Hope

3 Capítulo 3 - Ajuda inesperada


Capítulo 3 – Ajuda inesperada

A chinesa ficou em silêncio, sua mente estava uma bagunça, como se mil sons ressoassem ao mesmo tempo. Olhou para os próprios joelhos, vendo os arranhões ensanguentados ali e as manchas que sujavam seu vestido. O coração doeu terrivelmente e sentiu o ar faltar e o desespero lhe tomar outra vez ao pensar no que poderiam fazer a seu bebê e a Sherlock. Tentava entender quem eram e porque? Tentava pensar em Moriarty, mas não conseguia pensar em nada.

– Você não precisa responder agora – Gregson lhe disse calmamente – Mas precisamos que nos conte o que aconteceu. Quanto antes buscarmos qualquer informação ou suspeito, melhor.

Ela suspirou e tomou algumas respirações.

– Estávamos entrando no carro... Colocamos as coisas na mala e Sherlock estava com Alistair nos braços. Quando nós abrimos a porta de trás pra prendê-lo na cadeirinha de transporte, três homens gigantescos apareceram do nada. Todos eram brancos. Um deles tinha cabelo negro e curto, olhos castanho claros, usava bigode. O outro tinha olhos castanhos, cabeça raspada, acredito que seu cabelo é louro, estava barbeado. O último era mais magro, mas forte, parecido com Sherlock, cabelo castanho e olhos verdes, também barbeado. Parece que se vestiam num padrão, calça azul clara, botas de couro preto e regata branca.

– Como conseguiu absorver tantos detalhes durante um ataque? – Bell lhe perguntou.

– Por que os vimos antes de ir pra loja... Eu só os reconheci, Sherlock também reconheceu, eu acho. Mas isso não nos deixou menos alarmados na hora.

– Como assim?!

– Nós os vimos trabalhando numa oficina de carros, na rua em frente aonde fomos. Estou acostumada a gravar detalhes rapidamente. Devo ter olhado na direção dos três por poucos segundos, mas foi suficiente.

– O que aconteceu quando foram abordados? Não disseram nada?

– Sim! O um deles disse que os fins justificam os meios. Só isso.

– Qual deles? Algum parecia ser o líder?

– Não sei. Todos pareciam ser subordinados de alguma forma, seja lá de quem for. Depois de chegarem perto e dizer isso, tentaram nos imobilizar, mas nós lutamos. Implorei pra Sherlock proteger Alistair e não eu ou nós dois. O careca me bateu quando o atingi com o bastão. Pareciam surpresos ao ver Alistair, eu não entendo porque. Mas depois do choque, o de cabelo preto tentou tirá-lo de Sherlock. Ele começou a chorar quando percebeu que algo estava errado. Nós tentamos entrar no carro, mas fomos arrastados pra longe. Sherlock me entregou Alistair e queria que eu corresse, mas fui derrubada no chão por algum deles. Fiquei abaixada tentando proteger meu filho quando um deles pegou meu bastão do chão. Sherlock se abaixou na nossa frente e deve ter recebido a pancada no meu lugar, mesmo assim eu senti. Consegui impedir que Alistair sofresse algo, mas perdi a consciência depois disso.

– Nós encontramos você através de um alerta do celular de Holmes – Bell lhe disse – Ele deve ter acionado antes de sumir, porque te achamos com o sinal de GPS. O celular estava alguns metros distante de você, com a tela meio rachada. Você estava inconsciente e machucada. Estamos procurando impressões digitais no celular. Se lembra de mais alguma coisa?

– Não.

– Das vozes?

– Não muito. Não eram vozes incomuns e ouvi mais barulho e nossas próprias vozes do que qualquer outra coisa.

Gregson desviou sua atenção da conversa para atender outro telefonema, dirigindo-se a Joan novamente.

A mulher está irredutível – ele disse – Quer a todo custo ver você.

– Querida – Marry chamou – Pense bem nisso. Tudo que essa mulher já fez. Não só a vocês dois. Ela pode estar por trás disso tudo.

– Não mãe... Apesar de tudo, eu tenho certeza que não. Ela não faria assim. Se quisesse nos prejudicar, seria clara e direta. Eu poderia nem estar aqui. E ela deixou claro daquela vez que protegeria nossas vidas, embora eu ainda não entenda completamente porque.

– Acha que ela sabe o que realmente tá acontecendo? – Kitty perguntou.

– É possível... Eu quero saber o que ela tem a dizer, mas preciso um tempo.

– Tem certeza? – Senhora Hudson perguntou.

– Sim – disse com convicção.

– Tudo bem – Gregson falou com o telefone ainda no ouvido – Ela aceita, mas precisa de algumas horas – falou, desligando.

– Não preciso de tanto. Quero pistas o mais rápido possível.

– Você vai descansar e tentar pensar em qualquer evidência que nos ajude – o capitão instruiu – Enquanto isso vou reunir alguns homens para sua segurança. Sei o que pensa... Que nada significarão para aquela mulher, mas você conseguiu mudar isso uma vez, a surpreendeu. E não custa tomar precauções.

Os dois se retiraram para a delegacia após deixar três policiais na porta do quarto de Joan, que seria mantida por algumas horas para observação, especialmente por ela ter dado a luz há apenas um mês. A chinesa tentou dormir, mas só teve sucesso quase uma hora depois, devido ao cansaço. Kitty, sua mãe e a senhora Hudson permaneceram com ela. Joan despertou perto do anoitecer com um tubo de soro ligado a sua mão direita. Sua mãe cochilava no sofá, Kitty fazia alguma coisa pelo celular. A senhora Hudson estava sentada ao seu lado e se dirigiu a ela ao percebê-la acordada.

– Você poderá sair quando esse soro acabar. Está tudo bem, você não sofreu lesões graves.

– Notícias...

– Não temos nenhuma ainda. A mulher tornou a insistir ver você quando sair daqui. Kitty recebeu essa informação do capitão. Você vai mesmo? Tem certeza disso?

– Moriarty pode ser uma grande criminosa, mas eu a conheço. Ela pode saber alguma coisa. E não é só Sherlock, é nosso filho. Preciso dele e do meu bebê.

– Vai ficar tudo bem, sei que você e Sherlock podem resolver isso. Ainda tem alguns minutos até o soro acabar, tente relaxar até lá.

A mulher afagou seus cabelos, a fazendo dormir novamente.

******

– Joan! – Jamie Moriarty exclamou, assumindo uma expressão assustada ao ver o hematoma perto de seu olho e os machucados nos braços e pernas e no outro lado do rosto.

Joan havia saído do hospital direito para a delegacia, onde junto com Kitty, Gregson e Bell, encontrou-se com uma Moriarty algemada na sala de interrogatório, seguida por dois guardas de sua prisão solitária. Kitty olhava a mulher com cautela, tentando não ser muito óbvia em seus pensamentos. Joan e Sherlock já haviam lhe contado sobre ela.

– Aquele miserável teve a ousadia de ferir você! Vou fazê-lo pagar! – A loura rosnou entre os dentes, e seus olhos pegaram fogo naquele momento.

– Como assim?! O que você sabe? Por que insistiu tanto em me ver? Onde está Sherlock? Onde está nosso bebê?!

– Você, minha querida Joan, devia saber mais do que qualquer um que eu não ousaria fazer nenhum mal a vocês dois nem ao bebê. É um menino lindo pelo que ouvi falar. Eu não esperaria que fosse diferente. Estou ansiosa para conhece-lo.

– É melhor deixar de enrolação e nos dizer logo o que sabe – Bell falou com autoridade – Não tiramos vocês de uma prisão de segurança máxima pra ficar ouvindo essa ladainha.

– Você não me deixou continuar... – ela disse cinicamente – Há um esquema por trás disso. Um esquema muito maior do que o simples sequestro de um detetive e seu filho. Isso não foi armado com a intenção de atingir você, Joan, e sim a mim.