Hopeless
5 Sentimentos Fortalecidos
Notas iniciais
POV Rose
Eu abri o frigobar do avião e constatei a enorme quantidade de comida que tínhamos. Sete ou oito garrafas de água, cinco pacotes de salgadinho, três maçãs e duas coca-cola. É, comeríamos muito bem mesmo.
- E aí, o que está procurando? – Alvo passou por trás de mim e foi até a mala pegar uma toalha
- Mal temos comida para hoje, precisamos de algo mais... – eu suspirei e me voltei para ele – Para onde está indo?
- Tomar um banho onde a Lylian disse ter encontrado uma pequena cachoeira. – ele deu de ombros – Podemos conseguir algumas frutas se quiser.
- O problema não é esse! – eu me exasperei – Não somos acostumados a nada disso, como acha que conseguiremos ficar aqui por mais alguns dias, ou sabe se lá quanto tempo mais!
Ele ficou parado me encarando por alguns segundos, depois sorriu de forma calma e passou por mim como se nada mais importasse.
- Eu acho que você está enlouquecendo, nossos pais vão nos encontrar. No máximo em uma semana.
Eu suspirei de forma cansada e esperei o avião ficar completamente silencioso, então sentei no chão me encostando a parede. Por que ninguém entendia? Por que todos pensavam que aquilo era fácil? E então me chamavam de certinha demais, sabe-tudo, irritante, mas ninguém pensava realmente na situação.
- Você está bem? – abri os olhos vendo Scorpius Malfoy sentar a minha frente
- Por que não foi se divertir com eles? – perguntei de forma irônica
- Porque não quis deixar você aqui sozinha. – ele deu de ombros – Pode ser perigoso.
- Ah, pelo menos um que entende um pouco da situação! – eu devolvi novamente irônica
- Do que está falando? – ele franziu o cenho, confuso
- Será que ninguém aqui percebe o que aconteceu? – eu exclamei – O nosso avião caiu em uma ilha que sumiu do mapa e que não permite o uso de magia!
- Até aí eu sei, mas o que está pensando? – ele continuou confuso
- Se a ilha não aparece em mapas, com certeza nossos pais vão demorar a nos encontra. E provavelmente eles virão de alguma forma bruxa, ou pensando em usar magia. Se isso acontecer, ficarão presos aqui como nós! – eu falei de forma leve, mas com a raiva contida
Eu o vi engolir em seco, é, pelo jeito ninguém havia pensado nisso mesmo.
- Então nossas chances de sair daqui são quase nulas, não são? – ele pediu baixinho, seu olhar baixou para as próprias mãos
- Talvez, eu sei que nossos pais não vão simplesmente nos abandonar aqui. – dei de ombros – Mas talvez devêssemos nos preocupar um pouco mais. Não temos comida para amanhã, nem cobertores e não sabemos a temperatura desta ilha. Não sabemos que animais existem aqui, que mistérios ela esconde ou qualquer tipo de coisas estranhas.
- Odeio dizer isso, mas você tem razão. – ele voltou a me encarar – Deveríamos arrumar um lugar melhor para ficar, procurar comida, explorar a ilha e algo assim.
- Obrigada Merlin, por fazer alguém me entender, ainda que seja a fuinha do Malfoy! – eu fingi uma prece
- Ei, por que esta me atacando tanto? – ele perguntou incrédulo
- Ouvi o que disse para o Luke. – eu falei enquanto me levantava – E sinto muito Malfoy, não vou ficar com você nesta ilha para ser abandonada feito uma estúpida depois.
- Você sabe que isso não é verdade. – ele falou com o tom de voz um pouco mais alto – As coisas nunca funcionaram assim entre nós.
- Realmente, nós dois nunca demos certo mesmo. Então acabou por aqui, mais uma vez. – eu suspirei ainda de costas para ele
- Ah não ruiva, nem pensar! – ele me puxou pelo braço, eu nem havia percebido que havia levantado e estava logo atrás de mim – Eu ainda mereço explicações, e não vou parar até que decida conversar comigo!
***
POV Luke
- Você realmente é tão imprudente assim? – perguntei vendo-a se abaixar na borda do que parecia um fosso
Ela deu um pulo e se voltou para mim com a mão no coração.
- Você me assustou. – disse ofegante
- Você desapareceu, pela segunda vez! Alyss e Alvo também estão te procurando! – eu me aproximei um pouco mais dela – Isso que era só para tomar um banho na cachoeira.
Ela deu de ombros e fingiu nem se importar, continuou olhando a borda e se abaixando cada vez mais.
- Sério, por que está querendo chamar a atenção? – aproximei-me mais ainda dela
- De onde tirou isso? – ela se voltou para mim, agora brava
E pensar que a acho mais linda ainda quando brava.
- Se não for para isso, então por que está agindo assim? – abaixei-me ao seu lado
- Só estou curtindo minha vida. – ela deu de ombros – Você não tem uma lanterna?
- Não, e para quê quer uma? – franzi o cenho – Não está pensando em entrar aí, está?
- Pode ser legal! – ela riu e se apoiou muito na beirada
Eu vi a terra deslizando com rapidez, logo as mãos dela estavam apoiadas no ar. Eu na tentativa de segurá-la acabei por cair junto para dentro daquele fosso. Com um som alto de água depois de alguns metros eu mergulhei de cabeça no que era quase um lago pela profundidade.
Emergi e procurei a ruiva, mas não a encontrei. Pensava em mergulhar novamente quando vi a água se tornar vermelha a minha volta. Ah Merlin, não permita uma coisa dessas.
Mergulhei novamente a procura dela, meus olhos arderam pela água salgada, mas finalmente a encontrei logo abaixo de mim, ainda consciente. Puxei-a junto comigo vendo a respirar profundamente quando estávamos na superfície.
- Não sei nadar. – ela respirou ofegante
- Eu pensei que havia se machucado. – mostrei a água a nossa volta
- Eu me machuquei. – ela me encarou finalmente, os olhos rasos de lágrimas – Minha perna dói, mas não pude ver o que aconteceu.
- Se não tivesse sido curiosa, não teria acontecido nada disso. – ralhei com ela
Ela ficou em silêncio enquanto eu olhava a volta, tomando o cuidado de não largá-la nem um momento.
- Desculpa... – pediu de forma quase inaudível
- Tudo bem. – voltei-me para ela novamente – Só temos que sair daqui.
- Deve ser uma vertente para a cachoeira! – ela disse ainda baixinho – Deve haver alguma saída.
- Não é da cachoeira, tem água salgada. – primeiramente eu disse sem pensar, depois percebi a gravidade do problema – Isso é uma gruta.
- E? – ela não compreendeu
- Grutas se enchem de água do mar quando a maré sobe! – eu a puxei para mais perto de mim
Por algum estranho motivo, eu gostava dessa proximidade.
- E a maré sobe quando? – ela pediu ingenuamente
- Durante a noite. – eu engoli em seco – Estamos ferrados.
Ela arregalou os olhos para mim enquanto se agarrava mais fortemente na minha camisa.
- Nossa única esperança é que o Al nos encontre. – suspirei longamente abraçando-a contra mim
***
POV Alvo
Eu sabia que a Rose estava certa. Mas por que não disse isso a ela?
Meus pensamentos estavam confusos desde que eu cheguei nessa ilha, parece que algo embaralha todas as minhas idéias. E eu tenho vontade de ser como minha irmã e sair sem rumo por aí, até encontrar algo interessante.
- Tem algo de estranho nessa ilha. – eu disse para mim mesmo
- É lógico que tem. – Alyss respondeu, estava sentada em uma pedra logo a minha frente – É uma ilha mágica, deve mexer com os nossos sentidos.
- Como tem tanta certeza disso? – perguntei me sentando ao seu lado
- Por que é o que está acontecendo. Todos nós estamos nos fortalecendo naquilo que mais sentimos! – ela me encarou, os olhos claros brilhando – Lylian na imprudência, Luke na razão, Rose na preocupação e você na vontade de ser alguém diferente do que pensam.
- Eu não tinha reparado nisso. – eu franzi o cenho
- Claro que não, porque esta ilha nos faz individualistas também, talvez para que nos percamos um dos outros e não sobrevivamos. – ela deu de ombros
- E você diz isso como se fosse normal. – eu exclamei exasperado
- Não normal, mas penso que uma amizade como a que temos possa vencer a ilha, se não sucumbirmos a ela. – ela voltou a me encarar
- Isso é loucura. – eu disse de repente, depois de alguns segundos de silêncio – A ilha não pode ter vida própria.
- Não estou dizendo que tem. – ela sorriu de forma estranha, quase malvada – Estou dizendo que alguém armou isso para nós.
Eu fiquei pensando no que ela disse por mais alguns minutos, então me levantei e estendi a mão para ela. Se fosse verdade o que ela disse deveríamos nos manter unidos, e não separados como agora.
- Vamos encontrar o Luke e a Lylian, depois voltar ao avião. Precisamos conversar seriamente.
- Eu sei, mas talvez não haja tanto tempo assim para nós. – ela suspirou
Eu não sei exatamente o que ela tentou me dizer, mas o que eu mais percebia era que Alyss era estranha. Ela era um anjo, mas depois poderia virar o diabo ou então alguém que conseguia prever o futuro esplendidamente, ou, ainda, entender tudo como se estivesse claro para todos.
Só o que nos restava agora era fazer o que ela disse, ficarmos cada vez mais unidos e tentarmos sobreviver. Além é claro de descobrir o que havia na ilha. As coisas mudam drasticamente quando não sabemos com o que lidamos.
Fale com o autor