Horizonte Eterno

9 Capítulo 9 - Paródia Macabra


Notas iniciais
Mais um capítulo!

No momento em que aquele eco apocalíptico chegou aos ouvidos da equipe reunida na casa, uma forte pressão caiu sobre eles, como se a gravidade, de repente, tivesse ficado muito mais pesada. A maga elemental olhou pela janela arrebentada da casa procurando a criatura, pois era absurdo pensar que tamanho rugido pudesse estar longe, e para sua surpresa, estava.

— Foi aquele colosso novamente?

— Minha magia perdeu o efeito? — o semblante de Talin escurece.

Ele não contava com a possibilidade da magia se romper depois de um tempo, e não sabia se isso aconteceu por haver de fato uma limitação de duração ou alguma resistência a mais do monstro. O comandante engoliu essa frustração e levou o dedo indicador e o dedão para o meio dos olhos, apertando a área acima do nariz. Pensar, ele precisava pensar.

— Eu achei que só teríamos de nos preocupar com o castelo — Aether coçou a nuca, ansioso.

— E eu pensei que teríamos tempo de sobra para planejar uma ofensiva — Talin estende a mão em direção da Altair — Compartilhe suas memórias comigo.

E bastou a combatente tocar a mão do comandante para a magia da mente transferir as memórias recentes dela. Para Talin, foi como vivenciar todas as experiências recentes da combatente em um único momento. Essas mesmas informações foram repassadas para Lena através de um toque.

— Talin, os outros…? — Elise perguntou receosa.

— Fora nós, apenas dois estão se movendo.

Sim. Um dos sinais tinha desaparecido completamente, porém havia retornado há poucos minutos e já estava a caminho do castelo. Essa informação também conta muito em sua mente para tomar rapidamente a próxima ação.

— Eu irei me encontrar com eles e interceptar o colosso. Vocês devem derrotar o que quer que tenha no castelo — sério, Talin alternou seu olhar entre os membros da equipe — Lutem do lado de fora, pois se as coisas ficarem insustentáveis, devemos recuar rumo ao prédio e escapar pelo portal.

— Portal?

— Sim — Lena responde Aether — Conseguimos preparar um no prédio central da cidade.

— Não sabemos quantos inimigos temos no castelo — Elise levantou esse ponto, atraindo olhares — Focar o responsável por esse grito e depois ir para o castelo não seria melhor?

— Ele é muito escandaloso, provavelmente todos os monstros serão atraídos para seu rastro de destruição. Caso aqueles no castelo se unam a ele… Você deve entender que a escala da batalha pode sair de nosso controle. Com os outros que estão vindo, derrotarei o monstro rapidamente.

É uma decisão arriscada, mas Elise compreende que estão em menor número, e caso todas as figuras poderosas da cidade se juntem em um só lugar, a batalha poderia ficar desnivelada para o lado deles.

— Eu entendo. Boa sorte, comandante.

— Tomem cuidado.

O vento em Luvelin que constantemente soprava, finalmente cessou. Ele não queria mais lutar para preservar o reino, foi como se o rugido de Astéron que ecoou por todo o subsolo anteriormente tivesse destruído qualquer desejo de preservação, pois seria inútil desejar. Com o vento morto, foi como se o ambiente ficasse mais quente. Para os mais atentos, foi como se o solo ficasse preenchido por uma leve neblina avermelhada.

Ao olhar para o círculo mágico que ilumina a cidade, talvez estivesse um pouco menos brilhante, aumentando a tensão sombria naturalmente. Nesse ambiente que se assemelha ao lar de monstros, o silêncio absoluto é rompido pelo som das pegadas pesadas de um cão monstruoso no meio da rua. Ele ruge em fúria atacando o alvo adiante.

O alvo avança contra ele mostrando ter uma velocidade superior, e com suas garras enormes e vermelhas rasgou violentamente o corpo do cão que vai ao chão, agonizando de dor até morrer poucos segundos depois. Seu algoz era Lilith.

O comandante havia pedido para que evitassem lutar desnecessariamente, mas ela se viu tentada a testar o seu novo potencial, querendo compreender logo seus novos limites. Enfrentando inimigos mais fracos, ela pelo menos conseguia ter uma ideia do que conseguia fazer no momento.

Seu corpo está mais forte, rápido e resistente. A transmutação de seus membros é mais poderosa, tendo aumentado o tamanho das garras e a potência de suas pernas. A ruiva tentou utilizar da mana no núcleo artificial em seu corpo, mas sem prática falhou completamente. Como Temyra havia dito, ela precisaria de tempo para realizar magias.

— Você realmente está mais forte — Théo falou mais atrás, admirado — Em pensar que uma deusa morta poderia conceder esse tipo de força…

Quando Lilith contou que se deparou com uma deusa, Théo ficou incrédulo, mas mediante ao repentino aumento de força dela e do surgimento de um núcleo de mana artificial em seu corpo, chegou à conclusão de que ela não estava alucinando. Depois que se reencontraram, eles abriram aquela porta e a única coisa que encontraram foi uma sala vazia. Temyra havia levado Lilith para uma dimensão à parte.

— Espero que seja o bastante para lutarmos com aquela coisa — Lilith fitava as próprias garras com uma expressão tensa.

Ouviram o rugido feroz de Astéron a momentos atrás, mais furioso do que nunca.

— Sim… — Théo engole seco.

Lena se encontra a alguns metros da entrada principal do castelo. Com Elmond fazendo uso da magia de camuflagem, eles se encontram completamente indetectáveis por meios normais. O comandante sugeriu para que eles forçassem a luta para fora do castelo, mas o elfo mago foi pego de surpresa quando a maga elemental revelou como faria isso.

Ainda que arruinado, o castelo ainda segura em sua aparência uma certa grandeza. Uma estrutura que se estivesse na superfície, algum lorde faria de tudo para restaurar e trazer a sua antiga glória novamente. Mas ela, a maga, faria o exato oposto disso. Pelo bem de Drakroth, Lena se tornaria uma destruidora.

Ela estendeu seu cajado para o ar, exalando uma aura mágica tanto de seu corpo quanto do cajado. Essa aura dança como uma chama verde que instintivamente faz Elmond dar alguns passos para trás, dando mais espaço para que a maga prosseguisse com os próximos passos.

Os olhos da maga assumem uma coloração verde e ela, então, faz um giro em torno de si mesma, levando a ponta do cajado ao solo e desenhando um círculo ao seu redor. A mana verde de seu corpo faz esse círculo brilhar, e só então ela ajeita o cajado em suas mãos, com a parte inferior dele no meio do círculo. A concentração de mana aumenta de tal forma que a camuflagem criada por Elmond é simplesmente rompida.

— Droga…! — o elfo pensou em conjurar a magia novamente, mas…

A aura verde da poderosa magia que Lena está canalizando é tão poderosa que se estende por dezenas de metros de altura. O vento que havia morrido na cidade, retorna apenas para ver esse pilar se romper em diversos fragmentos que conectam o círculo de energia no solo ao castelo, em três faixas de luz.

— Domínio de quarto nível: Divisor da Terra.

A aura de mana verde que cobria a maga e seu cajado é tomada pelo círculo que potencializa o brilho daqueles três feixes de luz que colidem com o castelo, e apesar de inicialmente não causar nenhum dano, logo um tremor começa.

Um terremoto violento que balança toda a estrutura do castelo, rompendo seu solo e violando as paredes, que incapazes de se sustentar, se quebram. Em um efeito dominó todo o castelo vai a baixo como se seu centro fosse o epicentro de um terremoto. O som de concreto caindo, colidindo e se rompendo é ensurdecedor. A poeira sobe e cobre o castelo.

Aquela estrutura milenar passou Eras tentando resistir ao tempo, mas em seu final foi simplesmente devastada por um ataque inimigo. Talvez fosse um fim mais digno do que ser simplesmente escondido do tempo até tornar-se poeira lentamente. Com sua queda, uma cortina de poeira se levantou, expandindo-se por diversos metros de distância.

Claro que durante seu deslizamento, Lena e Elmond se afastaram, se reunindo com a combatente e o arqueiro mais atrás do portão de entrada.

— Então esse é o poder de um mago que atinge o quarto nível de seu núcleo… — as palavras escapam da boca de Elmond, admirado.

Tamanho poder poderia destruir esse castelo mesmo que ele estivesse em sua melhor forma, mas esse poder tem um custo. Ao olhar para o lado direito, o mago das estruturas percebe algumas gotas de suor descer pelo rosto da maga elemental. Ela também está um pouco ofegante, não ficando assim nem mesmo quando controlou aquele enorme pedaço de terra no início do dia para levá-los até o subterrâneo.

— Lena, que incrível — Elise falou admirada com tamanho feito — Vai ter que me ensinar algumas coisas depois.

Com um pequeno sorriso no rosto, Elise olhou para Lena, que assente animada, talvez ela gostasse mais disso do que deveria. Ser elogiada e admirada.

O elfo mago estava pronto para falar novamente, mas uma pressão avassaladora passou por ele como uma tempestade que arrepiou até o último pelo de seu corpo. A causa vem da direção do castelo, a mana distorcida que afeta Drakroth está mais forte do que nunca, mas outras duas se destacam, principalmente a mais poderosa.

Essa porrada afetou Elise e Lena também, mas o principal alvo acabou sendo o usuário das estruturas de mana que sente até seu estômago revirar, sendo obrigado a cuspir uma grande quantidade de saliva no chão ou acabaria por vomitar ali mesmo.

Elmond leva uma mão até a barriga lutando para manter a compostura.

— Hihihi… Aaah… Hihihihi…

Uma risada engasgada mistura-se a uma respiração desalinhada, ecoando pelo ar.

Ao olhar adiante, a serpente se revela sobre a poeira que começa a dissipar lentamente. Aquela figura macabra está rindo, contradizendo sua expressão que se contorce de raiva e ódio. O castelo de seu amado rei foi violado de tal forma que nunca poderá ser reparado. Um ataque covarde que nem mesmo permitiu que ela fizesse uma recepção bem elaborada, mostrando a cabeça dos três guerreiros que chegaram anteriormente.

— Um ataque covarde… Vocês merecem a pior das punições… Hihihi… — o olhar da serpente ferve em ódio.

Apenas olhar para aquela figura desfigurada causa nojo nos guerreiros, mas o pior ainda estava por vir.

Conforme a poeira abaixa, a diversos metros de distância a silhueta do que restou do castelo começa a se revelar lentamente. Sobre alguns escombros uma pequena escadaria em pedaços que leva a um trono real, e esse trono não estava vazio. Pior ainda, a cada segundo que a poeira cai, o responsável pelo embrulho no estômago de Elmond, o portador da presença mais forte ganha forma.

Imponente e absoluto, o ser no trono é a representação do ódio.

— Aether, não permita que vejam a flecha sagrada — a voz do espectro foi extremamente séria na cabeça de Aether.

O espectro nunca falou com ele tão sério como agora, e isso significava que a ameaça diante dele é maior do que qualquer outra que ele tenha presenciado com o elfo ancestral ao seu lado. Nem mesmo a presença de Astéron fez com que ele se manifestasse como agora.

O cenho do espectro está tenso. A verdadeira representação de maldição é o que define o rei esqueleto. Como ele temia, não é um morto que voltou à vida, ele nunca morreu. Isso significava que seu corpo nunca perdeu as habilidades enquanto estava vivo, pior, deve ter sido aprimorada por incontáveis anos antes de optar por apodrecer no reino. E como se não pudesse piorar, a magia… Pela aura que ele emitia, Claus possui um núcleo da vida, alma e morte tão poderoso que as capacidades de Théo são uma verdadeira piada se comparadas.

Aether esconde a flecha sagrada num compartimento à parte de sua aljava. A poeira finalmente cessa e a serpente faz menção de avançar, mas para assim que ouve o rei sair do trono. Com a espada em mãos, o rei inicia uma caminhada com passos pesados que ecoam pelo silêncio absoluto que sua presença exigia.

— Vermes desgraçados… — Claus vociferou mostrando todos os dentes de sua arcada dentária — Vocês não estão prontos para as consequências de destruir meu castelo.

E ele parou sua caminhada ao lado do que restou do lago de sangue.

Lena sente seu peito apertar mediante a presença do rei, mas isso não a impede de falar com ele.

— Os três guerreiros que vieram antes… O que fez com eles? — a maga elemental teve de elevar muito seu tom de voz graças à distância entre eles, e ele soou mais agudo do que queria.

— O que você faz quando ratos invadem sua casa? — ainda que distante, Claus não se esforça para que sua voz atravesse todo o espaço carregado de destroços.

Lena fechou os olhos com força, irritada. Essa irritação foi compartilhada por Elise que dá um passo à frente. Ao menos por fora, ela demonstra muito mais coragem que Lena, e o motivo para tal é que por mais que a presença do Rei Claus seja sufocante, a combatente presenciou alguém ainda mais implacável, aquele que deve ter concedido a eternidade para Claus.

— Rei Claus. — em alto e bom tom, Elise atrai a atenção para si — Não ouse insultar pessoas que colocaram a vida em risco por Drakroth!

A raiva queima em Claus, os olhos vermelhos carregados de ódio se cruzam com os ametistas destemidos. Um flash ataca sua memória que o revela um homem com a mesma cor de olhos, mas esse flash logo é sobreposto com outras diversas memórias confusas do reino apodrecendo e de suas batalhas contra o tempo. No final, apenas a raiva incessante sobra.

— Corações fracos não merecem piedade — ele cospe as palavras levando sua atenção ao lago de sangue — Esse será o destino final de todos vocês.

Ele estende a mão sobre o lago. Os restos mortais e o sangue começam a se unir numa fusão grotesca. O som de ossos e músculos se conectando trazem pavor para todos os guerreiros presentes. Em questão de segundos parte daquele sangue e dos restos mortais dão origem a uma criatura metamórfica de aparência horrenda.

O que se originou de tal fusão foi um monstro vermelho como o sangue, sua aparência lembra um dragão sem pele de quase três metros de comprimento com cauda. Um par de asas que parecem grandes demais para aquele corpo sustentar, tornando-se um peso extra. O chifre falhou em ganhar a forma de uma coroa e perfurou erroneamente sua nuca. Alguns ossos escapam para fora do corpo, mostrando o quão falha era aquela existência.

Ainda bem que Lilith não está presente, pois ela perceberia que Claus usou a aparência de Temyra como base para essa criação bizarra.

Lilith e Théo estavam a caminho do castelo, próximos o suficiente para ver as estruturas mais altas dele até serem surpreendidos por um terremoto. Obrigados a se apoiarem nas casas ao redor, ambos ficaram chocados quando perderam qualquer vista daquela construção. Trocaram olhares confusos. Que diabos está acontecendo?

A resposta parecia estar chegando, pois de uma direção semelhante o comandante surge em uma corrida tendo certeza da localidade da dupla. Eles se recordam da magia que foi posta sobre eles no começo da missão, mas o que a dupla mais estranhou foi ver Talin avançando tão descuidado, sem ligar se alguma criatura fosse percebê-lo ou não. Talin parou frente aos dois que soltam as paredes.

— Comandante! — Lilith o chamou, animada por vê-lo — O que está acontecendo?

— Lilith, Théo, vocês estão bem — havia um certo alívio em Talin.

Mas eles puderam perceber uma pintada de tristeza nos olhos do comandante ao confirmar que Anderson não estava ali. Ele já sabia, mas por mais rígido e indiferente que fosse, é sempre ruim perceber seus aliados diminuindo.

Deixando todo esse peso para trás, Talin prossegue.

— Deixei Lena com os outros, liderando o ataque ao castelo. Vocês devem ter ouvido o rugido do monstro, iremos eliminá-lo — Talin foi implacável e objetivo — Após eliminar as ameaças, quero saber o que aconteceu.

Lilith e Théo percebem que ele propositalmente evita falar sobre Anderson, e também que o comandante já havia notado a presença de magia no corpo da ruiva. Aos olhos do mago da mente, uma estranha espiral vermelha gira no centro do corpo da liberta, diferente de tudo que já presenciou antes.

Ela assente com a cabeça apenas para no momento seguinte outro temor atravessar toda a cidade, mas esse tendo seu ponto de origem vindo de um local diferente do castelo. Talin pulou em direção ao telhado de uma casa, sendo acompanhado pela liberta.

As muralhas nos limites da cidade foram violadas pela tremenda força do colosso que agora entrava dentro da pequena cidade com seus olhos fixos na direção do comandante.

Agora não só o cheiro do comandante, sua aparência também está ao seu alcance atiçando ainda mais seu desejo de vingança. Astéron ruge com potência suficiente para estremecer as casas próximas, derrubando uma no processo. Ser alvo de tamanho poder e ódio faria o mais corajoso dos homens tremer, mas isso não se aplicava a Talin.

Ele sente a pressão, ar falta em seus pulmões e seus pelos se arrepiam. Entretanto, ele não se acovarda. Saca Dispersa, sua espada e a deixa numa posição de espera ao lado do corpo. Lilith, mesmo não sendo foco da intimidação do monstro sente um frio na espinha e o desconforto de uma mão enorme apertando sua barriga, mas ela resistiu bem.

Talvez, o fato de momentos atrás ter estado na presença de uma deusa tenha blindado seu espírito. Seus braços tremem num misto de medo e excitação e ela força um sorriso nos lábios, mostrando caninos mais longos do que os de um humano normal.

Théo não tinha condições de subir rapidamente naquele telhado, ainda assim se sentiu pressionado mediante ao rugido mais próximo do que nunca. Paralisado e impotente diante de monstros capazes de arrasar quarteirões inteiros em um instante, seus olhos medrosos se fecham, sendo abertos novamente quando ouve Talin.

— Théo, você deve dar apoio escondido, evitando que alguma criatura te pegue desprevenido — o comandante falou alto. Era impossível o caos que surgiria não atrair uma grande quantidade de monstros, e se Théo se render ao medo, ele não vai sobreviver — Mantenha os olhos sempre abertos. Sobreviva a qualquer custo.

Aquelas palavras não só abriram seus olhos, mas forçaram seu corpo paralisado a se mover. Não pense, aja! Ele mordeu fortemente o lábio inferior, sentindo suas costas em chamas, como se um gás quente estivesse saindo de seu corpo, uma dor física ao ser corajoso numa situação a qual nunca seria antes.

— Vamos vencer, Théo.

Os olhos celestes de Lilith transmitem sua confiança.

— Para que as crianças possam ver as planícies que Anderson tanto amou.

Essas palavras tiram toda a pressão dos músculos do curandeiro. Assente com a cabeça e mais determinado, ele pode finalmente abrir um sorriso confiante para aqueles que estão enfrentando a maior ameaça. Não importa seu medo, com ou sem ele as coisas estão acontecendo e se ele se acovardar, tudo se perderá, principalmente ele.

— Sim… Por Anderson.