Hopeless
4 Capítulo III - É Para Isso Que Os Amigos Servem.
Notas iniciais
Phillipa O. F. Terrence-Lane.
As aulas se estendiam através dos alunos de Hogwarts como pesos invisíveis. Para os que iniciavam a escola naquele ano, tudo era muito novo, muito curioso e qualquer novidade os deixavam de bocas abertas. Entretanto, para os quintanistas vinha sendo um verdadeiro tormento. Os NOMs pareciam jamais deixar suas mentes, as bibliotecas agora eram visitadas frequentemente por eles e todos haviam se livrado do péssimo hábito de dormir entre as aulas (tudo bem, talvez nem todos...).
Assim, cada minuto que se passava era um minuto que deveria ser preenchido com a voz de algum professor ou um rolo de pergaminho que precisava ser completado com o dever de casa.
No salão comunal da Lufa-lufa, as coisas não eram muito diferentes. Aquele, de todas as casas, era o mais confortável, com inúmeros pufes espalhados e grandes sofás em seu centro. Havia, ainda, um espaço com mesinhas de madeira, do mesmo material das redondas portas que levavam aos dormitórios. Janelas baixas ajudavam a manter a iluminação do local e diversas plantas o enfeitavam, deixando mais acolhedor. Sua ambientação era em tons de amarelo e preto, que deixaria qualquer viva alma que pertencia aquele local, mais tranquila.
Bem, com exceção de uma. Phillipa Lane costumava ser tão contagiante quanto o brilho do sol, entretanto, naquele momento, ela parecia consumir-se ao encarar o vazio de um papel a sua frente. Céus, por que as coisas de repente haviam começado a ficar mais difíceis? Pensou, sentada em um confortável tapete, de frente com uma pequena mesinha e as costas apoiadas em um sofá. Puxou o livro ao lado e releu, pela vigésima vez, a estrofe sobre astronomia.
Aquilo simplesmente não entrava na sua cabeça. Como alguém era capaz de ver formatos tão óbvios em um céu cheio de estrelas? Para ela, aquilo nada passava de pontos luminosos bonitos de se observar.
Suspirou, frustrada. Havia perdido já boa parte de seu sábado enfurnada dentro do salão, enquanto todos os seus amigos e colegas pareciam se divertir lá fora, embora poucos, visivelmente tão atrasados nas tarefas quanto ela, se espalhavam de maneira preguiçosa pela sala.
Puxou uma pena, molhando-a na tinta e pousando-a delicadamente sobre o papel. E manteve, sem sequer escrever uma palavra, formando apenas um gigantesco ponto. Estava ferrada.
Suspirou novamente, fazendo uma mecha da sua franja voar. Aquilo parecia lhe entreter muito mais que qualquer atividade estudantil e, por tanto, continuou assoprando, se divertindo sozinha, refletindo que deveria logo cortar suas pontas, enquanto sua mente pensava em formas de aproveitar o resto do dia que lhe restava, já desistindo de tentar concluir aquela tarefa estúpida.
— Está dando para sentir seus neurônios fritando a distância, com o esforço para se concentrar. — Uma voz próxima comentou atrás de si, fazendo a garota dar um leve pulo e se virar, dando de cara com Rigel Scamander. Ele sorria divertido para ela, que prontamente retribuiu.
— Eu sei, eles também queimam de tédio. — Phillipa respondeu, encostando a cabeça no sofá, em que ele estava sentado, dramaticamente.
— É justamente por isso que eu vim te resgatar. — O garoto deu um leve pulo, parando ao seu lado e fazendo uma expressão concentrada, como se quisesse passar a ideia de heroísmo. — Você está oficialmente sendo sequestrada de seus estudos e forçada a passar um tempo nos jardins.
A jovem não pode conter a risada, segurando a mão que ele estendia para si e deixando ser puxada delicadamente por ele, ficando de pé a sua frente. Ela não se deu o trabalho de guardar suas coisas, sabia que ninguém mexeria e poderia recolhe-las quando voltasse. Por tanto, mais que de pressa, o seguiu para fora do salão.
Antes de saírem para fora do castelo, ambos passaram na cozinha, que ficava ao lado. Não foi difícil para os elfos enxerem-lhes de comidas variadas, em uma cesta grande o suficiente para eles. Animadamente, não se demoraram mais, indo depressa para a saída. Lá fora, diversos alunos das quatro casas se divertiam. Garotas passeavam juntas em grupos, enquanto os meninos praticavam alguns esportes na grama e diversos casais estavam espalhados, aproveitando o belo dia de sol que fazia.
Os dois foram até a sombra de uma das várias árvores e se sentaram, lado a lado, com a cesta em frente a eles.
— Então, pronto para atacar? — Ela perguntou, abrindo a tampa e inspirando profundamente o maravilhoso cheiro de tortinhas de morango.
— Sempre, minha cara amiga. — Rigel responder, já colocando a mão dentro e puxando um folhado de amora, cujo qual deu uma grande mordida, aproveitando o seu sabor delicioso.
Phillipa não ficou muito atrás. Se havia uma coisa que amava em Hogwarts era a comida, como uma boa lufana que era. Sentia falta das iguarias toda vez que estava em casa e precisava se contentar com a simplicidade da culinária trouxa e desejava profundamente um dia poder levar algo para seu melhor amigo, PJ, experimentar nas férias. Ele já havia se encantado com alguns produtos da Dedosdemel, então precisava saber como as diversas sobremesas do castelo eram excepcionais.
Ambos comeram em silêncio, visto que somente essa ação era capaz de deixar a garota calma e quieta, aproveitando o momento. Quando se deram por satisfeitos, deixaram-se encostar no tronco da grande árvore, com leves suspiros escapando por entre seus lábios.
— Essa foi a melhor ideia que você teve em um bom tempo. — Ela disse, rindo da expressão de indignação que acometeu seu rosto.
— Todas minhas ideias são boas, Pippa. — A jovem sorriu para o apelido, tão antigo e tão seu, que poucos lhe chamavam pelo nome completo.
— Como você está? — Perguntou, esticando as pernas e jogando o corpo para o lado, fazendo com que a cabeça deitasse no colo dele delicadamente. Estava tão relaxada que poderia dormir, se não fosse sua personalidade inquietante, que raramente gostava do sossego.
— Perfeitamente bem. — Ele disse, passando as mãos pelo cabelo dela em um singelo carinho, enquanto seus olhos esquadrinhavam um grupo de meninos corvinos pouco distante. — Principalmente com essa visão.
Ela riu abertamente, atraindo a atenção de alguns estudantes que passavam ao lado. Mas, não demorou muito, seu sorriso murchou um pouco.
— Estou falando sério... Como você está, com aquela história do Cedrico e tudo mais? — Assim que as palavras saíram de sua boca, Phillipa notou que, talvez, tivesse acabado por ser um pouco indiscreta.
Não era o momento, muito menos o tempo certo para falar sobre aquilo, mas, algum dia, eles deveriam fazer esse assunto fluir. Ela viu os olhos castanhos do garoto se tornarem mais escuros e finalmente notou as olheiras marcantes em seu rosto. Ele não havia andado dormindo bem.
A morte do jovem Diggory havia afetado todos da escola, principalmente os alunos da Lufa-lufa, que estavam tão habituados com sua presença. Mas, para Rigel, aquilo era bem mais profundo.
— Eu vou ficar bem, em algum momento. Só não quero falar sobre isso agora, Pippa. — Respondeu, evitando encara-la. A jovem era a única que sabia sobre esse assunto, mas até mesmo com ela doía dizer qualquer palavra.
— Tudo bem. — Aceitou, mantendo-se quieta, tentando evitar estragar o momento entre eles. As coisas pareciam anormalmente estranhas desde os últimos acontecimentos, como se todos estivessem andando em uma fina corda, que apenas esperava para ser arrebentada a qualquer instante.
Passaram alguns minutos em um confortável silêncio que, com o tempo, foi deixando a garota mais inquieta, fazendo-a tamborilar os dedos sobre o gramado, brincando com algumas folhas em sua mão. Muitos elogios poderiam ser feitos a Phillipa, mas a doce calmaria, tão comumente daqueles de sua casa, definitivamente não era um deles.
Foi então, que com alegria, ela ouviu a voz de June Black um pouco distante, lhe chamando com certa urgência. Ela se ergueu, rapidamente, quase batendo a cabeça na de Rigel.
— Desculpe. — Sussurrou, com uma risada. O garoto lhe respondeu com um simples sorriso, já acostumado com os frequentes desastres da mesma.
— Phillipa, o treino! — June gritou novamente, agora próxima o suficiente para a garota entender suas palavras.
— Que treino...? Ah, céus, eu esqueci totalmente! — Pippa se levantou em um salto rápido, olhando assustada para sua colega de time. — Vou pegar a minha vassoura e te encontro no campo.
— Sem atrasos. — A garota respondeu, lhe dando um raro, porém poderoso, olhar irritado, ao se retirar. June era capitã do time desde o falecimento de Cedrico e artilheira, assim como a Lane, porém a última constantemente se atrasava, rendendo algumas broncas.
Se despediu de Rigel com um beijo no rosto, antes de correr para seu dormitório, atrás de sua vassoura. Mal podia esperar para voltar aos jogos!
♕
Selina Campanella.
Algumas pessoas nascem com o dom de fazer qualquer lugar que habitam, parecer como uma pequena extensão de sua casa, seja pelo conforto visível ao estar no local, seja por sua áurea sempre tranquila e inabalável. De qualquer maneira, tal habilidade é algo que poucos possuem, principalmente quando se é adolescente e qualquer mudança é extremamente desconfortável.
Por sorte, Selina Campanella se encaixava na primeira opção. Não era para menos que sua parte do dormitório – que constituía-se em sua cama, os criados ao redor a parede da cabeceira – estava toda enfeitada com fotos de seus amigos e família, além de imagens de todas as coisas que mais gostava no mundo, sejam bandas ou, até, filmes trouxas que havia assistido nas férias.
Tudo tinha absolutamente sua cara e ninguém duvidava de quem pertencia aquele local. Por tanto, era com extremo conforto que se deitava, naquela tarde, em sua cama. O dia havia sido maravilhoso, com um belo sol, todos da escola pareciam contagiosamente animados e ela não poderia sentir-se mais feliz por tê-lo passado com seus amigos e colegas. Isso a fez lembrar do piquenique que havia feito com Lyanna e Áquila, alguns dias atrás.
As três jovens haviam estendido uma longa toalha sobre o jardim, logo após o fim das aulas, enquanto a Malfoy havia levado uma cesta de doces que sua mãe enviou pela manhã. No início, os assuntos não passaram da profundidade de como haviam sido as férias (e ela ficou muito feliz pela Black ter conseguido passa-la com seu pai, a quem sabia amar tanto, enquanto a Malfoy viajou para Paris por alguns dias com os pais; por fim, Selina havia ficado em casa, mas não se divertiu menos por isso) e continuou até começarem a falar sobre garotos.
Áquila parecia muito animada em lhes contar detalhes sobre seu namoro e, foi então, que as coisas mudaram um pouco de rumo. Sabia, desde o último ano que se passou, que Lyanna estava lhe ajudando a esconder algo. Aquilo já estava começando a lhe incomodar e foi com alivio que elas haviam, finalmente, decidido lhe contar o que aconteceu e o porquê demoraram tanto para revelar.
— Eu não acredito! — A surpresa havia sido a primeira reação plausível de Selina, que não sabia como agir, encarando boquiaberta as garotas. E, repousando em seu dormitório dias depois, ainda sentia a perplexidade lhe abater enquanto encarava o teto e refletia sobre o que havia escutado.
Sua segunda reação, contudo, foi abraçar Áquila e relembra-la que sempre estaria do seu lado, até em momentos difíceis como aquele que ela havia tentado lhe esconder. Pelo o que todos bem sabiam, a Malfoy era uma força que dificilmente conseguia ser parada, mas com a convivência a Campanella percebeu que pontos fracos também surgiam pela sua superfície. Esse segredo, definitivamente, havia se tornado um deles.
Em seguida, ela lhe fez inúmeras perguntas, principalmente se estava bem agora e se havia conversado com alguém durante as férias. Com alivio, ela respondeu que havia se aberto com sua mãe e lhe contado quase tudo, infelizmente a parte mais séria ela havia escondido. Bem, pelo menos a mesma agora lhe mandava poções que ajudariam a prevenir que o problema se repetisse.
Não demorou até perceberem que a Áquila não parecia confortável em continuar naquele assunto, pedindo para conversarem sobre algo que a fizesse esquecer os últimos acontecimentos. Elas prontamente concordaram.
Alguns minutos depois, as três estavam novamente rindo e brincando umas com a outras.
Já estava quase escurecendo quando se deitaram, lado a lado, com a lufana no meio, de mãos dadas, observando o pôr-do-sol em um silêncio confortável. A amizade delas tinha essa simplicidade e uma incrível mania de coincidir com momentos belos como aqueles, cujos quais a garota era eternamente grata por participar. Ela não poderia se sentir mais em casa do que naquele instante.
Apenas se levantaram quando o céu já estava pontilhado por estrelas e o jantar a ponto de ser servido. Estavam entrando no castelo juntas, quando Áquila tocou no assunto sobre a festa da Sonserina, adiada para a próxima semana devido a carga de estudos que todos receberam, e cujo qual Lyanna parecia bem decidida a recusar os apelos da prima para que participasse.
— Bem, se Lya não quer, então posso ir no lugar dela? — Selina havia perguntado, com os olhos brilhando em direção a amiga. Não era sábio que uma lufana entrasse no território das serpentes, realmente, mas ela nunca pode resistir a impetuosidade de fazer algo errado.
— Tem certeza? — Áquila perguntou, rindo com a surpresa do pedido.
— Sim! Por favor, Aq. — Ela juntou as mãos, já imaginando todas as bebidas e a bela confusão que aquilo poderia lhe render. Parecia quase que irresistível.
— Tudo bem, então. Me encontre na entrada das masmorras à meia-noite. — Antes que a mesma pudesse terminar a frase direito, ela lhe abraçou fortemente em um gesto de gratidão que a fez rir ao enterrar o rosto em seus cabelos escuros.
Ao relembrar de todo esse dia, Selina notou que não poderia estar mais ansiosa para que a próxima sexta-feira chegasse. Sempre ouvia muito das amigas sobre os variados acontecimentos nas masmorras durante essas comemorações e já imaginava o que aquilo lhe renderia.
Contudo, um barulho de alguém entrando no dormitório lhe retirou de seus pensamentos. June havia acabado de passar pela porta, com o rosto um pouco sujo e a vassoura em seu ombro.
— Ei, como foi o treino? — Perguntou, sentando-se na cama e jogando os cabelos escuros pelo ombro. Embora gostasse muito de Quadribol, limitava-se a jogar como reserva no time.
— Cansativo, o pessoal está demorando se adaptar sem o Diggory. — A garota explicou, retirando o uniforme e procurando algumas roupas limpas para o jantar.
— Deve ser difícil para o time continuar sem ele. — Selina não era exatamente amiga dele, principalmente pela diferença de idade, contudo acabavam por serem próximos devido a mesma casa, era realmente horrível como tudo havia acontecido.
Ela procurava evitar pensar nos fatores que resultaram em sua morte. Acreditava no que o Potter dizia, sobre Aquele-que-não-deve-ser-nomeado ter retornado e seus seguidores terem ido imediatamente ao seu lado. Contudo, sempre teve amigos de outras casas e sabia que alguns eram filhos ou parentes de comensais, até mesmo sua família materna tinha alguns integrantes no meio. Lhe assustava a ideia de que poderiam acabar por serem influenciados por determinados ideais ou, pior, acabarem em lados opostos de uma guerra.
— Bastante, mas precisamos tentar. Aliás, acho que podemos precisar de você para o primeiro jogo, não consegui achar ninguém para substituir ele. — Explicou, vestindo uma calça confortável e uma camisa com o brasão da Lufa-Lufa bordado.
— Claro, eu iria adorar! — Selina realmente esperava poder jogar mais vezes aquele ano e apenas a ideia de poder auxiliar o time a conseguir uma posição melhor que nos outros anos, lhe deixava mais animada.
— Obrigada. — Era um alivio para a Black saber que poderia contar com a garota, principalmente em um momento tão difícil. Virou-se para um espelho, tentando prender seu cabelo no lugar antes de descer, mas seus fios lisos pareciam decididos a não manter penteado algum. — Mas que droga!
Selina podia notar, com uma preocupação crescente que sentia por todos os seus amigos, que June parecia particularmente estressada aquele ano, fugindo se sua habitual tranquilidade.
— Posso tentar fazer uma trança se quiser. — Sugeriu, se levantando e indo para mais perto.
— Seria ótimo, Sel, obrigada. — June suspirou, enquanto a jovem passava as mãos delicadamente pela extensão de seu cabelo com cuidado, prendendo e torcendo.
Enquanto se concentrava na atividade, pode notar que June lhe lembrava um pouco Lyanna, não pelo comportamento ou qualquer coisa do gênero, nisso eram totalmente opostas. Mas sim de aparência, com os mesmos cabelos e olhos escuros e traços do rosto semelhantes.
Bem, talvez seja algum parentesco distante, pensou, lembrando-se que possuíam sobrenomes iguais e, como não conhecia muito sobre as antigas famílias bruxas, imaginou que houvesse muitos Black ainda.
Por fim, conseguiu finalmente terminar o penteado com maestria e desceram juntas para o jantar. Selina sentia-se em paz, embora soubesse que talvez isso não fosse durar muito, ainda sim, possuía um espirito forte, cujo qual nem a mais poderosa tempestade poderia abalar facilmente.
♕
Franklin J. Boudrot.
Uma segunda-feira, seja como for, é um dia comumente odiado pela maioria dos estudantes, de todas as idades. É quando devem deixar a tranquilidade dos finais de semana, encarar as consequências de possíveis ressacas e se preparar mentalmente para uma semana que se estenderá cansativamente sobre todos.
Resumidamente, é um início. Um início que ninguém gosta.
Para os alunos de Hogwarts, não seria diferente. Os da Sonserina, em sua grande maioria, acordavam irritados e com fortes dores de cabeça advindas das noites no salão comunal regadas com algumas bebidas e produtos ilícitos roubados de seus pais; enquanto os da Grifinória reuniam toda a coragem que possuíam para conseguir se direcionar ao café da manhã. Os lufanos, geralmente de bom-humor, se mantinham em um silêncio incomodo, já os corvinos se enfiavam atrás de livros apenas para disfarçar a cara de noites mal dormidas.
Nesse último grupo, estava Franklin Boudrot. Nunca havia sido conhecido por sua animação, bom-humor ou qualquer outra característica positiva, porque simplesmente elas pareciam fugir de sua personalidade. Nesse dia, seu áurea escura e pessimista parecia ainda mais forte.
Havia sido com muito esforço que deixou seus sonhos sobre dias melhores, que se mantinham no passado, para trás e se arrastou para fora de seu dormitório, descendo com o resto de sua casa até o salão principal. Ao seu lado, sentava-se Tessa Hendrix, a única que parecia entender suas emoções sempre oscilantes para uma irritação constante. A jovem mantinha-se entretida em um livro sobre magia antiga e tradições wicannas, que havia pegado emprestado de Sophie Lewis. Pelo menos ela conseguia ser desperta naquela hora.
Eles mantinham-se quietos, o que não era nada desconfortável para nenhum dos dois, muito pelo contrário. Eram pessoas que gostavam de observar aqueles ao seu redor, barulho só os atrapalhava.
— Que aula temos agora? — Perguntou Franklin, cortando aquele gélido acordo silencioso de não trocarem palavras pela manhã. A jovem fechou o livro e guardou na bolsa, antes de responde-lo.
— Transfigurações, com a Grifinória. — Disse, sem olhar o horário. Já havia decorado completamente. O garoto fez uma cara de desgosto, pois suportava poucas pessoas que não fossem de sua própria casa.
— Bem, pelo menos não é Sonserina. — Disse, mentalmente agradecido. Sua aversão com os da casa verde e prata era antiga. Continuou tomando seu café da manhã, infelizmente transfigurações também não era uma de suas matérias favoritas, então nada até aquele momento melhorou seu humor.
Com pesar, ele e Tessa se levantaram e rumaram em direção a sala de Minerva, já bem conhecida por todos os alunos. Sentaram-se juntos, na primeira fileira de carteiras. Eram reconhecidos, até mesmo em sua casa, pela extrema inteligência que possuíam.
A sala se encheu de alunos aos poucos, a maioria ainda bocejando ou conversando baixo, mas todos imediatamente se mantiveram em silêncio e atentos quando McGonagall entrou na sala, parecendo mais séria que o usual.
— Bom dia, peguem seus livros. — Ordenou, enquanto batia com a ponta da varinha na lousa e algumas instruções surgiram. — Esse é o quinto ano de vocês e, como disse para outras casas, irei repetir: é o momento crucial na vida de todos. Sei que as coisas podem estar confusas agora, principalmente com certas intromissões no nosso quadro estudantil, porém todos devem perseverar. É nesse ano que irão tomar decisões sobre suas carreiras e começaram a tirar as notas que irão influencia-la para melhor ou não. Na minha sala, não aceito alunos que tirem menos que E em seus NOMs, portanto espero dedicação e extrema habilidade daqueles que desejarem ou precisarem continuar o curso de Transfigurações.
Ela fez uma pausa, encarando cada um deles, fazendo suas palavras se firmarem em todos os estudantes. Ninguém ousou contestar nada.
— Foi uma indireta para a nova professora? — Perguntou Tessa, discretamente, enquanto Minerva olhava para a turma da Grifinória.
— Acredito que sim. — Frank respondeu, no mesmo tom baixo. Haviam tido apenas uma aula com a megera, mas já havia sido o suficiente para perceberem que não aprenderiam nada naquele ano, se dependesse dela. Além disso, toda a escola já a odiava (com exceção de alguns alunos da Sonserina).
— Bem, hoje iremos estudar o feitiço Avifors, alguém sabe me dizer para o que exatamente ele funciona? — A professora perguntou, indo para o centro da sala. Várias mãos se ergueram no ar, nenhuma mais rápida que a de Tessa.
— Faz o alvo ser transfigurado em um pássaro. — Ela respondeu, assim que foi autorizada.
— Ótimo, cinco pontos para a Corvinal. A descrição de como executar o feitiço está na lousa, na minha mesa tem uma caixa com pequenas xícaras, cada um pode pegar uma e começar a praticar. — Vários alunos levantaram assim que Minerva autorizou, contudo, Frank e Tessa ficaram para trás, esperando a maioria sair de sua frente para pegarem, cada um, uma xícara pequena e voltarem a se sentar.
Não viam a necessidade de pular para frente, como alguns pareciam ter. Sabiam que quase todos não conseguiriam nem sequer mudar a forma do objeto.
E bem como imaginaram, no final da aula a grande maioria apenas conseguiu fazer algumas penas surgirem na xícara, enquanto ambos e Hermione Granger foram os únicos a executar o feitiço com extrema precisão, ganhando, cada um, 10 pontos para suas respectivas casas.
Havia sido uma boa aula, no final. Entretanto, ele deveria saber que sua satisfação pouco duraria. Assim que saíram da sala, deram de cara com um grupo de alunos sonserinos que, aparentemente, subiam das masmorras após uma aula de poções. A frente de todos, estava Draco Malfoy, parecendo mais insuportável que o normal e, assim que viu o corvino, parou no corredor, impedindo sua passagem.
— Sai da frente, Malfoy. — Disse, baixo e lentamente, já se irritando. Tessa, ao seu lado, observava a cena, porém pronta para intervir se necessário fosse.
— Se você pedir com delicadeza, Boudrot, posso pensar no seu caso. — Respondeu, com uma risada irônica, sendo acompanhado por seus amigos babacas.
O mesmo se limitou a revirar os olhos, empurrando o platinado para fora de seu caminho. Não tinha paciência, nem vontade de aguentar Draco naquele dia.
— Olha só, acho que papai e mamãe não iriam ficar tão felizes de saber que além de tudo, você perdeu seus modos, não é mesmo? — O garoto disse as suas costas, já se ajeitando do empurrão. — Não que eles normalmente estejam felizes com você, de qualquer maneira.
Aquilo era o que bastava para que o resto de sua paciência se esvaísse como um passe de magicas. Puxou sua varinha quase que no mesmo instante em que o Malfoy puxava a dele, nenhum dos dois ouvindo os colegas ao lado que pediam para se acalmarem. Frank foi o primeiro a lançar um feitiço.
— Atordous Stomacus!
— Protego! — O feitiço ricocheteou, batendo na parede e por pouco não acertando um dos alunos da Grifinória, que observava a cena. — Estupefaça!
O lampejo vermelho lhe pegou de raspão, fazendo com que seu corpo fosse lançado contra a parede, mas, felizmente, mantendo-se consciente. Quando levantou, ouvindo as risadas de Draco, sentiu ainda mais raiva.
— Furnunculus! — Imediatamente, o braço de Draco, onde o feitiço atingiu, foi tomado por enormes furúnculos, que não paravam de crescer e aumentar conforme os segundos passavam. O garoto estava pronto para piorar a situação do sonserino, quando Minerva se colocou entre eles.
— O que está acontecendo aqui?! — Ela perguntou, exasperada, olhando a situação do Malfoy, que tentava se controlar para não expressar tamanha dor que sentia, e os arranhões no rosto de Frank, advindos da queda. — Menos 20 pontos para Sonserina e Corvinal! Brigando no corredor, nem animais se comportam de forma tão bruta! E vocês — ela disse, apontando para Hermione e Rony, que, na multidão ao redor, torciam por Franklin — façam seus papéis de monitores e levem os dois para a enfermaria.
Os dois fizeram sinal para que os seguissem, deixando Draco ainda mais irritado.
— Acho incrível quando as pessoas me confundem com a Mione. — Ouviu a garota a sua frente, aparentemente Natalie, sussurrando para o Weasley, mas preferiu ignorar sua existência, acompanhando-os em silêncio, mesmo que não houvesse real necessidade de ir a ala hospitalar.
Enquanto Draco lhe encarava com raiva, reclamando audivelmente para Pansy, que lhe seguia.
Sempre foi incrivelmente dramático, pensou, lembrando-se de quando ambos ainda se consideravam amigos. Naquele momento, apenas queria lhe dar mais motivos para lamentar, mas infelizmente apenas traria mais perdas de pontos a sua casa, o que não lhe agradava.
Bem, pelo menos Draco iria aprender a não falar de sua família tão cedo novamente.
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