Hora De Dormir
3 Capítulo 3: Uma canção de ninar
—Milo Malasartes? -perguntaram todos espantados.
—Fiquem quietos e escutem! -pediu o escorpiano. -Bem, este menino morava em um lugar chamado Santuário, treinava e estudava muito!
—Ele é você tio Milo? -perguntou a menina espantada.
—Isso aí, gatinha! Bem, continuando. Um dia o esperto e bonitão Milo. -os amigos suspiravam como se não acreditassem no que ouviam. -Estava indo visitar seu amigo menos esperto e menos bonitão!
—Se disser meu nome, congelo sua língua. -avisou Camus.
—Chamado Aiolia. -continuou Milo.
—EI! -protestou o leonino.
—Ele passeava e encontrou um velho mendigo loiro, metido a monge. –olhou para Shaka que franziu o cenho. –E perguntou o que ele procurava. Disse que havia perdido o pote de mel dele. Milo Malasarte disse que o ajudaria a achar o pote em troca de um pouco de mel e ele concordou. Como era mais inteligente que o mendigo, achou o mel rapidamente, o devolveu e pegou um pouco para ele.
—Tédio... –resmungou Shura. –Com essa história quem vai dormir sou eu de tédio.
—Precisando arrumar dinheiro, Milo teve a ideia de tirar um pouco de um avarento da cidade. O boiadeiro Shura. –Shura o fitou com raiva. –Arrumou um bocado de cera; trocou na mercearia a única nota de dinheiro que lhe sobrara, por algumas de moedas e caiu na estrada. Caminhou por obra de uma légua ou mais, quando avistou uma árvore na beira da estrada. Chegando ao pé da árvore, parou e pôs-se a pregar os vinténs à folhagem com a cera que arranjara.
—Não demorou muito, deu de aparecer na estrada o avarento Shura que vinha tocando uns boizinhos para vender na vila. E como já ia levantando um sol forte, a cera ia derretendo e fazendo cair às moedas. Milo, fazendo festas, as apanhava. O avarento Shura que não era muito esperto, ficou curioso, perguntou-lhe o que fazia, e Milo explicou:
—Esta árvore é deveras encantada, patrão. As suas frutas são moedas legítimas. Estou colhendo todas, porque vou me bandear pra outra terra e tô pensando em levar a árvore, apesar de todo o trabalho que vai me dar.
Apareceu o mendigo do começo da história e:
—PARE! –Shaka falou autoritário. –Quer ensinar essa menina a aplicar golpes em pessoas desprovidas de cérebro, cegas pelo dinheiro?
—EI! –Shura protestou.
—É uma história sobre esperteza, Shaka. Sempre vai ter um idiota que vai cair no conto de um esperto.
—EI! -Shura protestou novamente.
—É o que ensinará a pobre Alice? Ainda bem que a menina tem a mãe para encaminha-la no caminho correto. –disse Shaka.
—Tá, eu mudo a história se isso te deixa feliz! –Milo disse impaciente. -Bem, Milo Malasartes não ia dar o golpe mais no avarento e burro do Shura.
—QUER LEVAR A EXCALIBUR NA TESTA, MILO?
—ELE estava andando pela floresta quando de repente, apareceu na frente dele um ogro enorme, verde, de olhos assassinos e...
—AAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHH! -gritou Ângela, saindo correndo e pulando no colo do pai.
—Muito boa, Milo! -cutucou Camus.
—Não! Não Ângela! É o Shrek! -tentava consertar.
—Por que o Shrek? -perguntou Shaka sem entender.
—O Afrodite colocou o burro na história dele e ninguém achou tão ruim!
—Já chega! -disse Aiolos. -Vocês estão piorando a situação, não percebem?
—Olha quem fala. Você não fez nada, só ficou comendo pipoca a noite toda! -alfinetou Milo.
—Eu! Pelo menos não fiquei papagaiando e atrapalhando! Fazendo tanta bagunça! -apontando para os demais cavaleiros.
Ofendidos, começou uma verdadeira discussão entre eles. Máscara da Morte olhou a cena com a filha no colo e suspirou. Contou até dez e não adiantou muito. A colocou no chão.
—Tampe os ouvidos, querida! -ordenou e a menina obedeceu. -PAREEEEEEEEEMMMMMMM!
O grito quase ensurdecedor fez todos se calarem e perceberem o papel que faziam envergonhados. Shaka pigarreou, limpando a garganta.
—Peço perdão pelo comportamento deles.
—EI! -protestaram todos. –E O SEU?
—Crianças. -Dohko disse, aparecendo de repente, bem à vontade, encostado na porta. –Me pergunto como sobreviveram a tantas guerras?
—Desde quando está aí? -perguntou Shura.
—Faz tempo. Estava ouvindo a história do Milo Malasartes. -riu e Dohko se ajoelhou para ficar do tamanho da menina e perguntou com suavidade. — Ângela... Está muito tarde. E garotinhas precisam dormir, sabiam? Senão não crescem e ficam baixinhas iguais a... ao Seiya! As crianças crescem saudáveis depois de dormirem bem.
—Verdade?! -espantada e temerosa.
—Sim. E você mora em um lugar onde nenhuma criatura maligna lhe alcançaria, pois você seria protegida por seus tios idiotas aqui!
—ISSO É JEITO DE FALAR, DOHKO? –todos indignados.
—E se eles falharem, tem a sua tia Celeste. Já viu o tamanho da lança que ela usa? –ele piscou e a menina riu. -Tem alguma coisa que podemos fazer para que você durma? -perguntou o libriano.
—Quelo qui o papai canta pra mim. -respondeu a menina sorrindo.
Todos os olhares voltaram-se para o protetor daquela casa.
—Ah, não! -protestou o canceriano.
x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x
Cenário: Casa de Câncer.
Missão: Fazer Ângela dormir.
Relatório: Todos os cavaleiros tentaram em vão fazer a pequena Ângela dormir. Cantaram, mataram alguns contos de fadas, e agora...coube a missão ao próprio pai da criança fazê-la finalmente dormir...cantando.
—Eu não sei cantar... droga. –Máscara vermelho e suando frio.
Agora, todos estão ao redor de um homem, trajando apenas pijamas e chinelos, ele movia o corpo de lá pra cá, mexendo os braços e fazendo gestos seguindo a letra da música:
—Faça uma força por ela. –disse Saga, apontando para a criança.
—Tudo bem. –ele suspirou vencido. –Mas eu só sei cantar uma música só! Era o que meu irmão cantava para mim, quando moleque. Para me fazer rir!
—Essa eu quero ouvir! –Afrodite deitado de bruços no chão, balançando os pés.
—Lá vai. –Máscara suspira fundo e começa a cantar:
—Ninguém me ama ninguém me quer...
Por isso vouuuuuuuuuuuuu comer barata
Barata frita... barata assadaa...
Sopaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa de barata
Pega a baratinha, arranca a cabecinha, chupa a melequinha
E joga as asinhas fora!
Após ouvirem a música que Giovanni cantou, todos ficaram em silêncio total, alguns com olhos arregalados, outros enojados, e uns piscando, como se não acreditassem no que presenciaram.
—EEEEEECAAAAAAAAAAAAAA!!! –gritaram alguns, fazendo caras de nojo.
—Isso foi nojento! -comentou Afrodite, com uma careta. –O-D-E-I-O baratas!
—Tomara que as crianças não aprendam esta música infame! -Comentou Shaka a Mu.
—Achei engraçadinha. –diz o ariano, coçando o ouvido com o dedo mindinho e cara de sono.
—Que música legal! -vibrou Aiolia com os olhos brilhando. –Canta de novo! Preciso cantar ela pro Liam!!
—A Alice vai amar também! –Milo com os mesmos olhos brilhantes. -lembrou minha infância. -enxugando as lágrimas.
—A minha também! –Aiolia chorando. –Mano, lembra quando cantava aquela música da casca de ferida?
—NÃO LEMBRO NÃO! –Aiolos vendo que era alvo dos olhares dos demais, que se afastaram do trio.
—Não me culpem! -Máscara da Morte emburrado. -De criança, eu só sei esta música! Eu avisei! Eu prefiro que a Maeve cante as músicas da terra dela para a Ângela dormir.
—SHHHH! -pediu Dohko sussurrando, apontando para a menina adormecida no sofá, abraçada ao escorpião de pelúcia. -Ela dormiu!
—OOOOHHH... –suspiraram, sorrindo com a cena cheia de ternura da menina adormecida.
Fazendo sinal para que calassem a boca e saíssem, Máscara da Morte cobriu a menina com um lençol. Todos concordaram e saíram pé ante pé, sorridentes e confiantes de mais uma missão cumprida. Certos de que iriam para suas casas e desfrutariam do sono dos justos, quando de repente:
—Pai...tô com sede!
Treze cavaleiros caíram de cara no chão.
x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x.x
Amanheceu...
Enquanto os servos despertavam para cuidarem de seus afazeres e o desjejum de seus senhores, os soldados que permaneceram de vigília à noite, trocavam os turnos e se preparavam para se recolherem, após um merecido trabalho, Maeve também estava acordando.
Apesar de ter acordado várias vezes com o barulho na sala comunal da casa, achou melhor não ir até lá, já que o marido havia dito que resolveria o problema da insônia da sua filha sozinho. Ela inicialmente protestou com tal decisão, mas achou melhor deixar que ele resolvesse isso. Afinal, os dois eram muito ligados.
Colocou o roupão, e desceu para preparar o café da manhã do jeito que seu marido gostava, e parou espantada com a cena diante dela.
Todos os cavaleiros deitados e adormecidos pela sala. Esparramados para dizer a verdade, no tapete, apertados no sofá, espremidos em um divã... mas profundamente adormecidos e roncando.
Na poltrona preferida de Máscara da Morte, lá estava ele sentado profundamente adormecido, com a cabeça apoiada no encosto e com Ângela adormecida em seus braços, envolvida pelo lençol.
Ela sorriu com a cena e se aproximou devagar, desviando dos cavaleiros adormecidos no chão e com cuidado para não despertá-los. Então, ela pegou a menina no colo, mas fazendo o marido despertar.
—Hã? O que?
—Calma amor. -ela lhe dá um selinho. -Suba e durma na cama.
Ele acordou e olhou ao redor, esfregando o pescoço. Percebeu que os amigos acordariam, com toda certeza, com dores nas colunas e torcicolos. Tal pensamento o fez sorrir. Sentia-se vingado!
Com um aceno de cabeça concordou com a esposa. E ficou temeroso quando viu a filha acordando.
—Papai...
—Ah, Ângela... por favor! Você ainda está com medo de dormir? -desanimado.
—Não. -a menina sorriu. -O titio Dohko me mostrou que não preciso ter medo!
—Ufa! -suspirou aliviado.
—Ainda mais se os titios vim toda noite brincá cumigo antes de eu dormir! -ela exultou. -Amanhã o tio Milo e o Tio Shaka vão dançá a dança do Siri! Tchau papai!
Restou ao cavaleiro cair sentado na poltrona mais uma vez, ao ver a esposa subindo as escadas com a menina no colo sorridente, estremecendo com a perspectiva de ter sua tranquilidade invadida por estes homens todas as noites!
—Por que eu, Atena? -murmurou, com lágrimas nos olhos, olhando os céus.
FIM.
Nota: Porque eu te amo, Mask!
Fale com o autor