Hope

13 Capítulo 13 - Raios de esperança


Notas iniciais
Chegamos ao último capítulo. Agradeço a todos que acompanharam e incentivaram e espero que tenham se divertido com a Hope. Até a próxima, pessoal! o/ =**

Capítulo 13 – Raios de esperança

Um sorriso surgiu no rosto da criminosa loura. Seu cabelo dourado esvoaçava com o vento enquanto os olhos azul claros se focavam com firmeza na garota de cabelo castanho claro que brincava no parque com seus pais adotivos. Dois agentes da policial a acompanhavam disfarçados e outros vários policiais, além de seu carcereiro estavam em pontos estratégicos bem perto. Inútil, é o que Jamie Moriarty pensava. Não fugia simplesmente porque não queria. A única coisa que ela pedira como privilégio ao salvar Sherlock, Joan e Alistair fora ver sua filha algumas vezes enquanto crescia e ter certeza por ela mesma que Kayden estava bem. A menina tinha mais de dez anos agora e ficava mais linda a cada vez que Jamie a via.

Durante um único segundo, por acaso, Kayden olhou sorrindo na sua direção, um sorriso de derreter o coração. Jamie devolveu o sorriso enquanto o momento durou e preparava-se para ir embora ao perceber uma mulher de cabelos negros cacheados caminhando pelo parque segurando a mão de uma bebê de cerca de três anos. A pequena andava ao lado de sua mãe, que a pegou no colo e sentou-se com ela em um dos bancos, pareciam muito felizes. Jane assumiu uma expressão de surpresa ao encarar Jamie, que a olhava com vários metros de distância. A loura sorriu, indicando que estava feliz por a velha amiga estar com sua filha, e Jane lhe devolveu o sorriso antes de Jamie desaparecer junto aos policiais.

******

– O Clyde é um urso – o menino dizia feliz enquanto senhora Hudson vestia a roupinha de urso em Clyde.

– Isso mesmo, querido – ela respondeu sorrindo.

Os dois estavam brincando no chão da sala. Joan havia saído com Sherlock, havia algo que precisava lhe contar e ela queria falar só com ele no momento. Alistair agora tinha pouco mais de dois anos. Andava e falava habilidosamente. Senhora Hudson podia ver um mini Sherlock no garoto e não conseguia evitar imaginá-lo como consultor dali há vários anos, além de ser um menino alegre e carinhoso como sua mãe.

– Alistair, você gostaria de ter mais alguém pra brincar com você? Outro bebê? – A mulher perguntou, temendo que o garoto pudesse ser ciumento – Ficaria triste se a sua mamãe te desse um irmãozinho?

– Que é isso?

– Bom... Um irmão é... Outro bebê como você. Pra você brincar com ele ou com ela. Mamãe e papai cuidariam de vocês dois. E como você é o irmão que nasceu primeiro, e o irmão que nasce depois ainda é muito pequeno, você tem que ajudar mamãe e papai a tomar conta dele. Mas então ele vai crescer e vai brincar com você. Você quer outra criança pra brincar com você, Alistair?

– Quero! – O garoto exclamou com um sorriso.

– Mamãe e papai vão amar vocês dois do mesmo jeito. Vão amar muito seu irmão, mas vão continuar amando muito você. E você vai amar muito seu irmãozinho também.

– Kitty?

– Não, querido. Kitty é uma irmã diferente, sua irmã mais velha adotiva, você vai entender isso depois. Seu irmãozinho vai ser pequeno como você. Vai ser mais parecido com você.

Ela esperava o garoto lhe mostrar outra expressão confusa, mas um sorriso surgiu no rostinho sardento.

– Yé! — O garoto exclamou em chinês.

– Você vai acabar me deixando maluca falando em duas línguas... Imagina se aprender a falar mais de três como seu pai.

Ele emitiu outra gargalhada e os dois voltaram a brincar com Clyde.

******

– Sair pra um passeio logo depois que chegamos de um caso... Achei que íamos passar o resto da tarde brincando com Alistair ou sair junto com ele. Por que quis me contar aqui nesse banco?

– Você sempre tem que saber de tudo... – ela comentou com um sorriso – Aposto que já sabia antes de eu perceber.

– Apenas um dia de diferença, amor, mas quis esperar por você – ele respondeu com um sorriso sapeca.

– Eu quis vir aqui... Bem, eu te contei sobre Alistair no telhado, onde você deu meu nome às abelhas. Nós estávamos sentados nesse banco investigando um caso que envolvia abelhas africanas, congelando de frio e jantando da melhor maneira que encontramos quando...

– Eu disse que a diferença entre o que eu era antes e naquele momento era você... Continua sendo. Porque depois de todo esse tempo você continua a me surpreender. E confesso que mesmo sabendo que sei o que quer me contar, estou ansioso como se não soubesse, querida.

Joan não lhe disse mais nada, o puxou pelo pescoço e uniu seus lábios num beijo tão amoroso e ardente que poderiam ficar daquele jeito para sempre. Tinham sorte do lugar estar deserto, pois levaram a eternidade para se separarem, e se abraçaram ofegantes durante alguns minutos. Sherlock a acolheu em seus braços quando ela repousou a cabeça em seu peito e levou as pequenas mãos para afagar suas costas.

– Eu estou grávida de novo, Sherlock – ela disse baixinho, quebrando o silêncio.

Sherlock beijou o topo de sua cabeça e a abraçou mais apertado.

– Obrigado, amor. Eu não podia estar mais feliz.

Quando Joan o encarou, viu o sorriso mais lindo de Sherlock, aquele que apenas ela conhecia. Lhe devolveu o sorriso e se beijaram novamente.

******

– Então você está feliz por ter um irmãozinho, meu amor? – Joan perguntava novamente a Alistair, como havia perguntado no início da longa conversa entre os três.

O menino sorriu. Apesar de ser apenas um bebê, Alistair entendia rapidamente o que lhe era ensinado e ele mesmo havia pedido a Joan por um irmão ou irmã uma vez. Fora alguns meses atrás enquanto ele brincava com Sherlock e escutara Joan e senhora Hudson falando sobre irmãos. No mesmo dia ele vira três irmãos, bebês como ele, brincando no parque mais cedo e pareceu ficar encantado com a possibilidade de brincar como alguém tão jovem quanto ele.

– Quando?

– Vai demorar um pouco, Alistair – Sherlock lhe disse – Mais sete meses.

– Quanto é isso?

– Bastante, querido – Joan lhe disse.

– Irmão ou irmã?

O casal riu, às vezes Alistair parecia uma metralhadora de perguntas.

– Ainda não sabemos. Precisamos de mais um mês pelo menos.

– Muito?

– Não. Um mês vai ser mais rápido.

Sherlock recostou-se na cama enquanto Joan brincava com o filho. As lembranças do que havia acontecido há mais de dois anos por vezes voltavam a assombrar seus pensamentos. Lembrou-se do medo de perder Joan, de não saber se ela estava viva ou morta, ferida ou em perigo. O medo do que poderiam fazer com seu filho. O medo de nunca mais vê-los novamente. Ter Joan ali ao seu lado, rindo junto com seu bebê em seu colo, saber que ela estava viva, estava feliz, estava bem. Que a pequena vida que eles haviam gerado juntos e que tanto amavam, aquele pequeno e delicado pedacinho deles dois estava seguro e feliz em seus braços. E que agora sua amada chinesa carregava outra pequena vida dentro dela, criada pelo amor deles dois. Sherlock sentiu-se a pessoa mais feliz do mundo. Abraçou-a pela cintura e beijou seu rosto longamente, sentindo o sorriso de Joan se alargar e nesse momento Alistair emitiu uma exclamação de alegria, fazendo ambos seus pais olharem para ele com um grande sorriso.

– Que bom que está aqui, querido — Joan sussurrou para o pequeno — Mamãe te ama muito. Papai também.

– Vocês dois.

Sherlock mergulhou o rosto no cabelo preto sedoso da chinesa por um instante, até que voltaram a brincar com seu filho. Mais tarde Alistair dormia em seu berço. Sherlock permaneceu acordado, aproveitando a sensação de Joan dormindo por cima dele. O coração dela batendo contra o seu, a respiração suave em seu pescoço, os cabelos negros se espalhando pelo travesseiro e fazendo cócegas em seu braço, a expressão tranquila em suas feições. Sherlock não trocaria aquilo por nada. Beijou o topo de sua cabeça e acariciou suas costas, a velando por longos minutos.

– Boa noite, minha estrela.

De repente ela agitou-se, murmurando em seu sono, e Sherlock virou para o lado dela, a abraçando mais perto e beijando sua testa.

– Shhh... Tudo bem. Tudo bem.

Ela acalmou-se e o abraçou enquanto dormia. Sherlock a confortou, afagando suas costas, até pegar no sono também. Kitty e a senhora Hudson se entreolharam e sorriram ao checar os três pela fresta da porta e os deixaram para dormirem também em breve. A loura agora costumava dormir algumas vezes no sobrado, quando os consultores estavam trabalhando muito e ela ficava para ajuda-los com Alistair. A família precisaria de mais ajuda ainda nos próximos meses, e senhora Hudson e Kitty os ajudariam em tudo que fosse possível. E ambas podiam dizer sem medo que também pertenciam àquela família. Sherlock e Joan as haviam acolhido nos piores momentos de suas vidas, as amado e protegido, e agora tinham um laço indestrutível. Kitty voltara a trabalhar em Nova Iorque no ano anterior e morava no sobrado. Ela seguiu para dormir no antigo quarto de Joan, que havia se tornado seu depois, e senhora Hudson foi para o quarto do andar debaixo, ao lado da cozinha.

******

– Eu realmente sinto muito em incomodá-los em casa. Violet só tem três meses. Mas realmente esse caso está ficando preocupante – Gregson dizia.

– Não se preocupe – Joan lhe disse com um sorriso gentil.

Joan ninava a filha no colo enquanto observava o painel de crimes junto com Sherlock e Kitty. A pequena Violet parecia uma xérox de Joan, a não ser pela cor dos olhos que eram de um castanho mais claro. Tinha cabelos negros como a noite, olhos puxados, pele clara e sardas como sua mãe e irmão. Alistair era completamente apaixonado pela irmã, ficando até mais feliz que os pais quando Violet nasceu.

– Espera... Sherlock – Joan começou, observando alguma coisa em uma das fotos do painel.

O consultor recebeu sua filha nos braços, sorrindo para ela e beijando sua testa. Joan sorriu ao ver os dois. Sherlock finalmente havia conseguido sua princesa, mais uma princesa como ele costumava dizer. Ela se concentrou novamente no painel de crimes.

– O jogo de imagens que o assassino deixou parece um dos jogos infantis de Alistair – Bell comentou.

– Pode ter uma lógica parecida. Ainda não tentando encaixar as combinações que pensamos em todos os jogos possíveis – Joan lhe respondeu.

– São jogos demais – Kitty disse – Precisamos de alguma lógica, por pequena que seja pra termos uma ideia de como tentar montar alguma coisa – a ruiva explicou a Gregson e Bell.

– Senhora Hudson – Sherlock chamou.

– Aqui está, espero que esteja como me pediu.

– Perfeito, obrigado – ele sorriu.

O consultor abaixou-se com a filha no colo. A bebê mordia a mãozinha e observava com interesse as peças de papel colorido no chão.

– Por que um assassino profissional usaria formas tão simples como enigma? – Bell questionou – E que são tão difíceis de decifrar.

– É por isso que não estamos vendo – Sherlock falou – Estamos ignorando o óbvio. Provavelmente, se conseguirmos montar isso, vai nos mostrar algum lugar, algum símbolo, algo que possa nos indicar qualquer coisa.

Antes que Sherlock começasse a fazer novas montagens, Alistair já estava entretido com as peças e as combinava aparentemente sem nenhuma lógica. Os demais o observaram durante algum tempo. Gregson e Bell olhavam para Sherlock como se fosse louco pensando que aquilo levaria a alguma coisa. Alistair só tinha três anos. Quando o menino chegou a certo ponto, Sherlock sorriu e pediu que ele parasse.

– Não tínhamos pensado assim ainda.

– Do que você tá falando? – Bell perguntou.

– Como podem ver, Alistair acabou montando algo parecido com uma rosa dos ventos, mas ele usou as cores em lugares diferentes do que nós três tentamos.

Bell e Gregson pareceram mais confusos ainda.

– Nós associamos as cores da Rosa dos ventos com possíveis direções de acordo com outras pistas deixadas pelo criminoso. Deduzimos que o assassinato se tratou de vingança e ele deixou essas pistas pra serem encontradas. Por gangues rivais, não por nós – Joan lhes disse.

– Só tínhamos que saber que código estavam usando e como ele funciona – Kitty lhes disse.

– Isso! – Sherlock exclamou feliz – Se observarem a rosa dos ventos que nós fizemos e a que Alistar fez... – ele pegou uma transparência de uma rosa dos ventos original – Isso é uma rosa dos ventos como nós costumamos ver. Tínhamos pistas de que o criminoso se escondia ao norte do local do assassinato, mas quando descobrimos que a cor vermelha representava o norte, outras pistas contestaram nossas suspeitas. O que não percebemos é o norte não é o norte.

– O que?! O capitão e o detetive perguntaram completamente confusos.

– Se você girar a rosa de cabeça pra baixo, o norte aponta pra o sul, a direção em que encontramos elementos de cor vermelha que o assassino usa como marcadores. Agora que também deciframos a mensagem com latitude e longitude do outro dia, sabemos onde encontra-lo – Sherlock concluiu com um sorriso triunfante, olhando como orgulho para o filho sentado no chão, agora brincando com um ursinho de pelúcia.

Gregson e Bell arregalaram os olhos, se entreolharam, e olharam para Alistair.

– Eu acho que vi isso acontecer alguns anos atrás – Bell comentou olhando para Joan, que também tinha um sorriso.

– Eu quero três unidades – Gregson começava a dizer no telefone antes de deixar o sobrado com Bell.

– Acho que podemos tirar o restante da tarde de folga – Sherlock disse ao se aproximar da esposa e lhe dar um selinho.

– Eu adoraria. Kitty, você tem algum caso a parte?

– Nenhum no momento. O que você quer fazer, Alistair?

– Brincar com Violet.

Minutos depois os cinco estavam no chão da sala com brinquedos para todo lado. Senhora Hudson chegou no meio da bagunça e estava sentava junto com Kitty, que morria de rir brincando com Alistair e Violet, que ela abraçava em seu colo. Sherlock e Joan estavam recostados no sofá, sentados no chão também, e abraçados um ao outro, observando com satisfação a família que haviam criado. Clyde caminhava em cima do colo dos dois.

– Eu não podia estar, mais feliz, Sherlock.

– Nem eu, minha querida Watson.

Ela riu na menção de como ele a chamava anos atrás. Os dois beijaram-se rapidamente e decidiram pôr Clyde no chão e juntar-se à brincadeira daqueles pequenos raios de esperança que haviam criado.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!