Hope

2 Capítulo 2 - Aonde foram?


Capítulo 2 – Aonde foram?

Sherlock entrou no quarto em passos silenciosos, não querendo incomodar Joan e Alistair. Encontrou uma cena comovente. A chinesa dormia serenamente, abraçando com todo o cuidado o bebê adormecido junto ao peito. Sherlock sorriu. Estavam afastados da maioria dos casos por um tempo para que pudessem cuidar de Alistair e ajustar as coisas em sua nova vida. O britânico deitou-se ao lado da esposa e a abraçou pelas costas, observando com satisfação seu filho que agora tinha duas semanas de vida. Era tão parecido com ele... Aquilo era só o começo, ainda teriam a vida toda pela frente, de aprendizado e de responsabilidade sobre aquela jovem vida. Sherlock lembrou-se de sua infância e de sua mãe, e por um momento sentiu falta dela novamente. Pensou no quanto ela estaria orgulhosa e feliz se o visse agora. Mesmo seu pai os havia surpreendido visitando o sobrado uma semana após o nascimento de Alistair. Estava imensamente feliz com o neto, havia trazido um bonequinho de Londres, um soldado de brinquedo, para Alistair.

A relação de Sherlock com seu pai vinha apresentando alguma recuperação desde sua recaída no caso Oscar, na qual Joan permaneceu a seu lado e cuidou dele até sua plena recuperação, lutando a todo custo para protege-lo de seu pai e não deixar que Morland o machucasse. No final das contas, o Holmes mais velho se convencera de que seu filho não podia estar em melhores mãos. Dois anos haviam se passado entre aquele momento e o nascimento de Alistair. Kitty voltara a fazer contato com eles na recaída de Sherlock. Ela havia descoberto de alguma forma e ficou muito preocupada, chegando a visita-los por uma semana quando aconteceu. Ela havia sido de muita ajuda. Ela ainda não resolvera completamente seus problemas com o NYPD, por isso ainda não se encontrara com ninguém do departamento, e mantinha contato discreto. Há três dias ela havia falado com o casal, queria visita-los e conhecer Alistair. Chegaria em algumas semanas e ficaria pouco tempo novamente.

Marry, Oren e Grabielle estavam loucamente felizes com o novo membro da família e haviam feito uma visita no hospital, além das várias outras que Marry lhes fizera no sobrado para ver o neto. Gregson e Bell estavam felizes pelo casal, bem como Emilly e a senhora Hudson, que havia ficado louca de felicidade ao vê-los de volta do hospital dois dias depois do nascimento. Ela ninava o bebê ainda mais que os próprios pais e se dispunham a ajuda-los em tudo que precisassem. Ela passava horas no sobrado cuidando da limpeza ou simplesmente conversando com Joan sobre bebês e maternidade, ou lhe contando alguma experiência sobre crianças. Às vezes Sherlock podia ouvir as duas morrendo de rir de alguma coisa. Apesar da mulher não ter filhos, mas era do conhecimento dos consultores o quanto a loura era instruída e tinha o dom para cuidar de pessoas. Ela fora um elemento vital do parto de emergência de Alistair. Joan rapidamente se recuperara e estava quase que totalmente de volta ao seu estado físico anterior.

O consultor beijou suavemente o rosto da esposa e se perdeu a observando e sentindo o amor que tinha por ela e pelo filho o queimar por dentro. Nunca havia se imaginado no ponto em que estava agora em sua vida. Joan havia mudado e curado seu coração de uma forma incrível. Cuidava dele e fazia com que ele se sentisse amado e seguro como jamais se sentira antes, nem com Irene, ainda que ela fosse uma farsa. Amava aquela bela asiática de tal forma que jamais encontraria as palavras certas para descrever. Sua atenção foi chamada por um murmúrio do filho, que parecia estar acordando.

– Shhh... Papai está aqui – falou tentando acalmá-lo e vendo o menino agarrar um de seus dedos.

O consultor riu baixinho e acariciou sua mãozinha com o polegar. O garoto agitou-se de novo e abriu os olhos alguns minutos depois. Sherlock o libertou cuidadosamente do abraço de Joan e o tomou nos braços antes que ele chorasse. A irritação do garoto desapareceu quando Sherlock o balançou de leve e com o indicador brincou com as sardas em seu rosto. Alistair permaneceu acordado, o encarando com uma firmeza incomum para um bebê.

– Você vai ser muito bom no que você escolher fazer, como eu e sua mãe – ele deduziu.

Sherlock o abraçou contra o ombro e o bebê envolveu os bracinhos em seu pescoço. O consultor sentiu algo estranho, algo que só sentira com Joan, como se o coração esquentasse dentro do peito, e uma sensação maravilhosa o tomou. O inglês beijou a testa do filho e o ninou por bastante tempo até ele de fato começar a chorar.

– O que foi, meu amor? – Joan perguntou ao filho, ainda sonolenta, ao sentir Sherlock contra suas costas e perceber que Alistair não estava mais com ela.

– Ele está com fome.

– Como você sabe que não é uma frauda suja ou outra coisa?

– Faz algum tempo que estou com ele. Acordou meio irritado. Eu pesquisei sobre choro de bebês e este quer dizer que ele tem fome.

Joan riu, ainda de olhos fechados. Estava demorando para Sherlock fazer alguma investigação científica sobre bebês. Ela levantou-se e se sentou devagar, recebendo o menino das mãos de Sherlock, e afastando parte do vestido para amamentar o bebê, que rapidamente se acalmou ao ser alimentado. Sherlock abraçou a esposa pela cintura, Joan deitou em seu ombro, e os dois se recostaram na cabeceira da cama, apreciando aquele momento em cada detalhe.

– Muito obrigado, Joan... – ele disse quase num sussurro.

Ela apenas sorriu e moveu-se um pouco em seu ombro, indicando que o estava ouvindo.

– Nunca pensei estar como estou agora... É maravilhoso. Eu não sei como agradecer por você cuidar tão bem de mim, por me amar tanto apesar de eu não merecer. E por nosso filho.

– Nunca mais diga isso... Você merece, Sherlock. Eu amo você, amo independente de qualquer coisa. Você me protegeu e cuidou de mim também, por todo esse tempo, mesmo quando eu não percebi isso. Você ama nosso bebê. Você ficou tão feliz quando eu estava grávida, quando ele começou a se mexer e reagir às nossas vozes – ela sorriu – Você ficou assustado, mas se acalmou, me confortou e me ajudou a dar a luz a ele com segurança. Eu nunca vou esquecer disso. E amo você ainda mais agora. Eu que devo te agradecer.

Ele beijou os cabelos negros e a abraçou mais apertado, apoiando sua cabeça contra a dela enquanto observava Alistair se alimentar, com os olhinhos azuis fechados. O casal ainda se preocupava com a segurança, apesar de toda a ajuda que vinham recebendo, e torciam para que aquela paz permanecesse.

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– Joan... – Kitty sussurrou em seu ouvido ao abraça-la forte, sem saber o que dizer – Cheguei no pior momento possível... Se eu tivesse chegado antes...

– Não diga isso – ela sussurrou entre lágrimas – Podiam ter feito alguma coisa com você também.

A chinesa chorou durante mais de meia hora, sob as tentativas falhas de Kitty e da senhora Hudson de acalmá-la. Ela havia acordado sozinha no hospital, com uma dor fortíssima na cabeça, além de um machucado do lado direito, e as mãos e joelhos machucados. Descobriu depois que alguém a havia socado próximo ao olho esquerdo e ela desmaiou quando bateu a cabeça no chão. Sherlock e Alistair haviam simplesmente desaparecido, sem nenhuma pista além dos rastros de uma van, que desapareciam depois de alguns metros no asfalto. Até a bolsa com as coisas do bebê havia desaparecido do carro no estacionamento da loja. Alistair só tinha um mês. E tudo que Joan conseguia pensar é que ele precisava dela! Precisava ser alimentado, estar em um lugar seguro e tranquilo. Ela sequer conseguia pensar em possíveis motivos e suspeitos. Algum lugar do seu cérebro gritava por Moriarty. Mas Joan não pensava que ela tivesse motivos, embora com certeza soubesse sobre o bebê.

Gregson, Bell e Mary estavam sentados no sofá do quarto. Marry também chorava, silenciosamente. Havia passado todo o tempo abraçada à filha antes de Kitty chegar. Os dois policiais nem abriram a boca para perguntar qualquer coisa, não se atreveriam a submeter Joan a um interrogatório naquelas condições. Também se sentiam péssimos pelo ocorrido. A família aceitara ajuda para segurança, mas não queriam se sentir sufocados por nenhuma escolta 24 horas.

– Eles levaram Sherlock... – Joan repetia baixinho para si mesma – Levaram meu bebê. Eu quero meu bebê, ele precisa de mim. Preciso dele e preciso de Sherlock comigo.

– Nós vamos encontra-los – Kitty lhe disse – Eu juro que não vamos descansar até encontra-los – a ruiva falava enquanto afagava os cabelos negros da chinesa.

– Joan, querida... – senhora Hudson a chamou – Acha que aquela mulher pode ter algo a ver com isso?

– Não, ela não tem motivos.

Gregson saiu de seu transe pelo toque do telefone e arregalou os olhos ao atender, em seguida chamando a atenção de Joan.

– Falando nela... Surpreendente. Joan, Jamie Moriarty soube sobre o que aconteceu a você, está revoltada e exige ver você. Aconselho que tome muito cuidado com o que vai decidir. Pode ser um truque.

Joan o encarou, levando algum tempo para assimilar as palavras, apenas percebendo a situação quando viu Bell e sua mãe de olhos arregalados.