Hope

11 Capitulo 11 - Eu te amo


Capítulo 11 – Eu te amo

– Bom dia — a ruiva sorriu e falou ao vê-lo acordado — Como estão?

– Acabei de acordar. Acho que nós dois estamos bem. O que aconteceu?

– Você perdeu a consciência enquanto estavam cuidando de você, Joan ficou ao seu lado o tempo todo se quer saber. Só depois deixou cuidarem dela. Ela tá bem. Moriarty ficou em outro quarto super vigiado e disse que só vai falar na presença de vocês. Removeram a bala perto do ombro, não foi tão grave e parece que o outro ferimento no antebraço foi da mesma bala que atingiu vocês dois, foi de raspão. O capitão está cuidando de toda a bagunça e detetive Bell se reveza entre aqui e a delegacia. Vamos ver Alistair daqui um tempo. Ele tá bem, com a mãe de Joan.

– Ótimo — respondeu.

A ruiva arrumou a bagunça no sofá, guardando o lençol e o travesseiro no armário. Em seguida sentou-se.

– Eu fiquei desesperada quando Joan me disse, então apressei meus assuntos pendentes e vim no primeiro voo. Não me deixaram ser mais ativa em tudo que houve, mas fiquei feliz em cuidar de Alistair.

– Estão certos. Você evoluiu muito nesses anos, mas ainda é jovem demais pra arriscar a vida. Eu e Joan não nos perdoaríamos se algo acontecesse a você.

Kitty sorriu.

– Sente dor?

– Somente quando me mexo. Já sofri pior, isso não vai ser um problema por muito tempo.

De repente Bell entrou no quarto, abrindo a porta com cautela.

– Você acordou... Como estão?

– Vivos. Por hora é quase suficiente.

– Seu filho tá bem. Dormindo tranquilo em seu bercinho na casa da avó. Ela quer muito ver vocês. Vai vir assim que Alistair acordar. Eu fico feliz que isso tenha acabado e que vocês estejam bem. Eu aviso quando a mãe de Joan chegar — o detetive falou com um sorriso simpático antes de deixar o quarto.

– Sherlock, eu vou até o refeitório. Volto daqui a pouco. Bell vai ficar aqui fora. Eu volto logo

A ruiva saiu e Sherlock voltou a observar a mulher adormecida em seus braços. Ela despertou segundos depois, o som da porta batendo, ainda que baixo, devia ter alertado seus sentidos. Olhou em volta um pouco confusa, então seus olhos se focaram em Sherlock ao vê-lo acordado. Ela o abraçou mais firme, escondendo o rosto em seu pescoço.

– Bom dia, meu anjo — ele sussurrou amorosamente.

– Bom dia, querido — ela sorriu, erguendo-se para alcançar seus lábios.

O beijo suave transformou-se aos poucos em um profundo e ardente, mas ainda assim cuidadoso e cheio de amor. A falta de oxigênio os obrigou a se separarem e Sherlock beijou sua testa, a puxando para seu peito e abraçando-a quando ela deitou sobre ele. Joan olhou com tristeza para seu braço imobilizado e deslizou os dedos com cuidado pelo ferimento, parando ao perceber Sherlock escondendo um gemido de dor.

– Desculpe.

– Estou bem — ele garantiu, acariciando suas costas — Nunca mais faça aquilo comigo, Joan Watson Holmes.

– Você não estaria aqui se eu não tivesse feito.

– E o mesmo podia acontecer a você.

– Mas eu estava com colete. Você morreria com certeza. Nós temos um bebê agora. Não quero criar nosso anjinho sozinha. Preciso de você ao nosso lado.

Sherlock ficou em silêncio, pensando na imensidão do amor daquela bela mulher por ele. Perguntou-se pela milésima vez como pudera ter sido tão amargo com ela em seu primeiro ano de convivência. Ela o amava, ao ponto de se arriscar mil vezes por ele, de aceitar o amor dele, apesar de ele ter causado tantos problemas e até a ferido emocionalmente em algumas ocasiões, o presenteava com seu carinho e com sua voz doce e calma, mesmo quando ele não merecia, e agora tinham um filho, um pedacinho deles dois. Virou-se para a asiática, ignorando a dor em seu ombro e os protestos de Joan, a abraçando mais apertado contra ele.

– Obrigado, querida — sussurrou em seu ouvido, beijando demoradamente seu rosto — Eu te amo.

– Também te amo — murmurou de volta antes de tomar seu rosto entre as mãos e beijá-lo outra vez, agora com calma e lentidão.

Quando se separaram, ajustou-se melhor a ele, sendo confortada pelo afago em seu cabelo.

– Onde está Alistair?

– Com sua mãe. Ela vai trazê-lo quando ele acordar. Kitty foi se alimentar, deve voltar em breve. Bell está guardando nossa porta. E você está pensando que nunca mais quer viver isso de novo, mas não sabe como podemos nos proteger mais.

Ela deslizou as mãos em padrões suaves em seu peito enquanto pensava numa resposta.

– Joanie, meu doce, eu ainda não sei como, mas vamos procurar novas maneiras de proteção. Vamos tentar arrancar mais informações de Moriarty quando a interrogarmos. Eu nunca, nunca vou permitir que alguém machuque você ou nosso bebê novamente.

– Você não teve culpa de nada, Sherlock. Eles simplesmente o fizeram quando sequer esperávamos por isso. Assim como você não teve nenhuma culpa quando me sequestraram. Então afaste esses pensamentos tristes da sua cabeça, meu amor. Em toda a minha vida eu nunca me senti tão segura e amada com alguém como me sinto com você. E eu também quero protege-lo, você e Alistair. Mas agora você deve descansar pra se recuperar o mais rápido possível antes que fique muito entediado. Não deve mexer esse braço por uns dias. E enquanto isso eu vou cuidar de você.

– Por quantos dias vou ser um inútil que nem pode cuidar de nosso filho?

– Você nunca foi, não é, e não vai se tornar inútil. Você ainda pode segurá-lo com o outro braço, e logo isso vai melhorar. Mesmo antes do ferimento fechar completamente você já será capaz de retomar algumas atividades. E se está preocupado que eu possa ficar sobrecarregada, senhora Hudson e Kitty se ofereceram pra nos ajudar. Minha mãe também. Você vai se recuperar, Sherlock querido. E tudo que importa agora é que nosso pesadelo acabou e estamos juntos.

– Amo você, Euglassia Watsonia.

Ela riu baixinho e o abraçou pelo pescoço, deixando-os o mais próximo possível. Minutos mais tarde ouviram batidas na porta e Kitty entrou seguida pela senhora Hudson, que carregava um embrulho agitado de cobertores nos braços. Ela sorriu ao ver o casal.

– Olha só quem veio ver o papai e a mamãe — ela disse alegremente — Mary está lá embaixo consolando Oren e Gabriele. Chegaram desesperados na cidade há alguns minutos.

Kitty sentou-se no sofá, sorrindo satisfeita. Joan libertou-se do abraço de Sherlock e saiu da cama, o ajudando a se deitar mais confortavelmente, e seguindo ao encontro de senhora Hudson. Podia ouvir os murmúrios de seu filho. Joan sentou na outra cama e quando a mulher pôs o pequeno em seus braços, seu coração virou de cabeça para baixo ao ver o rostinho de Alistair. O bebê emitiu um grito de pura alegria, estreitando mais ainda os olhinhos puxados, e Joan chorou, abraçando-o contra ela e acariciando sua cabeça. Senhora Hudson sentou-se ao seu lado, afagando suas costas em consolo.

– Eu te amo, meu amor! Te amo muito! — Ela dizia entre as lágrimas, erguendo-se e caminhando com o menino até Sherlock.

O consultor tinha um olhar quase agonizante na direção dos dois e pareceu se passar uma eternidade no tempo que Joan levou para levantar-se e arrodear a outra cama para sentar ao seu lado. Kitty ergueu o colchão para permitir que Sherlock ficasse sentado e senhora Hudson o ajudou a se acomodar melhor.

– Nós vamos sair, vocês precisam de um tempo — a mais velha falou com um sorriso e deixou o quarto junto com uma Kitty também sorridente.

Joan ajudou o marido a segurar o filho com o braço saudável e Sherlock o acomodou junto a ele, olhando com devoção para Alistair. A chinesa viu lágrimas brilharem nos olhos do inglês, e ele beijou a testa do bebê. Os olhinhos azuis se agitavam entre sua mãe e seu pai, e ambos podiam vislumbrar o sorriso mais lindo de Alistair entre todos os de suas poucas semanas de vida.

– Você está bem, meu filho... — Sherlock dizia para si mesmo, como que querendo se certificar de que não estava sonhando e tudo tinha realmente acabado.

– Sim, está — Joan lhe falou ao beijar a testa do detetive e abraçar os dois.

O bebê estendeu as mãozinhas na direção dos dois, agarrando os dedos de seus pais e morrendo de rir.

– Amamos você, Alistair – Sherlock sussurrou para ele.

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Mary subiu as escadas junto com senhora Hudson e Kitty ao ouvir as risadas do casal. Os dois estavam no quarto dando banho em Alistair. Joan o segurava e Sherlock banhava o menino na banheira de bebê habilidosamente apenas com o braço direito. Havia água pelo chão e os dois estavam ensopados. Alistair batia as mãozinhas na água e os três morriam de rir. As três mulheres desataram a rir junto com eles, recebendo um breve olhar do casal.

– Joan sempre foi independente e nunca se deixou levar ou necessitar de um homem pra viver. Ela teve muitos namorados, mas eu cheguei a pensar que nunca teria netos, apesar dela sempre ter desejado ser mãe. Eu nunca pensei que ela fosse encontrar alguém como Sherlock, que a ama até mais que a própria vida. E que ela ama da mesma forma — a mulher chinesa falou só para as outras duas ouvirem — Fiquei com medo no começo, mas ela parecia mais feliz do que nunca quando passou a viver com Sherlock, mesmo que tenha demorado a perceber. Ela o consertou e ele devolveu a vida que eu vi ser sugada dela quando aquilo aconteceu. Nunca um homem provou tantas vezes e tão intensamente ser tão digno da minha filha e desse grande amor que ela tem por todos — ela sorriu.

– Eu vou lá embaixo fazer chá, Oren e Grabriele devem chegar logo — senhora Hudson disse feliz, se retirando.

Mary e Kitty caminharam até o casal e o bebê abriu um novo sorriso ao ver as duas. Mary enrolou o neto em sua toalha infantil com capuz e orelhas de gatinho e o deitou na cama de seus pais, o enxugando e colocando uma nova frauda, antes de vesti-lo. Joan há muito tempo não via sua mãe tão feliz. Sabia que ela sentia saudade do tempo em que cuidara de "seus" bebês.

– Querida... Acho que como avó fico até mais feliz do que você que é a mãe.

A oriental mais jovem riu.

– Eu quero mais netos.

– Eu e a senhora não somos os únicos, vamos trabalhar nisso — Sherlock falou, abraçando Joan pela cintura e beijando seu rosto, vendo-a corar brevemente.

– É melhor vocês dois se secarem... – ela comentou – Pensa em ser mãe, Kitty? — Mary perguntou de repente, a pegando de surpresa.

– Eu não sei... Tenho pensado nisso nós últimos anos, mas preciso de tempo. Se dissesse que estou perto de estar pronta pra isso, estaria mentindo.

– É importante reconhecer isso também — Mary lhe disse, finalmente terminando de arrumar Alistair e o colocando nos braços — Pode ir aprendendo comigo e com Joan.

A garota sorriu, mas sentiu-se confusa, acalmando-se ao receber um sorriso de Joan e Sherlock. Ela não tinha ideia de como seria seu futuro, sua vida ou suas decisões, mas aquele sorriso a fazia sentir que ficaria tudo bem, seja lá para onde ela seguisse. Uma hora depois estavam todos na sala de estar num momento que Sherlock jamais esperava viver após tantos anos. Ainda era muito estranho pra ele ter uma família em volta. Joan, Kitty, Clyde, senhora Hudson e recentemente Mary eram os únicos que ele estava acostumado a ter como família, e ainda era um número grande vindo dele. Desde seu casamento, Oren, Gabriele, Alfredo, Bell, vinham ficando ainda mais próximos. Sherlock sempre fora um cavalheiro e aprendera a ser mais educado com Joan, mas ainda se via perdido em muitos momentos de interações em família. Porém tinha a esposa mais amorosa e compreensiva do mundo, e ela jamais deixara de contornar suas dificuldades enquanto ele evoluía pouco a pouco. E agora ele seria tio, outra coisa estranha. Oren e Gabriele estavam esperando uma menina, que deveria vir em mais alguns meses. Mary não podia estar mais feliz.

– Você vai ter uma prima, meu príncipe — Joan dizia para Alistair, que pouco dava importância dado seu quase nenhum entendimento das coisas.

– Queremos que vocês sejam os padrinhos dela — Oren falou ao casal.

– Por favor...! — Gabriele pedia com um sorriso ao ver a expressão surpresa dos dois.

– Nós vamos ficar muito felizes em ser — Joan lhes respondeu.

– Vamos sim — Sherlock disse com um leve sorriso.

Passaram horas juntos, até anoitecer. Kitty e senhora Hudson estavam dormindo. Sherlock adentrou o quarto, vendo Joan pondo Alistair adormecido em seu berço e o cobrindo. Ela ficou ali, o observando com um sorriso. Sherlock a abraçou pelas costas, beijando seu pescoço e ouvindo- a emitir um suspiro quando virou-se para abraçá-lo e os dois se beijaram.

– Fiquei com inveja.

– De que? — Ela perguntou.

– Acho que Alistair gostaria de ter uma irmãzinha ou um irmão.

Joan riu.

– Nós vamos, mas tenha calma. Alistar só tem um mês.

– Você sabe que eu vou ter. Nunca a forçaria a nada, querida — disse quando a beijou de novo — O capitão ligou. Moriarty só deixará o hospital semana que vem, mas querem ouvi-la amanhã. E acho que você finalmente vai conhecer a senhora Burnier. Parece que ela e Moriarty são velhas conhecidas.

– Acha que vão promover alguma tentativa mútua de vingança?

– Não creio... A senhora Burnier, assim com Moriarty, parece muito controlada. Se o fizerem, não será no hospital, nem diante de nossos olhos. Agora acho que devemos seguir o exemplo de Kitty, senhora Hudson e Clyde e dormir. Lamento não poder carregar você hoje.

– Amo você — Joan lhe disse com um sorriso, afagando seu rosto e lhe dando um selinho.

Os dois olharam para Alistair uma última vez. O menino dormia serenamente e bem acordado entre seus cobertores. O casal seguiu para deitar-se. Joan ajudou Sherlock a se trocar para seu pijama e tratou seu ferimento, antes de fazê-lo se deitar o mais confortável que podia com o braço ferido e dolorido. Em seguida se acomodou junto a ele debaixo das cobertas, e os dois se abraçaram, confortando-se no calor um do outro. O inglês beijou o topo da cabeça de sua esposa e afagou seu cabelo até que ela dormisse. Depois de tudo que haviam passado, tê-la viva e bem protegida em seus braços, e seu filho dormindo seguro e tranquilo junto com eles era tudo que Sherlock poderia desejar.

– Eu te amo tanto, Joanie. Eu sou muito melhor com você e com nosso pequeno, amor — sussurrou para ela, ainda que ela não estivesse ouvindo, antes de também adormecer.