Hope
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Confesso que nunca cogitei shippar os dois como casal, masss gosto de ambos e depois de escrever achei que ficaria legal juntos.
Boa leitura!!
O dia se iniciou como sempre, o despertador mostrava em sua tela que era cinco horas da manhã. Se levantou e seguiu para sua rotina de higiene matinal no modo automático. Algumas coisas no banheiro da suíte ainda tinham o cheiro de Hikari e tentava não pensar muito sobre isso logo cedo, ou perderia o dia remoendo o passado.
O café da manhã era o mesmo todos os dias, ovos com bacon e um copo de suco de laranja. Não gostava do desconhecido, tinha medo de sair o mínimo que fosse daquela rotina e acabar se perdendo em lembranças que sabia, o deixaria mal novamente.
Chegou no mesmo horário de sempre na empresa, ainda não havia ninguém no escritório então seguiu direto para sua sala. A vista do escritório era realmente linda ao amanhecer, sentia uma imensa paz sempre que conseguia ver o nascer do sol por aquela parede de vidro, era como se um novo recomeço se iniciasse.
Estava analisando as últimas planilhas da produção quando ouviu sua secretária na porta.
— Bom dia senhor Senju, vim trazer o cronograma do dia. — Hinata era sempre muito profissional, e muito dedicada. Já trabalhava comigo fazia cinco anos e me conhecia melhor do que ninguém naquela empresa.
— Entre Hinata, agradeço. Preciso que confirme a reunião com Mei Terumi para essa tarde. — Ela se aproximou depositando a agenda com cuidado sobre minha mesa.
— Mais alguma coisa?
— Por enquanto é apenas isso.
— Tudo bem, assim que tiver uma resposta sobre a reunião venho lhe informar.
— Obrigada.
Mei era a representante de vendas de uma fábrica de peças automobilísticas alemã, seria minha primeira reunião com ela hoje e estava ansioso, se tudo desse certo poderíamos lançar uma nova linha de automóveis para a próxima feira automobilística da América.
Durante a manhã entrei em contato com alguns representantes da Europa, as vendas por lá estavam indo cada vez melhor e já era o caso de pensar em abrir uma filial na Suíça ou na França. Mas isso era assunto para depois do lançamento.
A reunião com o pessoal de marketing foi bem produtiva já que eles finalmente conseguiram chegar no que eu havia pedido com relação a publicidade. Algo sucinto, mas que fosse bem eficaz. Não precisávamos de propagandas longas se conseguíssemos passar a ideia em um tempo menor. O mundo hoje era saturado de propagandas, a diferença estava na qualidade não no tamanho.
Já estava saindo para o almoço quando Hinata veio confirmar minha reunião com Mei, então me apressei a ir para o restaurante que ia todos os dias, não poderia me demorar hoje.
Assim que cheguei no escritório separei uma lista com o que eu precisaria para reunião com Mei, além de deixar separado os documentos necessários caso fechássemos o contrato. Por volta das duas eu me dirigi para a recepção do prédio. Fazia questão de receber novos parceiros da melhor forma possível, afinal eles seriam importantes para o desenvolvimento de todo aquele projeto. Alguns diziam que esse era um diferencial importante, mas eu costumo chamar de boa e velha educação.
Observei uma mulher ruiva se aproximando, a saia contornava seu corpo perfeitamente, a camisa branca perfeitamente alinhada e os saltos a deixavam deslumbrante. Ela era linda, e assim que chegou próximo a mim sorriu me estendendo a mão.
— É muito bom te conhecer senhor Senju.
— Tobirama por favor. Você deve ser Mei Terumi se não estou enganado. — Ela abriu ainda mais o sorriso.
— Isso mesmo Tobirama. — Os olhos verdes brilhantes me chamaram a atenção, e eu desviei o olhar ou poderia facilmente me perder por ali.
— Bom, podemos ir. — Indiquei para onde ficavam os elevadores e ela me acompanhou.
Não falamos nada pelo percurso, eu sentia necessidade de encara-la. A tempos eu não sentia uma atração tão imediata quanto aquela. Certamente nenhuma vez depois de Hikari. Não tinha permitido se envolver com nenhuma mulher após a morte da esposa, primeiro porque ainda mantinha o pensamento de que aquilo seria uma traição com sua família. E segundo porque não tinha aparecido ninguém que merecesse sua atenção daquela forma.
Já na sala de reuniões se juntou ao pequeno grupo de líderes de setores que o ajudariam a tomar as devidas decisões. Mei foi eloquente na apresentação dos produtos, ela sabia exatamente o que falava e soube mostrar da melhor forma os benefícios daquela parceria. Por mim não havia dúvidas sobre aquele negócio, mas eu poderia facilmente admitir que me sentia instigado por Mei, então esperei pela opinião imparcial dos demais. Não foi surpresa quando todos estavam de acordo em fechar um contrato com a empresa que Mei representava.
Algo durante a reunião me chamou a atenção, os olhares da ruiva se demoravam sobre mim durante sua fala, e sempre que eu sustentava seu olhar ela me sorria. Talvez fosse minha mente pregando peças, mas talvez o interesse fosse mútuo.
Depois de encerrada pedi aos líderes que voltassem para seus setores e sugeri a Mei que me acompanhasse até meu escritório. Assim que nos acomodamos nas cadeiras Hinata surgiu a porta.
— Posso servir um café ou chá para vocês? — Ela perguntou suavemente.
— Por mim um chá por favor, já sabe minhas preferências Hinata. E para você Mei?
— Pode ser o mesmo, obrigada. — Hinata assentiu saindo da sala.
— Estou animada com essa parceria, a tempos não via uma proposta tão bem elaborada. — Comecei, sorri minimamente. — E claro tão bem apresentada. — Ela ruborizou um pouco.
— Estou feliz que tenha dado certo, meus superiores ficaram satisfeitos. — Nesse momento Hinata voltou trazendo uma bandeja com duas xícaras. Ela as colocou na mesa e logo se retirou.
— Eu tinha me esquecido como era frio essa época do ano por aqui. — Mei comentou enquanto sorvia um pouco do chá.
— Já veio a Tóquio anteriormente?
— Morei por alguns anos aqui antes de me mudar para Frankfurt. Agora com essa nova empreitada devo imaginar que voltarei a ter residência fixa em Tóquio. — Olhei para ela surpreso. — A empresa vai precisar de um representante fixo para acompanhar o andamento.
— Entendo. Se precisar de qualquer coisa não hesite em me pedir. — Falei gentilmente.
Mantivemos a conversa por mais um tempo, falando de assuntos cotidianos, mas ela não se demorou a se despedir deixando um cartão com seu número. Assim que a observei sair da sala senti como se eu pudesse ir atrás dela, mas me contive. Que tipo de homem ela pensaria que eu era se o fizesse?
Quando encerrei o expediente, voltei para casa. Era sexta-feira à noite e como sempre eu pediria uma pizza para o jantar. Ao pegar o celular do bolso senti o pequeno cartão cair no chão. Me abaixei para pegar e me joguei no sofá olhando atentamente o nome ali escrito. Mei Terumi.
Ela não tinha saído de minha mente desde que saíra do meu escritório, algo nela me atraía como um imã. Como se por reflexo olhei em direção a foto de Hikari. Eu estaria pronto para seguir em frente? Ainda com um certo peso na consciência adicionei o número na minha lista de contatos e liguei, sem nem saber o que pretendia falar.
— Alo.
— Oi, Mei?
— Sim quem fala?
— Desculpe ligar agora a noite, aqui é o Tobirama. — Uma pausa.
— Ah não, sem problemas. Precisa de algo?
— Eu gostaria de te convidar para jantar essa noite, claro se você já não tiver nenhum compromisso. — Outra pausa, essa um pouco mais demorada.
— Eu adoraria.
— Eu passo as nove te buscar, me mande o endereço do hotel por mensagem pode ser?
— Tudo bem, vou ficar aguardando. Até mais.
Soltei um sorriso involuntário, aquela velha ansiedade tomando conta. Me apressei a pesquisar na internet os melhores restaurantes de Tóquio, a muito eu não pensava sobre isso e sempre acabava indo nos mesmos. Só que dessa vez eu precisava de um lugar melhor. Não foi difícil achar um que atendia as minhas expectativas, as recomendações eram excelentes. Depois disso me apressei a tomar um banho e fazer a barba. Escolhi um terno preto que tinha sido ajustado perfeitamente para mim, juntamente com uma camisa branca. Não havia necessidade de gravata, não queria parecer exagerado. Olhei no celular, a mensagem de Mei com o endereço do hotel. Por coincidência ficava a três quadras do prédio em que moro.
Parei meu carro em frente ao hotel e entreguei a chave para o valet e me dirigi ao saguão de entrada. Informei ao recepcionista que esperava por MeiTerume e após falar o meu nome ele ligou para o quarto dela avisando de minha chegada. Não demorou cinco minutos e a bela mulher atravessava o corredor em minha direção. O vestido longo azul caía perfeitamente pelo corpo curvilíneo, o tecido parecia acariciar o corpo conforme ela andava.
— Desculpe o fazer esperar. — Ela disse assim que se aproximou. O cheiro inebriante de seu perfume, algo cítrico me invadiu.
— Não fez, a propósito está maravilhosa. — Falei sincero. Os olhos verdes me fitaram por um momento, mas logo ela abaixou o olhar para o chão.
— Obrigada. — Falou envergonhada.
— Podemos ir? — Estendi o braço e ela aceitou me seguindo. Ao entrar no carro optei por colocar uma música baixinho para não se tornar incomoda.
— Devo admitir que fiquei surpresa com a ligação. — Ela iniciou a conversa.
— Se eu responder que também fiquei você acreditaria? — Sorri para ela logo voltando a prestar atenção no trânsito.
— Mas devo confessar que gostei. — A olhei de canto, ela estava concentrada na vista da janela enquanto falava.
— Conhecer você hoje foi uma bela surpresa para mim. — Falei. — Há tempos eu não conhecia alguém tão interessante.
— Você só está sendo gentil. Mesmo assim obrigada.
— Não estou. A sua desenvoltura ao falar, o modo como você trata as pessoas me diz que você é uma pessoa gentil e muito inteligente. E, claro que a beleza não passa despercebida, você é realmente uma bela mulher.
— Você é diferente do que eu esperava. — Ela falou.
— E o que você esperava? — Perguntei curioso. Estávamos parados em um sinal vermelho então me virei para olhar para ela.
— Digamos que sua fama como um homem voltado apenas para o trabalho chegou até mim. — Levantei uma sobrancelha surpreso. — Não me entenda mal, não sou uma pessoa voltada a fofocas, e prefiro tirar minhas próprias conclusões. Mas assim que o vi esperando na recepção para me receber vi que não era aquilo que diziam. Você é um homem gentil, mesmo que sua expressão séria diga ao contrário.
— Acho que os dias enfurnado no escritório fizeram com que minha expressão séria permanecesse. — Sorri. Chegamos até o restaurante. Na entrada fomos guiados pelo maitre até uma das mesas mais reservadas. Assim que o maitre saiu, o garçom logo anunciou sua presença.
— Boa noite, sou Iruka e irei atendê-los essa noite. Prontos para pedir? — Ele olhou de mim para Mei aguardando.
— Eu vou pedir a sugestão do chef para essa noite, e você? — Me virei para Mei, após uma rápida olhada no cardápio ela respondeu.
— Acho que pedirei o mesmo. — Ela sorriu para Iruka, e ele se retirou.
O Jantar foi ótimo, conversamos sobre nossas vidas, e pude a conhecer melhor. Mei era uma mulher que falava muito bem da própria família, dava para ver enquanto ela falava sobre os pais o quanto ela os amava só pelos sorrisos que dava ao mencioná-los. Pude confirmar que ela era realmente inteligente depois que ela me contou onde havia estudado e como sua ascensão na carreira aconteceu rapidamente. Ela não percebia enquanto falava, sempre sendo modesta com os próprios feitos.
Contei a ela um pouco da minha vida, receoso de falar sobre minha família. Esse não era um assunto que eu saía falando levianamente. Mas com o tempo eu consegui me soltar e me senti bem a vontade ao lado dela.
Depois que saímos do restaurante sugeri que ela me acompanhasse até um lugar. Não falei de imediato, mas assim que paramos em frente ao prédio da empresa ela me olhou desconfiada.
— Eu imaginei inúmeros lugares que você poderia me levar, mas nenhum deles incluía me trazer até aqui. — Ela falou rindo enquanto me seguia. Cumprimentamos os seguranças noturnos e assim que entramos no elevador apertei até o terraço.
— Não se preocupe, você não irá se arrepender. — Prometi. As portas do elevador se abriu revelando um céu estrelado. — Não há muitos prédios altos por aqui, de forma que a vista fica maravilhosa sob o céu estrelado. — Falei a puxando gentilmente até o parapeito.
— É absolutamente lindo por aqui. — Ela falou maravilhada olhando a vista. As luzes da cidade se abriam numa imensidão, revelando uma Tóquio iluminada. Eu a observei parada de costas para mim com aquela vista de fundo. A visão poderia facilmente ser enquadrada. — É encantador Tobirama.
— De fato é um lugar especial para mim. — Ela se virou para me olhar.
— Obrigada por compartilhar. — A observei se aproximar, suas mãos se espalmaram em meu peito sobre o terno. Os olhos dela me fitavam atentos sem se desviar. Eu tão pouco seria capaz de desviar minha atenção daquelas esferas esmeraldinas. Era hipnótico e eu me sentia paralisado diante de tal beleza. Ela se aproximou ainda mais deixando nossos rostos próximos, sua boa entreaberta era um sinal claro do que estava para acontecer. Eliminei o resto do espaço que havia entre nós, selando nossos lábios em um beijo. Um beijo com sabor de recomeço, sabor de esperança. Talvez a vida o deixasse ser feliz mais uma vez.
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