Hope
4 Capítulo 4 - Aliança
Capítulo 4 – Aliança
– O que quer dizer? – A chinesa perguntou, finalmente se sentando.
– Eu tenho um inimigo já tem alguns anos. Ele já foi capturado várias vezes, todas em disfarces diferentes e sempre por crimes pequenos que na verdade são parte de esquemas bem maiores. Quando ele for capturado, a polícia poderá riscar pelo menos uns quinze suspeitos de sua lista de foragidos. Eu nunca deixei isso claro nem mesmo a Sherlock porque nunca achei importante, mas tenho que admitir que ele fez progresso nos últimos anos e finalmente achou que seria o momento de me atormentar. Eu fiz o que podia pra prever seus passos e livrar vocês de qualquer coisa, especialmente depois que Alistair nasceu. Infelizmente estar sendo transferida do meu cárcere exatamente nesse momento abalou os planos e eu me atrasei. Porém o que aconteceu mostra o quanto o homem é desatento. Se ele tivesse mesmo me investigado a fundo saberia que você é minha nova protegida. Se soubesse disso poderia ter levado só você.
– Eles não pareciam saber sobre Alistair.
– Não sabiam. Os informantes dele nunca serão tão bons e leais quanto os meus. Ele devia desconfiar que há uma criança com as informações de última hora. Mas não sabia que era um bebê. Acredito que nem mesmo conhece o seu rosto, Joan. Ele cometeu o erro de se focar demais em Sherlock, e de investigar a uma distância longa demais antes de voltar ao país depois de ser preso e fugir há dois anos. Provavelmente nem sabia que a esposa de Sherlock Holmes esteve grávida. Não vou dar detalhes da comunicação entre ele e seus subordinados, não importa agora, digo apenas que é falha, apesar de rápida.
– Não nos deu um nome ainda – Gregson lhe disse.
A mulher o encarou profundamente durante alguns segundos.
– Se lembra de Jesse McFly , capitão? Foi preso por contrabando da última vez que fugiu. Naquela época estamos em uma rixa por alguns negócios. Eu venci como era de se esperar. Mas isso também não importa agora. Ele voltou a Nova Iorque com a intenção de usar meus maiores tesouros para me forçar a ceder sobre algumas coisas. Livre, eu poderia ter evitado tudo isso. Mas vamos nos focar no que está acontecendo agora.
– Vai falar sobre essas coisas depois que resolvermos este problema.
– Estou presa e vou continuar presa. Posso falar ou não. Apenas lhe dou minha palavra de que não vou fugir e ainda vou voltar depois que resolvermos isso. Preciso das minhas mãos e pernas livres pra ajudar.
Gregson tentou se controlar para engolir a raiva e se focar no problema de seus consultores no momento. Era inacreditável como aquela mulher era cínica e fria. Um momento de silêncio se seguiu e Moriarty tornou a falar.
– Seu nome agora é Adam Russel. Me parece que ele queria levar Sherlock pra me chantagear. Mas quando viu o bebê decidiu leva-lo como garantia. Quando ele perceber seu erro é possível que volte atrás de você, Joan. Mas não se preocupe. Eu lhe darei minha inteira proteção. Adam não é tão espetacular, mas sabe como driblar policiais... Você deve ser Kitty Winter, a protegida do meu casal favorito. Eu descobri isso sozinha – ela falou diante do olhar surpreso de Kitty – Não precisa se alarmar. De modo algum eu pretendo incluir você em qualquer dos meus planos. Também irei protege-la. Russel não conhece muitos limites.
– Você falou muito, mas ainda não disse tanto – Bell reclamou.
– Joan, estava focada em proteger o pequeno Alistair, mas o que você pode perceber do que aconteceu antes de perder a consciência – Jamie perguntou.
– Três homens.
– Jack, Ryan e Roy, Cabelo preto, cabeça raspada e cabelo castanho, os três que buscam coisas e pessoas pra Russel.
– Estavam nos vigiando desde que tínhamos chegado, trabalhando numa oficina de fachada, eu verifiquei quando estava no hospital. Devem ter fugido numa van pelas marcas de pneu que vi nas fotos. Não lembro de ter visto uma van durante nosso trajeto de ida ou volta. Alguém devia estar dirigindo pra pegá-los no exato momento em que nos atacaram.
– Shadow, o motorista.
– Shadow?
– Ele raramente chama atenção ao ponto de ser detido, mesmo quando está dando carona aos companheiros.
– Acredito que Russel se esconde em algum edifício abandonado.
– Você é rápida... E eficaz como eu já esperava. Nem sabia o nome dele ainda...
– Não... Mas eu me lembrei da estranha coincidência dos crimes de determinados suspeitos, todos foragidos, ocorrerem ao mesmo tempo, ou quase, em que você aprontava alguma coisa. Eu e Sherlock estávamos certos que ele podia ser um mestre dos disfarces, só não tínhamos provas da ligação entre ele e você, até agora. Eu verifiquei os locais utilizados por cada um dos foragidos pra se esconderem antes de serem presos e me parece que Russel tem uma queda por edifícios desativados ou com as obras paralisadas. Não deve ter tanto poder aquisitivo ou prefere usá-lo pra outros fins enquanto economiza nas instalações.
Moriarty riu e bateu palmas, mesmo estando algemada.
– Eu não esperaria menos de você. Me deixa mais orgulhosa a cada dia que se passa. Está certa. Russel detém uma boa quantia de fundos, mas prefere emprega-los de outras maneiras. Deve ter uma ideia de onde ele está.
Antes que Joan respondesse, alguém bateu a porta e Gregson falou brevemente com algum policial.
– Kitty – ele disse simplesmente.
A ruiva saiu por não mais que um minuto e retornou com informações.
– Sim, já sabemos – Kitty falou finalmente – Enquanto estávamos no hospital, um informante fez o serviço pra nós. Russel parece estar preparado pra nos confundir. Há homens estranhos em todos os cinco lugares que ele verificou, mas jura ter ouvido o choro de um bebê nas velhas instalações de um antigo depósito a mais ou menos meia hora daqui.
Moriarty assumiu um olhar que mostrava surpresa e satisfação ao mesmo tempo.
– Vocês a ensinaram bem – ela comentou.
– Acredito que agora que já nos informou pode retornar aonde estava – Gregson falou.
– De forma alguma capitão. Não sabem com quem estão lidando. Russel nunca irá me alcançar, mas também não é um trouxa. Eu disse que protegeria Joan e Kitty, e vou fazer isso da forma mais eficaz possível. Eu vou participar disso tudo. E já vi esse homem raptar crianças, ele não vai manter Sherlock e Alistair juntos quando o garoto começar a chorar. E se não levou Joan, mesmo sabendo disso, deve ter alguém para ajuda-lo com o menino. Ele tem mulheres em sua gangue. Não é impossível que uma delas possa amamentar o bebê. Criminosos também têm filhos, como já lhes provei. Nós temos que encontrar a criança, e depois Sherlock. Sem minha ajuda, há uma boa possiblidade de que Russel consiga conduzi-los pelo caminho contrário. Ele não costuma fazer mal a crianças quando as mantém, cuida até muito bem delas, mas sabe como lhes dar um destino quando quer tirá-las da equação. Se buscarmos Sherlock primeiro, podemos não encontrar mais o bebê depois. Eu vou participar disto.
– O que quis dizer? O que ele pode fazer com meu filho?!
– O mesmo que fiz com minha filha, Joan, mas sem sua autorização ou de Sherlock.
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Sherlock despertou sentindo-se bastante dolorido. Estar jogado num chão frio de concreto só piorava as coisas. O choro de Alistair chegou distante a seus ouvidos, e o fez abrir os olhos imediatamente. Estava sozinho em uma sala pequena, cor de palha, que parecia feita para armazenar coisas. Uma saída de ar, mas nenhuma janela. Um colchonete e um lençol num canto da parede, e uma porta trancada, sem maçaneta, a sua frente. Estava tonto e sentia muita dor. Devia ter uma boa quantidade de hematomas. O choro de Alistair parecia vir do outro lado, tinha certeza que era ele. Levantou-se e esmurrou a porta, sendo empurrado de volta ao chão no instante seguinte quando a porta se abriu e um homem o atirou para baixo. Pode ver um outro na sala seguinte com Alistair nos braços. O menino parecia bem, mas chorava. Estava assustado.
– Devolva meu filho! – Gritou ao levantar-se e agarrar o bandido pelo colarinho, mas atirado novamente para o chão.
– Você não está em condições Holmes! Eu dito as regras aqui!
Sherlock o observou. Alto, forte, cabelo castanho escuro, pele levemente bronzeada e olhos cinzentos. Vestia camisa social, jeans e mocassins. Aparentava ter trinta e poucos anos. Aquele homem era familiar...
– Tragam logo!
Outro capanga entrou e colocou o bebê em seus braços. O choro de Alistair diminuiu quando Sherlock o abraçou contra o peito, mas não parou.
– Ele já foi alimentado, não sei o que há, faça-o calar a boca! Nós também dormimos.
– Entregue-o ao NYPD. Sou eu que você quer...
– Eu prometo a você que não faremos nada com o seu filho. Ele foi muito bem cuidado desde que chegou aqui, eu garanto. Também temos filhos... Mas não vamos entregá-lo ao NYPD.
– Onde está a mãe dele? O que fez com ela?!
Russel riu, sendo seguido pelos outros homens do lado de fora.
– Faça esse menino parar de chorar... A senhora Holmes não deve estar muito bem – ele disse simplesmente, jogando a bolsa com as coisas de Alistair aos pés de Sherlock, batendo a porta e indo embora.
Sherlock sentiu sua mente se acender e voltar a mil por hora. Seu coração acelerou e uma sensação horrível o tomou por dentro. No final das contas não sabia se Joan estava ali, ou que estavam fazendo com ela. Tentou afastar os pensamentos terríveis que passaram por sua cabeça e concentrar-se em Alistair. Balançou-o de leve falando baixinho com ele até que se acalmasse e por fim beijou sua testa. Verificou suas roupinhas e dentro da touca de lã que o bebê usava, na esperança de haver algum sinal, alguma mensagem, caso Joan estivesse por perto, mas não encontrou nada. Ele não devia ter sido alimentado por ela. O consultor ficou atento a qualquer sinal de mal estar, trocou as roupas do bebê, e até cheirou seu hálito, tentando ter certeza de que não fora intoxicado ou mal tratado. Alistair estava bem.
– Podem ter uma ama de leite... – comentou para si mesmo.
Era impossível ter certeza se era de dia ou de noite, a única luz naquela pequena sala era a lâmpada acima de sua cabeça. Alistair murmurava de vez em quando, um claro sinal de que estava nervoso. Tudo que estava acontecendo era terrível para a formação de uma criança, ainda mais com apenas um mês de vida. Cantou baixinho para o filho, como Joan fazia todas as noites, a fim de tornar aquele tempo o mesmo traumático possível.
– Papai está aqui com você – sussurrou baixinho para ele enquanto os dedinhos apertavam um único seu – Eu vou cuidar de você. Sempre, Alistair. De você e da sua mãe. Embora mais uma vez eu não tenha conseguido fazer isso – falou, sentindo seus olhos umedecerem e o peito doer – Minhas crenças não são muito fortes, mas meu amigo Alistair deve estar nos vendo de algum lugar, deve estar cuidando de nós. Durma tranquilo, meu filho. Eu não vou deixar que nada aconteça a você.
O bebê fechou os olhos aos poucos e logo estava dormindo profundamente nos braços do pai. Sherlock estava cansado, mas seu medo o impediu de dormir. Vasculhava em sua mente de onde conhecia aquele homem. Descobrindo isso, poderia procurar uma maneira de resolver tudo aquilo.
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