Hope
9 Capítulo 9 – Confronto
Capítulo 9 – Confronto
Naquele momento Joan esqueceu de tudo que se passava ao seu redor e se entregou ao carinho do marido enquanto ele durou. O retribuiu com o mesmo amor e acariciou de leve sua nuca. Ele estava bem, estava a salvo! Apesar dos machucados. Ao parar o beijo, Sherlock a beijou na testa, devolvendo-a ao chão e a apertando contra ele
– Achei que você podia estar morta...
– Eu tô bem — disse baixinho afagando as costas dele.
– Eles não me diziam com clareza o que tinham feito com você... Ele me disse que se aparecesse aqui podia te acontecer algo ruim, que você podia morrer — ele falou baixo com os olhos cheios de pavor e Joan intensificou seu aperto em volta dele, lhe dando um beijo rápido em seguida.
– Tudo bem... Nós vamos sair daqui e vamos encontrar nosso bebezinho em breve – ela o tranquilizou quando trocaram um sorriso.
Quando Sherlock a soltou, levou as mãos ao seu rosto, fazendo-a fechar momentaneamente os olhos com a dor do toque em seus machucados.
– Eles feriram você... – disse com a voz mais desolada do mundo.
– Isso foi quando levaram você e Alistair. Vou ficar bem.
Em seguida ela teve que ignorar os protestos de seu coração para não voltar a abraça-lo e se focar novamente no que acontecia.
– Como chegou aqui? E por que sozinha? Onde estão Bell ou o capitão? – Ele perguntava tudo de uma vez, finalmente lembrando-se do perigo que os cercava.
– Estão lá fora. Bell foi levar Alistair pra minha mãe e senhora Hudson com eu já disse. Sherlock... Temos que sair daqui rápido. Tem uma guerra lá embaixo e eu temo que os homens dormindo aqui em cima acordem a qualquer momento. Moriarty disse que o capitão e Bell seriam alvos fáceis...
– Então mandou você?! Ela não é a autora de tudo isso?! Aceitou ajuda dela?!
– Sherlock... Conversamos depois. Ela ficou revoltada quando soube o que houve, ela mesma resgatou Alistair e ela está nos dando proteção, É uma longa história. E eu vim porque eu quis. Ela mesma insistiu pra que eu não viesse no início, mas eu precisava vir.
– Joan... O homem que fez tudo isso. Eu já sei quem ele é.
– Ela disse que o nome dele agora é Adam Russel, mas se chama Oliver Burnier. São inimigos há algum tempo. E alguma coisa aconteceu entre eles e o pai da filha dela, ainda não sabemos o que. Você tá todo machucado... O que fizeram com você nas últimas horas?
– Idas e vindas com Alistair, ameaças, revidaram todas as vezes que tentei reagir, há uma mulher... Deve ser esposa de Russel. Ela foi mantida aqui pra amamentar Alistair no seu lugar. A rede de informações deles nem de longe é tão eficaz e organizada quanto a de Moriarty. Acredito que ele não sabia da sua importância pra ela, nem que Alistair era apenas um bebê recém-nascido. Acho que também já sei onde estamos e quais lugares da cidade foram tomados por eles. E estou me sentindo fraco... Sem comida nem água. E não tinham nada parecido com eles pra ser roubado.
– Acho que o que sabemos é o mesmo. Isso vai acabar logo se nada fugir do planejado e vamos cuidar de você.
– Você tem apenas uma arma de dardos, está usando colete pelo volume em suas roupas, e tem seu bastão. Só isso pode não ser suficiente pra nos levar até lá embaixo contra caras armados.
– E o que mais podemos fazer?
– Eu roubei as chaves – ele mostrou um monte de chaves juntas – Mas nenhuma delas era dessa porta que você desbloqueou. Podem ser das portas aí fora. Posso descobrir qual chave é de onde se eu vir as fechaduras. Nós vamos sair, você fica atrás de mim.
– Mas você não está usando colete e está desarmado.
– E você não está em condições de sofrer nenhum impacto forte, ainda que esteja de colete. Nem deveria ter vindo até aqui. Mas fico feliz que tenha vindo – ele disse sinceramente, conseguindo um sorriso dela.
Sherlock abriu a porta silenciosamente, vendo o corredor vazio e ouvindo o barulho distante do térreo. Avançou alguns passos com Joan atrás dele e viu um homem caído dentro de uma das salas, um dardo da arma de Joan cravado em seu braço. Olhou rapidamente as chaves e a fechadura da porta, a puxando com cuidado e trancando o indivíduo lá dentro.
– Essa arma é completamente silenciosa. Quero que atire em todos eles – murmurou para ela.
Quando trancavam a penúltima porta, um barulho os surpreendeu e de repente um dos criminosos prendia Joan pelas costas, apertando seu pescoço.
– Não sei como ela chegou aqui, mas nenhum dos dois vai sair!
Joan o reconheceu, era Ryan, um dos homens que os havia agredido no estacionamento. Ele não estava ali antes!
– Jack e Roy estão indo agora mesmo reportar isso a Russel – ele falou com um sorriso cheio de más intenções.
Sherlock se aproximou, chegando a bater de frente com o homem, mas ele recuou.
– Quer ver sua esposa morta, Holmes? Aquele bebê vai ficar sozinho no mundo! – Ele ria – Eu vou leva-la pra Russel. E você vai morrer aqui. Moriarty não precisa saber.
– E como pretende me matar? – Ele perguntou, trocando um olhar com a esposa, pedindo que mantivesse a calma.
Joan entendeu, Sherlock havia feito alguma coisa. Ela não ousou se mexer, mas sentiu a falta da arma em sua cintura.
– É simples. Eu estou armado, vocês estão praticamente desprotegidos.
– Com qual arma? – Sherlock perguntou – Essa aqui? – Ergueu a arma de Ryan, abrindo o compartimento de balas e removendo a munição, que deslizou pelo chão.
Joan sentiu o aperto de Ryan em torno de si vacilar, ao mesmo tempo que o homem que dormia na última sala apareceu no corredor, ame alerta. Estando aparentemente desprovido de armas e munição, vendo a arma desmontada no chão e a de dardos com Sherlock, ele ficou parado por não mais que um segundo e desatou a correr pelo corredor. Puderam ouvi-lo desaparecer nas escadas e bater a porta lá embaixo. Imediatamente os dois consultores souberam se tratar de um dos homens de Moriarty. A munição no chão havia sumido sem explicações. A próxima coisa da qual Ryan se deu conta foi de estar sendo esmurrado pela chinesa em perfeitos golpes de boxe. Sherlock a estava ensinando a cerca de um ano, mas nunca a vira realmente precisar usar tais habilidades, e arregalou os olhos ao ver a esposa não deixar nenhuma brecha para o homem se defender. Ela devia estar descontando tudo que aqueles bandidos a tinham feito passar nas últimas horas, e Sherlock sabia melhor do que qualquer pessoa o quanto os instintos maternais de sua mulher eram fortes. O homem chegou a se levantar, mas foi nocauteado com um soco de Sherlock.
– É o mesmo homem que nos agrediu?! – Ele perguntou.
– Eu soube aproveitar o choque do elemento surpresa – ela sorriu e caminhou para a escada, puxando-o pela mão. Os dois desceram rapidamente, atirando dardos em dois criminosos que correram armados em sua direção. Um tiro ainda acertou a parede acima deles antes que caíssem. Passaram pela porta e a trancaram. Sherlock se atentou ao homem amarrado no chão, acordado, parecia com dor.
– Ele me obrigou a fazer isso – ela disse diante do olhar interrogativo do marido – Me prendeu na parede e disse que podíamos nos “divertir”. Acho que não foi divertido pra ele, e vai continuar não sendo por algum tempo.
– Sua defesa pessoa decolou a níveis estonteantes depois que Alistair nasceu. Precisamos ter mais filhos – ele comentou enquanto olhava o cenário em volta.
Ela sorriu, mas logo se juntou a ele na observação. Corpos por toda parte, se vivos ou mortos, eles não sabiam dizer. O tiroteio fora tamanho que uma fumaça leve se erguia no ar. Ainda podiam ouvir tiros no ponto mais distante do enorme galpão, por trás das pilhas imensas de caixas e lonas.
– Temos que sair daqui – ela disse.
– Vão sair... Mortos. Você veio... – Russel riu para Joan, surgindo do nada em meio à fumaça – Não trouxe Jamie com você. Como vamos negociar?
– Você quer contrabandear drogas e objetos roubados pro exterior... – Joan começou a deduzir – Mas Moriarty opera nos mesmos países que você quer invadir...
– Ainda que pareça loucura, você levantaria ainda mais fundos, não é? – Sherlock questionou – O que pretende com isso? Comprar os homens de Moriarty? Não chegariam vivos até você.
– Ainda que seja assim, eu tenho muitos fundos, não tanto quanto Jamie... A questão é que ela costuma interferir nos meus negócios, mesmo que não seja sua intenção principal, e eu fiquei cansado disso. Esses homens mortos aqui... – ele olhou em volta sem pouco se importar – Há muito mais de onde vieram. Eu acho que pegaram Jack e Roy lá fora... Não vou devolver vocês – ele ergueu uma arma na direção do casal.
Os dois ergueram as mãos lentamente tentando não demonstrar sinais de desafio a Burnier. Aquela não era uma arma comum, aprecia um revólver normal, mas maior. Um tiro deveria ser o fim para alguém desprotegido.
– Eu não sei o que fizeram com Jane... Eu perdi o contato com ela. Pela tranquilidade nos fundo dos olhos da sua esposa, o bebê não deve mais estar com ela, Holmes... Eu não entendo como Jamie invadiu o edifício e causou tamanho estrago sem ser notada, mas agora não preciso mais da criança, tenho vocês dois. Eu sei que não estão sozinhos aqui e que em alguma hora vão querer vocês de volta. Por que não nos sentamos todos e esperamos pacientemente até Jamie vir negociar comigo?
– Seus homens começam a cair e você não aparece... – Sherlock falou – Achei que já tivesse iniciado sua negociação.
– Você não aprendeu com Jamie? O gênio não aparece sem necessidade nos momentos importantes.
– Se quer negociar com Moriarty, garanto que até ela prefere meios mais pacíficos – Sherlock lhe disse.
– Sinto informar que não estou disposto a esperar tanto. Infelizmente matar você não é uma opção, Holmes, mas posso usá-lo a meu favor – Russel falou antes de disparar contra Sherlock.
O britânico gritou e automaticamente segurou o ombro esquerdo antes de deslizar pela parede para sentar-se no chão. Joan abaixou-se ao seu lado, em pânico, percebendo a bala cravada na parede, mas ainda que o tiro fosse de raspão, o sangue começava a se espalhar pelo tecido cinza do paletó inglês. Joan tentou pensar, precisava fazer um torniquete.
– Calma, calma... – ela pedia, afagando o rosto de Sherlock.
– Sem polícia ou tudo piora – ele falou – Sei que não mandariam uma consultora sem escuta. Ah, é verdade... – Burnier desdenhou – “Você” é a nova favorita de Jamie. Quanto você consegue gritar de desespero por Holmes até ela aparecer? – Falou antes de disparar novamente.
Sherlock não estava usando colete. Ela podia ouvir as vozes desesperadas de Marcus, Kitty e Gregson na escuta desde o primeiro disparo. Jamie também estava tentando contatá-la. Ela havia estranhamente sumido naquele meio tempo. O lugar ainda estava trancado e escuro. Joan deixou-se atingir, escutando um lamento de Sherlock antes de tudo se apagar quando ela caiu contra ele.
Fale com o autor