Hope
1 Hope
James despertou ofegante. Olhou para o lado e viu a mulher ruiva, que ele tanto amava, deitada. Ufa, havia sido um pesadelo. Ele ainda se sentia trêmulo.
—Meu bem, o que houve? — ele ouviu a voz doce e sonolenta de Lily.
—Um pesadelo, Lils. Horrível. Ele... ele encontrava a gente. Nós dois morríamos protegendo o Harry — ele disse e Lily ofegou — no sonho o Peter nos traiu e Sirius foi preso tentando nos vingar... eu acho que... — James inicou, mas se perdeu em pensamentos.
—Você acha o quê? — a ruiva questionou.
—Acho que devíamos insistir com o Sirius sobre o fiel do segredo... o plano dele de morrer sem ter como dizer nada e usar o Peter é ótimo e eu confio no Peter também, mas... não sei, tenho um pressentimento ruim.
—Eu também me sentiria mais confiante se fosse o Sirius. Acho que podemos falar com ele de novo amanhã, já que ele vem para o almoço — Evans concordou.
—Ele vai enlouquecer quando souber que vai ser padrinho do Harry.
—Não é como se o próprio Harry não tivesse escolhido o Sirius como padrinho... — Lily disse risonha.
—O Harry vive pedindo pelo Pads, ele claramente tem sua preferência...
E após essa breve conversa, eles se abraçaram e voltaram a dormir. O dia seguinte seria cheio.
O cheiro de comida estava por toda a casa. James preparava o almoço enquanto Lily estava deitada no tapete da sala brincando com Harry. Ela ouviu um barulho na lareira e, em poucos instantes, viu Sirius Black aparecendo na sala.
—Olha se não é o amor do tio Pads — ele sorriu para a ruiva, mas foi direto mimar o bebê, que se tornaria seu afilhado.
Harry abriu um sorriso banguela e engatinhou para mais perto de Sirius, que se abaixou e pegou o pequeno Potter no colo. Lily se levantou e recebeu um meio abraço apertado do Black.
—Como você está, ruiva?
—Tudo ótimo, Six... James está na cozinha, vamos pra lá — ela respondeu leve.
Esse era o clima quando os marotos se encontravam: leveza.
Na verdade, naquele dia estava faltando. Remus estava morando longe, pois foi o único emprego que conseguiu por conta de seu problema peludo. James e Sirius insistiram em ajudá-lo, mas Lupin era orgulhoso. E Peter, naquele dia, disse que teria um compromisso e não poderia estar ali.
Na cozinha, James e Sirius se abraçaram como os irmãos que eram e, logo, o grupo estava em uma conversa animada, da qual Black nem sempre participava, pois estava distraído com o bebê em seu colo.
—Six, a gente queria conversar com você — foi Lily quem trouxe os assuntos sérios à tona.
Ele olhou atentamente para os amigos e constatou com tristeza que, apesar de estarem felizes por estar juntos, o momento estava sendo muito difícil para eles. Black não podia deixar de notar as olheiras profundas em torno dos olhos de James e a expressão cansada e preocupada de Lily.
Por Merlin, ele pensava, James e Lily Potter não mereciam passar por nada disso.
—Pads, nós conversamos e decidimos que queremos te convidar pra ser o padrinho de Harry — James ostentava um enorme sorriso enquanto dizia isso.
A boca de Sirius se abriu em surpresa. Ele definitivamente não estava esperando.
—Você aceita, Six? — a ruiva perguntou, também com um sorriso grande.
—É claro, por Merlin, vocês são minha família... eu não sei nem o que dizer — Sirius estava claramente emocionado.
—Agora eu sou seu padrinho, Harry. Eu gosto disso, e você? — ele brincou com a criança, que riu sem entender nada.
—A gente também quer te tornar o guardião legal dele, caso algo aconteça conosco — Lily completou, agora mais séria.
—Não vai acontecer nada com vocês — Black foi rápido em responder.
—Eu espero que não aconteça, Padfoot, mas estamos em uma guerra. Precisamos nos precaver — James respondeu, fazendo o amigo assentir e abraçar Harry um pouco mais forte em seu colo. Ele não gostava nem de pensar nessa possibilidade.
—Vamos almoçar — Lily tentou espantar o clima ruim que o assunto trouxe, pelo menos por aquele momento. Ainda iriam falar sobre o fiel do segredo, mas Sirius merecia curtir o momento. Ele estava radiante em ser padrinho de Harry e ela se perguntava o porquê de ele ter ficado surpreso. Era uma escolha óbvia.
Espantando o assunto ruim, o almoço foi cheio de risadas. Naquele momento, parecia que eles ainda eram adolescentes na mesa da Grifinoria e não adultos em meio à guerra.
Mas, infelizmente, era isso que eles eram. Adultos vivendo uma guerra. E mais que isso, eles tinham sido marcados.
Dentre tantos casais, dentre tantas crianças, por que logo os Potter tinham que ser o alvo de Voldemort?
E isso os levou ao assunto tenso novamente.
—Sirius, nós temos outro assunto pra falar com você — foi James quem disse. Notava-se como ele estava sério apenas por chamar o melhor amigo pelo nome, em vez de usar o apelido — eu sei a sua posição e não tenho nem como agradecer pela sua ideia de ser uma distração para o verdadeiro fiel do segredo, mas...
James suspirou. Era difícil explicar o que sentia, o quanto temia por isso tudo.
—O plano é perfeito, Prongs. Ninguém vai desconfiar do Peter porque eu sou a escolha óbvia. Se me capturarem, eu vou morrer sem poder falar nada — Sirius respondeu com toda a confiança. Ele estava apavorado com a possibilidade de perder os amigos e tinha certeza que o plano daria certo. Ele morreria por isso.
—Six, além de ser muito arriscado para você, a gente... é complicado. A gente confia no Peter, mas não tanto quanto em você — Lily tentou explicar.
—Isso! Eu confio no Moony e no Wormtail, mas eles não são você. Você é meu irmão, Pads, e eu me sentiria mais tranquilo se fosse você. Em vez de arriscar ser capturado, você pode se esconder também... é até menos arriscado para você — James completou.
Sirius suspirou. Ele tinha certeza que jamais trairia James e Lily, mas tinha medo. Bastava uma Maldição Imperius e ele poderia colocar tudo a perder.
Mas se James e Lily preferiam confiar sua segurança a ele, Sirius estava disposto. Ele faria tudo, absolutamente tudo, pelos amigos.
—Tudo bem, vocês sabem que eu faria qualquer coisa... eu só estava tentando proteger vocês — Sirius aceitou.
—Nós sabemos, Six... Nós sabemos! — a ruiva respondeu.
Então ficou decidido e poucos dias depois o feitiço foi realizado. Sirius era o fiel do segredo. Apenas quem tinha acesso a casa dos Potter era Black, Remus e Peter. Sirius estava bem escondido.
Todos estavam seguros.
—Professor Dumbledore, o que houve? — foi Lily quem perguntou. Harry estava dormindo no quarto, ela e James estavam aproveitando a companhia um do outro na sala enquanto Albus entrava pela lareira.
Isso não podia ser bom sinal.
—Temo que eu tenha uma má notícia.
Lily e James se sentiram gelar.
—O jovem Sirius foi capturado. Não sei até quando essa casa será segura — Dumbleodore disse com calma.
—O Pads foi capturado? — James se levantou nervoso.
—Eu temo pela segurança de vocês. Ele pode ceder e contar sobre a localização.
—Essa é sua preocupação? Sirius se arriscou por nós e agora está em perigo! Eu confio nele, só quero que ele fique bem e a salvo.
—Eu te entendo, mas... — Dumbleodore foi interrompido por Lily.
—Professor, me perdoe, mas eu concordo com James. A única preocupação agora é salvar Sirius.
Dumbleodore assentiu em silêncio.
—Tenho informações de que ele foi deixado nas mãos de Bellatrix. Ela está responsável por fazê-lo falar.
—Puta merda! Ela vai matar o Sirius. Nós temos que fazer alguma coisa — James andava de um lado para o outro, desesperado.
—Vamos montar uma equipe para salvá-lo. Só vim avisar vocês. Qualquer notícia eu aviso. E não, James, você não vai fazer parte da equipe.
—Por quê? — Potter perguntou, mas quem respondeu foi Lily
—Porque os comensais iam adorar a chance de te capturar, James. O professor está certo.
Contrariado, James assentiu. Ele viu Dumbleodore se despedir e entrar novamente na lareira.
Ele olhou para Lily. O desespero estava estampado, bem claro em seus olhos. Lily não estava muito melhor. Eles estavam em pânico.
—Ele é forte, meu bem... ele vai aguentar, vai sobreviver — a ruiva tentou manter a confiança.
James não conseguia manter o otimismo. Sua mente só pensava que, naquele momento, Sirius, seu irmão, estava sendo torturado.
Naquela noite, nem James nem Lily dormiram. Eles ficaram abraçados pedindo a todas as forças existentes que cuidassem de Sirius.
Eles estavam morrendo de medo de perder — mais que um amigo — um irmão.
Nos dias seguintes, Dumbleodore os manteve informados. Sirius estava resistindo. Apesar disso, o professor nunca dava detalhes. Nunca dizia como Sirius estava.
Os dias de James e Lily estavam tensos. Eles estavam sempre alertas com a possibilidade de uma notícia ruim chegar. E Harry agora estava sentindo falta de Sirius também, já que Black sempre esteve muito presente. O bebê chorava e chamava pelo padrinho diversas vezes. Lily, com o coração apertado, tentava consolar o filho. Enquanto isso, James se corroía em preocupação. Ele sabia que nunca se perdoaria se seu irmão morresse por sua culpa.
Até que um dia, Dumbleodore apareceu junto com Remus na lareira. Ambos amparavam Sirius, que estava praticamente apagado, sem a menor condição de ficar de pé.
—Lily, você estudou para ser curandeira. Não podemos levá-lo a St. Mungus. Certamente mandariam alguém atrás dele. Cuidem dele — Dumbleodore pediu.
Eles o colocaram deitado no quarto de hóspedes. Aquele quarto já era dele mesmo...
Remus ficou parado observando Lily cuidar dele. Fez alguns feitiços curativos, deu algumas poções, xingou alguns palavrões... e depois sentou na cama, ao lado dele.
—Ele vai ficar bem? — James perguntou se aproximando. Remus logo atrás dele.
—Eu não sei, de verdade. Ele está muito fraco. Não sei o que fizeram com ele, mas ele teve que ser muito forte pra aguentar.
James passou as mãos pelos cabelos e se sentiu ser abraçado por Remus. Os dois morrendo de medo de perder o amigo. Lily não saiu de onde estava. Ficou segurando a mão de Sirius.
Remus também se aproximou dele. Ficaram parados em silêncio. Todos torcendo para que ele aguentasse.
Lupin não pôde ficar muito. Ele já tinha outra missão da Ordem, mas pediu para que mandassem notícias.
Lily foi preparar mais poções. Sirius demoraria a se recuperar completamente. E James ficou ali. Apenas esperando que seu irmão aguentasse firme.
James não dormiu naquela noite. Ficou ali esperando Sirius acordar.
—Meu bem, ele está muito fraco. Não vai acordar agora. Vamos dormir — Lily veio buscá-lo de madrugada.
James balançou a cabeça que sim e levantou. A ruiva sabia o que ele estava sentindo, então simplesmente o abraçou.
—Six é forte, já enfrentou muita coisa. Vai sair dessa também — ela disse baixinho e ele a apertou mais forte no abraço.
Os dois se beijaram levemente.
James deitou na cama e Lily o abraçou e passou os dedos pelos cabelos — sempre bagunçados — do marido, fazendo cafuné até que ele dormisse. Ela também estava nervosa, mas precisava se manter centrada por ele.
Dois dias depois, James estava mais calmo. Ele sabia que demoraria para a recuperação de Sirius e, mesmo preocupado, estava mais confiante.
Ele estava no quarto de Harry, brincando com ele, quando Sirius finalmente acordou.
Lily tomou um susto quando o homem com aparência cansada abriu lentamente os olhos.
—Hey — a ruiva disse baixinho.
—Lils, é você mesmo? — a voz de Sirius estava ainda mais rouca.
—Por Merlin, eu tive tanto medo que você não aguentasse — Lily finalmente se permitiu sentir e, com os olhos marejados, abraçou com cuidado o homem deitado.
—Eu achei que nunca mais veria vocês — Sirius disse abraçado a ela.
—O importante é que você está bem. Vou avisar ao James, ele está surtando desde que você foi pego.
Ela saiu rapidamente e Sirius ficou encarando a porta. Poucos minutos depois, James entrou correndo.
—Pads! — ele exclamou antes de abraçar o amigo, com menos delicadeza que a ruiva.
—Cuidado, amor, ele ainda está machucado — ela pediu e James se afastou.
—Me perdoa por isso, Pads. Você nao devia ter passado por nada disso.
—Larga de ser idiota — Sirius respondeu — Você, Lily e Harry são minha família. Eu faria qualquer coisa.
Lily sorriu emocionada na porta do quarto. Ela segurava Harry em seu colo.
—Foi por ele que eu aguentei. Meu pensamento sempre estava em Harry — ele esticou o braço e Lily se aproximou, colocando o bebê deitado em Sirius, que rapidamente o abraçou.
Ele mal podia acreditar que estava ali. Que estava vivo. Que estava bem!
—Você está bem? — Lily perguntou a Sirius. Ele já estava muito melhor, mas ela sentia que ele estava mal de alguma outra forma.
—Ah, ruiva... eu tenho que falar uma coisa, mas é algo que ainda dói em mim. Não sei como contar aos garotos.
—Quer falar disso? — ela questionou.
—Eu não me expus e fui pego. Fui capturado dentro de casa, ruiva.
—Mas só o Remus e o Peter sabiam onde você estava... — ela disse e a frase foi morrendo, conforme ela entendia.
—Peter. Ele me pegou de surpresa, eu estava sem varinha. Eu me sinto tão... enganado?! — Sirius comentou com mágoa — como nunca notamos nada?
Lily ficou em silêncio absorvendo a informação.
—Ainda bem que não escolhemos ele, Six. Ele nos entregaria sem nem pensar — ela disse e Sirius arregalou os olhos.
—Eu não me lembrei disso. Aquele desgraçado ia... argh. Eu não acredito nisso — Sirius suspirou.
Eles ficaram em silêncio. Ambos pensando na traição. E em como contar isso, pois James iria surtar.
—E é só isso? Eu tenho te achado muito distante... mas entendo que foi difícil — Lily perguntou de novo. Sabia que a traição devia estar doendo, mas achava que tinha algo mais.
—Ah, ruiva... foi horrível. Eu não sei se um dia vou conseguir esquecer aquilo. Realmente pensei que eu não ia sobreviver.
Lily sentiu um calafrio ouvindo aquilo.
—Quer falar sobre isso?
Sirius suspirou e assentiu com a cabeça.
—Eles começaram com feitiços leves, mas acho que perceberam que não ia adiantar. Eu não ia ceder. Então partiram para a a cruciatus. Foi horrível.
Sirius olhou para a ruiva e viu que ela estava segurando as lágrimas. Segurou a mão da amiga, mas continuou falando. Incrivelmente, aquilo estava fazendo com que se sentisse melhor.
—Eles usaram vários feitiços que eu nem sabia que existiam, tudo doía muito. E eles tentaram Imperius. Eu achei que estava tudo perdido, mas eu consegui resistir... parece um borrão, porque era agoniante. Mas eu consegui, Lily. E eu nunca me perdoaria se tivesse falado.
Sirius estava se sentindo mais leve de contar sobre isso a alguém. Lily se sentia mal por saber que Black passou por isso tudo, mas se orgulhava de ter um amigo como ele. Ela o abraçou em silêncio, antes de ir dormir, sabendo que não havia muito o que falar.
No dia seguinte, Dumbleodore apareceu na lareira, junto a Remus e, surpreendentemente, Regulus.
—O que está fazendo aqui? — foi Sirius quem perguntou. Sabia o lado que o irmão havia escolhido.
—Você vai entender. Fico feliz que esteja se recuperando — Dumbleodore respondeu.
Regulus entrou calado. Remus foi abraçar Sirius. Teve medo de perder o amigo.
—Bom, como vocês não puderam comparecer à reunião hoje, viemos trazer informações necessárias — o professor disse calmamente.
—Eu também tenho algo a contar — Sirius disse.
Todos olharam para ele.
—Peter é o traidor. Ele foi na minha casa e foi ele que me levou pros comensais — a dor era palpável na voz de Sirius.
Os olhos de Remus e James ficaram surpresos e tomados pela mágoa.
—Aquele rato desgraçado — o Potter levantou.
—Prongs, calma. Ele vai ter o que merece — Remus disse com raiva.
—Com certeza ele vai. Mas precisamos pensar como pegá-lo. Ele sabe muito sobre a Ordem. Tem que ser com calma — Sirius levantou também.
—Bom, por sorte Peter não esteve na reunião de hoje. Trouxe o senhor Black aqui porque ele tem uma informação importante. Ele descobriu que Voldemort fez horcruxes.
—Horcruxes? O que é isso? — Sirius perguntou.
—Uma magia terrível. Basicamente, ele divide a alma para se tornar imortal — Remus explicou de forma rápida o que ouviu na reunião.
—Eu... eu descobri e peguei uma delas -Regulus disse mostrando o medalhão.
Ele explicou que ordenou a Monstro que o levasse ao local e que, assim que pegassem o medalhão, o elfo o tirasse de lá. E assim fizeram.
Os olhos de Regulus não saíam de Sirius. A aprovação do irmão era muito importante.
—Seu idiota, eu sabia que você ia ver qual era o lado certo — Padfoot levantou com dificuldade e abraçou o irmão.
—Me desculpa por tudo, Sirius.
—E você, me desculpa por ter te deixado lá.
Os irmãos Black estavam emotivos, mas precisaram voltar ao foco.
Dumbleodore explicou que ele, Remus e Regulus (este último sempre disfarçado) iriam atrás das horcruxes. E tentariam descobrir como destruí-las. Ele também afirmou que resolveria a situação com Peter o quanto antes.
E, antes de ir embora, disse a Sirius que ficasse mais um tempo escondido com os Potter.
Quando todos foram embora, Sirius sentou no chão e ficou brincando com Harry. Ele precisava desses minutos para pensar sobre tudo isso.
—Pads, você está bem?
James e Lily sentaram ao lado dele.
—Estou... só pensando. Será que se eu tivesse ficado, talvez ele nem se tornaria comensal? Eu sinto que o abandonei.
—Six, você não podia continuar lá. Você já me contou sobre o que eles faziam, você não teve opção — Lily passou o braço por seus ombros.
—A Lils está certa. Você não podia ficar, mas todos os seus avisos valeram a pena. Ele veio pro lado certo, Pads — James completou.
Sirius assentiu.
—Fico feliz por ele ter aberto os olhos e ajudar a gente agora.
—Eu não consigo acreditar que o Peter.... — James deixou a frase morrer.
—Eu não sabia como te contar, Prongs. Eu não acreditei também — Sirius disse.
—Dumbleodore vai dar um jeito nele. A gente precisa ter fé que vai dar tudo certo — a ruiva tentou ser otimista.
—Vai dar certo sim — James confirmou.
Eles precisavam ter esperança.
Dumbleodore e Regulus estudaram, pesquisaram e listaram os objetos que precisavam. Descobriram opções de onde encontrá-los e iniciaram as buscas. Enquanto isso, Remus ficou na biblioteca de Hogwarts pesquisando como destruir cada um deles.
Em casa, Sirius já tinha se recuperado 100% e reclamava que queria ajudar, enquanto Lily percebia James muito quieto — esse isolamento o deixava sufocado — e tentava acalmar Sirius.
A única coisa que animava a dupla era brincar com Harry. Recentemente, Sirius saiu com a capa de invisibilidade e, ninguém sabe como, comprou uma vassoura para crianças. O pequeno Potter parecia ter um talento nato, pois não queria mais fazer outra coisa.
James e Sirius ficavam encantados vendo o menino voar. Lily também, claro, mas pai e padrinho, ambos apaixonados por quadribol, não sabiam lidar com tamanha fofura.
Enquanto eles tentavam se distrair, eles estavam em paz.
Mas isso não ia durar...
Quando Dumbleodore chamou Sirius pela lareira, Lily já sabia que algo estava errado. James tentou tranquilizá-la, dizendo que devia ser algo sobre a caça às horcrux, mas o pressentimento dela não permitia que ela se acalmasse.
A demora para o retorno de Sirius deixou a ruiva ainda mais preocupada.
Mas não havia o que fazer, então quando a noite chegou e Black não estava de volta, James e Lily foram dormir.
A ruiva, porém, não conseguiu pegar no sono facilmente e quando finalmente dormiu, despertou com um barulho na sala. Ela imaginava que seria Sirius voltando, então decidiu descer para ver se estava tudo bem.
Mas não estava.
Sirius estava sentado no chão em posição fetal, as mãos cobrindo o rosto. Ela estranhou, pois sabia que Black odiava demonstrar fraqueza.
A preocupação aumentou quando se aproximou e viu que ele estava chorando. Algo grande devia ter acontecido.
Com cuidado, Lily se aproximou, mas Sirius não teve nenhum tipo de reação.
—Six, o que aconteceu? — ela perguntou e ele finalmente notou que tinha companhia. Quando ele levantou a cabeça para olhá-la, Lily se assustou. Ele estava péssimo, os olhos muito vermelhos como se tivesse chorado o dia todo.
Sirius estava inconsolável.
—Ah, meu Deus! Six, o que houve? — ela perguntou novamente abraçando o amigo.
—O Reg morreu, Lils. Eu... — ele disse com a voz falha, mas antes de terminar a frase caiu em mais uma onda de choro.
Lily apertou o abraço em torno dele. Por Merlin, aquilo era inacreditável.
—Eu sinto tanto, Six... meu Deus, eu sinto muito — ela não o soltou do abraço.
—Ele finalmente estava do lado certo, fazendo a coisa certa... eu odeio isso tudo, Lils. Eu não aguento mais essa guerra. Primeiro a Lene, depois a Dorcas, aí veio a traição do Peter e eu pensei que nada conseguiria me atingir mais e agora isso... eu não aguento mais, Lils — Sirius chorava muito. A ruiva queria fazer algo para aliviar aquela dor.
—Six, eu não sei o que te dizer. Está tudo terrível, mas eles morreram lutando pelo que é certo. Isso vai acabar, eu sei que está doendo e nada que eu disser vai fazer passar, mas você precisa ser forte.
Sirius assentiu com a cabeça e secou as lágrimas, que ainda insistiam em descer. Ele continuou falando.
—Ele conseguiu pegar a horcrux. Era uma taça, mas a Bellatrix chegou e... aquela desgraçada o matou, Lils.
A ruiva não sabia como consolar o amigo, então o abraçou e ficou ali apenas apoiando.
—Eu queria parar de sentir, sabe?! Dói tanto e eu queria parar isso.
Lily se sentia péssima. Sirius era, naturalmente, uma pessoa animada, feliz. Vê-lo assim era uma agonia.
—Eu queria poder tirar essa dor, Six. Você não merece passar por isso e Reg também não merecia. Você quer que eu chame o James? — ela perguntou e ele apenas balançou a cabeça negando.
—Six, o James fala que quando se transforma os sentimentos ficam menos intensos... se você quiser, pode se transformar — ela disse com carinho. Ela sempre reclamava quando eles se transformavam, porque acabam sujando tudo e Pads acabava soltando pêlos. Em resumo, faziam uma bagunça.
Mas ela certamente abriria uma exceção.
Sirius olhou para ela com surpresa e assentiu com a cabeça.
Em instantes, Lily viu o homem à sua frente se transformar em um grande cachorro preto.
Ela deitou no chão ao lado dele e sinalizou para que ele deitasse em sua barriga. Sirius sempre fazia isso nos primeiros meses da gravidez de Lily. Ele sentia menos o impacto como cachorro e se sentia melhor com todo o apoio de Lily.
Ela ficou brincando com os pêlos de Padfoot e logo os dois estavam dormindo.
No dia seguinte, James estranhou quando não encontrou Lily ao seu lado na cama. Desceu a escada com a varinha em postos e encontrou a ruiva deitada no chão e Sirius, em forma de cão, na barriga dela. Ambos dormindo.
Ele não entendeu o que podia ter acontecido.
Desperta por algum barulho, Lily abriu os olhos. James se aproximou, mas ela fez sinal para que ele fizesse silêncio. Sirius não devia despertar, precisava desse descanso.
—Regulus morreu ontem — ela sussurrou.
James arregalou os olhos. Sabia que Black devia estar se sentindo péssimo.
Em instantes, o cão que estava deitado se transformou novamente no homem com cabelos compridos, mas que dessa vez tinha profundas olheiras.
—Não precisa ter medo de falar, Lily... eu já aceitei — ele suspirou.
—Eu não queria te acordar, Six... você tem que descansar depois disso tudo.
Antes que Black respondesse a ruiva, James se aproximou.
—Eu sinto muito, cara — ele sentou no chão, ao lado do amigo, e o abraçou apertado.
Sirius queria desabar novamente, mas se conteve. Precisava apenas esperar que essa dor passasse.
Nas próximas semanas, Lily e James tentaram animar o amigo de qualquer jeito, mas ele simplesmente não reagia. Passava os dias no quarto de Harry, brincando com o afilhado. O bebê era o único a conseguir distraí-lo dos pensamentos ruins.
—Pads, a gente pode conversar? — James entrou no quarto bastante sério.
—Claro, Prongs.
—Você está se isolando, cara. Eu sei que dói, eu sei que está foda, mas a gente quer te ajudar. Não se fecha. O Remus também está preocupado.
—Vai passar, eu preciso desse espaço... — ele respondeu de forma breve. Logo em seguida, voltou a falar.
—Estou pensando em voltar logo pra minha casa. Sinto que estou atrapalhando você e Lily. Venho sempre ver vocês e o Harry, mas...
—Nada disso, Pads. Enquanto Voldemort estiver por aí, você é um alvo. Ainda mais depois de tudo.
—Mas... — Sirius foi interrompido.
—Sem mas. Você fica até ser seguro, Pads. Isso tudo vai passar... e você tem que se permitir ser ajudado.
Sirius assentiu em silêncio. Ele se reaproximou nos próximos dias e sentiu que James estava certo. Ainda doía, mas estar com os amigos o fazia sentir melhor.
O tempo passou e a cada dia todos pareciam mais preocupados com a falta de novidade. Até que Dumbleodore alertou que havia descoberto como destruir as horcruxes. Ele mesmo havia usado fogo maldito e agora restava apenas Voldemort.
Ele acreditava que era questão de tempo até um embate. James e Sirius queriam participar da batalha e o professor prometeu tentar avisar, mas bastava um ataque no qual Voldemort aparecesse.
E foi o que aconteceu. Um ataque em Hogsmead. Dumbleodore e Voldemort duelaram, enquanto comensais atacavam outras pessoas. Aurores estavam em todo lugar e muitos comensais estavam sendo presos.
Em um momento de distração, Dumbleodore se sentiu obrigado a fazer algo que não concordava. Preferia que Voldemort fosse apenas preso, mas sabia que era a melhor solução.
—Avada Kedavra — o professor disse. Voldemort caiu morto, o corpo estendido no chão.
Alguns comensais desaparataram, outros foram levados presos...
Estava acabado. Voldemort estava morto.
James e Lily não acreditaram quando Remus Lupin apareceu em sua lareira contando o que havia acontecido. Estavam livres. Voldemort estava morto. Eles se abraçaram, felizes, sem acreditar.
Sirius desceu a escada correndo e os quatro se uniram em um abraço coletivo. Com a comemoração deles, Harry acordou chorando. Remus subiu para buscar o bebê. Todos estavam felizes como nunca.
Os dias seguintes foram agitados. Vários comensais presos e levados a Azkaban, entre eles Peter. Os marotos sentiam a traição toda vez que lembravam. E mais, ele, por ter sido um espião, havia sido condenado ao beijo do dementador.
Doía saber que alguém que fora tão importante passaria por isso, mas eles concordavam que Pettigrew merecia. Principalmente Sirius, que quase foi morto por essa traição.
A partir daquele dia haviam apenas três marotos.
Anos depois
—Você veio! — Harry disse animado ao ver Sirius se aproximando.
—E você acha que eu perderia isso? — o padrinho respondeu.
Harry estava abraçado em Lily, que claramente estava muito emotiva em ver seu filho embarcar para Hogwarts.
James também estava emocionado, mas era o retrato de um pai babão. Alice e Frank também estavam por perto, abraçando Neville.
—É melhor você entrar — Lily disse ainda abraçada ao filho — me mande cartas, eu vou morrer de saudade.
Harry assentiu e se voltou ao pai e ao padrinho.
—Ansioso? — Sirius perguntou sorrindo e Harry assentiu inseguro.
—Nervoso. E se... e se eu for para sonserina? — ele olhou para o pai e o padrinho preocupado.
—Harry, não importa para qual casa você vá, você vai continuar sendo nosso garoto — foi James quem respondeu, fazendo Harry respirar aliviado.
—Não se preocupe com isso, Harry. Mas se for importante para você, o chapéu leva em conta a sua opinião. Você pode pedir a ele, mas só se você quiser — Sirius respondeu ao afilhado.
Harry assentiu e abraçou os dois. Novamente, se despediu de sua mãe e embarcou no trem rumo a Hogwarts.
James, Lily e Sirius olharam o trem se afastando emocionados de ver que aquele bebê havia crescido. Sirius e James ansiosos para saber as aventuras que ele viveria. Lily, apreensiva por não poder protegê-lo, mas feliz por ter Remus como professor naquele ano — por isso ele não esteve na estação, já estava na escola. Ela tinha certeza que tudo daria certo.
Tudo estava bem.
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