Hopeless
6 Capítulo 6: Lição numero um...
Notas iniciais
Hope
Meu pai estava visivelmente enfurecido. Mas ninguém na casa disse nada. Estávamos no mais absoluto silencio. Não aguentando aquela situação, criei coragem e disse:
–-E agora?
Ninguém respondeu minha pergunta. Cansada de tanto silencio, subi as escadas e entrei no meu quarto. Eu estava com tanta raiva. E ela só aumentava a cada segundo. De repente, as luzes do meu quarto começaram a oscilar. E em questão de segundos, todas estouraram. Uma ventania forte invadiu o complexo, e todas as janelas se abriram, causando um barulho ensurdecedor. Davina imediatamente entrou no meu quarto.
–-Acalme-se.
–-Não consigo! Estou com raiva, fome.
–-Acalme-se Hopeless.
Tentei acalmar-me, inspirando e expirando. Também concentrando meus pensamentos em uma lembrança boa. Minha lembrança foi com meus antigos amigos. Certa vez, eu, Maya e Tom, fugimos de casa para ir a uma festa. Foi à coisa mais radical que eu já havia feito na minha vida. A adrenalina correndo em minhas veias. Era fantástico.
Minutos depois, percebi que a ventania havia sessado.
–-O que foi isso? –perguntou minha tia Rebekah.
–-Hope –informou Davina.
–-Isso não é possível! –exclamou Elijah.
–-Hope não é possível –uma voz ecoou atrás de nós, nos surpreendendo. Viramos rapidamente, e demos de cara com Freya. Meus tios aproximaram-se de mim, e meu pai correu até a frente de minha tia.
–-Perdeu o senso, irmã?
–-Não, Niklaus. Não perdi. Estou aqui com uma bandeira branca, caso contrário não teria entrado –ela levantou as mãos –Sem magia. Sei da redonda que vocês criaram.
Alguns se convenceram do comentário sábio dela, mas não meu pai.
–-O que você quer?
–-Dalhia está perto. O poder de Hope está chamando-a. Já sonhou com ela?
Fiquei quieta, mas meus parentes provavelmente sentiram meu medo.
–-Hope...
–-Sim. Não sei se foi um sonho. Eu acho que a vi. Ela conversou comigo.
–-Porque não nos disse isso antes? –minha mãe praticamente gritou.
–-A ultima coisa que ela precisa agora, é alguem gritando com ela –defendeu-me tia Caroline.
Houve um intervalo curto de silêncio.
–-Hope é hibrida. –informou Elijah.
–-Portanto, não pode ser bruxa. –completou Kol.
–-Hope é um milagre. Ela é uma criança milagrosa. Portanto, pode realizar coisas milagrosas, não acham? –Freya levantou duvidas dentro do complexo.
–-Acha mesmo que ela pode ser bruxa e hibrida? –perguntou Davina.
–-Não duvido. Essa ventania, não fui eu. Também não foi você Davina. Kol é um Original novamente. Só pode ter sido Hope.
–-O que eu sou?
–-O que você quiser! –gostei da resposta de Freya.
Chegamos à conclusão de que a) eu era uma hibrida e b) eu era uma bruxa c) eu era bruxa e hibrida.
Dormi um pouco durante a noite, mas acordei algumas horas depois, quando o dia estava quase nascendo. Elijah estava observando-me.
–-Sei que vocês não têm o habito de bater, mas podiam tentar? Já pedi isso para o meu pai.
–-Desculpe...
–-Sem problemas. Quer alguma coisa?
–-Precisamos conversar... Preciso bom, te ensinar algumas coisas.
–-Estou a todo ouvidos.
“Você agora é um hibrido, portanto sua mordida é letal para qualquer vampiro. Pode transformar-se em uma besta quando quiser, mas um aviso, isso irá doer. Seu pai sempre conseguiu controlar seu lado fera, e dizia que era uma das melhores sensações da vida, menos ter todos os ossos de seu corpo quebrados. Lição numero três, audição. Sua audição agora está mais que aguçada, e você pode tentar ouvir conversas dentro de uma boate que conseguirá com facilidade. Lição numero quarto, sentimentos. Seus sentimentos agora estão mais intensos. Digamos que, quando você se transforma, tudo em você duplicara. Seus sentimentos estão duplicados, cuidado. Lição numero cinco, hipnose. Claro, você já deve saber que podemos hipnotizar as pessoas. Nós, por sermos Originais, hipnotizamos até mesmo vampiros e lobisomens. Já os vampiros normais, só podem hipnotizar humanos. Mas você aprendera isso com o tempo, e sozinha. Lição numero seis, por ultimo, porem mais importante, fome. Você deve estar sentindo nesse momento muita fome. Mas é agora que escolhe o que irá querer. Ser um estripador, um matador, que tira a vida de inocentes. Você deve decidir agora, como ira se alimentar. Temos bolsas de sangues, animais, mas não nos alimentamos diretamente dos humanos. Claro, isso não conta quando se trata de nossos inimigos. Também quando é um caso alarmante e necessário, mas não para drenar o sangue da pessoa. Lembrando, cuidado com a verbena. Verbena é uma erva que usam para a) torturar a nossa espécie b) ficarem imunes a hipnose. Não se preocupe com a letra b quando se tratar de você, mas sim com quem você ira hipnotizar. Com o tempo você ira aprender mais, e eu estou a suas ordens”.
–-Muita coisa! –eu disse sorrindo.
–-Concordo... Sente fome?
Concordei com a cabeça.
Ele retirou uma bolsa de sangue do palito, e imediatamente senti meu corpo pegar fome.
–-Controle-se Hope. Controle-se. Pense em algo bom, ou não pense no sangue. Tudo menos no sangue.
Tentei fazer o que ele pediu, mas minha fome foi mais forte. Levantei e corri até ele, roubando a bolsa de sangue de sua mão.
–-Não foi tão mal assim... Bom apetite –e dizendo isso, retirou-se.
Joshua e Davina estavam ensinando-me sobre meus dois lados. Cada um sobre sua categoria. Estávamos em um lago, e eu apenas atirava pedrinhas na agua, fingindo estar escutando os dois.
–-Preciso ir ao banheiro –menti.
Caminhando por aí, encontrei algum que jamais pensei rever na vida. Tom.
–-Tom? –exclamei.
Ele virou-se rapidamente, e ficou surpreso ao ver-me.
–-Hopeless???
Corri e o abracei, mas temi ter corrido demais.
–-O que faz aqui?
–-Passeio de família... Mas e você?
–-Morando, não se lembra?
–-De que?
Ele não lembrava-se.
–-Nada...
–-Essa merda de machucado está me matando! Acabei de cortar-me ali naquele banco e olha... –quando vi o sangue escorrendo pelo dedo dele, senti aquela sensação novamente. Mas diferente da anterior, essa era real. Não era um teste. Tentei lutar contra a tentação. Em vão. Pois olhei para os lados, certificando-me de que ninguém estava olhando, e cravei minhas presas no pescoço dele. Bebi até a ultima gota de sangue.
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