Hospital De Almas
2 Capítulo 2 - Começo do fim
Notas iniciais
Entrada de Oahomma — 12:30
Eu estava dentro do carro junto a minha ‘’família feliz’’ meus pais riam um para o outro e conversavam normalmente .Mal sabiam eles que eu não era mais uma criança , e que eu já sabia de tudo ,até mesmo que aqueles sorrisos não passavam de uma máscara barata.
Na antiga casa, desde o dia em que meu irmão mais velho ,John ,morreu minha mãe entrou em uma profunda depressão ,toma uma dose de remédios excessiva e fuma feito uma chaminé . E o meu pai ? ele não fez nada para ajuda-la ,ele saia todas as noites para o ‘’barzinho’’ e ia se divertir com as vadias.Pobre mãe, pobre irmão .Eu tentei ajuda-la ,mas ela sempre estava agressiva.
Desde então eu fiquei trancado no meu quarto desenhando e ouvindo as vozes de meu maldito irmão ,aquilo me atormentava dia e noite ,e quando nossa família estava no auge do caos .. meu pai resolve que nós vamos nos mudar para Oahomma ,e lá em casa ele vai abrir seu consultório psiquiátrico . Quem deveria se consultar é ele !
-Ei ,filho ! ,já estamos na nova cidade . — disse o falso com um sorriso de dar enjoo .
-Eu estou vendo ,pai .Não sou cego . — respondi diretamente em um tom seco .
Seu sorriso ia logo desmanchar ,mas ele voltou a mante-lo no rosto enquanto dirigia.
Eu resolvi abrir a janela para sentir melhor a leve brisa gelada em meus cabelos avermelhados .Até que essa cidade me interessou , ela parecia menos desprezível que as outras.Seu clima era ameno e deprimente , era bem frio e nublado . Eu gosto do tempo assim ,é como se ele me entendesse ,e esse tempo deixa as pessoas ‘’tristes’’ ,isso me conforta.
As construções dessa cidadezinha pareciam bem clássicas e antigas , até mesmo as igrejas com enormes gárgulas em cima — como nos tempos medievais — e as casas eram feitas de madeiras ,os bairros pareciam todos sofisticados ,talvez fosse uma cidade perfeita .só talvez.Mas ,não existe a perfeição , ela vai de cada um .Diferente da minha antiga cidade,esta não tem muitas indústrias.Eu estava adorando a cidade antes mesmo de conhecer quem morava nela ,e confesso que não tinha interesse nenhum nesse povo.
-Filhão se anime ! nós chegamos na nossa casa. — disse minha mãe com seus olhos marcados embaixo por olheias de noites de insônia .
-Eu to animado. — menti e tentei forçar um sorriso como o deles .
Meu pai se aproximou do carro e abriu a porta para mim .Sai colocando as mãos no meu bolso do meu moletom verde musgo e olhei para a casa que iriamos ficar.Aquela casa,ela era simplesmente linda ,devo admitir .
Ela era toda de madeira branca e grande, suas janelas eram grandes com vidros coloridos formando desenhos ,sua porta era de madeira negra e seu jardim era enorme.O que mais me interessou na casa ? é que ao olhar para cima notei que ela tinha uma varanda na janela que seria meu quarto. Ótimo para olhar as estrelas.
Porém, a casa em frente a nossa me dava arrepios e causava um grande contraste .Ela era grande e ‘’gótica’’ sua madeira era toda escura, assim como sua porta e suas janelas estavam fechadas ,elas não eram transparentes ou com desenhos como as outras.
-Estranho .. — murmurei .Por algum motivo ,talvez o estilo, aquela casa me intrigava.
Eu fui até o porta malas do carro e empilhei minhas caixas cheias de tralhas .As peguei nos braços e fui entrando em nossa casa .Ela por dentro era ainda mais interessante que por fora .Seu teto era todo decorado com desenhos de anjos ,santos e..a morte .
Meus pais já estavam a arrumar as coisas na casa , e então algo coberto no fim do cômodo me chamou a atenção . Era muito grande .
Subi até meu quarto e deixei as coisas lá .Meu quarto não era nada mal .Espaço grande ,cortinas,cama grande,espelho macabro ,armário velho ..ei ! os antigos moradores deixaram muitas coisas para trás .E agora tudo aquilo virou meu (haha ) .
Me joguei na cama e fiquei a olhar para o teto cheio de escrituras em uma língua que eu não sabia bem qual era .Quando fui me levantei e fui até a varanda vi que a janela da casa negra que antes estava fechada,agora estava aberta.
-Hum...alguém mora ali .. — murmurei
Sai da varanda e peguei um pano que estava na minha caixa de tralhas, passei levemente no espelho macabro empoeirado.Até limpa-lo por completo ,e dava para ver o reflexo da janela da outra casa.Quando foquei na janela ,alguém estava me observando ,mas logo saiu .Foi tão rápido que não consegui ver bem quem ou o que era.
Desci as escadas e voltei para a sala, cheguei próximo do pano grande que cobria algo no final do cômodo.Finquei meus dedos naquele tecido cheio de poeira e puxei . Foi poeira para todo lado ,eu tossi um pouco e limpei os olhos .Um piano grande e negro estava escondido o tempo todo debaixo naquele pano.
-Estou começando a gostar deste lugar. — disse para mim mesmo .Eu já estava acostumado a falar sozinho já que não tinha ninguém com quem comentar.
Voltei para meu quarto e fiquei a arrumar as coisas lá ,a todo momento olhando para as janelas da casa negra .Quando terminei de arrumar tudo ,fui até a minha gaveta e peguei um maço de cigarro .O pus na boca e o acendi .A fumaça me fazia engasgar . Porém eu continuava fumando.
Quando a noite se aproximou ,eu estava mais cercado de maços de cigarro que qualquer outra coisa .Ao ouvir passos subindo a escada de madeira que rangia ,peguei todos os maços e os joguei debaixo da minha cama.
-Filho ,vem jantar . — disse a voz da minha mãe .
-Já vou ! — gritei e me levantei .Desci as escadas onde me deparei com meus pais sentados na mesa comendo normalmente como se fossem outras pessoas .O caos foi embora ? duvido muito .Me sentei na mesa e fiquei a comer junto a eles .
-Dante ,eu consigo sentir seu cheiro de cigarro daqui . — disse o velhote nojento
-E daí ,pai ? — perguntei e o encarei .
Seus olhos estreitaram-se e ele encheu o peito de ar para gritar comigo ,mas logo o esvaziou com um suspiro e sério disse
-Termine de comer e vá dormir ,amanhã você estará em uma escola nova.
-Mas..eu não quero ! ,não quero ver gente ! — gritei segurando no pano da mesa
-Filho ,olha, você só tem 17 anos,precisa estudar e fazer amizades . — disse minha mãe com seu olhar cansado.
-Vocês não me entendem não é mesmo ? ! — gritei,me retirei da mesa e subi as escadas.Eu não podia culpar minha mãe ,nem eu mesmo me entendia .Quando cheguei no meu quarto me banhei e me deitei na cama .Soltei um ultimo suspiro e minhas pálpebras pesadas iam aos poucos se fechando .
Quando finalmente adormeci ,senti uma mão pesada e fria como o gelo me segurando rigidamente meu pulso...
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