Hope
5 Obrigado por tudo
Notas iniciais
Meus olhos caminhavam de palavra em palavra, sem perder nenhuma delas, tomei para mim cada sentimento que eu poderia absorver deste pedaço de papel e desejei como nunca, que eu me recuperasse o mais rápido possível.
Mas, infelizmente, eu ainda sentia muita dor e para conseguir me levantar, eu ainda preciso pedir por ajuda. Certamente eu não poderia me levantar da cama agora e ir atrás de Levi para dizer tudo que eu gostaria, assim como eu desejo.
Suspirei e me deitei, encarando o teto. Depois abri o papel em frente ao meu rosto novamente e o reli, enquanto sorria. Este acabou de se tornar um precioso tesouro, o qual eu com certeza guardarei com muito carinho.
No dia seguinte, Mikasa veio me visitar pouco tempo depois de eu acordar. Ela sentou-se no canto da cama, ao meu lado, e me perguntou:
—Como se sente? -Do mesmo modo que me questionava todos os dias.
—Estou bem, obrigado, mas a dor não parece estar passando... -Suspirei, enquanto encarava meus curativos.
—Logo você melhora. -Mikasa colocou uma de suas mãos sobre a minha. —Você tem que melhorar. -Ela sorria, não um sorriso notável, mas mesmo assim sorria. —Pois eu sei como você se sente.
—Sim. -Tamém sorri em resposta, mesmo ficando um pouco confuso com a sua última pronúncia.
—Bem... Vou ter que sair, mais tarde eu volto. Até depois, Eren. -Ela se levantou e foi em direção à porta.
—Até mais. -Proferi.
Depois de algum tempo, Hanji foi quem entrou em meu quarto. Ela me trazia o almoço, pois já estava de tarde e eu nem ao menos havia notado. Enquanto eu me alimentava, ela arrumava um pouco o quarto.
—Hanji! -Chamei-lhe.
—Sim, Eren? -Ela respondeu-me prontamente.
—A comida está muito boa. Foi você quem a fez? -Questionei.
—Haha, que isso. Eu não sou muito boa na cozinha. -Ela brincou, mas eu realmente nunca havia a visto preparando algo. —Foi Levi quem fez. Eu ainda me pergunto onde foi que ele aprendeu essas coisas.
—Ah... -Fiquei deveras surpreso com esse fato.
—Um pouco inesperado, não? -Hanji ria um pouco. —Vou buscar algo, daqui a pouco eu volto para buscar o seu prato. -E saiu do quarto.
Senti o meu rosto queimar um pouco e eu estava estático, com a colher dentro de minha boca. Quando o choque passou, comecei a comer com mais gosto, enquanto eu conseguia me sentir até melhor. Por um motivo, isso realmente me fez muito feliz, eu recebia sem ao menos perceber, um pedido de recuperação.
Passou-se uma semana e eu quase já não sentia mais dores. Com o passar dos dias, a dor amenizava mais, eu já conseguia me levantar sozinho, mas minha perna insistia em me fazer mancar. Soube que Levi estava fora por um tempo, para fazer pesquisas. Portanto, mesmo que eu quisesse vê-lo, não haviam possibilidades.
Mais três dias, agora eu já conseguia andar sem muita dificuldade, mas eu ainda era mantido no quarto para que eu me recuperasse completamente. Porém, eu ainda não havia recebido notícias do heichou. Suspirei e me joguei na cama, eu já estava ficando cansado de não ter o que fazer. Assim que me lembrei da carta, a peguei e passei a lê-la. Enquanto estava distraído, Zoe entrou no quarto, sem que eu ao menos notasse.
—O que é isso? -Ela me perguntou, me pegando desprevenido. Dobrei rapidamente o papel que, por sorte, não amassei e guardei-o.
—Oi?! -Foi tudo que eu disse. Não tinha maneira melhor de disfarçar, certo?
—Eren. -Ela me olhou de baixo para cima, como se estivesse me checando, com um sorriso a mostra. —O que foi isso?
—Nada. -Desviei meu olhar para a janela.
—Ok... -Hanji cruzou seus braços. —Mas isso não muda o fato de que seu rosto está avermelhado. -Encarei-a, mas não pronunciei uma palavra. —Você já está bem? Acho que já está na hora de tirar as faixas. Depois você pode sair do quarto, deve estar cansado daqui.
—Ah... Ok. -Assenti com a cabeça. Ela me ajudou a tirar algumas delas e depois se retirou. Eu fui até o guarda-roupa, peguei minhas roupas e fui até o banheiro para me trocar.
Depois arrumei o quarto e finalmente sai de lá. Caminhei um tanto pelo corredor e pude ver sua imagem, que seguia o mesmo caminho que eu. Decidi ficar calado e, sem pensar duas vezes, me aproximei pelas suas costas e lhe surpreendi o abraçando pelas costas. O apertei com o máximo de força que eu pude, mesmo que não fosse muita, aliás eu havia acabado de se recuperar dos ferimentos.
—E-eren!? -Ele não parecia estar acreditando no que acontecia.
—Heichou! -Eu quase gritei, enquanto chorava e encostava meu rosto em seu ombro. —Quanto tempo...
Ficamos parados por um momento, mas não muito, pois ele me puxou pelo braço, sem fazer muita força, e me levou para dentro de um quarto: o seu quarto. Onde ele sentou-se em sua cama e gesticulou para que eu me colocasse ao seu lado, eu lhe obedeci. Dessa vez, foi Levi quem me abraçou, seus braços gentilmente envolveram o meu corpo e eu fiz o mesmo.
—Finalmente. -Ele sussurrou e eu pude sentir o alívio em sua voz.
—Levi... -Eu estava me segurando para não começar a chorar novamente. —Obrigado por me esperar.
—Por que está me agradecendo? -Ele questionou. —Era o mínimo que eu poderia fazer...
—Certo... -Enfim sorri. —Me desculpe por demorar e por te preocupar.
—Obrigado por estar aqui... Era só disso que eu precisava. -Sua voz estava num tom baixo.
—Digo o mesmo, m-mas quando você não deu as caras, cheguei a pensar que não queria mais me ver. -Desviei meu olhar para outro lado da sala, enquanto não pude disfarçar o meu corpo tremer um pouco.
—Você não leu a carta? -Questionou.
—Ah... Sim, mas foi antes disso... E por que preferiu que eu me recuperasse primeiro? -Perguntei, curioso.
—Para eu poder fazer isso! -Ele exclamou repentinamente e se afastou de mim.
—O-o que? -Encarei-o surpreso.
Levi me empurrou para que eu me deitasse na cama, depois segurou no canto de meu rosto e como num pedido de permissão, me encarou nos olhos, de um modo que eu pude lê-los e da mesmo forma o respondi. Seu rosto ficava cada vez mais próximo do meu e eu já conseguia sentir sua respiração acelerada, conforme as batidas do meu coração dançavam quase que no mesmo ritmo, e... Hanji entrou no quarto, sem ao menos bater na porta e ficou estática, nos encarando por um tempo e nós apenas viramos nossos rostos em sua direção.
—Isso explica muita coisa! -Ela disse, antes de fechar a porta. Aquilo me deixou bastante desconfortável, enquanto Levi parecia estar irritado.
—Ah, eu não aguento mais! -Ele resmungou, me deixando surpreso.
E antes que eu pudesse dizer qualquer coisas, eu o vi sentando-se e ele me puxou pela gola de minha camisa e fez nossos lábios se encontrarem. Fechei meus olhos por impulso e o envolvi com meus braços, afundando minhas mãos nos fios de seu cabelo e ele me abraçava com um dos braços, para que eu não me reclinasse. Eu sentia seus lábios macios, em união aos meus e em seguida, eu senti a ponta de sua língua passando em meus lábios e logo permiti sua entrada, mesmo que com hesitação. Iniciara-se um beijo calmo, sem pressa alguma, no qual apenas experimentávamos um ao outro e também libertávamos nossos desejos e sentimentos. Mas, infelizmente, tivemos que nos separar por falta de ar. Nos fitamos nos olhos e eu disse:
—Heichou... -Antes de eu terminar de pronunciar a frase, ele colocou seu indicador sobre minha boca.
—Levi. -Disse, enquanto me encarava mais firmemente.
—Ah... -Consegui sentir até minhas orelhas esquentarem. —S-sim, Levi... Eu te amo. -Eu disse e fechei meus olhos. Ele ficou calado por um tempo.
—Seu idiota! -Isso me fez abri-los imediatamente. —Eu te disse que aquela não era última vez. -Levi se aproximou novamente, encostando sua testa na minha. —Eu também te amo.
—Eh... -Eu fiquei sem reação, mas ele sorria.
—Eren, me promete mais uma coisa? -Ele questionou.
—Sim?
—Esteja sempre ao meu lado. -Solicitou.
—Eu prometo. -Respondi e dessa vez, fui eu quem iniciei um beijo, doce, que fora rapidamente correspondido.
Após compartilharmos nossos sentimentos, agora tínhamos um ao outro, para lutarmos lado a lado, para o nosso sempre. Inicialmente, decidimos esconder a nossa relação, para que não se formasse uma confusão entre todos. Mas Hanji não conseguia disfarçar suas expressões, sempre que nos via juntos, fazendo com que fossemos descobertos mais cedo ou mais tarde. Mikasa, que nem sempre foi a favor de nosso relacionamento, passou a nos aceitar, apenas para defender a minha felicidade. Quase todos nos aceitavam, mas os demais, não interferiam em nossas vidas. E nós, Levi e eu, estivemos sempre juntos nessa vida de guerra contra os titans. E, quem sabe, até depois que as mulharas se tornem inúteis.
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