Hora de Voltar

7 Capítulo Sete: Olhos Azuis


Capítulo sete: Olhos Azuis

O aeroporto de San Francisco estava cheio, já que era Natal, e muitos corriam para conseguir chegar a tempo de um almoço em família. Catherine e Grissom andavam apressados por entre as pessoas, quase corriam. Grissom estava apavorado, não podia perder Sara, não podia! Por isso ele fizera questão de acompanhar a amiga na viagem a San Francisco. Catherine estava desestabilizada, ainda estava em choque pela notícia. Pegaram um táxi na porta do aeroporto e rumaram para o LAB da Criminalística.

Michael Geisel, os recepcionou muito bem e contou o acontecido. Disse que o carro de Sara fora encontrado na estrada principal que vem de Berkeley para San Francisco.

– Então ela não mora em San Francisco? – perguntou Grissom

– Não, ela é residente de Berkeley. – disse Michael – E leciona da Universidade. Encontramos isso na bolsa dela. – disse entregando um crachá da Universidade de Berkeley para Grissom.

– Será que agora podemos ir visitá-la? – perguntou Catherine com a voz baixa

– Claro, eu os levarei até o hospital na viatura. – ofereceu Michael – A cidade está cheia e conseguir um táxi está bem difícil.

Os três foram para o Hospital Geral de San Francisco. Michael apresentou seu crachá da criminalística e eles puderam passar. Sara se encontrava na UTI, em coma. Respirava com ajuda de aparelhos, e não reagia a nada. Catherine colocou a mão na boca quando viu a amiga, e não pode segurar o choro. Grissom estava em choque, mas abraçou a amiga que chorava ao seu lado. Michael respeitou a dor dos dois, mas uns minutos depois disse que precisava revelar algo que ainda não tinha falado com eles. Grissom e Catherine o seguiram até um quarto que ficava na ala de pediatria. Eles estranharam mas não disseram nada. Uma menina estava deitada na cama, dormindo. Ela tinha uma perna e um braço engessados.

– Essa é Chloe Ann Sidle. – disse Michael para os dois

Catherine fez uma cara de espanto e Grissom arqueou as sobrancelhas. Sara então tinha uma filha? Será que ela tinha alguém? Grissom ficou desesperado, mas na deixou transparecer. Michael então prosseguiu.

– Ela foi identificada, como filha da Srta. Sidle. – disse Michael – Estava no carro com ela. Estamos com um problema nas mãos.

– Por quê? – perguntou Catherine

– Não foi encontrada nenhuma informação sobre o pai da menina, nem na certidão, nem nada. A Srta. Sidle como sabemos, não é casada, e nós não temos nenhuma referência de parentes.

Grissom respirou aliviado ao ouvir a última frase do policial.

– Vocês não sabem nada sobre o pai da criança? – exasperou-se Cath – Nenhum documento, nada que indique?

– Como estava dizendo Sra. Willows, na certidão, o único documento que achamos, só vem o nome da Srta. Sidle. Pai desconhecido.

Catherine olhou para a menina que dormia profundamente. Os cabelos castanhos e ondulados eram do mesmo tom dos de Sara.

– E o que vai acontecer a ela, Sr. Geisel? – perguntou Grissom

– Bem, ela vai ter alta em uma semana, provavelmente vai ser antes da Srta. Sidle. – disse Michael – Vai ser encaminhada para o Conselho Tutelar ao menos qu... – foi interrompido por Grissom.

– Alguém se responsabilize por ela. – completou ele

– Isso. Mas não encontramos nenhum outro parente da Srta. Sidle, parece que eram só as duas mesmo. – disse Michael.

Grissom olhou para a menina. Não sabia o porque, mas alguma coisa o ligava a ela. Não podia deixar que ficasse sobre a guarda do Conselho Tutelar... O que Sara diria se soubesse que sua filha passou pelo mesmo que ela? Ela nunca lhe perdoaria...

– Eu fico com ela. – disse de supetão.

Catherine olhou para ele incrédula. Seus olhos ainda estavam molhados pelas lágrimas.

– Como? – perguntou ela – Você vai ficar com a menina?

– Sim, eu vou ficar com ela. – disse ele mais uma vez.

– Bem, se o Senhor tem certeza disso, temos que resolver isso no Conselho Tutelar... – disse Michael – Se pudermos, resolvemos isso logo hoje. – disse animado com a possibilidade de resolver logo aquela história.

– Então resolveremos hoje. – disse Grissom – Sabe quando ela vai acordar?

– Não deve demorar muito... Estava sedada porque estava dando trabalho aos médicos para colocar seu joelho de volta no lugar.

Catherine se levantou e disse que ia pegar um café. Michael disse que a acompanharia, enquanto Grissom preferiu esperar ali no quarto. Ficou velando pelo sono da garota. Ele sentia que a conhecia de muitos anos, e estava intrigado com aquilo. Não era possível, ele nem sabia que Sara tinha uma filha, quanto mais conhece-la. Ele levantou-se e foi olhar pela janela. O dia ensolarado lá fora não estava combinando com o estado de espírito dele.

– Quem é você? – perguntou uma voz infantil atrás dele

Grissom virou-se e deu de cara com a garota acordada. Dois olhos azuis o encaravam, esperando por uma resposta.

– Hum, meu nome é Gil Grissom. – apresentou-se ele – Sou um amigo da sua mãe.

– Meu nome é Chloe Sidle. – respondeu a menina – Aonde está ela?

Grissom não sabia o que dizer a menina. O que falaria? Foi salvo por Catherine e Michael que entravam no quarto. Chloe desviou sua atenção para os dois.

– Vejam só, a Srta. Sidle acordou!– exclamou Michael

Catherine estava parada na porta olhando para a menina. Sua boca caiu e um sorriso de compreensão apareceu em seu rosto. Ela reconheceria aqueles olhos azuis em qualquer lugar. Parece que eles não estavam assim tão longe de descobrir algo sobre o pai da garota.