Hopeless

21 Mundo Em Risca De Giz


Notas iniciais
N/A: Eu sei, demorei demais. E sinto muito. Não posso fazer nada além de me desculpas. Mas minha vida encheu de problemas, espero que entendam e depois com tantos problemas, minha mente teve um bloqueio criativo que só consegui recuperar hoje, graças a ajuda de duas amigas maravilhosas. A Laura e a Marília! Agradeço imensamente a elas. Obrigada!
Beijos e espero que não tenham desistido.

POV Alyss

Não sei o que aconteceu comigo. Não me lembro de tentar aparatar, ou ir para algum lugar muito longe. Eu só queria desaparecer, sumir dali. E de repente meu corpo desapareceu. Ou não. Eu continuava ali, continuava vendo todos eles e ouvindo, mas o mundo agora era cinza. Como se fosse todo em risca de giz.

E eles não podiam me ver. Isso era extraordinário e ao mesmo tempo triste. Eu não iria ficar assim para sempre iria? Voltaria ao normal quando todos já estivessem suficientemente preocupados não é? Ou eles acabariam me esquecendo e me deixando ali?

- Foi você que quis isso, Alyss.

Era a voz dela novamente. E naquele momento eu a via. Ela estava com a mesma roupa do dia em que tudo aconteceu e as lembranças eram vívidas em minha mente agora. Eu me lembrava da época em que tinha dois anos. Eu estava assustada.

- Quando não quis mais vê-lo, ele era a única coisa que te prendia ali, na realidade. – ela falou com calma

- Mas eu só estava brava. Iria passar depois de um tempo sozinha. – eu olhei para Alvo conversando com Lylian e Luke, ele parecia triste

- Sim, você quis. Sempre pensou que ele te machucaria e quando aconteceu, não teve forças para aguentar. – ela se aproximou, não andando, mas levitando até mim – Você sempre pensou que seria sozinha e quando se viu envolta de pessoas, quis que esse momento não acabasse.

- Do quê está falando? – eu franzi o cenho, confusa, nada mais daquilo fazia sentido

- Tem certeza que não sabe, pequena? – ela sorriu de forma bondosa e parou bem em minha frente – Escute!

E eu me vi fazendo o que ela queria. Ouvindo o nada, o som que não chegava até onde eu estava. Luke, Lylian e Alvo já andavam a frente. E eu não conseguia perceber, não conseguia associar. Foi só quando vi a mão de Lylian sobre o ventre que compreendi o que eu mais queria naquela viajem. Eu ouvi um novo coração batendo.

- Eu não queria que ela abortasse.

- Sim. E isso é um sentimento bom. Você queria ajudá-la. É sua amiga, podemos entender. – minha mãe ainda sorria – E você conseguiu, você fez ela e Luke se apaixonarem. E fez mais. Muito mais.

- Rose parou de chorar. Eu cansei de vê-la chorando pelos cantos dos corredores de Hogwarts. – revivi cada lágrima que observei Rose deixar cair

- Sim. Fez ela parar de chorar.

- Mas por que está dizendo que fiz isso? – eu a encarei sem compreender e inconscientemente comecei a seguir meus amigos em minha própria busca

- Você quis isso. Quando percebeu que podia mudar a vida deles, você desejou isso de coração. Você sabia que se pousasse aquele avião no destino, eles nunca teriam uma chance.

- Eu quebrei o avião. Da mesma maneira que matei meu pai e machuquei aqueles assaltantes. – eu senti uma lágrima escorrer pelo meu rosto

- Não deve se envergonhar disso. Nunca machucou alguém que gosta. – ela segurou minha mão de forma firme – Sempre cuidou para machucar só aqueles que a machucavam, ou machucavam que ama. Isso que tem é um dom. Precisa aprender a controlá-lo.

Eu respirei profundamente tentando absorver aquelas palavras, eram as primeiras que me confortavam em anos.

- Por que queria que me afastasse do Alvo? – eu olhei o moreno andando a minha frente, cada vez ele ficava mais agoniado

- Só queria que viesse me ver. Ele te mantém sob controle, te traz de volta a vida, mas não entende, porque não sabia o que ocorria com você. – ela sorriu fracamente – Ele é o cara certo, mas precisa deixar que seja. Precisa parar de ter medo de que ele vá te magoar. Por que ele vai te magoar e você vai sentir raiva, mas o ama e não vai machucá-lo. Pare de se preocupar.

- E se não funcionar? – pedi baixinho – Se não conseguir me controlar?

- Então ele saberá o que fazer. –ela disse simplesmente e me soltou – Está na hora de voltar. Conversamos por tempo demais.

- Como assim? Voltar? – eu a olhei, confusa novamente – Voltar para onde?

- Para seus amigos. – ela indicou o trio a frente

- Mas onde estou? – olhei a volta, para aquele mundo cinza

- Nunca se perguntou o que tem dentro da sua cabeça? ­– ela sorriu, mas tornou a ficar séria – Essa é sua mente e também é um portal para o mundo dos mortos. Todos temos, mas só alguns tem a capacidade de chegar até aqui e voltar a viver, poucos conseguem. A maioria vem e nunca mais volta. E a maioria não tem esse poder tão aguçado dentro deles, como você tem.

- Posso voltar ver você? – pedi baixinho, meus olhos enchendo-se de lágrimas

- Não pode chegar aqui e voltar sem consequências. – ela estava mais séria do que nunca – Você viu a entrada do mundo dos mortos, nunca mais será a mesma. E agora precisa ser forte e lutar pela vida, pequena.

- Como assim? – as lágrimas começaram a cair

Eu sabia que precisava ter chegado até ali para entender minha vida, para entender aquelas explosões de poder e perceber que podia controlá-los. Mas agora tinha medo.

- Lute. Só, lute. – ela sorriu e se abaixou me beijando a bochecha

- Só mais uma coisa, mãe. – eu segurei sua mão – Fui eu, quem criou a ilha?

- Não, a ilha sempre está aqui com os piores medos das pessoas, pronta para interferir em milhares de vidas. Você só quis que estivessem aqui, só quis uma outra chance para todos. Você criou o acidente.

- Obrigada. Mãe. – sorri e vi ela sumir aos poucos

Esperei o mundo ficar colorido novamente, mas ele ia escurecendo pouco a pouco. E meu ar, rareando. Eu estava caindo, caindo em uma espiral sem fim, onde os sons sumiam, onde as cores desapareciam e eu parava de sentir.

­­- Lute, pequena. – a voz de minha mãe já ficara distante, mas outra se aproximava

- Droga Alyss, não me deixe. Eu amo você. – era a voz dele, e a última que eu ouviria

***

POV Alvo

- Sério, essa garota é estranha, fica aparecendo e desaparecendo. – Luke colocou a mão sobre meu ombro e olhou para a loira deitada no chão

- Droga Alyss, o que está acontecendo? – chacoalhei-a de leve, mas ela não abriu os olhos

Sua respiração estava fraca, cada vez mais fraca. E parecia morrer um pouco mais a cada segundo.

- Vamos pequena, acorde. Não sei o que fazer. – suspirei e a apertei contra meu peito

- Ela não vai acordar, não é? – Lylian abraçou Luke pela cintura e escondeu o rosto em seu peito

- Vai sim. Ela é forte. Vai acordar. – eu beijei sua testa – Não é, minha loira?

- Ao menos se pudéssemos levá-la para casa! – Luke esbravejou

- Talvez podemos. – Lylian apontou a frente, um helicóptero pousava na areia perto do mar

Mas estávamos em mata fechada, como eu podia ver o mar? Eu fechei os olhos e senti o vento passar rápido sobre mim, e de repente, quando abri meus olhos novamente, estávamos na praia. Como se nunca tivéssemos saído dali.

- Pai! – Lylian gritou e saiu correndo abraçando-o em seguida

Eu continuei ali, sentado na areia, sem compreender nada, só segurando minha garota nos braços, enquanto ela morria aos pouquinhos.

- Alvo. – meu pai caiu de joelhos ao meu lado e segurou meu rosto entre as mãos beijando minha testa em seguida

- Ajude ela. – pedi baixinho, ainda confuso demais

Ele me encarou por uns segundos e então começou a examiná-la. Draco Malfoy estava ali segundos depois também a examinando.

- Ela precisa sair daqui agora. – ouvi o loiro murmurar baixinho

- Não temos muito tempo, temos de ir. – meu pai suspirou e a pegou do meu colo

- Onde está meu filho? – Draco colocou as duas mãos sobre meus ombros tentando me trazer de volta a realidade

- Com Rose. – eu olhei a mata atrás de nós – Se tivermos mesmo que ir, não vai conseguir encontrá-los a tempo.

- Não vou deixar meu filho para trás. – ele se afastou, resoluto

- Também não vou deixar minha filha. – Rony se postou ao lado dele

- Não vão conseguir encontrá-los, passamos por coisas demais aqui, não sei nem se acredito que são reais. – eu baguncei meus cabelos

- Lyllian está grávida e Alyss machucada. – Luke olhava o chão enquanto falava – Levem elas, e deixei que eu procuro Scorpius e Rose. Voltem depois buscar a gente.

- Nem pensar. – Blaise Zabine se interpôs – Você vai conosco!

- Não vou deixar meus amigos. E vocês não aguentariam um dia aqui. – Luke se exaltou – Levem elas e o Al vai junto, ele explicará tudo que aconteceu. E voltem buscar a gente!

- Ele tem razão e eu odeio dizer isso. – meu pai apoiou a mão no braço de Blaise – Precisamos voltar, ou ficaremos presos aqui também. Podemos voltar e buscá-los.

- Quarta-feira. Estejam na praia. – Rony empalideceu – E tomem cuidado.

- Sobrevivemos até aqui, vamos continuar sobrevivendo. – Luke suspirou

- Vou esperar vocês lá fora, não se machuquem. – eu sorri e o abracei e então segui puxando Lylian para o helicóptero comigo

- Desculpe pai. – Luke sussurrou a Blaise, este apenas o encarou e então o abraçou apertado

- Eu amo você. – ele disse soltando-o e nos seguindo ao helicóptero

E eu nunca vou me esquecer que vi o rosto do meu amigo ficar em uma ilha assombrada enquanto eu seguia para o continente. E tudo parecia um mero sonho idiota.

Notas finais
N/A: Comentem! XD