Hopeless
9 Capítulo 9: Algo Perverso á Vista.
Notas iniciais

Hope
–-Por quê? –perguntava Peter.
Tentei pensar em uma resposta para o seu por que. Na verdade, eu não sabia o porquê da minha vida ter dado essa enorme reviravolta.
–-Eu não sei. Meu pai disse que agora Nova Orleans é um lugar seguro para eu morar.
–-Papai está fugindo de algo.
Por mais que Peter já tivesse falado muito de sua vida, nunca citava muito o pai.
–-De que? –perguntei curiosa.
–-Eu não sei direito. Ele diz que eu sou diferente, e que uma bruxa anseia por mim.
–-Diferente como?
O celular de Peter toca, e ele pede licença para atendê-lo, distanciando-se. Observei-o andando pela grama baixa do jardim do parque. Naquela tarde, ele vestia calça jeans, uma blusa listrada de mangas, e um all-star nos pés. O cabelo, como sempre bagunçado, mas muito sexy.
Passavam-se quase vinte dias desde o nosso primeiro beijo, e nós continuávamos nos beijando até hoje. Não namoramos, mas estamos juntos. A família dele não sabe de minha existência, nem a minha dele.
–-Ei, preciso ir! –aproximando-se disse.
–-Tudo bem, acho que também preciso.
Ele me beijou rapidamente, apertou minha mão, e saiu.
Deixando-me completamente sozinha.
* * *
Quando entrei pela porta principal do complexo, Joshua apareceu correndo.
–-Hope, você não vai acreditar!
–-O que?
Ele levantou a mão, que exibia uma linda aliança de compromisso.
–-Aiden pediu-me em namoro hoje!
Abracei Joshua, e quase pude sentir seu corpo eletrizando de felicidade. Ele amava tanto Aiden, que chegava a causar um pingo de inveja. Será que um dia eu encontraria alguem que amasse-me como Joshua ama Aiden? Tudo bem, nesse momento eu tenho Peter. Mas eu não sei... Tem algo estranho.
–-Puxa que noticia maravilhosa Joshua! Felicidades para vocês. –esbocei meu melhor sorriso, para o meu melhor amigo.
–-Vamos sair para comemorar! Gostaria de ir conosco?
Pensei bem. É claro que eu gostaria, afinal Joshua foi meu alicerce quando entrei nessa nova vida. Mas por outro lado, eu precisava ficar sozinha, ansiando pela visita de Peter, que às vezes jogava pedras em minha janela, quando eu estava sozinha, e subia para ver-me.
–-Hm... Eu acho melhor não. Estou com muita cólica! –menti.
–-Hope... Vampiros não tem cólicas.
Merda!
–-Josh, eu acho melhor não. Desculpe, mas estou sem um pingo de vontade.
Ele pareceu entender, pois apenas balançou a cabeça, e segurou minhas mãos, beijando-as.
* * *
Quando todos finalmente haviam saído de casa, deitei-me no meu quarto, e tentei concentrar-me no livro que estava a ler. Um Porto Seguro, de Nicholas Sparks.
Ouvi alguns rangidos vindos da porta. Da minha porta. Então, Peter entrou no meu quarto. Levantei-me depressa.
–-Peter?
–-Hope? –seu olhar era de choque.
–-Vejo que já se conhecessem? –perguntou uma terceira voz, atrás de Peter. Era um homem. Entrou no meu quarto também, mesmo sem ser convidado, e colocou suas mãos no ombro de Peter.
–-Quem é ele? –perguntei, indicando o outro homem com a cabeça.
–-Gary Thompson Steve. –respondeu outra voz, que sem duvidas era de meu pai.
–-Niklaus Mikaelson... –cumprimentou Gary.
Eu já estava começando a ficar irritada, e pude sentir o inicio de uma ventania vindo.
–-Que merda está acontecendo aqui? –perguntei já irritada.
–-Esse aqui, é Gary. O assassino de Marcel! –apresentou meu pai.
–-E futuro sequestrador. –dizendo isto, o homem de cabelos grisalhos jogou em cima de mim, tentando sedar-me com verbena. Meu pai arrancou-o com suas presas, e os dois lutavam no chão. Peter estava intacto, no canto da parede. Concentrei-me em meu poder. Usei minha família como minha ancora. Trouxe Gary até meus pés, apenas com a força do pensamento. Curvando-se diante de mim, ele ainda continuava tentando lutar. Coloquei-o de pé, e com um movimento de mãos, quebrei suas pernas.
–-Pare Hope! Pare! –implorava Peter.
Mas eu não conseguia. Senti sangue nos meus lábios. Sangue vindo do meu nariz. Meu poder estava tomando conta de mim. E eu só deseja causar mais sofrimento naquele homem que ousou encostar em meu pai, e em Peter.
Levantei minha mão com força, e meu pai percebeu que eu iria arrancar o coração de Gary.
–-Pare Hopeless! –ele mandou.
Rapidamente, sai de minha transe, e cai no chão. Meu pai jogou-se ao meu lado, aninhando-me com seus braços, e pedindo que eu ficasse calma. As janelas batia-se com força, por decorrer da ventania que eu havia provocado.
–-Está tudo bem... –tentou tranquilizar-me.
Gary estava pronto para fugir, mas Freya entrou no cômodo já cheio, e colocou-o contra a parede. Olhando para Peter, Freya assumiu um olhar surpreso e horrorizado. Como se tivesse visto um fantasma.
–-Thomas? –perguntou, com um sotaque carregado de esperança.
–-Não... Sou-u... –Peter estava nervoso, e com medo- Peter.
Freya olhou para Gary, que ainda estava preso a parede. Seu olhar era de fúria, e de predadora.
–-Não, por favor, não conte a ele. –implorou Gary.
–-É ele. É você quem Dalhia está procurando!
–-Dalhia está procurando Peter? –perguntei.
–-Você o conhece Hope? –perguntou papai e Freya em refrão.
–-Sim.
Meu pai se levantou, e eu também me recompus. Freya soltou Gary da parede, que caiu no chão, sem forças. Peter ainda continuava intacto.
–-Freya, ele é? –perguntou meu pai.
–-Sim, Niklaus. Ele é a duplicata que Dalhia vem procurando todos estes anos.
* * *
Papai havia explicado-me um pouco do acontecido, e da história.
Dalhia sempre ansiaria por poder. Eu, seria uma fonte de poder inesgotável, por ser um bebe milagroso, e o segundo primogênito da família Mikaelson. Ainda mais, por ser hibrida. Peter, era uma duplicata. A ultima duplicata. E a mais poderosa. Se Dalhia conseguisse ligar Peter a mim, teria poder o suficiente para matar, em um piscar de olhos, um exercito de vampiros Originais. Seu poder, seria invencível. Eu e Peter, éramos os ingredientes para dar a Dalhia o que ela sempre quis. Poder sem fim.
Mas Dalhia havia feito um trato com Gary. Capturando Hope, no caso eu, Peter ficaria livre. Mal sabendo ele, que seu filho, também seria o ingrediente secreto.
* * *
Peter e eu estávamos sozinhos em meu quarto. Papai havia permitido esse momento de privacidade, depois de eu ter-te contado toda a história. Incendiei a “erva do silencio”, como Davina havia ensinado-me.
O silêncio era um abismo. Peter não havia, se quer, olhado-me.
–-Peter você...
Aproximando-se quase correndo, ele pediu:
–-Não fala nada Hope. Apenas faça isso...
E então, ele me beijou. Um beijo diferente, parecendo que aquilo lhe traria oxigênio, ou que era necessário. Como se dependesse daquilo.
–-A verdade, é que eu estou apaixonado por você... –ele sussurrou, no meu ouvido –E depois de tudo o que ouvi hoje, não posso perder você. Não agora.
Sorri, e afundei minha cabeça em seu peito.
–-Eu também.
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