Hope
8 Capítulo 8 – JoanLock
Capítulo 8 – JoanLock
– Kitty! – Mary Watson chamou ao aparecer de algum lugar junto com a senhora Hudson, parecia muito aflita.
– Kitty! – Uma senhora Hudson tão angustiada quanto a mulher chinesa a chamou.
As duas olharam o bebê em seus braços e um sorriso tomou seus rostos, embora por poucos segundos. Sherlock e Joan ainda estavam na zona de risco. Kitty entregou Alistair a sua avó e poucos minutos depois o menino de fato começou a chorar.
– Sherlock me ensinou... Esse choro é de fome – a mulher loura disse, atraindo um olhar abismado dos demais, mas nem ligando para isso – Nós já cuidamos disso. Preciso apenas de alguns segundos.
Ela sumiu em outra sala e voltou com uma mamadeira, a entregando à Mary, que sentou-se com o bebê no colo após entrarem na sala de interrogatório e algum tempo depois conseguiu fazer o menino se alimentar. A chinesa pareceu se acalmar e esquecer do mundo naquele momento, encarava o neto com um sorriso. Devia estar enxergando sua filha naqueles olhos e lembrando de coisas já muito distantes. Kitty deixou Bell lhes dando algumas informações e saiu, tirou o celular e ligou para Gregson, esperando alguns segundos até que ele atendesse.
– Kitty – ele falou.
– Alistair estar com Mary e a senhora Hudson aqui na delegacia. Eu e o detetive Bell vamos voltar agora. Moriarty está com você?
– Ela entrou no edifício há dois minutos. Pediu pra não ser seguida por enquanto. Joan está tentando achar um caminho lá dentro enquanto ela procura Oliver Burnier. Ela não nos deu muitos detalhes sobre o que aconteceu no resgate de Alistair. Não sabemos onde está a mulher do bando, mas o número de corpos e de criminosos presos bate com o que Moriarty falou da contagem dos homens de Burnier.
– Joan está mesmo lá dentro?!
– Tente ficar tranquila. Está com colete à prova de balas. Não quis entrar armada, apesar de saber atirar agora. Nós lhe demos uma arma de dardos tranquilizantes. Ela se infiltrou dentro do caminhão que Moriarty indicou. O motorista sumiu depois de deixar Joan lá dentro. Acho que perdemos um dos de Moriarty.
– Ok. Vou voltar agora.
– Não sei dizer sobre Joan ou Moriarty agora. Nenhuma fez contato ainda. Tenham cuidado na volta.
Ela desligou e encarou Bell, que acabava de sair da sala. Os dois olharam as duas mulheres com o bebê lá dentro por alguns instantes e se encaminharam para o exterior da delegacia.
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– Ele está bem e está seguro. Tente não perder a cabeça e agora preocupe-se apenas com você mesma – Gregson lhe disse pela escuta.
Joan alarmou-se ao escutar passos em algum lugar e escondeu-se na escuridão do lugar, atrás do caminhão no qual tinha entrado, deixando seu bastão a postos, até ouvir Jamie a chamando pela escuta.
– Estou a cinco metros de você, Joan. Não olhe. Alistair está seguro com sua mãe e Hudson. Este galpão está cheio de caras camuflados nas sombras. Eu vou distraí-los, enquanto você encontra uma porta que não deve estar muito longe, na mesma parede onde você está. É uma porta à prova de som, então mantenha a escuta ligada pra que eu possa me assegurar da sua segurança. Encontrar Sherlock é com você. Ele não deve estar muito longe depois daquela porta e das escadas.
– Achei que não ia voltar.
– Levei um pouco mais de tempo do que eu esperava, mas como já disse, eu sou uma mulher de palavra.
Joan esperou por trinta segundos em silêncio antes de ouvir tiros atingirem o que devia ser a parede oposta, a metros de distância, e uma movimentação intensa se iniciar em seguida, tirando dali um dos homens que ela desconfiava ter percebido sua presença e estava em seu encalço. Levantou-se ao ter certeza que seria encoberta pelo barulho dos tiros que soaram em seguida, tateando a parede em busca de qualquer coisa que parecesse uma porta. Mas quando a encontrou, não tinha maçaneta e não estava aberta. Ela escolhera não utilizar uma arma de fogo e a arma de dardos não quebraria a fechadura. Tentando controlar toda a tensão e nervosismo, puxou um clipe já torcido do bolso e o enfiou na fechadura quando a encontrou, levando quase um minuto para abri-la, tendo certeza que algum dos homens de Moriarty a estava acobertando ou já teria sido morta, mesmo usando colete. Podia escutar mais tiros, alguns parecendo abafados por silenciador, e homens caindo no meio do tiroteio. Estava para abrir a porta quando sentiu alguém empurrá-la com força contra a parede, segurando-a pelo pescoço e empurrando sua barriga. Joan preocupou-se, ainda não estava cem por cento recuperada do nascimento de Alistair. Uma lesão interna ali poderia ser arriscada.
– Ninguém abre essa porta! – O homem sussurrou perigosamente, com um sorriso malicioso.
A chinesa tentou não entrar em pânico, pensando em como sairia dessa. Ele estava usando as duas mãos para segurá-la. Atitude imprudente, ainda que estivesse armado, não poderia atingi-la. Ela precisava ter certeza de que ninguém o estava dando cobertura. Pensava em como fazer isso quando teve a sorte de ver um clarão das armas de fogo do outro lado iluminar o galpão por um segundo. Não havia ninguém mais por perto!
– Não esperava encontrar algo tão belo como você esta noite – o bandido falou maliciosamente – Acho que vou esconder você do chefe. Podemos nos divertir bastante enquanto os outros se matam aqui no galpão.
Aquilo foi o gatilho para a fúria que Joan vinha acumulando. A oriental sentiu o sangue ferver e tirou uma das mãos da mão agressora em seu pescoço para prender bem as duas mãos do criminoso e o chutou com uma força imensa entre as pernas. Os gritos do homem foram abafados por novos tiros quando ele soltou Joan e caiu no chão se lamentando e a xingando.
– Eu sou casada... – ela falou em seu ouvido ao se abaixar – Muito bem casada! E você nunca será tão bonito e tão encantador quanto Sherlock.
Ouviu uma nova rodada de xingamentos começar, e ignorou cada uma das palavras enquanto prendia as mãos e pés do agressor com lacres fortes de plástico. Levantou-se e correu pela porta, a fechando e seguindo em frente antes que fosse percebida. Lá dentro havia luz no corredor, que se estendia por várias portas e uma escada. Joan caminhou seguiu pela escada o mais silenciosamente que podia. Não tinha tempo de se arriscar verificando se havia alguém em cada uma das quinze portas lá embaixo. No topo da escadaria ela encontrou um grande corredor com várias portas, muitas abertas. Caminhou com cautela total. Vários homens dormiam jogados em colchonetes no chão, alheios ao que acontecia no andar inferior. Realmente, Burnier nunca superaria Moriarty.
A chinesa mantinha passos silenciosos, fechar as portas poderia acordá-los ou dar sinais de sua presença. Estava quase no fim do corredor quando um dos homens fez menção de levantar-se ao vê-la, mas não foi rápido o suficiente para o dardo que atingiu seu braço, fazendo-o desmaiar de volta para o colchonete. Joan respirou fundo e seguiu em frente, finalmente encontrando a última porta, de frente para ela. Estava entreaberta. A empurrou com cuidado e verificou lá dentro. Estava vazio. Uma mesa e duas cadeiras num canto, um frigobar do outro lado, algumas caixas com objetos diversos, provavelmente para contrabando, caixas lacradas que ela não queria sequer imaginar o que continham. Gelou ao pensar no que podiam ter feito com Sherlock.
Se atentou por fim à porta na parede oposta. Também sem maçaneta, apenas com a fechadura e um grande e pesado pedaço de madeira bloqueando a porta, preso a quatro suportes laterais em cima e em baixo. Ela ainda não podia levantar algo tão pesado, teria que quebrar os suportes inferiores. Se aproximou com cuidado e tentou ouvir algo do outro lado, parecia alguém andando de um lado para o outro, mas o que fez seu coração disparar foi reconhecer os passos de Sherlock.
– Sherlock!
O som dos passos parou e ela sentiu uma pancada leve contra a porta. Alguns segundos de silêncio.
– Joan? – A voz dele parecia diferente, tomada por desespero – Alistair...
– Alistair está bem. Kitty o entregou a minha mãe e senhora Hudson algum tempo atrás.
– Tem certeza?
– Sim. O capitão me contatou quando eu estava entrando aqui. Kitty falou com ele quando deixou Alistair na delegacia junto com Marcus. Nosso bebê está bem e seguro, Sherlock.
Não houve resposta, apenas um suspiro cansado e aliviado.
– Sherlock... Preciso ter certeza que você está aí!
Silêncio novamente.
– Eu sou melhor com você, amor.
O som era abafado, mas ela pode ouvir e reconhecer a voz dele claramente. Aquelas palavras fizeram seu coração disparar ainda mais e seus olhos se encherem de lágrimas. Pela primeira vez ela estava sorrindo depois do que acontecera.
– Eu vou abrir a porta.
– Já arrombei a fechadura há horas e cansei de procurar saídas. Essa sala é feita de puro concreto. A única explicação que vejo pra essa porta não abrir é que há um bloqueio muito forte. Você ainda não está em condições de suportar isso.
– Há bloqueios embaixo e em cima, vou simplesmente quebrar os de baixo e derrubar o bloqueio.
Ela fechou a porta o mais silenciosamente que pode e puxou duas das caixas abertas cheias de papéis para perto da porta trancada, a fim de abafar o barulho. Encolheu seu bastão e bateu com força nas pequenas peças de madeira até que cedessem, e tirou seus pés do caminho, dando um passo rápido para trás quando a tábua pesada caiu no chão. A porta finalmente cedeu e abriu sozinha alguns centímetros para fora. Joan hesitou e deu um passo para trás. Uma mão familiar empurrou a porta pelo restante do caminho e Sherlock apareceu diante dela. Joan mal teve tempo de reparar em seus machucados ou na intensidade com a qual os olhos azuis a encaravam. O que aconteceu em seguida foi um ato tão apaixonado que Joan sentiu seus pés literalmente deixarem o chão. Sherlock a estava abraçando com força e a beijando profundamente.
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