Hope's End

6 Capítulo 5 - Berserker Escarlate


Dewlyn investiu em direção a Minos a uma velocidade incrível. Minos saltou e, empunhando o seu enorme machado, desferiu um fortissímo golpe contra Delwyn. Este bloqueou o golpe com a sua espada, fazendo o Minotauro recuar com o impacto. Delwyn lança-se então em frente, atacando o Chefe de andar com tudo o que tinha.

A multidão, que antes fugia com medo, parou de fugir, e começou a observar a luta entre os dois, ninguém queria acreditar no que os seus olhos estavam a ver. Era uma luta entre dois titãs, duas forças monstruosas que ali se chocavam num duelo mortal. Visto de fora, Delwyn realmente fazia lembrar os miticos guerreiros dos quais se ouvia falar nas lendas, não, era mais do que isso, Delwyn estava naquele momento a criar uma lenda sobre si próprio.

Minos atacou Delwyn mais uma vez, este desviou-se por meros centímetros fazendo com que o machado de Minos ficasse preso numa das colunas de mármore que decoravam a sala.

Enquanto Minos tentava soltar o machado, Delwyn saltou para cima da lâmina e ganhou impulso, projetando-se no ar, mais ao menos à altura da cabeça do chefe golpeando-o fortemente com a sua espada.

O grande Minotauro negro caiu com a força deste golpe, mas ao faze-lo conseguiu arrancar o machado, que, quando se soltou, atingiu Delwyn que ainda se encontrava no ar, e ele foi projetado contra uma das paredes da sala da sala, o impacto foi tão grande que se levantou uma enorme nuvem de poeira.

Neste momento todos ficaram em total choque, enquanto Minos se levantava a multidão permanecia praticamente imóvel. Será que Minos tinha derrotado Delwyn?

O Minotauro, que n se encontrava no canto da sala oposto ao grupo, soltou um medonho bramido, como se tivesse a festejar a sua vitória.

—Não, não pode ser....-Disse James caindo de joelhos no chão. — Bem, ao menos se levaste o meu irmão leva-me também a mim.

Adhara permanecia imóvel, não conseguia acreditar no que os seus olhos tinham acabado de ver, Delwyn tinha perdido.

—Foi tudo culpa minha. — Pensou ela. — Se o meu plano tivesse resultado, nada disto teria acontecido. — Dizia ela para consigo.

As lágrimas começaram a escorrer-lhe pela a cara abaixo, como dois rios que nascem no topo de uma montanha e descem em direção ao mar, que dor era aquela que estava subitamente a sentir. Naquele momento ela só queria fechar os olhos e desistir, baixar os braços e não ter de lutar mais.

Mas foi então que ouviu dentro da sua mente:

—Não desistas Adhara.

Estas tinham sido as últimas palavras de Delwyn lhe tinha dito. Ao ouvir palavras o seu coração começou a brilhar, do nada algo dentro dela acendeu, como uma luz forte que brilha pela escuridão. Num abrir e fechar de olhos ela tinha começado a levantar-se.

—Mas o que se está a passar comigo? — Pensou Adhara. — Porque me estou a levantar? Porque não consigo simplesmente desistir?

Uma estranha sensação estava a crescer dentro dela, como se fosse uma vontade ardente de continuar a lutar, uma vontade tão forte que parecia que a queimava por dentro e a obrigava a tentar.

Adhara enxugou as lágrimas e levantou-se, virou-se para o resto do grupo e gritou:

—Mas o que é que estamos a fazer?

Todos olharam para ele, Adhara continuou:

—Vamos mesmo deixar que todos tenham morrido em vão? Vamos deixar que o seu sacríficio tenha sido em vão?-Adahra baixou os olhos e disse baixinho. — Vamos deixar que o Delwyn tenha morrido em vão?

O grupo começou a levantar-se enquanto ela falava.

—Não podemos deixar que isso aconteça. Por mais medo que tenhamos, por mais escuro que o futuro possa parecer, é nosso dever não desistir por todos os que nos ajudaram e deram as suas vidas para que nós um dia possamos ser livres e sair desta prisão onde nos encontramos.

Ao ouvir Adhara gritar Minos virou-se e começou a correr em direção ao grupo.

Adhara voltou-se na direção dele e completou:

—Amanhã podemos chorar, mas hoje lutamos!

As palavras de Adhara chegaram aos jogadores, estes então levantaram-se e começaram a pegar nas armas, então Adhara desembanhou a sua adaga e gritou:

—Vamos!

A multidão gritou também em forma de consentimento e todos partiram também a correr em direção ao Minotauro.

Nesse momento, sentiu-se uma enorme pressão na sala, uma pressão estranha e medonha como se algum tipo de força os fosse esmagar a qualquer momento. Ouviu-se então um grito, mas não um grito normal, parecia o grito de um demónio que acabara de voltar do inferno. A pressão era tão forte que até Minos parou a sua investida e recuou.

Foi então que a multidão olhou para a localização para onde Delwyn tinha sido projetado, a nuvem de poeira que se tinha gerado estava a começar a dissipar e era possível ver a silhueta de Delwyn segurando a sua espada. Todos ficaram estupefactos, Delwyn tinha sido capaz de sobreviver àquele ataque.

O monstro não ficou exatamente contente com o facto de Delwyn ainda se encontrar de pé e começou a correr na sua direção brandindo o seu enorme machado.

—Cuidado! — Gritou Adhara. — Ele ainda tem pelo menos dez porcento de vida,não é possível que tu...

Adhara calou-se subitamente, algo estava diferente, a poeira tinha agora acabado de dissipar e ela consegui ver o rosto de Delwyn, a sua expressão havia mudado, esta séria agora e... Ele não estava a sorrir.

O Minotauro estava agora cada vez mais perto de Delwyn, mas este não se mexia. Então, Minos levantou o seu machado, pronto para atacar-lo mas, num abrir e fechar de olhos, Delwyn saltou, mas não foi um salto qualquer. No chão onde Delwyn estava encontrava-se agora uma enorme cratera criada pelo impulso do salto de Delwyn, este foi projetado no ar a uma velocidade superior à de uma bala e, com apenas um golpe da sua espada, ele trespassou o peito do enorme monstro, perfurando-o de um lado ao outro.

A enorme besta soltou um grito de dor e caiu-no chão desfazendo-se em dados e desaparecendo. Apareceu então uma enorme mensagem:

"Parabéns, primeiro andar consquistado"

Ninguém acreditava ainda no que acabara de se passar. Tinham conseguido, finalmente tinham derrotado o primeiro chefe.

Ouviu-se então um grito de alegria, todos festejavam, James e o resto da sua equipa correram na direção de Delwyn. Ao chegarem ao pé dele, James e Edil abraçaram-no e disseram chorando de alegria:

—Graças a deus, ainda bem que estás a salvo.

Todos o estavam a felicitar, mas Adhara puxou-o para fora do grupo e disse:

—Não te atrevas a voltar a assustar-me assim, se algo te tivesse acontecido eu, eu......

Delwyn abraçou-a. Adhara corou. Delwyn olhou para ela e disse sorrindo:

—Não te preocupes, eu estou bem.

Adhara olhou para o rosto de Delwyn, havia voltado ao normal, o que teria sido aquela expressão estranha na sua cara?

Estavam eles ainda a festejar quando se ouviu uma voz que dizia:

—Tu! Não podias ter salvo todos? Tiveste que deixar os meus amigos morrer?

Alguns dos jogadores olhavam para Delwyn com um olhar de desaprovação. Oguak saiu em defesa de Delwyn dizendo:

—Calem-se todos, se não fosse por ele vocês provavelmente não estariam vivos.

—Deixa estar. — Disse Delwyn sorrindo, e acrescentou. — Eu não estou aqui para ser um herói, todos sabiam os riscos quando decidiram vir lutar, eu não consigo salvar todos.

Dito isto, Delwyn saiu da equipa e disse:

—Bem James, o chefe está morto, está na altura de nos separa-mos, mantêm-te vivo ouviste.

James sorriu e os dois irmãos abraçaram-se.

—Vemo-nos por ai.- Respondeu James.

Então, Delwyn começou a subir a escadaria que o levava ao segundo andar, mas Adhara foi atrás dele. Ela agarrou-lhe na manga e disse baixinho:

—E se... e se eu precisar de ti.

Delwyn abraçou-a mais uma vez e disse-lhe ao ouvido:

—Eu vou lá estar.

Dito isto, Adhara corou mais uma vez, e ficou a observar Delwyn enquanto este entrava no segundo andar...