando o jantar para ela e Frank.

Mary deu um suspiro triste, soltando o corpo na cadeira.

Formada em Artes Cênicas, Mary fazia alguns testes por semana na esperança de ser contratada para alguma série ou peça de teatro. Até o momento ela havia conseguido coisas pequenas como figurante, seu personagem mais emocionante sendo a criada de Viola de Lesseps, na peça Shakespeare apaixonado. Lily sempre admirou a amiga por não desanimar, afinal de contas ser uma artista não era fácil, mas às vezes ela se pegava pensando como os pais de Mary, que diziam com frequência que ela deveria achar um emprego que realmente pagasse suas contas — os boletos atrasados de Mary eram motivo de conflito constante entre ela, Emme e Dorcas.

— O mesmo de sempre… Não sei, ultimamente estou pensando em começar a dar aulas de teatro em alguma escola ou algo assim — Mary respondeu, soando desanimada.

— Sério? — Dorcas perguntou, sem conseguir esconder a surpresa.

— É isso ou me mudar para Hollywood como naqueles filmes clichês.

— Sempre tem a opção de encontrar um marido rico — Emmeline disse num tom sábio.

— Sempre? — Lily não pôde deixar de rir.

— Então me apresente a um candidato porque eu estou pronta! — Dorcas exclamou, fazendo as amigas rirem.

Sabiamente elas escolheram não comentar que Emmeline poderia estar casada com um marido rico se ele não a tivesse encontrando traindo ele. Preferindo assuntos mais leves, as garotas passaram os próximos minutos tentando levantar a moral de Mary enquanto se organizavam para o dia seguinte, fosse comendo ou arrumando a casa.

Algumas horas depois, quando enfim se despediram, Lily se sentia mais leve. Ter uma conversa sem pé nem cabeça com as amigas era tudo o que ela precisava para dar conta daquela semana, afinal de contas não era fácil retomar os estudos quando se trabalha oito horas por dia e ainda encontrar tempo para ir à academia.

Depois de se ajeitar para dormir, ela interrompeu o processo de tirar as almofadas decorativas da cama para pegar o celular, sorrindo ao ver as duas notificações que iluminavam a tela.

Alice lhe mandou uma mensagem dizendo “podem me chamar de louca, mas amanhã mesmo irei me matricular no curso de Nutrição!’’ enquanto Sirius mandou uma foto dele e Amos com a legenda “LA não é a mesma sem você’’, se referindo à viagem que eles haviam feito no ano anterior.

Decidindo responder os amigos no dia seguinte, Lily deitou na cama e apagou as luzes, sem fazer ideia de que alguém olhava para ela da cobertura do prédio ao lado.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.